quinta-feira, maio 04, 2017

Sim, gostei: Cortes de Cima

Vou fazer assim um post quase à antiga. Andava com vontade para pegar no vinho e bebê-lo sozinho, sem qualquer influência externa, sem ninguém à minha volta a dizer isto ou aquilo, sem dizer que o vinho é isto ou aquilo. Tinha provado o dito duas ou três vezes em ambiente de feira ou encontros, em que o pessoal parece saber tudo de tudo, até ao ínfimo pormenor. Alguns são puros campeões de provas, maratonistas, com uma capacidade de resistência ímpar.


E sem rodeios, sem aqueles prelúdios, tenho que confidenciar-vos, sem qualquer pejo, que gostei francamente do vinho. Soube-me, antes de mais, muito bem.


Pareceu-me ser, gosto de usar este verbo - parecer, um vinho branco que consegue combinar de forma bem curiosa, quase provocatória, meio louca, algum do peso, da gordura, da fruta meio impositiva, com uma sensação de frescura bem intensa, quase inesperada. Que marcava de forma convicta o momento, deixando um rasto bem vincado. Atrevo-me a dizer, perdoem-me se estarei errado, que será um vinho a dois tempos, meio bipolar. Intenso, voluptuoso, quase carnudo, num primeiro ataque e depois profundamente refrescante, airoso, limpo. Decididamente um alentejano refrescado e muito bem esgalhado. Valeu!

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