quinta-feira, junho 30, 2016

Os vinhos para a malfadada época Balnear!

Não gosto de praia. Melhor, não gosto da areia entre os dedos, do barulho, do cheiro a protector solar, a bronzeador. Das bolas a saltar. Não curto a porrada de coisas que uma pessoa tem que levar. É isto e aquilo e mais aquilo. Nunca fui apreciador de praia. Nunca quis ficar moreno, sendo que não consigo. Na melhor das hipóteses, fico vermelho, escaldado e dorido. Nunca percebi qual o interesse em estar de papo para o ar, levar com os raios solares em cima do lombo e ir rodando tipo porco no espeto. É literalmente uma dor de cabeça pensar que tenho que ir para a praia. É incomensuravelmente melhor estar à sombra, sossegado, levar com a brisa nas ventas e desligar, ou não, de tudo. Mas pronto, são manias. E eu sempre fui um gajo de com muitas manias.
Uma das maneiras para aliviar o estado de angustia é levar a companhia certa para todos aqueles momentos em que consigo safar-me de meter os pés na areia. Naturalmente, os melhores são aqueles que em estando na praia, não estou nela.


A companhia não é mais que uma caixa com seis vinhos com mais um extra, que são escolhidos sem um critério específico, sem grandes ponderações, sem pensar, muitas vezes no que vou comer. As ementas vão desde as prosaicas conservas, às salsichas, às sempre presentes saladas russas, aos bivalves, ao que apetece fazer e comer.
E a caixa para este ano é formada pelos seguintes vinhos, todos brancos naturalmente:
1.Quinta dos Roques;
2.Quinta das Maias;
3. Muros Antigos Anselmo Mendes Loureiro;
4.Muros Antigos Anselmo Mendes Escolha;
5.Quinta das Bageiras;
6.Quinta de Saes Reserva.
Atrelada vai uma garrafa de Villa Oliveira Vinha do Províncio para um dia mais especial, que pode ser qualquer um, mesmo que tenha uma lata de sardinhas, um tomate e um pimento pela frente.
As férias, essas, começam a sério quando estiver a uns valentes quilómetros de distância do litoral, longe do alvoroço e no meio das minhas deambulações internas.

terça-feira, junho 28, 2016

Quinta de Saes Reserva Branco: Um questão de vício

Não sei se repararam, mas sou um tipo cheio de contradições. Contradições por que consigo encontrar virtudes e defeitos nas múltiplas perspectivas sobre este ou aquele assunto. Contudo, apenas escolho o que quero ou aquilo acho que vou gostar. Digamos que faço uma separação clara entre o que quero e o que compro para mim e o que bebo com este ou aquele ou ali ou acolá. Estranho? É possível, mas é assim. Adiante.


Sou de modas. Sou efectivamente de inclinações. Quando embico com um vinho, nunca mais o deixo em paz, até ficar, sei lá, farto ou cansado dele, acabando por deixá-lo de lado junto aos outros, até um dia. 


Este vinho branco caiu-me no goto. Dá-me um gozo terrível bebê-lo até ao fim, como se o mundo acabasse hoje. Por diversas vezes, desejo guardá-lo, mas termino sempre por descer as escadas e sacar uma garrafa. É uma porra! É um vinho profundamente fresco, com uma tensão que me agrada particularmente, que faz vibrar. Esqueço qualquer teorização sobre o modo como foi feito, por que ele tem (acho eu) o que procuro num vinho branco: muito frescor, muita limpidez, muito tudo aquilo que gosto. Com muito vício à mistura, é claro. Escusado será dizer que está ainda imberbe o dito.

segunda-feira, junho 27, 2016

Com mais ou menos manipulação!

Por causa das ditas leveduras e outros quejandos, devo dizer que fiquei, por alguns momentos, meio confuso com a possibilidade de andarmos meio enganados. Do tipo, pensarmos que bebemos uma coisa que não é essa coisa,  tal como aconteceu com os infalíveis carros germânicos. Por isso, conduzo uma frota de prosaicos e velhos Fiat's. Sei que valem pouco, não enganam, têm muitas falhas (não compro um carro desde dois mil e quatro), mas sei com o que conto. 
Passada a celeuma do bendito purismo versus a maléfica manipulação, tenho que ser honesto comigo. Sou um consumidor polivalente. Ui que coisa horrível! Bebo vinho com madeira, sem madeira, da garrafa, do pipo, do jarro, com copo todo bonitinho ou em copo rude. 


O que importa ou o que tem importado até agora, tem sido o momento ou os momentos, independentemente se este ou aquele vinho cumpre ou cumprirá todos os preceitos, sem qualquer desvio ao que achamos ser o mais correcto. Tenho que ser franco, não percebo de enologia, não sei como se faz um vinho e não posso por isso, defender uma dama, lá porque este ou aquele me diz que é assim. As minhas capacidades de bebedor, não permitem descobrir onde está o gato. Não, não sou capaz.  Mas penso sobre o assunto.
Por isso, deixarei de beber o que bebia, por causa das dúvidas? Decididamente, não! Até porque, dou e sempre dei mais importância às emoções, aos estímulos, às memórias, aos momentos e acima de tudo à companhia. Tenho andado sozinho, por opção. Os vinhos que não bebia, continuarei a não beber e aqueles que bebia continuarei, por certo, a bebê-los. Depois lá por serem mais ou menos manipulados, muitas vezes não (me) diz quase nada. Tem que haver mais qualquer coisa. Têm que fazer click. O meu, que é o que importa. 

quinta-feira, junho 23, 2016

Carlos Lucas diz: Encruzado com Leveduras dos Vinhos Verdes!

Bastava o título, que é da minha inteira responsabilidade, para deixar registada a minha perplexidade, quiçá derivada do enorme desconhecimento que tenho da arte de enologia. É um facto, porque só bebo. Contudo, não deixei de registar que Carlos Lucas, reconhecido e laureado enólogo português, defende que sejam adicionadas leveduras seleccionadas na região dos Vinhos Verdes em vinhos feitos com a casta Encruzado. Leitura e interpretação minha. Devo dizer-vos que fiquei assim meio confuso. Meio sem saber o que pensar ou dizer. 

Revista de Vinhos
A QA23, adorei o nome da dita levedura, é conhecida, segundo consta, por enfatizar as componentes cítricas do aroma, o que pode enriquecer aromaticamente o Encruzado pois, como todos sabemos, em novo não mostra grande exuberância aromática. Logo há que dar um jeito...

segunda-feira, junho 20, 2016

Quinta da Murta: 10 anos de colheitas - 2005 a 2015

Num registo simples, directo, descomprometido e muito terreno, o Hugo disponibilizou a quem mostrasse interesse para tal, uma viagem ao longo de dez anos de colheitas: 2005 a 2015. Não se tratava, de todo, de um evento chique, social e com glamour. A ideia era tão simples quanto isso: quem quiser que venha, que vos ofereço isto. E quem quis foi, dando com toda a certeza por ganho o tempo perdido.


Num timbre profundamente pessoal, o Hugo foi reproduzindo peripécias de cada colheita, relembrando o que aconteceu neste ou naquele ano especifico, tentando enquadrar, da melhor maneira possível, cada um dos vinhos em prova.



E sem entrar em detalhes sobre cada um dos vinhos, o que importa referir é que estamos perante um produtor que será, e afirmo-o com toda a convicção, um dos mais consistentes de toda a região de Bucelas, com um portefólio que tem vindo a ser afinado paulatinamente, ganhando coerência em todas as gamas.
No entanto, tenho a sensação que ainda não foi dado o salto para a ribalta, sentindo que não existem ideias muito claras, por parte do produtor, sobre o destino a atingir. Se as tem, não são, de todo, perceptíveis. Os vinhos precisam, porque merecem, que seja construída uma estratégia coerente no que concerne à sua comunicação, promoção e venda. É que, por vezes, tenho a ideia que estou perante qualquer coisa que sei que existe, mas que quase não se vê.




Encerro esta resenha, registando a beleza da quinta, o enquadramento natural, tornando-a ainda mais especial, mais enigmática. Só é pena, faltar aquilo que falta: estratégia. Acho eu.

terça-feira, junho 14, 2016

O vinho da casa, se faz favor!

Desculpem lá qualquer coisinha, mais uma vez, mas continuo com muitas dificuldades em pagar determinados valores por vinho num restaurante. Epá, custa-me olhar para uma garrafa de vinho que custa numa prateleira três euros e pedirem-me nove euros ou mais. Não sou capaz, não consigo. Não dou. É um absurdo. É um estropio, é uma violação. Ainda por cima, são vinhos que, na maior parte das vezes, não fazem parte das minhas escolhas. 


Quando o faço, é em ocasiões muito especiais, que são raras e sabendo de antemão que o(s) vinho(s) não vale(m) esse preço cá fora. Uma estupidez, assumo. E não me venham, por favor, com a justificação que nestas situações, podemos sempre escolher a cerveja ou a água. Bom, posso partilhar que prefiro Sumol de laranja e se for traçado com branco, melhor ainda. 
Tenho que assumir que me irrita algum preciosismo do tipo: ai e tal, este ou aquele vinho até tem um preço porreiro, tem boa relação qualidade-preço. Não faz qualquer sentido pagar quinze ou vinte euros por uma garrafa de vinho, se o prato que vamos comer custa, por vezes, menos. Ainda mais tresloucado o acto se torna quando, falo por mim, bebemos sozinhos. Já sei. Podemos beber cerveja ou água. Fatalmente, desculpem lá, mais uma vez, mas acabo por escolher, o fatídico jarro, aliás meio jarro, com o vinho da casa, de preferência branco, que vem ali do vizinho e que é de atrás da orelha. É igual ou quase igual ao outro que custa três ou quatro vezes mais, na melhor das hipóteses.


Outra coisa que também me faz eriçar os cabelos, não os da cabeça, são os copos. Existem locais, momentos, ocasiões em que são completamente dispensáveis aquelas etiquetas que tanto gostamos de cumprir. É taça e celebrar o momento. Também já sei. Não frequentam. 

quarta-feira, junho 08, 2016

LOL!? That Was in Danger of Extinction

Calma malta! O título não é da minha autoria. Podia ser, mas não é, apesar de serem respeitadas todas as regras que geralmente são utilizadas em pingusinglês. Mas infelizmente não foi escrito por mim. Tenho que assumir que fiquei com pena. O titulo é parte integrante de um rótulo de um vinho.


A meio do rótulo do tal vinho, reparei numa tirada que me fez voltar atrás: Em Risco de Extinção. O que estaria em extinção? O vinho? Pensei inocentemente. Com mais atenção, percebi que o que estava em extinção não era o vinho, mas sim a casta da qual era feito. Era ela que estava em sério risco de extinção. Tenho que admitir que esta combinação de frases bombásticas despertou a minha curiosidade. Caramba, que grande imaginação tiveram os criadores disto tudo. Pensei eu, novamente.


Tudo parecia ter sido pensado ao pormenor. As informações eram bilingues, permitindo ao mundo saber que a casta está ou (estava?) em risco de extinção.  
Para os que andam mais despercebidos iriam papar isto, sem qualquer questionamento. Comprariam a garrafa com a ideia que estariam a levar uma preciosidade, uma raridade, o que já não é bem assim. Ou é!? Bom, o que ficou na minha retina foi esta passagem: The Moscatel Roxo grape variety, rare variety that was in danger of extinction. Devo partilhar com vocês que não me saía da cabeça a imagem daqueles sinais de perigo que dizem: Danger! Explosives. Keep Out! E por isso voltei a colocá-lo novamente na prateleira. 


sexta-feira, junho 03, 2016

Peter Lehmann

Independentemente do que andamos a beber no momento, existem vinhos e ou produtores que precisamos de conhecer pelo menos uma vez na vida. Depois se gostamos ou não, são contas que pertencem a cada um. 
Os vinhos de Peter Lehman fazem parte do meu imaginário, principalmente o Stonewell que era dos vinhos que mais gostava. Parecia ser qualquer coisa de diferente e inusitada. Não interessa, agora, se tinha ou tem nesta altura um estilo meio ultrapassado ou menos consensual, para certos de nichos de consumidores. Tenho gratas recordações do vinho. Ponto.


O que sei, se querem saber, é que estava perante um vinho profundamente bem feito, com um equilíbrio, não estou equivocado, pouco habitual para quem bebia quase exclusivamente vinhos portugueses. Paradoxal se pensarmos que a Austrália é colada a uma imagem, certa ou errada, não interessa, de um país com vinhos quentes, pujantes, carregados de fruta preta e com intensos estágios de madeira. Atrevo-me a dizer que, nessa altura, caíram por terra um conjunto de postulados que apontavam para Portugal como um país com largas tradições no vinho de mesa. A verdade, nua e crua, é que éramos novíssimos no universo de vinhos não fortificados. Dêem um salto até aqui


E volvida uma porrada de anos, espetam-me com o vinho outra vez nas ventas, sem eu saber. E sem eu saber, dei comigo a gostar dele, a bebê-lo até à ultima gota, sem qualquer sinal de enfado. Continua a ser um shiraz fresco, equilibrado, ponderado, levando-nos a pensar que os syrah's ou shiraz's feitos made by Portugal são cópias, na generalidade, pouco conseguidas e sem qualquer rasgo de genialidade. Ainda fico admirado, como se consegue andar por aí a meter nos píncaros alguns dos vinhos feitos exclusivamente a partir desta casta que dizem poder ter origem persa.

quinta-feira, junho 02, 2016

Diz-me onde metes like e eu direi quem tu és!

A tirada do Hugo Mendes sobre a importância dos likes facebookianos, está profundamente incompleta. Nem parece coisa dele. Mas pronto(s), o homem pertence à fileira :). 
A colocação dos likes diz-nos, também, dos interesses que existem nesta cadeia de amizades profundamente artificial e assumidamente cínica. A volatilidade é de tal ordem que o imprescindível amigo de ontem passa a ser dispensável hoje e se possível apagado, remetido para debaixo do tapete. 



Estes tiques comportamentais são também extensíveis às partilhas de publicações e ou de eventos. E depois existem likes que se devem fazer impreterivelmente, como há likes que é melhor não fazer, de todo. Ou porque o assunto é melindroso ou porque a personagem começa a ser ou é demasiadamente inconveniente. Depois, a beleza também conta. São um conjunto de regras importantes que devem ser cumpridas, por quem pretende ou ambiciona ter uma carreira com futuro, mesmo que não tenha futuro. Bom, tudo tem um preço e o silêncio é regra de ouro.