segunda-feira, maio 29, 2017

O Chipmunk do António Serôdio

Este post pertence ao grupo dos posts em que a carga pessoal é das mais elevadas. Vou tentar ir por partes, se conseguir. Se não conseguir, que se lixe.
Como é público e sabido nunca pretendi (nem pretendo) esconder as minhas relações, as minhas intimidades, as minhas amizades, os meus gostos, as minhas fraquezas e dúvidas. Não sou independente. Não sou e não quero ser. Sinto-me bem neste estado e é assim que a coisa irá desenrolar-se, até chegar à linha da meta. Mesmo que chegue em último lugar. Já não há idade ou paciência para ser diferente.


O vinho, para além da Matemática, proporcionou-me a possibilidade de conhecer gente. Gente que gosto, com quem estabeleci relações fortes. Gente de quem me tornei amigo. O António Serôdio é um deles. Arriscou vir lá de cima para conhecer os bloggers portugueses em 2007, na York House. Jantou connosco, falou connosco. Falava com ele com enorme regularidade.
Mais tarde, fui a casa dele, algures em Fermentões (Sabrosa). Comi à mesa com ele, bebi o Vinho da Menina, que era do ano de nascimento de sua mãe. Ela estava no topo da mesa. Fumou-se charuto. Professor como eu, mas de ciências bem diferentes das minhas, resolveu lançar-se no mundo dos vinhos. Enviou-me uma garrafa para beber.


Rótulo completamente inusitado. Contra-rótulo completamente louco. Fala sobre aviação. Mas o que importa para mim é que estive perante um vinho branco que reflecte o jovem produtor. Um vinho profundamente fresco. Um vinho que não alinha no diapasão da fruta madura, exuberante e imediata. Um vinho que é limpo, sadio, que é, sei lá, tenso e aguerrido. Cristalino. Um vinho que não se coaduna com urbanidades, nem com quem gosta de coisas da cidade, que gosta do plastificado. Fica muito bem numa mesa e à mesa. Um vinho que me emocionou e que desfrutei até à última gota. Daqueles para beber aos copos. E isto é derradeira homenagem que se pode fazer a um vinho.

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