quarta-feira, janeiro 11, 2017

Síndrome de Barca Velha

E por muitas voltas que se dê com a cabeça, não existe nome mais sonante que Barca Velha. Não vale a pena andar com muitos rodeios e com muitas justificações. É assim mesmo e é merecido. Não haverá vinho tranquilo com mais história e glamour em Portugal. 

Das três colheitas que bebi (99, 04 e 08), fiquei com a sensação que esta última proporcionou um BV musculado, ainda muito jovem, mas profundamente enigmático, difícil de deslindar.  Mesmo caindo em lugares comuns, tenho que dizer que estive perante um grande vinho. E sim, foi com o rótulo à vista.
Naturalmente não é vinho que esteja ao alcance de todos, mas é um vinho que todos desejamos beber um dia. Mesmo que publicamente digamos precisamente o contrário. Somos conhecidos por nos armarmos em difíceis. Mas só por muito pouco tempo.


Por vezes, para mostrar a nossa diferença perante todo o mundo, somos levados a dizer da boca para fora que não temos particular interesse nele, que existem outros vinhos bem melhores e que não vale o dinheiro que pedem por ele. Tudo pode ser verdade e genuíno, mas a verdade é que todos nós gostaríamos de ter a sorte de meter as beiças nele. Nem que seja para dizer que não valeu a pena ou simplesmente para meter pirraça aos outros. Porque no fundo, todos os objectos proibidos são olhados com desdém por quem não os consegue ter. 

1 comentário:

Flavio Henrique disse...

Um belo post!
Concordo plenamente. Embora o preço tenha alcançado patamares altíssimos, e se encontre vinhos enormes a preços bem mais baixos, a gente fica sempre salivando quando olha um rótulo de um grande Barca Velha... O meu motivo, eu já adianto: é por que ele é mesmo um baita vinho e sempre deixa lembranças.
Abraços,
Flavio