sexta-feira, junho 16, 2017

Podem festejar!

Para balanço! Vai fechar para arrumações, para fazer o inventário e limpar os cacos que se espalharam num ápice. Há que voltar a colá-los, se conseguir.


Por tempo indeterminado. Podem festejar! Lançar foguetes. Suspirar de alívio. Por agora, tenho coisas bem mais importantes para fazer. Para recuperar. Voltarei quando tiver vontade, sempre no mesmo estilo e na mesma forma. Logo vejo. Até já.

sexta-feira, junho 09, 2017

O Melhor do Mundo...

É um pedido muito pessoal a todos aqueles que trabalham na comunicação e que nos enviam press release's a dar nota do nosso sucesso pelo mundo fora. O pedido é simples. Podem parar com aqueles títulos bombásticos que dizem que o melhor do mundo foi Sicrano ou Beltrano? Por favor, parem com isso. Digam, apenas, que foram os melhores neste ou naquele concurso. Que recebeu esta ou aquela medalha ou diploma ou menção, que foi escolhido para isto ou para aquilo. Ok, entende-se e percebe-se. Deve ser conhecido e divulgado. Nada contra e aplaudo efusivamente.


Mas, por favor, não digam que é o melhor do mundo, na categoria A, B ou C. A sério. Não usem chavões que possam levar ao engano o tipo mais distraído. Só é preciso reajustar a prosa que nos enviam, enquadrar o titulo de forma correcta e consentânea com a realidade. Não custa nada. Vá lá. Depois temos a malta como nós, que não percebe do assunto e amplifica a coisa. É que alguns acreditam, mesmo, que eles foram os melhores do mundo. Por exemplo, o Salvador Sobral não é o melhor do mundo.

quarta-feira, junho 07, 2017

Vale dos Ares: Limited Edition

Os miúdos do vinho estão a arriscar. Arriscam nos vinhos que fazem. Procuram o seu sucesso, o seu lugar ao sol, calcorreando outros caminhos, experimentando novas abordagens. Tentam fugir à norma, ao vinho sem carácter, sem personalidade, sem ponta de graça. Estes miúdos dos vinhos são cada vez mais. E com isto conseguem criar uma falange de seguidores e admiradores. Na maior parte, bem mais cotas, bem menos jovens. Ainda não caíram totalmente nas graças da critica engravatada. Ainda bem. Temo que um dia quando olharem para eles, a sério, se tornem em barões gordos e aburguesados e deixem de falar com o povo. A todos os miúdos do vinho, peço que continuem a assim, não voltem atrás, não mudem a vossa agulha. Continuem!


Estamos, afirmo-o sem qualquer pudor ou contenção nas palavras, perante um vinho branco de grande amplitude, estrutura e frescura. Com uma paleta de aromas e sabores, haja imaginação para os descrever, enorme e bastante complexa. Num registo profundamente seco e sóbrio, por vezes férreo, mas muito apaixonante. Percebe-se que foi arquitectado de forma ponderada e com um objectivo bem definido. Com o simples propósito de nos encher as medidas, de nos deixar satisfeitos, de nos arrumar a um canto e mostrar quem manda


E meus caros amigos, leitores e não leitores, seguidores e não seguidores, este vinho foi uma das melhores surpresas que tive este ano e fatalmente um dos vinhos que mais gozo e prazer me deu a beber. Basicamente era só isto.

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

segunda-feira, junho 05, 2017

Zafirah: Paradigma do Insólito

Este vinho encaixa que nem uma luva naquilo que consideramos de diferente, no sentido mais restrito do conceito. É completamente inusitado e desviante. Tenho alguma dificuldade em procurar algo semelhante ou que se aproxime a isto, aqui em Portugal. O próprio autor diz, em jeito de brincadeira, que é um vinho com problemas, com arestas e sujo (não foi filtrado). Um conjunto de atributos que atiçam a curiosidade de quem procura por aquele derradeiro vinho. 


Um vinho tinto com uma cor muito pouco carregada, quase aberta, não fermentou com a película, com uma frescura pujante, a pedir comida gorda, bem portuguesa. Daquela sem arranjos florais, sem espumas e esferas. Limpa a boca, refresca o palato. Tem fruta vermelha e uma forte componente vegetal. Com presença e com uma rusticidade elegante que nos vicia e que não estamos à espera. Estranha-se, depois entranha-se e nunca mais paramos.


Não foi feito para agradar a todos e nem terá sido esse o objectivo, mas alegrará todos aqueles que gostam de emoções mais fortes, que apreciam desafios intensos, que procuram ter prazer com algo que não seja igual a tudo o resto. Que tenham um vinho à sua mesa, que não seja simplesmente mais um. Se forem um destes, procurem o vinho e bebam-no. Bebam-no sem temor e sem receio (grau alcoólico muito baixo). Irão gostar, certamente. Aos outros, tentem e provavelmente irão ficar surpreendidos. Já, agora, atrevo-me a dizer que temos vinho tinto para o Verão. É que vai com tudo.

sexta-feira, junho 02, 2017

Quinta do Ameal: O Loureiro!

A época balnear abriu oficialmente! Como sempre no dia da Criança, sendo que este ano a época da praia pareceu ter começado mais cedo. Na verdade, e porque está na agenda do dia, cheira-me e sem fundamento, que as características do nosso clima estão cada vez mais semelhantes às do norte de África. Verão durante quase doze meses. Isto está mesmo a mudar, caramba. Ainda iremos festejar o Natal de manga curta.


Por isto tudo, faz cada vez mais sentido que os vinhos sejam mais frescos, mais fáceis, mais sadios, mais leves, com menos madeira, com mais nervo, com mais finura. Começa a não fazer sentido a expressão vinho para o Inverno. E com um Inverno como o nosso, cada vez mais soft, mais ligeiro, podemos na boa  passar a vida a beber vinhos como este, que faz as honras de ilustração para a coisa de hoje. Continua consistente, no registo que nos habituou. 


Com muita frescura. Vibrante. Mostra capacidade para evoluir. Aliás, este vinho sempre teve a capacidade para ganhar dimensão e volume com o tempo. Ah, acreditam que só reparei nos desejados e ambicionados pontos RP, depois da garrafa estar vazia? Ainda tentei tirar etiqueta para a foto, mas estragava o rótulo.