sexta-feira, outubro 13, 2017

Um Tónico: Somontes Encruzado

Mataram-se mais uma vez as saudades. Foi um tónico. Foi uma forma de tornear a privação. De forma simples e directa, sem grandes coisas, sem grandes extras, sem grandes elaborações, foi possível saltar para aquele lugar muito especial. 


Foram uns quantos minutos. Não muitos, mas suficiente para sentir no corpo todos aqueles cheiros, aqueles sabores, aquela frescura tão típica. Tão nossa. Apesar de fugacidade do momento, reanimou o ânimo. 

terça-feira, outubro 10, 2017

Fezada, Tiro de Sorte, ou foi feita Justiça ...?

Acredito que seja um exercício muito complicado de se fazer. Que não seja possível ou fácil ter uma resposta óbvia.
Compreendo que ao fazerem um vinho, se criem as melhores expectativas, se perspective um determinado sucesso. O objectivo é que o vinho seja consumido, apreciado, vendido, elogiado. Todos nós gostamos de ser reconhecidos pelo trabalho que fazemos. É humano, é normal. Faz parte da vida.


Percebo que fiquem desiludidos, quando não conseguem obter o reconhecimento que esperavam. Mas quando levam com um 17, um 18 ou mais, olhando para a concorrência, sentem que é mesmo merecido ou, pelo contrário, acham que foi uma fezada? Um tiro de sorte? Ou que chegou a vossa vez? Ou que finalmente foi feita justiça?

domingo, outubro 08, 2017

Celestino Dominó: Que Porra!

Quase que vim correr para aqui, só para dizer que gostei desta porra. Gostei para caraças. Daqueles vinhos que se bebem aos copos, uns atrás dos atrás dos outros. Bebem-se sem pensar, sem custar nada. Em que a garrafa se esvazia num instante, num ápice. Num abrir e fechar de olhos, desaparece. Puf!


De cor alaranjada, feito só com Moscatel de Setúbal, segundo consta, cheira a tanta coisa ou a nada e sabe tanto ou nada. Inusitado e fora de modas. Acima de tudo, despreocupado, descontraído, divertido, puro e simples e sei lá mais o quê.


Atrevo-me a dizer que será provavelmente o melhor Moscatel, não generoso, que bebi nos últimos tempos. Que porra de vinho, só para ser bem educado e não criar incómodo aos mais sensíveis.

sexta-feira, outubro 06, 2017

Maria João: Ai Ca Bom ou Ca Boa?

Já falei nele, mais que uma vez, mas nunca é de mais repetir, quando existem motivos válidos (e bons) para isso. Voltei a comprar uma garrafa, depois de ter limpo o meu stock. 


Meus caros, então não é que este vinho continua a evoluir, a ganhar qualidades, a melhorar? Num estádio de grande afinação e muito equilíbrio e longe, parece-me, de definhar. Um vinho que tem aquela frescura dos vinhos brancos do Dão, capaz de suportar toda a fruta que possui, bem como controlar aquelas marcas do estágio em barrica. Está Bom, bem Bom, muito Bom. Basicamente, Ca Bom


Um vinho para combinar, quase na perfeição, com peixe potente, volumoso, assado nas brasas ou no forno. Posso dizer que está um filho da mãe de vinho. Para ser educado.

terça-feira, outubro 03, 2017

Tapada de Coelheiros: Epá, bem bom!

Epá, bem bom. Podia ficar por aqui e bastava, mas vou dizer mais qualquer coisinha, nem que seja para encher um pouco mais a página. São sempre mais alguns segundos de tempo de leitura que se ganham. Importante para os rankings.


Tapada de Coelheiros pertencia ao grupo restrito de vinhos alentejanos que tinha por hábito comprar. O leque das minhas opções, como devem adivinhar, não era, nunca foi, muito extenso. Com o advento do admirável mundo novo dos vinhos portugueses, em que as novidades pululavam (que palavra tão eloquente) todos os dias, acabei por relegar para planos subalternos os vinhos deste produtor. Tenho que assumir publicamente que foi uma parvoíce.


Termino a coisa de hoje, como comecei. Epá, bem bom. Um vinho branco com personalidade, cheio, profundo, que satisfaz, que tem acutilância. Que acompanha comida, de forma garbosa. Basicamente caiu que nem ginjas. E quando assim é, não se pode pedir mais. Tenho dito. 

segunda-feira, outubro 02, 2017

Auto de Inutilidade

Este é o chamado post inútil. Ou se quisermos o post mete nojo, que serve apenas para mostrar à malta, que também vou bebendo umas coisas raras, estranhas, diferentes. Porque a grande maioria da malta não faz ideia do que se trata, onde arranjar, quanto custa. Portanto é estar a mostrar algo que virtualmente não existe. Toma, toma, toma...



Naturalmente, dá para perceber, que este vinho foi oferecido por um grande amigalhaço. Um amigalhaço dos quatro costados. E quem não gosta de ter gajos destes que, volta na volta, espetam em cima da mesa vinhos deste calibre?

quinta-feira, setembro 28, 2017

Quem dá uma ajuda?

Enquanto procurava por fotos de vinhos de amigalhaços para promover, publicar e fazer publicidade, reparei que ainda tinha guardado na memória do telemóvel duas fotos de um vinho. Apenas diferem na colocação do copo e na presença de uma migalha na toalha de refeição. Ah, reparei que numa delas, a da migalha, também está o saca-rolhas. Parte dele. Meros pormenores estéticos. 


Colocando de lado o facto de ser um vinho comemorativo da Adega Cooperativa, temos ou tínhamos aqui um exemplo de como é que uma pequena COOP do Dão, em comparação com as suas congéneres da região, conseguiu fazer algo personalizado, meio diferente, com laivos de classicismo muito curiosos. Tudo isto a um preço bem porreiro. Algumas boquinhas deviam ter provado este vinho. 


A Porra disto tudo é que agora gostava de ter o vinho e não o consigo encontrar. Quem dá uma ajuda?  Estupidamente não me abasteci convenientemente. Um gajo anda sempre a contar o guito.

segunda-feira, setembro 25, 2017

Quinta dos Roques: Encruzado de 2015

Não, não vos trago nenhuma novidade. A maior parte de vocês já o deve ter bebido, mais que uma vez. O nome do produtor e casta são velhos conhecidos. Respeitados no meio. Por isso, desculpem lá, a monotonia que isto está a ser.


Costuma-se dizer que a última colheita é sempre a melhor. Não sei se é o caso, mas de qualquer modo posso afiançar-vos (gostei desta palavra) que este vinho está a preparar-se para ser um dos melhores encruzados feitos por este produtor e um dos melhores da região.


Caminha para um equilíbrio e finura assinalável, onde a fruta, a madeira e aquela frescura tão típica do Dão se envolvem de forma coerente. Digamos que está a ficar ainda mais afinado, sénior e mais adulto. Numa linguagem brejeira e sem qualquer cuidado, diria que está um vinho do caraças. É, efectivamente, um valor seguro. Colheita após colheita, não falha, não desalinha. Mais coisa menos coisa, não nos deixa insatisfeito ou desiludido. Um exemplo de consistência.

domingo, setembro 24, 2017

Porque não oferecem?

Expliquem-me, por favor, como é possível? Como é possível que existam promoções deste calibre? As diferenças entre os eventuais preços reais e os promocionais começam a ser cada vez maiores. Quase demenciais. Qualquer dia, irão oferecer vinho. Não me digam, por favor, que são os produtores a suportar estas rebaixas de preço. Não acredito, porque todos nós sabemos que estamos perante marcas feitas de propósito para as algumas cadeias de supermercado. 


Não quero acreditar que a malta, o vulgo tuga, que compra estes vinhos (não discuto a sua qualidade) acredite (ou continue a acreditar) piamente que estas promoções são mesmo verdadeiras, que são mesmo genuínas. Esta porra faz-me, e continua a fazer-me, uma enorme confusão na mona. Não há maneira de ser compreendida.


Só queria que uma alma caridosa me explicasse tim por tim como é que isto acontece. Como é possível que um vinho tenha descontos na ordem dos 70%. Toda esta treta tem ares de aldravice. Ou sou estarei, mais uma vez, a exagerar, a ver coisas que não existem? A ser mais um a perturbar este mundo cor-de-rosa.

quinta-feira, setembro 21, 2017

Quinta da Bacalhôa: Tenho que admitir que ...

Bom, larguemos aqueles assuntos que são menores, mas que no fundo divertem-nos e animam a coisa. Decididamente alguma malta leva isto tudo muito a sério. Mas cada um na sua e passemos ao que interessa: A encíclica de hoje e provavelmente a última da semana.
Epá, tenho que admitir publicamente que gostei deste vinho (branco). Gosto quando gosto, não gosto quando não gosto. Digo-o sem qualquer rodeio, ressalva ou mas. Gostei.


Gostei francamente do vinho. Soube-me bem, caiu-me bem. Elegante, sóbrio, pouco exuberante, num registo muito limpo. Com uma curiosa fragilidade que me cativou. Daqueles vinhos, perdoem-me a ligeireza das minhas palavras, que se vão bebendo tranquilamente, sem nos irritar, sem se sobreporem a tudo o resto.


Posso partilhar, até, que foi baixando os níveis de ansiedade que carregava em cima do lombo. Um tipo, às vezes, precisa de algo que coloque ao nível do chão estados de alma menos desejados. Talvez, talvez, precisasse de um pouco mais de nervo, de tensão, de energia. Assim teríamos aqui uma coisa do caraças.

quarta-feira, setembro 20, 2017

Ofereço o meu Lugar!

Mr Aníbal (que é jornalista, autor, provador, enólogo, comprador, escanção (amador) e blogger. Ufa!) continua a surpreender-nos com as suas nomeações. Sem justificações, sem dizer porque escolhe este ou aquele, consegue deitar para fora da sua lista de escolhidos, três dos blogues que foram considerados por ele como os melhores. O que é, no mínimo, muito estranho. Já não prestam? Assim tão rapidamente? Então três dos melhores blogues para Aníbal Coutinho, e que estão em actividade, deixaram de ter qualidade, assim num ápice? O que é que aconteceu, por exemplo, para que o vencedor do ano passado fosse excluído, assim no estalar de dedos?

Nomeados: Clube de Vinhos Portugueses; Comer, Beber e Lazer; Contra-Rótulo; Drinked In; Enófilo Militante; Grão Duque Sambrasense; Os Vinhos; O Vinho Em Folha; Pingas no Copo; Vinho Porto Vintage
Se, por ventura, existir por aí alguém interessado em ficar com o meu lugar na pole final de Aníbal Coutinho, ofereço de bom grado. Não tem qualquer sentido o Pingas no Copo ser nomeado para o quer seja. Ufa!

segunda-feira, setembro 18, 2017

A Reboque de Pedro Garcias

Para ler e para reflectir, mais um artigo de Pedro Garcias. É tempo da malta que gosta de vinho, que o bebe e que perde tempo a falar sobre o assunto, de uma vez por todas, começar a entender que a porra dos concursos e das medalhas têm um valor, muitas vezes, nulo. Valem o que têm de valer.
De uma vez, por todas, e dirigido à malta que gosta de copos, é tempo de começar a pensar que não há os melhores vinhos do mundo. Não há, porque as grandes casas mundiais não metem ao barulho os seus vinhos. Com medo, dirão vocês em coro. Nada disso, apenas não se querem misturar com o grande grosso de vinhos, muitos deles sem ponta de interesse, sem história e que acabam por receber, ainda assim, uma condecoração merecida ou imerecida. Eu também não metia. Livra, era o que faltava. Bastava só contextualizar, para evitar mal entendidos. Mas fica a ideia que quem faz divulgação/jornalismo sabe menos que o Zé da Esquina (nós).


Pedro Garcias fala que seria bem melhor que a critica profissional (adoro fazer esta distinção) fosse ao mercado comprar os vinhos que prova e classifica, ficando o encargo financeiro por conta do produtor (ou do distribuidor - porque não?). Seria perfeito, pois estaríamos, deste modo, mais próximos da realidade do consumidor. Sei que é quase impossível que tal cenário possa vir a acontecer. Mas porque não experimentar esporadicamente? Tipo, fazer regularmente umas provas(zinhas) com vinhos comprados nos locais A, B ou C (identificados de preferência e até serviria de promoção). Mas sem avisos prévios às lojas, por favor. Epá, era uma pedrada no charco. Era estar a dar sinais aos seus leitores que querem estar, de facto, mais próximos deles. Da realidade deles.
E aos bloggers que recebem amostras? Porque não, começarem a dizer que este e aquele vinho foi oferecido para a prova? Que provaram este ou aquele vinho no conforto da adega do produtor, à mesa com ele, que são amigos ou que dão-se muito bem com X ou Y ou Z? É que a mim sabe-me muito melhor o vinho quando estou com o produtor, com o enólogo à mesa com eles (se não pagar, melhor ainda). É que ninguém pode ser acusado de ter amigalhaços. Eu tenho os meus e não os escondo. Como também tenho aqueles que não gosto e não os escondo. Faz parte da vida.

sexta-feira, setembro 15, 2017

Horácio Simões: Viva a Alegria!

E é isto: sexta-feira. Dia para o deboche, dia destinado ao exagero, para sermos estroinas. Como tal, dia indicado para nos divertirmos. Diversão sem limites impostos. O dia da pândega. 


Nada melhor que pegar num vinho divertido, alegre, descomprometido, profundamente apetitoso e guloso. Vinho perfeito para estar numa mesa com aqueles amigos do peito que gostam de um belo churrasco, de petiscar, de picar isto e aquilo. De ficarem empanturrados.


Bebe-se sem moer cabeça, no sentido literal do termo. Ainda assim não é um vinho qualquer. É um vinho que mostra que foi feito com preceito e com cuidado. Por isto tudo e mais alguma coisa que se beba e que se desfrute, pois está bem esgalhado. Ah! Bom fim de semana (com hífen ou sem hífen?).

quinta-feira, setembro 14, 2017

Quinta das Maias: Confortos

Quem não precisa de conforto em determinadas alturas? Quem em determinados momentos não se aconchega numa qualquer coisa para tentar amaciar aquela saudade, aquele estado de alma mais atribulado? Aquela necessidade...

Fresco e sóbrio. Com indicações que vai evoluir muito bem. 
Qualquer que seja o vinho da Quinta das Maias, do mais prosaico ao mais elaborado, catapulta uma torrente de emoções, de vivências e memórias profundamente intimas e pessoais. Não são coisas fáceis de explicar, de torná-las compreensíveis. É muita coisa e ao mesmo tempo não é nada.

Acima de tudo, um vinho com imensa personalidade.
São uma perfeita embrulhada de acontecimentos. Ainda assim, existe sempre uma imagem que sobressai, que se destaca de toda a confusão. A minha mãe. Uma apaixonada pela sua terra, pelas suas montanhas, pela sua Serra, pelas Maias. Basicamente tretas para vocês.

terça-feira, setembro 12, 2017

Ando Esquisito

Ou eu estou errado ou é o mundo. Há aqui qualquer coisa que não bate certo. Numa altura em que os vinhos são todos bons e andam todos bem classificados, parece que tenho mais dificuldade em ficar satisfeito. 


Até experimento, até vou à procura de coisas que dizem ser de top(o), que são xpto, que são isto e aquilo, que são o último grito das novidades. Mas fico quase sempre insatisfeito, esmorecido, chateado. Caramba, como é que possível não ficar saciado com tanta coisa boa que anda por todo lado e que são o pináculo da perfeição. Coisas de um gajo esquisito.

domingo, setembro 10, 2017

Vá, tenham lá calma!

Vá, tenham lá calma. Não se enervem com o que o pessoal partilha nas redes. Não levem tudo a peito, que o mundo é bonito, redondo, está cheio de gente bonita e amigos por todo o lado.
Vá, não levem as coisas muito a sério. A sério. Até parece que (nós) influenciamos os gostos dos outros, até parece que decidimos as tendências do mercado, até parece que somos críticos à séria. Até parece que dão importância à nossa opinião. 


Eu sei que temos a tendência para opinar sobre tudo, tal como os críticos à séria. Mas malta, somos apenas um grupo de gajos e gajas (menos) que gosta de mandar umas bocas para o ar e dizer o que nos vai na alma. Nada mais que isto. Aqui a malta gosta do que tem de gostar, e desgosta do que não gosta. A malta não deve nada a ninguém e não tem que prestar contas a ninguém. Vá lá, tenham calma, não se enervem.

quinta-feira, setembro 07, 2017

Caramba!

Não sei se já aconteceu com vocês. Às vezes dou comigo a olhar para determinada garrafa, após alguns dias, e reparo que não fui capaz de acabar com ela. Ao ponto de ficar esquecida no frigorífico. Devo dizer-vos que fico perplexo quando isso acontece.


Como é possível um gajo que limpa uma garrafa em dois tempos (tempos = dias), não conseguir, por vezes, terminar uma tarefa tão simples? Caramba, é coisa de bruxas ou bruxos. Para não ser acusado de descriminação no que respeita ao género.

quarta-feira, setembro 06, 2017

Epá Malta! É do Caraças!

Num registo completamente desprendido e sem qualquer salamaleques, o que apraz dizer é rápido, conciso e directo. Ou apenas, como quase sempre, um articulado repleto de desapego pessoal sobre a arte de esclarecer.


Existem vinhos que nos marcam. Marcam o dia, marcam o momento e marcam-nos pela qualidade, pela forma como nos prenderam, nos agarraram. Este vinho entrou nos lote dos melhores vinhos brancos que bebi neste malfadado ano de dois mil e dezassete.


Um vinho que revelou ter carácter, complexidade, profundidade e enorme frescura e tensão. Com fruta viva e sadia, sem qualquer rasgo de amadurecimento exagerado. Nos trinques. Um vinho branco com nove anos de idade e que se mostrou, vejam lá a coisa, ainda cheio de juventude. Um vinho do caraças, meus amigos! Do caraças!

sexta-feira, setembro 01, 2017

Sou eu que digo: Isto é muito bom!

Ora aqui vai a opinião mais importante. A minha! Sou eu e a minha bitola, não sei qual é, que vai definir se vale a pena ou é mais um emplastro. Mais um verbo de encher. É que, como já falámos, tudo parece ser muito bom, nos últimos tempos.


Epá malta, tenho que assumir que este vinho está muito bem feito. Situa-se num nível muito alto, a todos os níveis. Equilíbrio, frescura, complexidade, envolvimento. Muito bom.


Um vinho que poderá ganhar uma dimensão ou estatura ainda maior, com o tempo. Bem maior. E sem qualquer medo ou receio, diria-vos que este vinho pode ombrear com os melhores vinhos brancos do país. É coisa que merece respeito. É a minha opinião e é ela que conta. Para mim e para os vizinhos daqui da rua.

quarta-feira, agosto 30, 2017

Comprem!

Não é nenhuma novidade. Não é o último grito no bonito mundo dos vinhos. É simplesmente um vinho que voltei a (re)beber. Mais que uma vez, para ser franco. Fazia uma porrada de tempo que não lhe colocava as beiças nele. 


Está muito porreiro. Se calhar sempre esteve. Está bem fresco, bem tenso, com nervo. Sem qualquer rasgo de tropicalidade ou exuberância pós-moderna. Até o rótulo, alvíssaras, mantém o registo clássico de outras épocas, apesar da renovação que sofreu. Sem rococós perfeitamente dispensáveis.


Para os meus fiéis amigos, apraz dizer que devem comprar disto em quantidades assinaláveis, sem qualquer temor. Um alvarinho sénior, clássico e fiel. Ah, antes de ir, esclareço que não sei se teve 17 valores ou mais em algumas das publicações que se dedicam à crítica de vinhos em PT.

segunda-feira, agosto 28, 2017

De Pança Cheia!

Epá malta, o assunto é repetido. Eu sei. Mas não consegui evitar. É mais forte que eu. Nestes longos dias, só via cair à minha frente notas e classificações a rondar os 17 ou mais. Parece que toda a gente tinha direito ao 17. Apraz dizer, deste modo, que não vou ligar puto a vinhos que tenham tido classificação abaixo deste limite (17). Era o que faltava, com tanto vinho upa upa a circular por aí, em que tudo é muito bom ou quase excelente. A barriguinha, a minha, está cheia. Que abastança.


Podemos dizer, até, que a coisa só tem verdadeiro interesse, agora, acima dos dezoito valores (18). Sendo que é a partir dos dezanove valores (19) que começamos a ter vinhos que valem mesmo a pena. Pelo andar da carruagem, não faltará muito para que vinte valores (20) ou vinte e um valores (21) sejam classificações perfeitamente banais e corriqueiras. Não há fome que não dê em fartura. Estamos literalmente de pança cheia. Mas cuidado com as congestões.
Ah, parece que as equipas das Revistas de Vinho, as velhas que são novas e as novas que são as velhas, foram reforçadas. Fiquei curioso com a entrada de escanções ou sommeliers numa delas. Estou expectante sobre o que estes últimos irão propor à malta. Aguardo com ansiedade o que irão dizer sobre os mais diversos assuntos, relativos ao mundo do vinho. Mesmo os mais delicados.

sexta-feira, junho 16, 2017

Podem festejar!

Para balanço! Vai fechar para arrumações, para fazer o inventário e limpar os cacos que se espalharam num ápice. Há que voltar a colá-los, se conseguir.


Por tempo indeterminado. Podem festejar! Lançar foguetes. Suspirar de alívio. Por agora, tenho coisas bem mais importantes para fazer. Para recuperar. Voltarei quando tiver vontade, sempre no mesmo estilo e na mesma forma. Logo vejo. Até já.

sexta-feira, junho 09, 2017

O Melhor do Mundo...

É um pedido muito pessoal a todos aqueles que trabalham na comunicação e que nos enviam press release's a dar nota do nosso sucesso pelo mundo fora. O pedido é simples. Podem parar com aqueles títulos bombásticos que dizem que o melhor do mundo foi Sicrano ou Beltrano? Por favor, parem com isso. Digam, apenas, que foram os melhores neste ou naquele concurso. Que recebeu esta ou aquela medalha ou diploma ou menção, que foi escolhido para isto ou para aquilo. Ok, entende-se e percebe-se. Deve ser conhecido e divulgado. Nada contra e aplaudo efusivamente.


Mas, por favor, não digam que é o melhor do mundo, na categoria A, B ou C. A sério. Não usem chavões que possam levar ao engano o tipo mais distraído. Só é preciso reajustar a prosa que nos enviam, enquadrar o titulo de forma correcta e consentânea com a realidade. Não custa nada. Vá lá. Depois temos a malta como nós, que não percebe do assunto e amplifica a coisa. É que alguns acreditam, mesmo, que eles foram os melhores do mundo. Por exemplo, o Salvador Sobral não é o melhor do mundo.

quarta-feira, junho 07, 2017

Vale dos Ares: Limited Edition

Os miúdos do vinho estão a arriscar. Arriscam nos vinhos que fazem. Procuram o seu sucesso, o seu lugar ao sol, calcorreando outros caminhos, experimentando novas abordagens. Tentam fugir à norma, ao vinho sem carácter, sem personalidade, sem ponta de graça. Estes miúdos dos vinhos são cada vez mais. E com isto conseguem criar uma falange de seguidores e admiradores. Na maior parte, bem mais cotas, bem menos jovens. Ainda não caíram totalmente nas graças da critica engravatada. Ainda bem. Temo que um dia quando olharem para eles, a sério, se tornem em barões gordos e aburguesados e deixem de falar com o povo. A todos os miúdos do vinho, peço que continuem a assim, não voltem atrás, não mudem a vossa agulha. Continuem!


Estamos, afirmo-o sem qualquer pudor ou contenção nas palavras, perante um vinho branco de grande amplitude, estrutura e frescura. Com uma paleta de aromas e sabores, haja imaginação para os descrever, enorme e bastante complexa. Num registo profundamente seco e sóbrio, por vezes férreo, mas muito apaixonante. Percebe-se que foi arquitectado de forma ponderada e com um objectivo bem definido. Com o simples propósito de nos encher as medidas, de nos deixar satisfeitos, de nos arrumar a um canto e mostrar quem manda


E meus caros amigos, leitores e não leitores, seguidores e não seguidores, este vinho foi uma das melhores surpresas que tive este ano e fatalmente um dos vinhos que mais gozo e prazer me deu a beber. Basicamente era só isto.

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

segunda-feira, junho 05, 2017

Zafirah: Paradigma do Insólito

Este vinho encaixa que nem uma luva naquilo que consideramos de diferente, no sentido mais restrito do conceito. É completamente inusitado e desviante. Tenho alguma dificuldade em procurar algo semelhante ou que se aproxime a isto, aqui em Portugal. O próprio autor diz, em jeito de brincadeira, que é um vinho com problemas, com arestas e sujo (não foi filtrado). Um conjunto de atributos que atiçam a curiosidade de quem procura por aquele derradeiro vinho. 


Um vinho tinto com uma cor muito pouco carregada, quase aberta, não fermentou com a película, com uma frescura pujante, a pedir comida gorda, bem portuguesa. Daquela sem arranjos florais, sem espumas e esferas. Limpa a boca, refresca o palato. Tem fruta vermelha e uma forte componente vegetal. Com presença e com uma rusticidade elegante que nos vicia e que não estamos à espera. Estranha-se, depois entranha-se e nunca mais paramos.


Não foi feito para agradar a todos e nem terá sido esse o objectivo, mas alegrará todos aqueles que gostam de emoções mais fortes, que apreciam desafios intensos, que procuram ter prazer com algo que não seja igual a tudo o resto. Que tenham um vinho à sua mesa, que não seja simplesmente mais um. Se forem um destes, procurem o vinho e bebam-no. Bebam-no sem temor e sem receio (grau alcoólico muito baixo). Irão gostar, certamente. Aos outros, tentem e provavelmente irão ficar surpreendidos. Já, agora, atrevo-me a dizer que temos vinho tinto para o Verão. É que vai com tudo.

sexta-feira, junho 02, 2017

Quinta do Ameal: O Loureiro!

A época balnear abriu oficialmente! Como sempre no dia da Criança, sendo que este ano a época da praia pareceu ter começado mais cedo. Na verdade, e porque está na agenda do dia, cheira-me e sem fundamento, que as características do nosso clima estão cada vez mais semelhantes às do norte de África. Verão durante quase doze meses. Isto está mesmo a mudar, caramba. Ainda iremos festejar o Natal de manga curta.


Por isto tudo, faz cada vez mais sentido que os vinhos sejam mais frescos, mais fáceis, mais sadios, mais leves, com menos madeira, com mais nervo, com mais finura. Começa a não fazer sentido a expressão vinho para o Inverno. E com um Inverno como o nosso, cada vez mais soft, mais ligeiro, podemos na boa  passar a vida a beber vinhos como este, que faz as honras de ilustração para a coisa de hoje. Continua consistente, no registo que nos habituou. 


Com muita frescura. Vibrante. Mostra capacidade para evoluir. Aliás, este vinho sempre teve a capacidade para ganhar dimensão e volume com o tempo. Ah, acreditam que só reparei nos desejados e ambicionados pontos RP, depois da garrafa estar vazia? Ainda tentei tirar etiqueta para a foto, mas estragava o rótulo.

quarta-feira, maio 31, 2017

Cenários Vintage

São momentos de um certo tempo. Digamos que são cenários Vintage. Retratos de um estilo de vida que está a desaparecer, sem gente, em que se bebia um copo daquele palhete bem fresco, junto da latada ou encostado à porta, procurando pela sombra. Um prosaico copo de vinho acompanhado por um bolo seco. 




Provavelmente serão lances toscos, rudes, sinónimo de ausência de evolução, para a maioria de vós. Sem qualquer requinte e que não fica bem mostrar ao mundo. Sem interesse e sem estilo. Mas são coisas que têm um profundo significado para mim. 

segunda-feira, maio 29, 2017

O Chipmunk do António Serôdio

Este post pertence ao grupo dos posts em que a carga pessoal é das mais elevadas. Vou tentar ir por partes, se conseguir. Se não conseguir, que se lixe.
Como é público e sabido nunca pretendi (nem pretendo) esconder as minhas relações, as minhas intimidades, as minhas amizades, os meus gostos, as minhas fraquezas e dúvidas. Não sou independente. Não sou e não quero ser. Sinto-me bem neste estado e é assim que a coisa irá desenrolar-se, até chegar à linha da meta. Mesmo que chegue em último lugar. Já não há idade ou paciência para ser diferente.


O vinho, para além da Matemática, proporcionou-me a possibilidade de conhecer gente. Gente que gosto, com quem estabeleci relações fortes. Gente de quem me tornei amigo. O António Serôdio é um deles. Arriscou vir lá de cima para conhecer os bloggers portugueses em 2007, na York House. Jantou connosco, falou connosco. Falava com ele com enorme regularidade.
Mais tarde, fui a casa dele, algures em Fermentões (Sabrosa). Comi à mesa com ele, bebi o Vinho da Menina, que era do ano de nascimento de sua mãe. Ela estava no topo da mesa. Fumou-se charuto. Professor como eu, mas de ciências bem diferentes das minhas, resolveu lançar-se no mundo dos vinhos. Enviou-me uma garrafa para beber.


Rótulo completamente inusitado. Contra-rótulo completamente louco. Fala sobre aviação. Mas o que importa para mim é que estive perante um vinho branco que reflecte o jovem produtor. Um vinho profundamente fresco. Um vinho que não alinha no diapasão da fruta madura, exuberante e imediata. Um vinho que é limpo, sadio, que é, sei lá, tenso e aguerrido. Cristalino. Um vinho que não se coaduna com urbanidades, nem com quem gosta de coisas da cidade, que gosta do plastificado. Fica muito bem numa mesa e à mesa. Um vinho que me emocionou e que desfrutei até à última gota. Daqueles para beber aos copos. E isto é derradeira homenagem que se pode fazer a um vinho.

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

quinta-feira, maio 25, 2017

Muros Antigos Escolha 2001

Digamos que foi uma das novidades do ano para mim. Não fazia a mínima ideia que existia. Um vinho que terá sido na altura o reactor para uma nova abordagem ao alvarinho. Podemos afirmar que em dois mil e um, já lá vão dezasseis anos, Anselmo Mendes deu início aos Curtimenta, mas ainda debaixo do chapéu Muros Antigos. Distinguia-se dos restantes pela gargantilha dourada e pela menção Escolha. Certamente passaria despercebido.


Um vinho completamente inusitado na sua concepção (curtimenta total em cuba de inox, fermentando até ao fim com as películas). Na verdade, os vinhos brancos portugueses naquela altura estavam bem longe do reconhecimento interno que hoje possuem. Perfeitamente desenquadrado no que seria a moda naqueles tempos. Um arrojo ou uma loucura. Ou ambos. Diz a história que foi a partir desta combinação que saíram as melhores obras. Quando se fica pelo certo e seguro não se sai da mediania. Tal como ir no meio da multidão, sem saber porque se vai lá. Apenas porque é assim e fica bem. Na altura, segundo se consta, o mercado rejeitou este vinho, por causa da cor mais carregada que tinha.


Não conheci o vinho em novo, como devem ter percebido, chegou-me às mãos em estado laranja. Mas num estado maduro, profundamente personalizado, com uma frescura imensa. Num estado que provavelmente não irá ao encontro da multidão, mas que apaixona todos aqueles que procuram por algo que os desafie, que os provoque. Um vinho com uma dimensão, perdoem-me o exagero, ímpar. 

quarta-feira, maio 24, 2017

Confuso?

Analisem, por favor, esta página da Revista de Vinhos - A Essência do Vinho relativo às boas compras do mês de Abril de 2017. Digam-me o que acham. Ajudem a desmontar a coisa. Acham que um vinho com classificação de 14,5 e que custa 10.50€ pode ser considerado uma boa compra? Terá o produtor em causa partilhado esta informação efusivamente?


Outra curiosidade: dois vinhos com a mesma nota, mas com preços completamente díspares (Curva Reserva 2013, o tal que custa 10.50€ e Kopke 2013 que custa 4.30€), ambos do mesmo produtor, ganham o selo Boas Compras. Mirabolante, não? Ah! E como é que um vinho com uns honrosos 13,5 tem direito ao selo? Só porque custa uns simples 2.99€? Parece-me muito curto. Epá, se fosse o produtor do vinho em causa, acreditem, que partilhava com muito alarido e em tom de provocação. Do tipo: tomem lá. Fico com a ideia que cabe tudo ou quase tudo nesta categoria. Desde a água ao jarro do Vinho da Casa, presumo. Há coisas do arco da velha que não se entendem e deixam um tipo meio confuso.