terça-feira, outubro 16, 2018

A Pescada Cozida

De confecção simples, é das coisas que mais gosto de comer. Fresca e com calibre assim para médio/grande, a pescada cozida ocupa lugar no topo das minhas preferências, junto a outras tantas.


Com uma boa dose de sal, antes de ir para a panela para puxar pelo sabor. Depois cozida com cebola e dois a três dentes de alho, com um raminho de salsa e coentros. Não deixar cozer muito, para não se desfazer. Perde a graça. Na verdade, chateia-me comer o peixe demasiadamente cozinhado. Seja ele cozido ou assado. A parte do bicho que prefiro é, sem qualquer dúvida, a cabeça. Se ela tiver tamanho xxl consegue alimentar dois estômagos potentes. E todos os recantos, espinhas e cartilagens têm o seu encanto e profundo sabor. É chupar até ao fim. Tudo, na cabeça, serve para este propósito. É tipo caça ao tesouro.


Para acompanhar este peixe da família dos cienídeos, uso uma porrada de coisas: batatas, feijão-verde, cabeça de nabo, grelos (prefiro os de nabo), cenoura e, pois claro, um ovo cozido. Depois tudo bem encharcado em azeite, com umas esguichadelas de vinagre, para poder molhar o pão. O vinho tem que ser assim qualquer coisa para o ligeiro e fresco, sem grandes complexidades. Apenas para ir desembuchando.

sexta-feira, outubro 12, 2018

Ide à Adega dos Sabores

Como espaço profundamente pessoal, em que presto contas apenas a mim, não quero perder, desta vez, a oportunidade de elogiar, de publicitar esta tasca de Alcochete. Não sendo necessário, digo-vos que tenho uma relação próxima com o dono da coisa. Adoro falar bem de quem gosto e me trata bem. Ao fim ao cabo, como vocês.




Espaço pequeno, acolhedor, talhado para o petisco. O objectivo não é encher a pança, apesar de ser possível tal desiderato. É que o homem da casa tem mão para a coisa. Isto é para os tachos e panelas. Tudo bem apurado e temperado. Nada de desenxabisses. E se um gajo levar companhia certa, acaba-se por engolir, assim num ápice, uns quatro a cinco pratinhos bem aconchegados. Desde o pica-pau às burras estufadas de comer à colher, aos ovos mexidos com isto ou com aquilo, às moelas, aos cogumelos e mais outras coisas que não me lembro. 



Outra coisa. É também lugar onde há vinho. E a cada ano que vai passando, percebe-se que a aposta e o interesse (o tipo da cozinha, que se chama Pedro, gosta muito de pinga) vai sendo cada vez maior. Por isto tudo e mais algumas coisas que não me lembro, a Adega dos Sabores é (quase) a minha segunda casa em terra por onde habito.

segunda-feira, outubro 08, 2018

António Saramago: Outros Tempos...

Podia começar a coisa com uma tese sobre os vinhos da Península de Setúbal, terra que me adoptou há muitos anos. Não preciso de voltar a dizer e muito menos insistir que esta região não está na minha primeira linha, no que respeita às minhas escolhas. Contudo, não perco a oportunidade para ir provando o que vai saindo no momento, optando por um leque muito reduzido de produtores e vinhos. Ao fim ao cabo, como nas outras zonas do país. Tenho as minhas preferências. Mas apraz dizer-vos que lembro com muita saudade dos velhos vinhos feitos com castelão. Coisas que já não regressam.


Este vinho, meus queridos amigos e desamigos, reporta-nos para um estilo que praticamente já não existe, aqui por Pegões, Palmela, Azeitão e Setúbal. Profundamente elegante, cheio de frescura, tanino seco e muito fino no trato. O tempo fez maravilhas. Caramba, ao reler o que acabei de escrever, até parece que percebo da coisa. 


Vendido, no seu tempo, por dez euros, era dos melhores vinhos, para mim, que  se podia encontrar no polígono de Pegões, Palmela, Azeitão e Setúbal. Escusado será dizer que me proporcionou um dos melhores momentos, no que respeita ao vinho, neste ano de dois mil e dezoito. Talvez por saudosismo.

segunda-feira, outubro 01, 2018

O Casamento Perfeito...

Vejo a malta a falar de combinações, de maridagens, de que isto fica melhor com aquilo, que para comer isto devemos beber aquilo. 


Na verdade vos digo que não haverá maior coerência, melhor maridagem (que palavra tão pipi) que acompanhar um vinho com água, provenientes do mesmo local, da mesma região. Poucos lugares terão vinho e água tão boa. 


Digamos que aqui, a mineralidade e a frescura não se perdem. Prolongam-se. Isto sim, é harmonia, casamento perfeito. 

quarta-feira, setembro 26, 2018

Seria só para explicar à malta!

Apesar de andar meio desmobilizado da coisa do vinho, e por causa das feiras do vinho, notei (mais uma vez?) que nenhuma das edições escritas em papel, vulgo revistas de vinho, fez um artigo, uma peça de investigação ou esclarecimento, sobre a dinâmica das promoções. Como é que são idealizadas, pensadas e aplicadas? Quem ganha? Quem perde? Ninguém perde? Todos ganham?


Podia ser algo do tipo muito simples. Seria só para explicarem à malta como é que se consegue promover um vinho com 50%, 60% ou 70% de desconto. Com ou sem cartão.
É que continua a fazer impressão, ao Tico e ao Teco, ver produtores a lançarem conjuntamente com as cadeias de hipermercados, vinhos com nomes perfeitamente desconhecidos, quase todos premium, a preços de promoção estrondosos. Será que é tema sem interesse? 

segunda-feira, setembro 24, 2018

O derradeiro Churrasco ...

Apesar da diversidade de peças e cortes de carne destinadas ao churrasco, por muito que me digam que o melhor é isto ou aquilo, feito daquela forma ou da outra forma, o derradeiro churrasco, para mim, é de frango. Acompanhado por um arroz de tomate, batata frita e uma salada mista. Tudo prosaico. E picante.




Não há melhor que um belo frango temperado com sal, nada mais, e assado por nós. Dá trabalho, é chato e demora tempo. Mas, caramba, não há nada que chegue aos calcanhares de um frango assado, bem dourado. É decididamente o derradeiro churrasco. 

quarta-feira, setembro 19, 2018

Perdoem-me ...

Pensei e pensei e voltei a pensar. Dei voltas à cabeça. Não consegui encontrar nada de jeito para dizer, o que também não é excepção. Mas podem acreditar que me esforcei. E até me considero um craque a encher chouriços.



Por isso, perdoem-me, por favor, mas o que tenho para dizer é efectivamente muito pouco. Adoro esta porra. Era só, meus queridos amigos.

terça-feira, setembro 18, 2018

Gozo Explícito

Há coisas que não vale a pena explicar. Nem estar com grandes teses argumentativas. Que cada um beba o que quiser, coma o que gostar mais, com o dinheiro que tem. E que se relacione com quem quiser, como quiser. Quando um gajo abandona algo é porque a relação com a ou b não era suficientemente forte. São as chamadas vicissitudes da vida.



Sempre achei muita graça a este vinho. Acho-o bem porreiro, bem balanceado e equilibrado. E com um bom nível de frescura e nervo. Em tempos dizia que estes vinhos eram simbióticos. Depois acho, também, o rótulo bem curtido. Basicamente dá-me muito gozo. Tipo uma cena explícita.

sábado, setembro 08, 2018

Os meus Lugares

Fazendo o que quero e o que me apetece, espeto, apenas, duas fotos. Fotos de lugares que serão meus para sempre, mesmo que tenham outros donos. 



Sou daqui. A minha alma nasceu a partir destes sítios. Estão longe de tudo, mas profundamente próximos das minhas recordações e dos meus sonhos. Um dia, não sei quando, voltarei para eles em definitivo. 

domingo, setembro 02, 2018

Outros Tempos: Quinta do Carmo Garrafeira 1987

Serve unicamente para enriquecer o histórico do blogue e pouco mais. Confrontados com vinhos com determinada idade, estamos dependentes das condições como as garrafas foram guardadas e da sorte que nos calha. Se tudo bater certo, podemos ter acesso a momentos de enorme prazer. Se não, é mais um que vai para o esgoto. Aqui os astros tiveram alinhados.



Por isso e sem mais delongas, apraz dizer que soube-me por este mundo e pelos outros. Um vinho sénior, cheio de força, com músculo e intensidade. Carregado de vida, com imensa frescura e intensidade. Com tudo e mais alguma coisa. Vinho para quem gosta de coisas sérias e gosta de beber bem. Outros tempos, quando Carmo era mesmo Carmo.

quarta-feira, agosto 29, 2018

Falhanços de um Pai: Os Bitoques

Tenho que partilhar com vocês que falhei com as minhas filhas, como pai. Perdi a batalha contra o imediato, contra o fácil. Não consigo convencer as raparigas a comer qualquer coisa diferente, quando se vai comer fora. É impossível lutar contra os bitoques e outras variantes mais fastfoodianas
De Norte a sul, de Este a oeste, mais para a esquerda ou para a Direita, as miúdas comem sempre a mesma coisa. Bitoques. E sabem-nos avaliar. Conseguem desmontar o dito, criticá-lo e apontar os erros. Tenho assistido a autênticas dissertações sobre o assunto entre as três. Sim, tenho três filhas. 

Apesar da foto ser da minha autoria, ela é meramente ilustrativa.
A mais velha, das três, diz algo do género: Como é possível um restaurante não saber fazer um bitoque? Falhar em algo tão básico. Se não sabe fazer um bom bitoque, é porque não é um bom restaurante. 
Segundo ela, não há muito onde falhar. Boa carne, boas batatas, molho com muito alho, louro, vinho e cerveja e um toque de mostarda. Ovo estrelado. Depois o arroz tem que vir à parte. Detestam aquele arroz branco, cozido apenas em água, com sabor a nada. 
Por causa disto, dei comigo a acompanhar as miúdas na demanda do derradeiro bitoque. E de facto as diferenças são imensas. Temos desde aqueles todos pipis aos mais convencionais. Eu tendo a preferir os mais tradicionais, de vaca. 

terça-feira, agosto 28, 2018

Para Vocês!

Meus queridos amiguinhos, venho por este meio pedir-vos, por favor, que escrevam coisas assim pó diferentes. Não é preciso muito. Só gostaria que fossem, apenas, coisas que divertissem, que fizessem rir, que fizessem chorar. Que irritassem, que angustiassem. São desejos. Meus.
Por favor, andamos nisto há tantos anos, que não faz sentido, para gajos como nós, com tantas litradas de vinho no bucho, andar a dizer e a fazer o mesmo de sempre. Contem-me histórias. Falem-me de acontecimentos. Partilhem aventuras. Nem que sejam só para mim. Sim, sou um gajo egoísta. Síndrome de filho único e mimado, da pequena burguesia, que sempre lhe limparam o rabo. 


Não, não quero repetir os mesmos assuntos de sempre, nem atacar ninguém. Ando cansado e com o pavio tão curto, que (quase) me afastei, como medida profiláctica, do mundo. Porra, exceptuando o meu pasquim, não consigo, quase, ler mais nada. Sim, eu sei, tenho um ego gigante e pratico muita onanização. 
Mas tirando o Pedro Garcias, que independentemente do que escreve, quase ninguém anima a malta. O homem tem tomates. Está-se a obrar para o que pensam dele e assume que é falível. Gosto (muito) disso. Às vezes, junta-se o Hugo Mendes, outro destrambelhado, na confusão. Atira-nos com umas cadeiras ao lombo, para acordarmos. Ambos fazem vinho e a malta ainda o compra. É obra! De resto, canudo, bocejamos de felicidade e de alegria. 
Pergunto-vos: precisam disto para viverem? Para se alimentarem? Para dar de comer aos pintainhos que têm em vossa casa? Contudo, compreendo, pois todos nós damos o cu e cinco tostões para andarmos na crista da onda. É humano. Eu também sou assim.

segunda-feira, agosto 27, 2018

Imensurável: Pellada

Tentei várias vezes dar uma introdução decente à homilia de hoje. Mas percebi que seriam apenas palavras ocas, banais, cheias de lixo e lugares comuns. Reconheci pouco depois que o momento não merecia que fosse banalizado e ou normalizado por uma treta de descrição ou considerações sem fulgor. Já existem por aí muitos doutos. 



Vindo de um ano que não me deixou grandes lembranças, este vinho mostra, que se tudo correr bem com o tempo, conseguimos atingir níveis de prazer pouco comuns. São estas ocasiões que nos dizem que as velhacas das dores podem ser, momentaneamente, aliviadas. São fugazes, é certo, mas têm uma importância imensurável.  

segunda-feira, agosto 20, 2018

No fim do Mundo ...

Um episódio sem grandes enredos, sem grandes tramas. Perdido algures no meio do rectângulo continental, sem saber onde encher a pança, descansar um pouco, indicam-me um prosaico lugar. Humildemente dizem-me que é espaço modesto, sem grandes requintes, mas que servem aquela comida caseira, feita por mulher à moda antiga. Como antigamente, disseram.




Se existem momentos que iremos registar para sempre, este é um deles. Sem grandes opções, aposta-se no prato do dia. Afiançam-me que está bem feito, que está a sair bem. Pedi 2 doses. Aconselham-me a pedir menos. Para salada propuseram-me uns tomates com azeite e sal. Ainda vieram uma sopa de espinafres. Caramba, nem imaginam a satisfação que deu. Pedi vinho da casa. Um jarro pequeno, se faz favor, mas sem gás. Bem fresco, soube por este mundo e pelo outro. Com o pão e as azeitonas.



Lá veio a vianda. Encheu-me a barriga e acalmou-me a alma. Bem apurada, simples, mas profundamente saborosa. Tive que me deter, entretanto, pois estava a ser dominado pela gula. No fim do mundo, posso dizer que estive perto do paraíso. 

sexta-feira, agosto 17, 2018

Prova Régia: Nome que vale mais que a região

Existem vinhos que valem mais que a sua região demarcada. Ou dito de outra forma, existem vinhos que, por uma razão ou por outra, transformam-se em embaixadores da sua região. Prova Régia é quase o mesmo que dizer Bucelas. 


Aqui para o caso, pouco importa se reproduz o terroir na perfeição ou se devia ser assim ou assado. Se devia ter outro estilo ou não. O que importa é que temos uma marca que se confunde com a região. Aliás superioriza-se a ela. Tem mais valor acrescentado. Quem esteve mal? 


Bebo com muita regularidade este vinho. Bebo-o, essencialmente, na restauração, em ambiente descomprometido, mas sempre com enorme prazer. Não renego um copo deste vinho. Não faço caretas. Não me armo presunçoso ao ponto de o repelir. Não, não o faço. É um blockbuster que me safou e safa em muitas situações. E este 2017 está particularmente bem porreiro.

quinta-feira, agosto 16, 2018

Mitologia: O Crítico Perfeito

Não há críticos perfeitos, imparciais. Muito dificilmente existirão. Para que possam existir, os candidatos têm que estar longe de tudo e mais alguma coisa. Têm que viver numa ermida, num ermo, numa gruta e deixar crescer a barba.  Vestir farrapos. Têm que se abster de conviver com alguém, de receber prendas, de conhecer este e aquele. Têm de pagar tudo o que bebem e comem. Verdade seja dita, não sei como, pois estarão em clausura ou no desterro e despidos de qualquer rendimento. 


Digamos que o Critico Perfeito e Imparcial estará na dimensão das divindades, no mundo dos Deuses. A par de Odin, de Endovélico,  de Zeus, de Deus, de Shiva. É, portanto, uma figura mitológica. Por isso, tornar-me-ia adepto confesso daquele que assumisse que não é nada disto. Que é humano, que falha. Ao invés de me atirarem areia para os olhos e dizerem que são gajos imunes a todos desejos carnais. Eu não sou e sou um pobre diabo.

quinta-feira, julho 12, 2018

Se um tipo experimenta ...

Verdade seja dita, se uma pessoa tem a sorte de tomar conhecimento com qualquer coisa(sita) que seja assim para o mais diferente, corre um sério risco de não querer voltar ao que já conhecia.


Ficamos sem motivação para regressar à normalidade. Nem queremos saber dela. Olhamos para o que temos e achamos que tudo é banal e com pouco interesse. 


E na maior parte das vezes, nem é preciso muito para perceber(mos) que o mundo é, de facto, muito maior e mais interessante do que pensávamos. Mais valia ter(mos) ficado quieto(s). Ao menos anda(va)-se feliz no meio dos nossos hábitos rotineiros e chochos, como se nada mais houvesse. É que já sabemos o que temos, com o que contamos e não ficamos desassossegados. 

sexta-feira, julho 06, 2018

Quem nunca?

Num mundo dominado pelas redes sociais, uma das práticas mais correntes, de todos nós, é mostrarmos o melhor, o mais requintado, o mais caro, o mais exclusivo. O mais difícil e o mais bonito. Transmitimos a ideia que a realidade, de todos nós, é esta e não outra bem mais prosaica, bem menos vistosa, bem mais monótona. Bem mais mundana. A vida real, essa, não a mostramos. Fica escondida. Mostramos apenas alegorias, projecções daquilo que gostaríamos de ter.




Quem nunca fez uma vianda, a partir de qualquer coisa que estava no frigorífico? Quem nunca pegou numa gamela e enfiou lá para dentro meia dúzia de coisas indiferenciadas e as transformou em algo, feio à vista, mas com enorme sabor?




Quem nunca foi ao supermercado e ao hipermercado e pegou nisto e aquilo para fazer uma tachada de comida para a família ou para os amigos, e a colocou em cima da mesa, para a satisfação de todos? Dir-me-ão que nunca. Só eu.

quarta-feira, julho 04, 2018

Isto está ...

Continuando a silly season, fazendo um esforço para não chatear muito a malta, porque a malta é serena e quer ser feliz, o que apraz dizer é, por conseguinte, muito pouco. 


Por isso, meus queridos seguidores, atentos e desatentos, tenho que partilhar com vocês que este vinho, quase por estrear, está do caraças. Tem tudo e mais alguma coisa e por todas estas razões, digo-vos que é para comprar sem qualquer constrangimento, porque isto está bem porreta, como dizem os nossos amigos brasileiros. 

quarta-feira, junho 27, 2018

Era só isto

Bem ao jeito da época que estamos a atravessar, vulgo silly season. A malta, na maior parte das vezes, esquece que um dos principais fundamentos de beber vinho é ter prazer, é curtir, é alegrar a alma e o espírito. É levitar. E que muitas das vezes é o momento é que dita a regra. Chateia-me, deveras, ter que gostar ou dizer bem de uma bodega qualquer só porque A, B ou C ou todos juntos dizem que é assim. 


Gostei e gostei. Soube-me (muito) bem. Acompanhado por umas cenas indiferenciadas, colocadas na mesa de forma aleatória e sem qualquer preocupação combinatória, fui aviando a garrafa, até descobrir que a tinha esvaziado. 


Quis lá saber se ele, o vinho, era assim ou assado. Se tinha corpo, estrutura, muitos cheiros ou sabores. A idade anda a tolher-me os sentidos e a paciência. Era só isto.

segunda-feira, junho 25, 2018

As conservas

Epá ando doido pelas conservas. Gasto cada vez mais dinheiro neste tipo de alimento, roçando, em muitas ocasiões, o exagero e o extravagante. Não há semana que não experimente uma marca nova.


A qualidade das conservas em Portugal está a atingir um nível muito elevado, preços inclusivé, acabando por tornar este tipo de comida, que antes era sinónimo de refeição fácil e barata, em algo cada vez mais exclusivo. Na verdade, alguns preços situam-se já no demencial. Basta andar pela capital do Império, chamada de Lisboa, para vermos no que se transformou o negócio da conserva.


Sempre fui um comedor de conservas, mesmo no tempo em que elas não passavam de algo trivial, com pouca variedade. Nesse tempo, tínhamos que saltar até Espanha para ter acesso a coisas mais para o diferente. Por aqui pouco mais havia do que atum e sardinha.


Actualmente a realidade é completamente diferente, com a existência de múltiplas marcas. A diversidade é grande, tanto ao nível das matérias primas utilizadas, como na forma como nos são apresentadas, sendo, por isso, possível construir uma refeição de fio a pavio, usando apenas latas ou frascos. Juntemos umas valentes saladas, mais umas ervas aromáticas, e pão para ensopar na molhaça e, acreditem, ficaremos com a pança bem composta. E eu, meus queridos amiguinhos, sou gajo para limpar, sem qualquer constrangimento, meia dúzia de latinhas. Só para acalmar a gula, que no meu caso é muita.