segunda-feira, dezembro 10, 2018

Sem Glória mas ...

Quando falamos de vinho, ou melhor quando mostramos rótulos ou garrafas alinhadas, esquecemos o essencial. Começo a sentir que tudo não passa de fogachos. Intensos no inicio, mas sem combustível para durar. Alinhamos as nossas pretensas amizades, pelo que nos podem oferecer em troca. Se tem muito valor ou não. Procuramos, sem excepção, impressionar o próximo. Acredito que, na maior parte das vezes, não tiramos prazer verdadeiro do chorrilho de garrafas que abrimos e do vinho que estragamos. Bebemos um trago e passamos logo para outra garrafa. Mas tem que ser algo que valha a pena.


Comprei no outro dia uma garrafa de um vinho que costumava beber amiúde, no passado. Bebia-o com prazer e enorme satisfação. Devo dizer-vos que senti vergonha interna ao estender o braço para alcançar a prateleira mais baixa do supermercado. Os vinhos que estão ao nível do chão situam-se, para a malta como nós, ao nível da zurrapa. São desprezíveis. 


Almoço de domingo. Comida de tacho, iniciada e preparada logo pela manhã. Bem cedo. Sem pressas e sem panelas de pressão. Feijão demolhado, couve lombarda, cenoura, barriga de porco, entrecosto, chouriços. Uma de carne e uma moira. A objectivo era recriar sabores e cheiros que se estão a esfumaçar perigosamente. As terras do sul e a distância estão a matar-me.


Enchi o prato, meti o vinho no copo. Timidamente meti as beiças, após a primeira garfada. Fiquei siderado. Como foi possível ter-me esquecido do que é fundamental? A diversão de estar à mesa e a beleza da simplicidade, do descomprometimento. O vinho, vejam lá, que parecia ter desconfiado das minhas desconfianças, alinhou com a vianda que tinha sido preparada. Singelo, de fácil interpretação, fazendo relembrar para que serve. Para parelhar com a comida e desembuchar. Apesar do momento não ter a glória ou glamour de outras ocasiões, que replicamos nas varandas do século XXI (redes sociais), possuía muito mais conteúdo e dimensão. 

quinta-feira, dezembro 06, 2018

Respeito pelo Nabo...

Nunca entendi a expressão não sejas nabo, planta crucífera, quando tem, para mim, uma enorme importância. Ainda para mais, o nabo é utilizado nas mais diversas combinações gastronómicas. Se é assim, colocar o nabo no patamar da idiotice ou de algo que é desprezível é inconcebível.


Adoro nabo. Gosto dele nas mais diversas formas. No Cozido à Portuguesa. Cozido que não tenha nabo, fica coxo. Não está completo. O nabo parelha bem com os enchidos, com o chispe, com a barriga de porco cozida. Com bacalhau. Com pescada ou outro peixe cozido. 
Uso o nabo quando estufo carne. Enriquece o molho e o caldo. Dá-lhe aquele toque terroso, tornando a coisa mais complexa. A lebre e o coelho ou o javali precisam de estar com o nabo. Muito. Gosto de nabo ralado, nas saladas.


É incompreensível se compare o nabo a alguém que não tem habilidade ou inteligência. O nabo, ou melhor o Nabo, merece o maior respeito, de todos nós. Por isso, se vos tratarem por Nabo, fiquem orgulhosos.

quarta-feira, dezembro 05, 2018

Infelizmente não há muito para dizer ...

Não é a primeira vez que me acontece algo semelhante. Quando acontece, não há nada a fazer. É assumir. Pronto.


É provavelmente o melhor encruzado, da era moderna, feito na Quinta da Falorca. Não contam para a equação os mais antigos. São outra estória, como por exemplo o dois mil e dez.


Este dois mil e dezassete está bem porreiro. Muito mesmo. Fresco, com volume e com intensidade. A dar sinais que vai certamente melhorar (ainda mais) no futuro. Tornar-se em algo mais profundo, adulto e sério. Ah! E a garrafita foi esvaziada em três tempos. Era só, por agora.

segunda-feira, dezembro 03, 2018

Uma pequena história ...

Vou contar-vos uma pequena história. Muitos de nós, os armados em especialistas de vão de escadas, já se esqueceram do que bebíamos no passado e que gostávamos bastante. Na verdade, escondemos esses tempos. Somos, agora, todos bebedores de vinhos frescos, elegantes, finos e tão complexos que só nós os entendemos. Depois atiramos pedras a quem não pensa assim, como nós. 


No sábado passado, dia da defenestração, pequei num vinho, apenas por uma razão. Metade do meu código genético é orgulhosamente do Douro Superior. E o nome do vinho apelava a esse registo. Creio até que as uvas ou as vinhas que dão origem ao vinho, são (ou eram) daquela parte do Douro. Mas adiante. E preço à parte, paguei por ele catorze euros e tal, as expectativas eram nenhumas. 


Posso dizer-vos, sem qualquer vergonha ou medo, que fiquei francamente surpreendido. Corpo, intensidade, equilibro, sabor, frescura e secura. E com uma boa dose de elegância. Tudo bem esgalhado e bem mexido. E para quem ainda se lembra, fez-me recordar ipsis verbis o saudoso Castelo D'Alba Vinhas Velhas 2003, quando era um vinho sério e às direitas. Feito (não sei se ainda o é) com uvas de vinhas muito velhas de Freixo de Espada à Cinta. Não sei se foi resultado de uma memória, cada vez mais caduca e degradada, mas este Terras do Grifo soube-me pela vida. E isto é que importa.

quinta-feira, novembro 22, 2018

O Guisado

O guisado é, para mim, das concepções culinárias que mais me apaixona. É daquelas que mais sabores apresenta e oferece. Aparentemente pode dar a ideia de que é qualquer coisa feita sem preceito ou regra, ao estilo tudo lá para dentro do tacho e esperar. Mas não é. Tudo o que se vai enfiando para o tacho tem que ter lógica. Os refogados, os caldos. As especiarias e as ervas aromáticas. A sequência dos ingredientes. Com carne, com peixe ou só com legumes. Gosto que os molhos fiquem espessos, pastosos. Quando ficam aguados, cheira-me a mão pouco cuidadosa e nada apaixonada. Irrito-me quando vejo alguém a usar a panela de pressão para guisar ou estufar. 


Gosto de cruzar sabores num guisado ou estufado. Ir desde os sabores mais terrosos, mais campestres até aos marítimos. A paleta de possibilidades é vasta. E gosto ainda mais no dia seguinte. A feijoada, o rancho são sintomáticos. Atingem uma complexidade de sabores imparável. 


E acima de tudo, os guisados ou estufados confortam-nos o corpo e a alma naqueles dias em que tudo correu mal. Amaciam aquela dor irritante que teima em não desaparecer.

quarta-feira, novembro 21, 2018

Santar Reserva

Não vos trago qualquer novidade. O que vos mostro tem muito pouco de social, de glamour. Trago-vos uma mão cheia de quase nada. 


Uma vez ou outra, lá surge pelas minhas ventas um vinho de outros tempos. Tempos em que a ingenuidade marcava, ainda, o ritmo da minha vida. Gostava muito deste vinho. Apesar de ser de um ano menor, segundo os especialistas, os entendidos, os estudiosos, era um vinho muito equilibrado, muito fino, profundamente clássico. Na altura que o comprei, pela primeira vez, sabia muito mais de vinho do que sei agora. Agora apenas procuro prazer, gozo e divertimento. E, como na altura, tive prazer. Novamente.

quinta-feira, novembro 15, 2018

Não me façam vinhos destes!

Mesmo que um gajo queira, não consegue dizer muito sobre este vinho. E as razões são muito simples. Desde o momento em que se abriu a porra da garrafa, mais a velocidade com que se bebeu o vinho, que era de tal ordem, não foi possível qualquer pausa, para reflexões mais ponderadas. É que, meus queridos amigos e desamigos, não havia tempo. 



O drama aumenta se tivermos ao pé outro gajo, que também não perde tempo em verter para o seu copo, o vinho. Fica-se com a sensação que estamos(estávamos) em competição, não declarada, em que o objectivo é(era), simplesmente, beber mais que o outro gajo, que está(va) ali à nossa frente. Por isso, não me façam vinhos destes. É que um gajo não pára de os beber. Principalmente se o(s) gajo(s) e o(s) vinho(s) forem gulosos.

quarta-feira, novembro 07, 2018

Fui às compras e aproveitei ...

Tal caçador fortuito, esperei que o vinho deixasse de ser vendido ao preço verdadeiro (ironia). Quando caiu a promoção dos setenta por cento, aproveitei e comprei. Comprei ao coberto de dois pressupostos muito simples: a possibilidade de ser profundamente surpreendido ou destinar o vinho para outras funções. Deste modo, as perdas não seriam significativas. Eram riscos calculados.
Não tecerei considerações sobre estes vinhos Premium, Signature, Vinhas Velhas exclusivos das cadeias de supermercados. Já muito se disse. Apenas queria saber se era possível obter algum prazer, alguma satisfação com um vinho destes e se voltaria a comprar. A minha escolha recaiu sobre este vinho branco, engarrafado pelo Monte da Ravasqueira. E sem tiques de elitismo presunçoso, direi que as minhas conclusões foram muito simples.


Não tenho qualquer pejo, em dizer que este vinho não vale os dezoito euros que custa (sem promoção). É um ultraje. Não vale, porque se olharmos para a parafernália de vinhos que existem no mercado e que custam entre quinze e vinte euros, logo perceberíamos que estamos perante um grande engodo. Basta pegarmos, por exemplo, no Esporão Reserva. Não dei, portanto, relevância às variáveis relacionadas com o estilo. Há estilos que não aprecio, mas que reconheço muita qualidade, cuidado e quejandos. Não é o caso. O vinho em causa está longe de tudo isto.


E com promoção? Vale os cinco e tal euros? Também não. Não vale, porque é possível encontrar, mesmo nas grandes cadeias de supermercados, vinhos, neste patamar de preço, muito mais interessantes, mais equilibrados, com mais estatura e que, por conseguinte, proporcionam mais prazer. A variável estilo foi, também, desprezada. Prefiro de longe, o Monte Velho que é mais barato. Ou um Evel. Ou um Pegões Colheita Seleccionada, em última análise. Existem inúmeras opções e que bebemos em ocasiões informais ou em ajuntamentos sociais, com (algum) agrado.
O vinho pareceu-me profundamente doce, cheio de sensações a madeira, com uma acidez que parecia ter sido metida lá, pouco natural. Pareceu-me qualquer coisa assim para o estranho, feita aos empurrões. Após uns tragos ponderados e reflexivos, optei por refrescar umas coxas de frango de aviário que estavam no forno. Guardei o resto que estava na garrafa, para outras situações de emergência.
Sei que é difícil vestir roupa que não é nossa, mas tentando colocar-me no lugar de um consumidor mais normalizado, após provar este vinho, diria que nunca mais voltaria a comprá-lo. Optaria, sem qualquer margem para dúvida, pelos clássicos.

sábado, novembro 03, 2018

Gozo Explícito

Há coisas que não valem a pena explicar. Nem estar com grandes teses argumentativas. Que cada um faça o que quiser, com quem quiser, na posição que achar melhor. Vicissitudes da vida.



Sempre achei muita graça a este vinho. Acho-o bem porreiro, bem balanceado e equilibrado. Com um bom nível de frescura e nervo. Em tempos, dizia que estes vinhos eram simbióticos, transversais, mas sem perderem identidade. Rótulo bem curtido. Basicamente, é um vinho que me dá muito gozo. Assim, de uma forma explícita.

quarta-feira, outubro 31, 2018

A Lei do Barro ...

Entendo que temos que inovar, procurar novos caminhos, vasculhar outras opções. Entendo e respeito. Posso depois, e como consumidor, discordar, gostar ou não, comprar ou não. Mas às vezes, permitam-me, fico meio perplexo com algumas das novas tendências. Ou com o exagero a que elas chegam. Foram os vinhos provenientes de vinhas velhas ou centenárias, quando durante muito tempo nos disseram que grande parte delas tinham sido arrancadas. Depois vieram os vinhos naturais ou biológicos ou biodinâmicos que aprecio e dos quais tento ser um seguidor mais atento. Sempre que é possível, é claro. 

Foto retirada do Suplemento FUGAS
Agora a nova moda, parece-me, é a utilização do barro na concepção de vinho, seja ele branco ou tinto. Num ápice temos, quase em todo o lado, vinho a ser fermentado ou estagiado em talhas, potes ou cântaros de barro. Ou ânforas, se formos mais elitistas. 
Se entendia e compreendia que foi, noutros tempos, prática comum na região sul do país, já não consigo perceber a razão e o objectivo de estarem a surgir vinhos de outras regiões mais a norte, fermentados e estagiados no barro. Será que já há vinho do Dão da Talha? Preciso, portanto, que me ajudem a descortinar as razões, os motivos e o interesse. E um dia, por este caminho, ainda veremos aparas de barro.

sexta-feira, outubro 26, 2018

Às vezes acontece...

Não fui bafejado com muitas qualidades, pelo contrário. Tirando uma ou outra, posso partilhar convosco que era e sou um gajo muito rudimentar. Contudo posso dizer-vos que, desde tenra idade, sempre tive uma imaginação fértil. Nunca fui muito prosaico, pelo contrário, em criar cenas alternativas, em desenhar realidades virtuais. Por isso, seria extremamente fácil gerar um enredo de volta deste vinho. Com princípio, meio e fim. Mas seria um atentado ao dito. 



Desta forma, resta-me dizer que este post serve apenas para mostrar que, de vez em quando, também bebo coisas destas. É raro, mas às vezes lá acontece.

terça-feira, outubro 23, 2018

Parcialidade levada ao extremo...

Este post, como tantos outros que vou largando sem qualquer destino na atmosfera, estará, com toda a certeza, carregado de subjectividade, coberto de total parcialidade, alambazado de sensações pessoais. Direi, sem receio e despojado de todo e qualquer tique pseudo-crítico, que gosto de soltar para o ar, um chorrilho de emoções, muito próprias da minha personalidade, sem qualquer fundamentação, sem qualquer nexo, sem qualquer preocupação. De peito aberto e que se lixe quem não gosta.


Num acto de desespero, em que o vício é levado ao extremo, verto para o copo torrentes de vinho completamente desgovernadas. Eu, sujeito passivo, deleito-me ao vê-las caírem na goela.
Que fino vinho! Que saboroso vinho! Sem evidências, sem adornos, despido de modernidades, de urbanismos mal programados. Tão inocente, tão generoso, tão suave, tão dócil, tão eloquente, tão macio, tão perfumado. Um jogo de emoções que quase não acaba. E emociona.

domingo, outubro 21, 2018

As Batatas e Couves

Sem grandes teses ou discursos. Não sou um grande comedor de batata. Talvez, porque não me saibam bem, nas terras onde habito. Não sou um grande comedor de couves, porque também não me sabem bem, nas terras onde moro. A ambas falta-lhes qualquer coisa, nas terras por onde ando. Talvez lhes faltem o enquadramento. Talvez a paisagem, plana para interior e cimentada para o litoral, lhes tire a alma. São, batatas e as couves, parcas em sabor.



No sítio certo, lá mais para cima, onde as fragas governam e dominam sem oposição, as batatas e as couves atingem elevado estatuto no prato (não se esqueçam que ambas mataram a fome a milhares, no passado). As batatas alcançam um sabor inigualável. A couve, esta planta hortense, consegue uma textura, uma graça que em terras mouriscas não tem. Será do frio, da chuva, da neve, do gelo? Será da casta? Não sei. Sei que não me sabem ao mesmo.


Sei que em tais lugares mais para cima, que são os meus lugares, a batata e a couve atingem uma importância, apenas comparável ao ouro. Na verdade, valem mais. Inundadas com azeite, servem para tudo e mais alguma coisa. Muitas vezes, nem precisam de nada.

terça-feira, outubro 16, 2018

A Pescada Cozida

De confecção simples, é das coisas que mais gosto de comer. Fresca e com calibre assim para médio/grande, a pescada cozida ocupa lugar no topo das minhas preferências, junto a outras tantas.


Com uma boa dose de sal, antes de ir para a panela para puxar pelo sabor. Depois cozida com cebola e dois a três dentes de alho, com um raminho de salsa e coentros. Não deixar cozer muito, para não se desfazer. Perde a graça. Na verdade, chateia-me comer o peixe demasiadamente cozinhado. Seja ele cozido ou assado. A parte do bicho que prefiro é, sem qualquer dúvida, a cabeça. Se ela tiver tamanho xxl consegue alimentar dois estômagos potentes. E todos os recantos, espinhas e cartilagens têm o seu encanto e profundo sabor. É chupar até ao fim. Tudo, na cabeça, serve para este propósito. É tipo caça ao tesouro.


Para acompanhar este peixe da família dos cienídeos, uso uma porrada de coisas: batatas, feijão-verde, cabeça de nabo, grelos (prefiro os de nabo), cenoura e, pois claro, um ovo cozido. Depois tudo bem encharcado em azeite, com umas esguichadelas de vinagre, para poder molhar o pão. O vinho tem que ser assim qualquer coisa para o ligeiro e fresco, sem grandes complexidades. Apenas para ir desembuchando.

sexta-feira, outubro 12, 2018

Ide à Adega dos Sabores

Como espaço profundamente pessoal, em que presto contas apenas a mim, não quero perder, desta vez, a oportunidade de elogiar, de publicitar esta tasca de Alcochete. Não sendo necessário, digo-vos que tenho uma relação próxima com o dono da coisa. Adoro falar bem de quem gosto e me trata bem. Ao fim ao cabo, como vocês.




Espaço pequeno, acolhedor, talhado para o petisco. O objectivo não é encher a pança, apesar de ser possível tal desiderato. É que o homem da casa tem mão para a coisa. Isto é para os tachos e panelas. Tudo bem apurado e temperado. Nada de desenxabisses. E se um gajo levar companhia certa, acaba-se por engolir, assim num ápice, uns quatro a cinco pratinhos bem aconchegados. Desde o pica-pau às burras estufadas de comer à colher, aos ovos mexidos com isto ou com aquilo, às moelas, aos cogumelos e mais outras coisas que não me lembro. 



Outra coisa. É também lugar onde há vinho. E a cada ano que vai passando, percebe-se que a aposta e o interesse (o tipo da cozinha, que se chama Pedro, gosta muito de pinga) vai sendo cada vez maior. Por isto tudo e mais algumas coisas que não me lembro, a Adega dos Sabores é (quase) a minha segunda casa em terra por onde habito.

segunda-feira, outubro 08, 2018

António Saramago: Outros Tempos...

Podia começar a coisa com uma tese sobre os vinhos da Península de Setúbal, terra que me adoptou há muitos anos. Não preciso de voltar a dizer e muito menos insistir que esta região não está na minha primeira linha, no que respeita às minhas escolhas. Contudo, não perco a oportunidade para ir provando o que vai saindo no momento, optando por um leque muito reduzido de produtores e vinhos. Ao fim ao cabo, como nas outras zonas do país. Tenho as minhas preferências. Mas apraz dizer-vos que lembro com muita saudade dos velhos vinhos feitos com castelão. Coisas que já não regressam.


Este vinho, meus queridos amigos e desamigos, reporta-nos para um estilo que praticamente já não existe, aqui por Pegões, Palmela, Azeitão e Setúbal. Profundamente elegante, cheio de frescura, tanino seco e muito fino no trato. O tempo fez maravilhas. Caramba, ao reler o que acabei de escrever, até parece que percebo da coisa. 


Vendido, no seu tempo, por dez euros, era dos melhores vinhos, para mim, que  se podia encontrar no polígono de Pegões, Palmela, Azeitão e Setúbal. Escusado será dizer que me proporcionou um dos melhores momentos, no que respeita ao vinho, neste ano de dois mil e dezoito. Talvez por saudosismo.

segunda-feira, outubro 01, 2018

O Casamento Perfeito...

Vejo a malta a falar de combinações, de maridagens, de que isto fica melhor com aquilo, que para comer isto devemos beber aquilo. 


Na verdade vos digo que não haverá maior coerência, melhor maridagem (que palavra tão pipi) que acompanhar um vinho com água, provenientes do mesmo local, da mesma região. Poucos lugares terão vinho e água tão boa. 


Digamos que aqui, a mineralidade e a frescura não se perdem. Prolongam-se. Isto sim, é harmonia, casamento perfeito. 

quarta-feira, setembro 26, 2018

Seria só para explicar à malta!

Apesar de andar meio desmobilizado da coisa do vinho, e por causa das feiras do vinho, notei (mais uma vez?) que nenhuma das edições escritas em papel, vulgo revistas de vinho, fez um artigo, uma peça de investigação ou esclarecimento, sobre a dinâmica das promoções. Como é que são idealizadas, pensadas e aplicadas? Quem ganha? Quem perde? Ninguém perde? Todos ganham?


Podia ser algo do tipo muito simples. Seria só para explicarem à malta como é que se consegue promover um vinho com 50%, 60% ou 70% de desconto. Com ou sem cartão.
É que continua a fazer impressão, ao Tico e ao Teco, ver produtores a lançarem conjuntamente com as cadeias de hipermercados, vinhos com nomes perfeitamente desconhecidos, quase todos premium, a preços de promoção estrondosos. Será que é tema sem interesse? 

segunda-feira, setembro 24, 2018

O derradeiro Churrasco ...

Apesar da diversidade de peças e cortes de carne destinadas ao churrasco, por muito que me digam que o melhor é isto ou aquilo, feito daquela forma ou da outra forma, o derradeiro churrasco, para mim, é de frango. Acompanhado por um arroz de tomate, batata frita e uma salada mista. Tudo prosaico. E picante.




Não há melhor que um belo frango temperado com sal, nada mais, e assado por nós. Dá trabalho, é chato e demora tempo. Mas, caramba, não há nada que chegue aos calcanhares de um frango assado, bem dourado. É decididamente o derradeiro churrasco. 

quarta-feira, setembro 19, 2018

Perdoem-me ...

Pensei e pensei e voltei a pensar. Dei voltas à cabeça. Não consegui encontrar nada de jeito para dizer, o que também não é excepção. Mas podem acreditar que me esforcei. E até me considero um craque a encher chouriços.



Por isso, perdoem-me, por favor, mas o que tenho para dizer é efectivamente muito pouco. Adoro esta porra. Era só, meus queridos amigos.

sábado, setembro 08, 2018

Os meus Lugares

Fazendo o que quero e o que me apetece, espeto, apenas, duas fotos. Fotos de lugares que serão meus para sempre, mesmo que tenham outros donos. 



Sou daqui. A minha alma nasceu a partir destes sítios. Estão longe de tudo, mas profundamente próximos das minhas recordações e dos meus sonhos. Um dia, não sei quando, voltarei para eles em definitivo. 

domingo, setembro 02, 2018

Outros Tempos: Quinta do Carmo Garrafeira 1987

Serve unicamente para enriquecer o histórico do blogue e pouco mais. Confrontados com vinhos com determinada idade, estamos dependentes das condições como as garrafas foram guardadas e da sorte que nos calha. Se tudo bater certo, podemos ter acesso a momentos de enorme prazer. Se não, é mais um que vai para o esgoto. Aqui os astros tiveram alinhados.



Por isso e sem mais delongas, apraz dizer que soube-me por este mundo e pelos outros. Um vinho sénior, cheio de força, com músculo e intensidade. Carregado de vida, com imensa frescura e intensidade. Com tudo e mais alguma coisa. Vinho para quem gosta de coisas sérias e gosta de beber bem. Outros tempos, quando Carmo era mesmo Carmo.

quarta-feira, agosto 29, 2018

Falhanços de um Pai: Os Bitoques

Tenho que partilhar com vocês que falhei com as minhas filhas, como pai. Perdi a batalha contra o imediato, contra o fácil. Não consigo convencer as raparigas a comer qualquer coisa diferente, quando se vai comer fora. É impossível lutar contra os bitoques e outras variantes mais fastfoodianas
De Norte a sul, de Este a oeste, mais para a esquerda ou para a Direita, as miúdas comem sempre a mesma coisa. Bitoques. E sabem-nos avaliar. Conseguem desmontar o dito, criticá-lo e apontar os erros. Tenho assistido a autênticas dissertações sobre o assunto entre as três. Sim, tenho três filhas. 

Apesar da foto ser da minha autoria, ela é meramente ilustrativa.
A mais velha, das três, diz algo do género: Como é possível um restaurante não saber fazer um bitoque? Falhar em algo tão básico. Se não sabe fazer um bom bitoque, é porque não é um bom restaurante. 
Segundo ela, não há muito onde falhar. Boa carne, boas batatas, molho com muito alho, louro, vinho e cerveja e um toque de mostarda. Ovo estrelado. Depois o arroz tem que vir à parte. Detestam aquele arroz branco, cozido apenas em água, com sabor a nada. 
Por causa disto, dei comigo a acompanhar as miúdas na demanda do derradeiro bitoque. E de facto as diferenças são imensas. Temos desde aqueles todos pipis aos mais convencionais. Eu tendo a preferir os mais tradicionais, de vaca. 

terça-feira, agosto 28, 2018

Para Vocês!

Meus queridos amiguinhos, venho por este meio pedir-vos, por favor, que escrevam coisas assim pó diferentes. Não é preciso muito. Só gostaria que fossem, apenas, coisas que divertissem, que fizessem rir, que fizessem chorar. Que irritassem, que angustiassem. São desejos. Meus.
Por favor, andamos nisto há tantos anos, que não faz sentido, para gajos como nós, com tantas litradas de vinho no bucho, andar a dizer e a fazer o mesmo de sempre. Contem-me histórias. Falem-me de acontecimentos. Partilhem aventuras. Nem que sejam só para mim. Sim, sou um gajo egoísta. Síndrome de filho único e mimado, da pequena burguesia, que sempre lhe limparam o rabo. 


Não, não quero repetir os mesmos assuntos de sempre, nem atacar ninguém. Ando cansado e com o pavio tão curto, que (quase) me afastei, como medida profiláctica, do mundo. Porra, exceptuando o meu pasquim, não consigo, quase, ler mais nada. Sim, eu sei, tenho um ego gigante e pratico muita onanização. 
Mas tirando o Pedro Garcias, que independentemente do que escreve, quase ninguém anima a malta. O homem tem tomates. Está-se a obrar para o que pensam dele e assume que é falível. Gosto (muito) disso. Às vezes, junta-se o Hugo Mendes, outro destrambelhado, na confusão. Atira-nos com umas cadeiras ao lombo, para acordarmos. Ambos fazem vinho e a malta ainda o compra. É obra! De resto, canudo, bocejamos de felicidade e de alegria. 
Pergunto-vos: precisam disto para viverem? Para se alimentarem? Para dar de comer aos pintainhos que têm em vossa casa? Contudo, compreendo, pois todos nós damos o cu e cinco tostões para andarmos na crista da onda. É humano. Eu também sou assim.