sexta-feira, junho 03, 2016

Peter Lehmann

Independentemente do que andamos a beber no momento, existem vinhos e ou produtores que precisamos de conhecer pelo menos uma vez na vida. Depois se gostamos ou não, são contas que pertencem a cada um. 
Os vinhos de Peter Lehman fazem parte do meu imaginário, principalmente o Stonewell que era dos vinhos que mais gostava. Parecia ser qualquer coisa de diferente e inusitada. Não interessa, agora, se tinha ou tem nesta altura um estilo meio ultrapassado ou menos consensual, para certos de nichos de consumidores. Tenho gratas recordações do vinho. Ponto.


O que sei, se querem saber, é que estava perante um vinho profundamente bem feito, com um equilíbrio, não estou equivocado, pouco habitual para quem bebia quase exclusivamente vinhos portugueses. Paradoxal se pensarmos que a Austrália é colada a uma imagem, certa ou errada, não interessa, de um país com vinhos quentes, pujantes, carregados de fruta preta e com intensos estágios de madeira. Atrevo-me a dizer que, nessa altura, caíram por terra um conjunto de postulados que apontavam para Portugal como um país com largas tradições no vinho de mesa. A verdade, nua e crua, é que éramos novíssimos no universo de vinhos não fortificados. Dêem um salto até aqui


E volvida uma porrada de anos, espetam-me com o vinho outra vez nas ventas, sem eu saber. E sem eu saber, dei comigo a gostar dele, a bebê-lo até à ultima gota, sem qualquer sinal de enfado. Continua a ser um shiraz fresco, equilibrado, ponderado, levando-nos a pensar que os syrah's ou shiraz's feitos made by Portugal são cópias, na generalidade, pouco conseguidas e sem qualquer rasgo de genialidade. Ainda fico admirado, como se consegue andar por aí a meter nos píncaros alguns dos vinhos feitos exclusivamente a partir desta casta que dizem poder ter origem persa.

2 comentários:

Flavio Henrique disse...

Caro Pingus,
Gosto muito dos vinhos de Peter Lehmann, justamente por não terem aquele excesso de extração e peso de muitos Shiraz australianos. Este Stonewell é um monstro. Bebi um mais antigo, que estava uma beleza. Imagino que este 2010 também o estava. Mas deixe-me defender um pouco os belos Syrah portugueses... ;)
Gosto muito de alguns produzidos em vosso belo país: Syrah 24 e outros tantos de José Bento dos Santos; Crasto Superior Syrah (lançamento muito bem-vindo da vinícola); Incógnito (principalmente quando mais evoluídos) e outros da Cortes de Cima etc.
Abraços,
Flavio

Pingus Vinicus disse...

Olá Flávio, por acaso tocou provavelmente nos produtores portugueses que melhor trabalham a casta syrah.
Um grande abraço.