terça-feira, novembro 15, 2016

Anselmo Mendes: Generalidades sobre uma Prova

Num registo superficial e mundano. Tenho que partilhar com vocês que andei (ainda ando) afastado dos vinhos verdes, na generalidade, e dos alvarinhos, em particular. Refiro-me naturalmente aos alvarinhos minhotos, porque relativamente aos restantes alvarinhos do país, o meu interesse é ainda menor. Digamos quase inexistente. Imparcial? Yep.


Os alvarinhos, incluindo os minhotos, davam a impressão que estariam a padecer de uma certa doença, em que os sintomas se pautam pelo excesso de tropicalidade, pela falta de nervo e acutilância, pelo excesso de urbanismo, pela falta de pureza e identidade. Muito trabalhados. E ao coberto desta percepção, talvez incorrecta ou não, afastei-me de muitos produtores e de muitos vinhos. Aplicava-se o provérbio: paga o justo pelo pecador. Paulatinamente e cirurgicamente vou recuperando algum tempo perdido, com o intuito de mudar a perspectiva, quiçá preconceituosa, que tinha ou ainda tenho sobre o assunto.



Anselmo Mendes é uma figura incontornável no mundo dos vinhos em Portugal, principalmente no que respeita aos vinhos verdes e alvarinhos. Dispensa por isso apresentações da minha parte. E foi em redor de alguns vinhos com a chancela desta personagem que medi o pulso ao estado de um universo que não conhecia na totalidade. Longe disso. O saldo foi francamente positivo, ultrapassando as minhas melhores expectativas.



Vinhos que se mostraram profundamente frescos, cheios de vida, com uma estrutura férrea e com personalidades bem vincadas. Revelaram, os vinhos, ser capazes de aguentar as vicissitudes do tempo, sem vacilar. Sem qualquer sinal de decadência. Podia apontar este ou aquele como exemplos, mas a realidade é que todos, sem qualquer excepção, posicionaram-se no patamar da excelência. Epá, desculpem lá o exagero. Ainda assim, permitam-me destacar os Loureiros.






Registe-se ainda a presença de um novíssimo síria, vindo da Beira Interior, que deu a ideia de vir a ser qualquer coisa muito porreira e que irá merecer, de certeza, a atenção dos interessados na matéria.
Resumindo toda esta laracha, devo dizer que fiquei impressionado com a elevada consistência de todos os vinhos provados, o que fez cair por terra algumas das minhas concepções alternativas sobre o possível estado actual dos alvarinhos minhotos e outros quejandos da mesma família. Mas importa lançar a dúvida: Terei sido confrontado com uma amostra que não reflecte, de todo, a realidade ou as coisas estão a mudar?

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