segunda-feira, outubro 31, 2016

Quinta do Vale Meão: Impressões de uma Prova

Vai cair o Carmo e a Trindade. Vai ser bonito, vai vai. 
Foi mais uma prova organizada por quem (JCL) não tem qualquer relação com o sector. Foi idealizada por quem não tem qualquer ambição em ser qualquer coisa no sector. Estiveram presentes indivíduos com os mais diversos gostos, carteiras, tendências e opiniões. Gente que gosta de beber, sem preconceitos e aprecia acima de tudo a liberdade de expressão, independentemente se vai de encontro a uma maioria ou não. Os vinhos foram comprados no mercado, deu-se por eles o que foi pedido.



Feito o enquadramento, resta dizer que o que será escrito aqui é da inteira responsabilidade do autor. Não importa o que os outros acham ou deixam de achar. O que importa é o que penso e o que acho. Os comentários irão situar-se, por isso, no universo do estritamente pessoal.  
Falar de Quinta do Vale Meão é falar de uma das marcas mais reconhecidas, mais idolatradas que o nosso país tem no que respeita ao vinho. É inquestionável que os seus vinhos são badalados, são falados e premiados repetidamente. E ainda bem que isso acontece. Mais produtores houvesse. Mais houvesse.
Mas que conclusão a tirar de uma prova em que se percorreram todas as colheitas existentes? Estamos a falar de um produtor que consegue meter no mercado um topo de gama desde 1999. Quantos o farão? É obra e é de registo.
Arrisco a dizer que fiquei a meia missa, confuso, indeciso. Não consegui soltar, desculpem lá, um laivo de admiração, não consegui sentir aquele nervoso miudinho de estar a beber um dos vinhos mais icónicos do país. Não quero saber se custaram x ou y, o que importa ou importou é que, apesar de reconhecer qualidade intrínseca, não consegui, por impotência e incompetência, ficar arrebatado. É esta dimensão, repito, que me interessa. Claro que houve colheitas que gostei, como também tive desilusões com anos que tinha como referência: 2001, por exemplo. Mas foi pouco. Esperava por mais, queria mais. Desejava mais. Fiquei insatisfeito. Vá prontos, podemos dizer que estas garrafas não estariam, não estiveram acondicionadas nas melhores condições, influenciando o resultado final. Admito que exista sempre uma variável que seja a justificação para tudo e ao mesmo tempo para nada.




Resta, em jeito de alinhamento final, elogiar mais uma vez a tenacidade e o voluntarismo de quem gosta de vinho e consegue organizar uma prova deste nível. Um prova que foi marcante, a todos os níveis. Uma prova que fez pensar, mais uma vez, a pouca importância que tem se A ou B são amplamente reconhecidos, se em determinado momento não conseguir largar aquele grito (UAU) de satisfação que estava à procura. Não consegui. Uma forma redutora de olhar para o assunto? Acredito, mas é a minha.

sexta-feira, outubro 28, 2016

Aproveite que é Oferta!

Digam lá agora que a malta não ajuda a escolher vinhos. Este post, desculpem a soberba, devia ser premiado pelo serviço público que está a prestar ao consumidor português. Ao consumidor que gosta de beber uns copos, como eu.



Isto é de arromba! Pelo preço de uma garrafa, vejam bem, é possível levar três. Ao levarmos as ditas três garrafas, o preço da primeira é diluído no conjunto. Tomem nota também à seguinte referência: valor aproximado. Será por excesso ou defeito? Não fiz as contas, assumo. LOL.  Por isso, meus caros amigos, não levem só uma garrafa.
Tenho que assumir que isto dá um enorme gozo. É uma rapsódia total, em que só os tontos acreditarão que estamos perante filantropismo.



Anda o pessoal sôfrego em provas, painéis, visitas, nisto e naquilo à procura do último grito em vinhos, e esquece que é cá fora que as coisas acontecem, que têm mais graça. O que andamos a perder! 
E como é quase fim de semana, período propício aos exageros, toca a comprar que a comida também precisa de tempero. 

quarta-feira, outubro 26, 2016

Maria João: The last bottle!

Agora, num registo mais melodioso, mais carinhoso. Sobre o vinho, há que dizer que aparenta ter evoluído bem. Está muito mais equilibrado, mais fino. Devo dizer que entre o tinto com o mesmo nome e o branco, as minhas preferências tendiam para o primeiro. Sempre me pareceu mais bem conseguido, muito mais elegante, fresco e aprumado. Estarei eventualmente a comparar coisas incomparáveis.


O branco padeceu ou padecia de alguns excessos que inviabilizavam a sua ascensão ao patamar do tinto. 


Neste momento pareceu-me estar muito melhor, muito mais apurado, muito mais distinto. É caso para dizer que teve, falo desta garrafa, uma evolução muito positiva. Muito mesmo. Resta-me, apenas, penitenciar-me por ter sido glutão tão prematuramente. Defeito que não consigo evitar.

terça-feira, outubro 25, 2016

Circular aos Bloguetas&Companhia

Vá é a sério! É mesmo a sério. Não pensem que é mais uma rábula. Nada disso. Digam-me estimados companheiros bloguetas e similares, se têm o hábito de reler o que escreveram no passado recente ou distante? Qual é a ideia com que ficam após voltarem a ler o que botaram aí nos vossos sites? Ficam contentes? Orgulhosos? Alteravam alguma coisa? Não alteravam nada? Continuam a acreditar piamente no que escreveram? Ou nem por isso? 


Tenho que confessar que regularmente faço uma revisão ao que escrevi aqui mesmo e nas redes sociais e olhem que fico com a face ruborizada de vergonha. Chiça! Nem acreditam no número de tolices que já larguei. São infindáveis. A plataforma blogger devia, tal como faz o Facebook, alertar para o que foi feito nas estações do ano já passadas. Devo dizer que tenho aproveitado esse instrumento facebookiano para esconder algumas coisas. Eram ridículas. Aqui no blogger vivo na esperança que ninguém leia, que é o mais certo.

quinta-feira, outubro 20, 2016

Alarve Conclusão!

Ao rever as garrafas que tenho junto de mim e que fatalmente vou esvaziando dia após dia, chego a uma conclusão bastante simples: estou a afunilar (conscientemente) as minhas escolhas. Em contrapartida, estou libertar-me de vinhos que não fizeram aquele desejado clic. 



Ao verificar os meus registos, em jeito de balanço, noto que ocorreu um consumo acima da média do vinho que ilustra a coluna de hoje. Apraz concluir, portanto, que este vinho está no topo da pirâmide das minhas preferências. Remato com a seguinte alarvidade: será provavelmente o melhor encruzado dos últimos anos deste produtor que bebi. Era só!

quarta-feira, outubro 19, 2016

Quinta das Carrafouchas: O Branco Vintage

Dando seguimento ao meu caderno de encargos, registo no meu pasquim que estive provavelmente perante o melhor vinho branco deste produtor, até ao momento. E afirmo-o sem qualquer cuidado nas palavras e nos adjectivos. A argumentação é, deste modo, muito simples, directa e sem rodeios. 


E como aviso à navegação, principalmente aos que pensam que temos aqui qualquer coisa que possa ser redondinha, alerto que este vinho apresenta uma boa dose de tensão, de frescura, de pureza.  Um vinho muito focado. Poderão ficar, por isso, desiludidos ao verem defraudadas as expectativas. Arrisco dizer que será o Branco Vintage da Quinta das Carrafouchas. 


Ah! Escusado será dizer mais uma vez que sou amigo do produtor e do enólogo. Não escondo e nunca escondi, por isso encarem tal declaração de interesses da forma como quiserem. Vida sem emoções é uma profunda treta.

sexta-feira, outubro 14, 2016

Chamem o consultor!

Ora reparem na foto que diz Brancos da Bairrada/Tejo. Tudo certo se nessa prateleira estivessem de facto vinhos da Bairrada e do Tejo. Não estavam. Percorri de cima a baixo, da esquerda para a direita e népias. Já nem falo no ridículo que é juntar estas duas regiões. Mas prontos! Dou, também, de barato que não tenha visto, não tenha reparado, pois padeço de uma enorme falta de visão. 


Isto está cada vez melhor, cada vez mais cómico. Será que o consultor, que é produtor, que é enólogo, que é critico e outras coisas não dá umas dicas ao pessoal responsável da maior garrafeira do país, sobre quem é quem? Não está atento a estas pérolas? Bom, e que tal reclamar por informação enganosa? É que queria um branco da Bairrada ou do Tejo.

quinta-feira, outubro 13, 2016

Hospedeiros e hóspedes ...

Ao fim de tantos anos e após muitos litros de vinho a escorrerem pela goela a baixo, sempre pensei que estivéssemos num estado mais evolutivo, mais maduro, mais avançado no que respeita ao conhecimento do vinho, que refinadamente chamamos de enofilia. Mas não. Nada disso! Existe, vejam lá, mais sobraçaria. 
Vivemos debaixo da máxima em que a minha verdade é a Verdade ao contrário da tua. É-se, cada vez mais, confrontado com afirmações absolutas, em que se toma uma parte por um todo. Em que se extrapola para além do razoável, com uma convicção que nos leva acreditar que é mesmo assim. 


E no meio desta loucura, tanto produtores como comentadores alinham pelo mesmo diapasão. Toda a gente sabe, não há dúvidas e nunca há enganos. Hospedeiros e hóspedes vivem, portanto, em perfeita harmonia., servindo-se uns dos outros consoante as necessidades. Enquanto isto, o monstro vai crescendo. 

terça-feira, outubro 11, 2016

Quinta da Fata: Mais uma Garrafa Vazia!

Bebeu-se e bebeu-se muito bem. Até não restar pinga. Apraz dizer, por isso, que cumpriu plenamente a função para a qual foi feito. Cumpriu com garbo e com elevação, apesar da simplicidade que tem. E ainda bem.


Podemos dizer também: que bela malha! Quase que me esquecia que estas coisas ainda existem.


Posto isto, temos mais uma garrafa vazia. E era só o que tinha para dizer. 

domingo, outubro 09, 2016

Em processo de desintoxicação...

A simplicidade é um daqueles estados que só nos faz bem. Ajuda-nos a (re)colocar no lugar algumas das pedras que foram caindo por terra. Percebe-se que a ingenuidade juntamente com uma boa dose de parvoíce possuem a capacidade de afastar-nos da soberba do conhecimento. Da presunção de sabermos tudo, de opinarmos sobre tudo. De sermos doutores de todas as matérias. Permite-nos, acima de tudo, dizer o que vai na mona, sem pensar, sem ter cuidado com as palavras, sem medo que fulano fique amuado. 


A simplicidade permite-nos regressar, pelo menos tentar, a um estado mais básico, sem ansiedades ou objectivos desmedidos. Alivia-nos o peito e permite-nos respirar melhor e olhar para tanta coisa com menos sofrimento. Do tipo, deixem-se estar aí, que estou aqui. Aplica-se, assim, a máxima: mais vale só ...
Demora tempo e não está ausente de dores. Tal como as desintoxicações.

sexta-feira, outubro 07, 2016

Quem dá menos?

Isto anda tudo em saldos. Literalmente anda tudo a pedir o menos possível. 
Para quem anda em cima destas promoções, esperem mais um pouco, pois são capazes de receber dinheiro em vez de dar, mais cedo ou mais tarde, para levar o vosso vinho preferido para casa. Será uma questão de tempo. Ainda vamos ver um chouriço, uma lata de sardinhas ou uma caixa de palitos como brinde extra. Tenham paciência, que há-de lá chegar.

Como diz o outro, eu ainda sou do tempo em que este vinho custava bem mais. Será que ainda tem uva? 
Esperem, por isso, mais um pouco que o preço do vinho, em alguns locais, vai ficar semelhante à dívida da Alemanha. Com juro negativo. Isto começa a ser trágico-cómico. O curioso, curioso, é que ainda não vi em lado nenhum qualquer reflexão séria sobre as razões destes fenómenos e as suas consequências. Assunto desinteressante?

quinta-feira, outubro 06, 2016

PAREM e OUÇAM: PODCASTAS by Hugo, Wilson e Marco

Três cromos (Hugo Mendes, Wilson Honrado e Marco António) juntaram-se para fazer uma coisa qualquer. Essa coisa qualquer está bem esgalhada, está sem mariquices e não tem berloques. E assim é que gosto. Ando de papo cheio de preciosismos e outros quejandos que só provocam movimentos intestinais ou regurgitações. 

Porque gosto muito do que tenho ouvido, vejam lá meninos se dura o suficiente para ser aquilo e não ser mais um. Por isso, pensem em mim antes de se fartarem. Não gastem as hormonas todas no início. Tenham lá juízo, certo? Para o resto da malta, fazem o favor de ouvir. Meter o fatídico like não basta.

Post Scriptum: Por favor, não sejam (nunca) candidatos aos prémios W. Por favor!

terça-feira, outubro 04, 2016

Os Domaine d'António Madeira

O objectivo não é alargar-me em considerações longas sobre o projecto capitaneado por António Madeira. É conhecido por grande parte daqueles que se interessam pelo o que se vai fazendo no mundo do vinho em Portugal. 

O Chateau



Juntamente com outros estarolas, vou acompanhando os passos do miúdo, desde que começou. Vou ouvindo e escutando o que ele quer fazer, no que ele acredita. E eu, ao fim destes poucos anos, começo a uma ter fé cada vez mais forte que o caminho que está a trilhar, apesar de difícil e nada rectilíneo, vai dar muitos frutos. E nós os que procuramos vinhos com identidade só vamos ganhar. 

Segredos: São Muitos!




António Madeira juntamente com o parceiro Luís Lopes (Quinta da Pellada) vão cimentando ano após ano as suas ideias, vão afinando as linhas. E o que vai saindo parece cada vez melhor, ali nas encostas da Serra. Por exemplo, o branco de 2014 roça a perfeição e o Moreish está carregado de frescura e identidade. O Vinha Velhas reforçou a posição de porta-estandarte e está cada vez melhor.

As Vinhas Velhas
A Vinha Centenária
A Vinha da Serra
Bom, o que queria mesmo era registar aqui são imagens dos lugares onde as coisas vão acontecendo. Acreditem que vale a pena conhecer, interpretar, perceber. Acreditem.

domingo, outubro 02, 2016

Quinta da Covada: Mais uma Garrafa Vazia!

É disto que gosto! Porra, é disto que gosto. Foi beber e beber até aparecer o fundo da garrafa. Ficou sem viva alma do vinho. A garrafa. Ainda olhei lá para baixo. Ainda a sacudi. Mas népias! Tinha ido tudo a uma velocidade estonteante. Caramba. Mais houvesse.



Epá, escorria pela goela abaixo que nem uma beleza. Aquilo parecia ter qualquer composto que nos agarrava, tal viciado. Frescura a toda a largura, secura do principio ao fim. Não havia cá tretas disto ou daquilo. É vinho. Era vinho. E olhem que às vezes não é fácil encontrar um. 

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.