quinta-feira, junho 21, 2018

A Mesa

Tive a sorte, no outro dia, de conseguir reproduzir em cima de uma mesa algo que é cada vez mais raro. Para mim. Não sendo a melhor cópia, foi o que foi possível no momento. 
Ter os melhores enchidos, sem o excesso de fumo (uma das razões porque nunca consegui habituar-me às versões sulistas), é quase uma quimera, para quem passa, como eu, grande parte da sua vida enfiado e amontoado nesta esquizofrénica linha litoral, entre Braga e Setúbal. Portugal Metropolitano, segundo consta. 

Queijeta, pão, chouriça, presunto e azeitonas. Feitos por mãos.
A treta é que tenho uma necessidade premente de comer com contexto. É uma forma de potenciar o meu prazer, torná-lo mais orgástico. Ter um contexto é fundamental, é imperioso. Preciso de sentir que o que mastigo está de acordo com o que está em redor. Principalmente se esse redor tiver a ver comigo.  E a esta mesa faltou-lhe esse redor. Estava desenquadrada.

quarta-feira, junho 13, 2018

Quinta de Camarate: O Rosé

As vantagens de escrever num computador é que permite poupar papel. É o lado ecológico da tecnologia. Se fosse de forma mais convencional, já tinha dado cabo de uma porrada de folhas, tal foram as tentativas frustradas para dar inicio à coisa de hoje. Não está fácil, como tal que se faça da maneira mais simples. Directo ao assunto.


Comprei o vinho na Casa da Baía, em Setúbal. Trata-se de um centro de promoção turística da região, situado num edifício do século XVIII, onde podemos adquirir produtos identificativos da região de Setúbal. Queijos, doçaria, vinhos. Espaço que aconselho vivamente visitar. Para beber um copo, para tomar café, para estar um pouco. 


E sem demorar mais tempo, tenho que vos dizer que me soube bastante bem o vinho que ilustra a publicação do dia. Apesar de possuir uma cor mais carregada que o habitual, que tende actualmente para o salmonado, mostrou ser um rosé de perfil seco, com razoável profundidade. Gostei do seu equilíbrio, da sua persistência, da forma como a fruta nos é oferecida. Sem exageros. Um vinho, pareceu-me, que alinha essencialmente pela elegância. Para além de estar bem porreiro, bebeu-se sem qualquer esforço. E prontos, basicamente era isto.

segunda-feira, junho 11, 2018

La Bruja de Rozas

Há uma porrada de tempo que não bebia os vinhos do Comando G. Um comando formando por Daniel Jimenez-Landi e Fernando Garcia. O G reporta-se a Garnacha. Os vinhos que saem das mãos desta dupla são desafiantes e meio loucos. Vindos de vinhas situadas a mil metros de altitude, na Serra de Gredos. É daqueles que nos abrem a cabeça e as pupilas gustativas, para outras cenas mais alternativas. Vinhos indicados, portanto, para quem quer sair do conforto do mesmo de sempre. 

Desculpem as nódoas na toalha, bem como a fraca apresentação da vianda.
Este Bruja é um mero entrada de gama do Comando, mas ainda assim mostra ser um vinho completo e provocador. Não sendo um simplório qualquer. Mostra-nos, também, que os catorze graus de álcool não interferem e não destroem o prazer. 
Um vinho bastante fresco, cheio de impressões vegetais. Repleto de fruta sumarenta, limpo de madeira e pouco concentrado na cor. Seco e refrescante na boca. Bebeu-se com profundo agradado e enorme satisfação, de tal forma que a garrafa se esvaiu num ápice. 

sábado, junho 09, 2018

E um Anthony Bourdain português?

Ainda na ressaca provocada pelo desaparecimento inusitado, ou não, de Anthony Bourdain, esta mona desembocou em meia dúzia reflexões. Simples e sem grandes articulados argumentativos, como é apanágio. 
Temos, por aqui em Portugal, algum aspirante a Anthony Bourdain que seja capaz de criar e manter uma verdadeira legião de fãs? De fãs devotos, em dimensão razoável? Com capacidade para fazer escola, criar uma industria com o seu nome. Capaz de rasgar com os ditames mais conservadores da nossa crítica gastronómica e de vinhos. Será que este desejo secreto é coisa que nunca irá acontecer, neste país que se comporta continuadamente de forma insossa e pequena, em que só vinga o gajo sem piada, certinho, formal e sem qualquer laivo de opinião? 

A verdadeira foto.
A gritante falta de humor, de provocação torna-se, na maioria dos casos, cansativo, monótono e desmotivante. Faz lembrar os sermões da professora do Charlie Brown. Lembram-se deles? Caramba, meus senhores, façam lá um esforço para acrescentar algo mais desafiante, mais picante, mais temperado e mais divertido. Não é preciso muito.

sexta-feira, junho 08, 2018

Salvé Anthony Bourdain!

Não sou gajo para idolatrar. Nunca tive ídolos. Minto. A minha mãe é o meu único ídolo. Não sou seguidor de ninguém. Quando morre alguém, mais ou menos famoso, passo ao lado do momento. Registo, apenas, o facto. 
Com Anthony Bourdain era diferente. A coisa aqui pia de maneira diferente. Gostava muito do gajo. Gostava dos programas dele. Ainda hoje vi um em que estava a comer e a beber vinho, enfiado numa adega, algures na Croácia. Mais uma vez, fiquei com dores de inveja. Delirava com as enormes orgias de comida e bebida, em que aparentemente se envolvia. Pura decadência. Desvairos alimentares e alcoólicos levados ao máximo. Digamos que ele era a versão moderna do clássico La Grand Bouffe


Anthony Bourdain, permitam-me, é o grande guru, o profeta, de todos aqueles que gostam de borgas, de farras desmedidas. Daquelas valentes pândegas, livres de irritantes etiquetas e salamaleques presunçosos, que tiram o apetite a um simples mortal. 
Merece que se construa um altar, pois todos aqueles que gostam de comer e beber de forma ávida, como  eu, merecem um lugar de culto. Um lugar onde comer e beber sejam os únicos dogmas. Em memória dele, que se viva, como se o mundo acabasse amanhã. Daqui, deste lado, saúdo-te. Salvé Bourdain! 

quarta-feira, junho 06, 2018

Voltei a 96

Como dizia o outro ainda sou do tempo em que combinar bacalhau com um belo tinto do Dão, maturado pela idade e amaciado pelo tempo, era dogma. De facto, durante anos e anos, respeitei a lei. Com o tempo, comecei a preferir acompanhar o fiel amigo com vinho branco, largando definitivamente o tinto.


  
Sem saber ao que ia, fui novamente convidado a emparelhar um tinto com o dito peixe, apresentado numa das formas mais clássicas. Assado nas brasas, com batata, bem regado com azeite e alho. E afianço-vos que todos os elementos jogaram na perfeição.


O bacalhau, o azeite, o alho e o vinho sincronizaram-se de forma exemplar. Gordura da comida e frescura do vinho. O tinto estava num perfeito estado de equilíbrio, profundamente refrescante. Por cada garfada, sucedia-se um valente trago. E tudo batia certo. Demasiado certo. Se há alturas em que não queremos recordar e nem regressar ao passado, há outras em que o fazemos com um sorriso nos lábios.

terça-feira, junho 05, 2018

O Pargo

E o pargo, meus amigos? E o pargo? Mulato ou legítimo? O primeiro mais modesto no preço e de acesso mais fácil. O segundo menos modesto, aparentemente mais requintado e nobre.



Tenho optado, nos últimos tempos, por peixes menos nobres, no que isto quererá dizer. Dentão, rascasso, cantaril, salongo, cavala. Vendidos a preços muito mais cordatos que os galácticos sargos, gorazes, chernes, garoupas, salmonetes (adoro), pregados ou linguados do mar. Até o popular peixe-espada branco começa a aproximar-se dos lugares cimeiros, no que respeita ao preço. No outro dia, reparei que estava a catorze euros o quilo.
Aprecio cada vez mais o pargo mulato, em detrimento daquele que é legítimo. Mais suculento, menos seco e menos neutro que o seu irmão vermelho. Depois a minha miudagem não enrola este peixe na boca. Não fazem aquelas bolas de proteína, que mastigam tempos a fio. Logo, os meus nervos agradecem.



Preferencialmente assado no forno, acolitado com poucos ingredientes. Bastante alho, duas a três ervas aromáticas. As que tiver no frigorífico ou no quintal. Tudo enfiado na barriga e nas guelras. Sal, azeite e muito vinho branco ou espumante. Aliás, uso cada vez mais o espumante, como substituto de vinho branco. Mas seja qual for a opção, despejo quase sempre meia garrafa. O Pêra Manca já teve essa honra.
Depois é assar durante o tempo necessário, apenas para cozer, sem deixar secar. É que não aprecio peixe muito cozinhado, seja nas brasas ou no forno. Basicamente, é controlar o tempo para que o sangue desapareça da carcaça e já está.

segunda-feira, junho 04, 2018

PioCesare Chardonnay

Comprei sem ter qualquer referência. Sem saber o que se dizia sobre o vinho. Sobre os tintos, posso dizer-vos que sou um adepto do produtor. Gosto muito deles. Só tenho pena que um simples tintinho, presumo de entrada, se amande para os vinte e tal euros. Mas prontos, sou gajo que gosta de coisas caras, mas que tem carteira de teso. 


Epá malta, gostei da porra do vinho (sendo que, estaremos perante um eventual gama de entrada). Um chardonnay muitíssimo fresco, cheio de nervo, carregado de tensão. Durinho. Com fortes sugestões vegetais. Longe daqueles registos madurões, pesados, moles e chochos. Numa linha presumivelmente mineral. 


Depois pareceu-me que o malandro vai, ainda, melhorar com o tempo. Vai ficar ainda melhor. Resumindo, dei por muito bem empregue os vinte e tal euros pela botelha. Com vinho. Sem vinho, acredito que seja mais bem acessível. 

quarta-feira, maio 30, 2018

Tratado do Arroz de Tomate

Se há prato ou comida, como queiram, que mais me seduz é o arroz de tomate. Com meia dúzia de coisas, se forem de boa qualidade, consegue-se criar algo que é digno de estrelas michelin. De antologia. Além do mais, o arroz de tomate é, para mim, daquelas confecções que faz pensar, assim num ápice, neste inusitado país que é Portugal. 



Gosto do arroz de tomate com bastante tomate, bem maduro, com muito alho, cebola, azeite. Das poucas coisas que gosto que sejam bem vermelhas. Tem que estar bem puxado, bem apurado e solto. Com louro ou salsa ou coentro. Também já usei poejo e hortelã. Gostei particularmente da combinação com o poejo. Às vezes, também atiro para cima umas tiras de pimento verde e vermelho. A maior parte das vezes, é simples sem qualquer extra. O que me interessa é que seja bem puxado, bem temperado e refogado. Arroz light ou dietético é que não.


E nada melhor para emparelhar com um arroz de tomate que uns filetes de peixe ou simplesmente umas sardinhas, uns carapaus, umas postas bem finas de xaputa. Fritos. Tudo simples, popular e com o objectivo de satisfazer a barriga. Ou melhor, a pança.

segunda-feira, maio 28, 2018

Hum!?

Sou comprador assíduo deste vinho. Tem uma boa relação qualidade-preço para o prazer que me proporciona. E ele, o prazer, é bastante. Depois é vinho que costuma ter arcaboiço para aguentar o tempo. Resumindo e sem mais delongas, sou um adepto confesso e indefectível do vinho. 


Agora o dito apresenta-se com nova roupagem. Presumo que estejamos a falar do colheita, do normal e não de uma qualquer edição especial. Mas adiante.
Epá malta, custa-me dizer o que vou dizer, mas o vinho que estava dentro desta garrafa pareceu-me estar uns furos abaixo, partindo do principio que estamos a falar, como disse, do tal colheita. De qualquer modo, deu a ideia que tinha um perfil algo diferente ao que estou habituado nos vinhos da Quinta das Bágeiras.


Deu sinais de ser pouco tenso, menos irrequieto, menos fresco, muito mais domado e limado. Mais consensual. Fiquei perplexo, assumo. Fiquei assim a olhar para ele e a pensar que não podia estar a acontecer o que estava acontecer. Das duas uma: Ou era problema do vinho que estava naquela garrafa ou era eu que não estava a captar a essência dele. Pelo meio, ficou um enorme vazio provocado pela insatisfação e confusão do momento. Hum...

sexta-feira, maio 25, 2018

Voyeurismo Invertido

Em jeito de fim-de-semana. Para a malta rir e descomprimir. Uma das coisas que me deixa meio perplexo ou sem saber o que dizer, é quando recebo mails, por parte das mais diversas empresas de comunicação, a informar que em determinado lugar, geralmente restaurantes, foi apresentado o novo menu ou que determinados vinhos foram também apresentados, sendo que para o efeito foram seleccionados meia dúzia de pratos que emparelharam na perfeição.


Depois em anexo surge um conjunto de fotografias, onde está a malta à mesa, os pratos comidos e os vinhos bebidos. É de um tipo ficar chateado e tristonho, mas com muita água na boca. Digamos que é um exercício de voyeurismo invertido, ao contrário. Em vez de sermos nós a espreitar, à socapa, para ver o que os outros estão a fazer, são os outros que nos dizem o que estavam ou estão a fazer. Não deixa de ser engraçado e divertido, para além de provocar profunda inveja, naturalmente. Longe vão os tempos quem espreitávamos pelos buraquinhos das persianas para ver a vizinha da frente.

quinta-feira, maio 24, 2018

Ortigão

Vá, prontos, desculpem lá qualquer coisa, mas nunca bebi este espumante. Não havia e não há qualquer razão particular, para o nunca ter feito. São coisas de hábitos e a idade começa a afunilá-los. Digamos que a paciência, a minha, já não é aquilo que era. Já não há vontade, verdade seja dita, para provar, no meu caso é mais beber, tudo e mais alguma coisa. Tipo WineTasteMachine. Prova, analisa e deita fora. É muita estragação.


Bom, e para não vos chatear muito mais, tenho que vos dizer que este espumante é bem porreiro. Muito mesmo. Bebeu-se num estalar de dedos. Em meia dúzia de clics, esfumaçou-se da garrafa. 


Um espumante todo o terreno, que consegue executar diversas tarefas: refrescar a goela, emparelhar com umas fatias de presunto e queijo, acompanhar uma refeição mais completa, seja ela de peixe ou carne. E ainda serve para encerrar a vianda, dando aquele toque extra ao estômago e à cabeça, encerrando as cerimónias. Muito boa opção, sem dúvida.

segunda-feira, maio 21, 2018

Na Tasca

Há momentos em que não queres comer nada em particular e não queres beber nada de especial. Queres, apenas, libertar-te do peso que tens em cima dos ombros. Queres sacudir toda a pressão que tens no lombo. Queres, apenas, tirar o pipo e aliviar. Queres esquecer muita porra que te mói a mona, dia após dia.


Vais para o petisco e entras no primeiro lugar que vês à tua frente. Escolhes qualquer coisa, sem pensar na razão da tua escolha. Começas, num ritmo sôfrego a enfiar no bucho tudo o que vês. De forma completamente aleatória as travessas vão sendo limpas até ao último resquício. Acompanhas com um vinho prosaico, mas honesto. Nem queres saber se o copo é adequado ou não. É perfeito para o momento. Nem mais e nem menos.



Ao saíres, reparas na montra que está lá fora. Uma montra que faz arregalar os olhos, pela imponência da decoração. O conteúdo era ostensivo, provocador. Quase pornográfico. Profundamente decadente. Prometes a ti mesmo que terás de regressar ali, desta vez com um objectivo mais definido. Com um propósito mais concreto. Só para tirar as teimas.

sexta-feira, maio 18, 2018

Xistos Altos

Uma publicação mais limada, com menos arestas, mais doce. Chegámos ao melhor da dia da semana: sexta-feira. Como tal, a comunicação, de hoje, vai ser rápida e sucinta. Espero.


Este vinho, meus caros amigos, está cada vez melhor. Está a evoluir muito bem. Muito mesmo. A atingir níveis elevados de equilíbrio e finura. E com uma salinidade muito, muito curiosa.


Com um perfil profundamente elegante. Com tudo na medida certa. Depois, o que importa, estou a gostar dele cada vez mais. Soube-me pela outra vida, por esta e por aquela que dizem podemos vir, ainda, a ter. 

quinta-feira, maio 17, 2018

Os meus #amigalhaços!

Sou um gajo de emoções. Não me sinto bem, se não deitar cá para fora o que me vai na alma, no momento. A porra vem depois, como sempre. Depois surgem as agonias, mas já é tarde. Mas chateia-me viver de forma insossa.
É uma republicação, uma reactualização. Não será, portanto, uma novidade. É um post que enumera, simplesmente, quem ofereceu, directamente ou indirectamente, vinhos ao Pingus Vinicus. Vinhos que foram chegando às mãos, desde 2006, o ano da fundação.

Foto da autoria de Carlos Janeiro
Para mim, são ofertas, prendas, regalos. Não as considero amostras. As amostras são para quem se dedica ao assunto de forma profissional e dedicada. São ou foram, por isso, os meus #amigalhaços

Vinho Verde/Alvarinho

A&D Wines
Adega de Monção
Anselmo Mendes
Casa de Canhotos
GR Consultores
João Portugal Ramos
Pequenos Rebentos
Quinta da Lixa
Tapada dos Monges
Vales dos Ares

Douro
Casa Agrícola de Phermentoees
Caves Transmontanas - Vértice
Sociedade Agrícola da Casa d’Arrochella - Grandes Quintas
Dona Matilde
Duorum (João Portugal Ramos & José Maria Soares Franco)
Enoport Caves Velhas
Niepoort
Proibido/Permitido
Quanta Terra
Quinta da Covada
Quinta da Zaralhôa
Quinta das Bajancas
Quinta de Maritávora
Quinta do Portal
Quinta do Soque
Quinta do Torgal
Quinta dos Murças
Portugal Winery Boutique
The Fladgate Partnership
VDS - Vinhos Douro Superior

Dão/Bairrada/Beiras
António Madeira
Casa da Passarela
Casa de Darei
Chão de São Francisco
Casa de Saima (Bairrada)
Dão Sul
Monte Aljão
Messias (Bairrada)
O Meu Tio
Pedra Cancela
Quinta da Bica
Quinta da Boavista (Terra de Tavares)
Quinta da Espinhosa
Quinta da Falorca
Quinta da Fata
Quinta da Ponte Pedrinha
Quinta da Vegia
Quinta das Marias
Quinta de Nespereira
Quinta de Santo António do Serrado - Barão de Nelas
Quinta do Corujão
Quinta do Escudial
Quinta do Gonçalvinho
Quinta do Medronheiro
Quinta do Perdigão
Quinta dos Carvalhais
Quinta dos Roques/Quinta das Maias
Quinta Mendes Pereira
Sociedade Agrícola Casa Aranda
Terras do Mendo
Quinta do Cardo (Beira Interior)
Quinta dos Barreiros - Gravato (Beira Interior)
Horta de Gonçalpares - RAYA (Beira Interior)

Tejo/Lisboa/Bucelas/Colares
Adega Mãe (Lisboa)
Casca Wines (Collares)
Casal Figueira (Lisboa)
Enoport (Bucelas)
Fiuza (Tejo)
Quinta do Gradil (Lisboa)
Quinta da Murta (Bucelas)
Quinta das Carrafouchas (Lisboa)
Quinta de Alorna (Tejo)
Quinta de Pancas (Lisboa)
Vale D'Algares (Tejo)

Alentejo/Algarve/Setúbal
Adega Cooperativa de Borba
Adega Cooperativa de Portalegre
Adega Mayor

Altas Quintas
Casa Ermelinda Freitas (Setúbal)
Esporão
Fundação Abreu Callado
Herdade Paço do Conde
Herdade de Rio Frio (Setúbal)
Herdade de São Miguel
Herdade dos Grous
João Portugal Ramos
José Maria da Fonseca (Setúbal)
Lima Mayer

Quinta do Quetzal
Quinta do Francês (Algarve)
Monte da Ravasqueira

Madeira
Adega de São Vicente - Paixão do Vinho 

Se tiver esquecido algum, facilmente será descoberto por mim ou por vocês. Acredito que alguma coisa me tenha escapado. Contudo, estará sempre em actualização, sempre que sentir necessidade. Irá estar sempre online.

domingo, maio 13, 2018

Provavelmente ...

Antes de começar a palestra do dia, que é dominical, e para não deixar qualquer dúvida a quem perde algum tempo aqui a ler as minhas balelas, aviso, desde já, que este vinho foi-me oferecido. Presumo que terá sido a própria empresa. Como tal, deduzo que irão aparecer mais publicações, avaliações, classificações e quejandos, feitas pelos meus pares, sobre o dito. Feitas as explicações prévias, passemos ao furúnculo da questão.
Mesmo os mais distraídos, como eu, já reparam que a Quinta da Pancas tem sofrido um processo de renovação a todos os níveis. Rótulos, novos vinhos. São bonitos à vista. E tenho gostado, mais uns do que outros, do que vou bebendo.


Da nova vaga de vinhos, este arinto estreme vai ter, quase de certeza, lugar de destaque. Um destaque merecido, digo eu. Trata-se de um vinho com uma estatura e estrutura que me deixou impressionado. Os seus aromas ou cheiros provocaram uma porrada de sensações, que iam desde os estímulos mais vegetais, mais ou menos frutados, mais ou menos minerais, mais ou menos untuosos. A desmultiplicação de impressões era vasta. Os sabores eram, também, vastos. Profundamente finos, equilibrados e com uma frescura fortemente incisiva e precisa. Com muita classe.
Digamos que este vinho dá asas à nossa imaginação, permitindo-nos, portanto, enumerar um chorrilho de descrições sobre tudo e mais alguma coisa. Reservo-os para mim, pois alguns pareceram-me provocados pelo estado de ebriez


Não andando em cima de todas e mais algumas novidades, nem a beber tudo e mais alguma coisa, permitam-me que vos diga, preto no branco, que este vinho está no lote de vinhos brancos mais excitantes que bebi, neste ano de 2018 e no ano de 2017. E provavelmente um dos melhores. Valerá para aí, tendo em conta a realidade actual, uns 20 a 22 pontos. Sem favores.

quinta-feira, maio 10, 2018

Ode ao Pregado

Todos nós temos preferências. Muitas vezes nem conseguimos explicar, justificadamente, a razão da nossa escolha. É porque é.

Detenham-se a observar a beleza da foto. Tirada ao vivo em Sabores do Peixe (Montijo)
No que respeita a peixes, o pregado ocupa um dos lugares cimeiros, no que concerne às minhas opções principais. A delicadeza da carne e a suavidade do sabor tornam este animal em algo muito especial, para mim. Infelizmente, começa a ser raro comer um que seja proveniente, efectivamente, do mar. Do mar aberto. Quando percebemos, julgamos nós, que o que temos no prato é mesmo aquilo que pensamos, os níveis de prazer são catapultados para patamares que roçam o deboche. Provavelmente, por sujestão, pensamos que é melhor e mais genuíno. É que quando é de aquacultura, verdade seja dita, também me sabe muito bem.


Aliás, em jeito de adenda, digo-vos claramente que a minha dieta incorpora muito peixe, se não a maior parte, criado em regime de aquacultura. Alimentar várias bocas, todos os dias, não dá (muita) margem de manobra para grandes filosofias ou demandas em busca do que é mais puro. Mas voltemos ao pregado que é o mote da coisa de hoje. É peixe que merece uma Ode, venha ele do mar aberto ou não.

quarta-feira, maio 02, 2018

Perguntas Simples para Respostas Simples!

Estava um tipo na mesa, quando lhe espetam um vinho tapado à frente. Provou-se e bebeu-se. Pouco tempo depois fazem-te meia dúzia de perguntas, do tipo: gostas? compravas? 



As respostas dadas por mim, antes de ver o rótulo, foram muito simples e sem grandes artimanhas argumentativas ou cuidados defensivos, que a maior parte da malta gosta de ter quando bebe às escuras, para não haver comprometimentos. Foram coisas do tipo  sim, estou a gostar; não está mau; talvez redondo de mais; quando aquece torna-se mais complicado. E era capaz de comprar, dependendo do preço.


Após a solene revelação do rótulo, mantive o que tinha dito. Apenas ressalvei que não compraria o vinho, por causa do preço a que era vendido. É excessivo.

segunda-feira, abril 30, 2018

E é isto!

Foi daqueles dias em que um gajo pega numa garrafa e que a delapida até ao fim. Ainda por cima, a garrafa tinha sido oferecida pelo produtor, por intermédio de uma empresa de comunicação. E antes de avançar na encíclica que abre a semana, relembro os mais distraídos que anuncio publicamente se o vinho em causa foi oferenda. Isto se o vinho merecer a minha atenção e honras pessoais. Não é qualquer um que tem a dignidade para ser aqui referenciado.


E este rosé mereceu a minha atenção, pela sua simplicidade, frescura e limpeza. Um vinho bem equilibrado, sem exageros, que cumpriu na perfeição o propósito. E bem feito.


Acompanhou, e bem, uns prosaicos camarões de viveiro, comprados numa banca de hipermercado, ao final do dia, quando regressava a casa, ainda com a cabeça cheia de detritos emanados da tutela. Tudo muito simples, descontraído e leve. Sem grandes preceitos. Passo a passo, fui esvaziando a garrafa até ficar vazia, sempre com enorme satisfação e gozo. E era só isto!

quinta-feira, abril 26, 2018

A Liberdade permite

A liberdade permite-me ser um desbocado. Permite-me não ficar preocupado com que acham ou pensam sobre o que digo ou o que penso. A liberdade permite-me obrar para o que não me agrada. A liberdade permite-me, também, elogiar de forma desbragada e sem limites. 


Gosto muito dos vinhos da Quinta de Maritávora. Gosto pelas mais diversas razões, pelos mais diversos motivos. Essencialmente porque mexe com metade do meu código genético, que é transmontano. Transmontano deste lugar. Duriense desta parte do rio Douro. 


Este simples colheita está um mimo. Um vinho branco que prima pelo equilíbrio, pela pureza, pela finura no trato. Contido e sério. Com sabor e com muita frescura. Sem qualquer tique de exuberância aromática, o que só abona a seu favor. E com isto tudo, meus caros amigos e desamigos, encerro a coisa de hoje, dizendo-vos que este é um vinho de enorme qualidade, que encheu todas as medidas. As minhas. 

sexta-feira, abril 20, 2018

É muito curto! É muito poucochinho!

Às vezes, meto-me a pensar sobre a carrada de vinhos feitos com as nossas ditas castas autóctones, que são completamente incaracterísticos, sem alma, normalizados, sem qualquer respeito pelas identidades regionais. Acabo, às vezes, por ficar mais apreensivo e chateado com isto, do que aqueles que vão sacar castas lá fora, para fazer os seus vinhos. Apesar de incompreensível, assumem declaradamente o que querem fazer.


Atrevo-me a dizer que pior do que fazer imitações assumidas, usando castas estrangeiras, é pegar nas castas nacionais e criar vinhos bastardos, sem qualquer carácter regional e identidade. Acabam por ser, também, vinhos de imitação, que podem ser de qualquer do mundo, menos do Douro ou do Dão, da Bairrada ou dos Verdes, do Alentejo ou de Setúbal, do Tejo ou Lisboa, Beiras ou Algarve. De todos os lugares, menos de Portugal. Por isso, dizer que temos uma porrada de castas não basta. É muito curto. É muito poucochinho. E era só isto, pois é sexta-feira. 

sexta-feira, abril 13, 2018

Peixe em Lisboa: Até um dia!

Tenho ido, quando posso, ao Peixe em Lisboa. Era mais uma oportunidade para comer algumas coisas assim mais para o diferente. Gostava muito, curtia mesmo, quando era no Pátio da Galé. No Pavilhão Carlos Lopes não tenho gostado tanto. Senti, na pele, enormes mudanças no ambiente. Não consigo concretizar melhor. É algo se situa no domínio do íntimo. Posso, por isso, estar a ser injusto.
Voltei lá. Senti que não pertencia àquele lugar. Senti-me deslocado. O evento é demasiado elegante e social para mim. Não consegui desfrutar da ocasião, como no passado. Senti-me mal vestido, mal amanhado. Com uma indumentária pouco adequada ao lugar. 
Está colocado, pareceu-me, num patamar económico-social que não é o meu. Não é uma crítica ao evento. Não quero sequer fazer qualquer dissertação sobre assuntos que não percebo puto. Não vale a pena, por isso, virem para cima de mim. Sou daqueles gajos que apenas quer desfrutar, sentir-se confortável. Mas senti-me perdido.


Não quero falar do que comi, porque se está no universo das opções. As minhas. Podia ter escolhido outra coisa. Mas foi o que foi. Mas caramba, uma coisa são doses pequenas, de degustação, outra coisa são os hologramas. E pareceu-me ver muitos. 
Relativamente ao vinho, epá, fiquei com a ideia que para se beber algo mais decente e interessante é preciso subir muito na escala do preço. Acabei por beber um branco leve da Estremadura (dois euros) que foi mais barato que uma garrafa de água. Por isso, quando as relações acabam, costuma-se dizer: foi bom enquanto durou. Até um dia!

quinta-feira, abril 12, 2018

O Queijo e o Vinho

Nos tempos em que achava ser fino beber vinho, principalmente o tinto, a prática era emparelhar o queijo com o tinto. E para não fugir à moda, ao que se fazia na altura, também comia queijo e bebia vinho tinto. Digamos que era mais uma estratégia para me imiscuir no meio, ser aceite e fingir que percebia do assunto. Se calhar, até elogiei a combinação ou publiquei fotos, naquele lugar onde vamos, todos, bisbilhotar. Digamos que não foram momentos sentidos.

Olhem, experimentem o vinho. Não conhecia. Gostei. Estava bem balanceado, era fresco e untuoso. E acima de tudo, deu prazer, que é o que (me) importa. Voltaria a comprar.
Assumo, agora, que nunca gostei (muito) de beber vinho tinto e comer queijo. Mas fazia-o. Seja qual for o queijo ou o vinho, não gostava. A boca, a minha, ficava toda meia lixada. Dir-me-ão que há certos vinhos tintos que combinam com certos queijos. É possível, mas nunca fiquei convencido, nunca consegui obter verdadeira satisfação. Nunca.


Decididamente, para mim, a aliança perfeita é com vinho branco, com ou sem estágio em madeira ou com mais ou menos idade. Desta forma, sinto paz na boca, o corpo reage de forma mais pacífica. Tudo parece encaixar muito melhor. A frescura do vinho abraça a gordura do queijo e do enchido, já agora, de uma forma quase irrepreensível. Um espumante, pela experiência que vou tendo, também não fica nada mal. Mas por favor, nunca mais me dêem queijo com vinho tinto. É preferível comê-lo uma cerveja, tipo mini.

terça-feira, abril 10, 2018

Nota de Prova Cega

Proponho-vos um simples exercício. Geralmente quando vemos notas de prova, surgem (quase sempre) acompanhadas pela fotografia do rótulo e é este, creio eu, que nos influencia verdadeiramente. Concordando ou discordando, é o rótulo do vinho que acaba por ser a variável com maior relevância. A par da classificação. Muitas vezes, nem damos a devida atenção ao que se escreve, ao que se diz sobre o vinho em si. Fixamos, depois, se no final levou dezoito ou dezanove. E pimba, é este ou aquele que vamos comprar. Bom, na verdade e nos tempos que correm, um dezoito já não chega.
E se as notas de prova fossem despedidas de rótulos? Teríamos a mesma reacção? Provavelmente não. Os inputs seriam muito menores.


Mas voltemos à proposta que chamo de Nota de Prova Cega. Pedia-vos que lessem as seguintes passagens. São notas de prova que retirei, sem qualquer alteração, de uma revista da especialidade. Estão despidas de rótulos, dos nomes dos vinhos e das respectivas classificações:

1) Nariz algo fechado, notas de tosta e fruta madura, cheio, poderoso na substância que tem ainda guardada. Encorpado na boca, mas sem pesar, ambiente mineral e com um estilo polido e profundo. Conjunto muito sério que vai crescer bastante com o tempo. In VGE - Janeiro de 2018

2) Intenso na cor, fruta madura de grande qualidade, notas de tosta, todo ele cheio, amanteigado. Muito bem na boca, com volume, grande estrutura e de final muito prolongado. Bastante sofisticado. In VGE - Dezembro de 2017

3) Muita azeitona e eucalipto na primeira impressão, balsâmico e químico, concentrado no aroma. Denso e bastante cheio na boca, compacto, muito sólido, a mostrar grande estrutura e classe mas a precisar de muito tempo em garrafa para relevar. Um vinho de futuro. In VGE - Março de 2018

As perguntas, essas, são do mais simples que pode haver: Comprariam os vinhos? Estão alinhados com as vossas tendências? Despertam curiosidade? De que região será cada um deles? São brancos ou tintos? Qual seria a classificação que dariam aos vinhos (0 a 20)?

terça-feira, abril 03, 2018

Tenho pena...

Tenho muita pena que não seja fácil. É com pena que não vejo estes vinhos na capital do império. É com pesar que a malta anónima, como nós, não consiga beber estes vinhos, com a facilidade que seria desejada.
São vinhos que não prendem as atenções dos mais famosos, sejam eles quais forem. Mas não dão fama e nem glória. Os padrinhos dos eventos e das amostras encaminham os gajos que têm opinião, mesmo que seja mal verbalizada, para outras coisas. A força do marketing, das empresas de comunicação e publicidade empurram a malta, e a malta gosta, para vinhos e produtores de passarelle (que também os bebo).


Estes vinhos, existirão outros tantos assim, têm uma enorme dignidade. Estão muito bem feitos, dão muito prazer, têm personalidade e são diferenciados. São muito escorreitos, frescos e secos, com um registo muito particular. Têm bem impresso o cunho do Dão. E para tesos, como nós, são vendidos a muito bom preço (este branco custa menos de cinco euros, nas áreas comerciais da região).


Como disse uma vez, se fossem vinhos de uma COOP mais badalada, mais paparicada, mais burguesa, mais bonitinha, tivesse gente mais urbana à sua frente, eventualmente a realidade seria bem diferente. É que mais vale cair em graça do que ser engraçado.

segunda-feira, abril 02, 2018

Não é para ler...

Por vezes, gostaria que fossem mais, sou tratado como um príncipe. A espaços, tenho a fortuna de me aconchegarem a alma e o corpo com verdadeira comida. Com aquela comida que nos faz relembrar de onde viemos, quem somos e do que somos feitos. São momentos íntimos, de profunda introspecção. Não têm anda a ver com aquelas cenas bem decoradas, vagas de sentimentos, cheias de nada, onde os gajos mais bonitos, afilhados de uns poucos, se entretém a registar e a mostrar ao povo, que os vê de boca aberta. Nada a ver.


Sentar numa prosaica mesa, onde no meio está um tacho atascado com comida com uma feiura que nos apaixona, mais uns bocados de pão num cesto de vime, forrado por uma renda, e uma garrafa de vinho, leva-nos para lugares e estados que existiram, em tempos. É a glorificação da inocência. 


A um ritmo lento, vamos enchendo o corpo, vamos sarando as feridas que teimam a abrir, de tempos a tempos. Fica-se reconfortado. Espreita-se, volta na volta, lá para fora. Se chover e fizer frio, melhor ainda. Ficamos seguros que estamos no nosso lugar.


Naquele lugar que nos protege e afasta daquela sujidade que nos conspurca, que nos agonia. Levantamos-nos da mesa, apenas, quando o tal tacho estiver rapado e a tal garrafa estiver sem pingo. E com pança cheia. São, simplesmente, coisas para se viverem e não para ler. Não dão glória e nem fama. 

quinta-feira, março 22, 2018

Casa da Passarella: O Enólogo Encruzado

Às vezes, até fico admirado comigo. Ainda por cima, um gajo que não quer saber, na maior parte das vezes, do que os outros pensam ou acham sobre aquilo que escrevo ou publico, se gostam ou não, se ficam incomodados ou não. Ou se preferem outros. Epá, dei comigo, de forma (in)consciente a ter mais parcimónia, mais cuidado, a esconder muita coisa. Cum carago, não pode ser. 


Há algum tempo que não bebia um vinho da Casa da Passarella. Não há um motivo em particular, pois é público e sabido que acompanho com especial atenção, desde a sua refundação, tudo o que vai saindo de lá. É escusado, portanto, alongar-me mais nesta matéria.


Sabe-se, para quem anda em cima de todas as novidades, que a colheita de 2016 já está no mercado e segundo o que se vai lendo, por aí, está austero, contido e elegante. Tudo aponta para ser o melhor O Enólogo Encruzado. Mas também que tenho que vos dizer que o 2015 está, neste momento, um mimo. Com tudo integrado, bem afinado e elegante. Com a madeira harmonizada, muito equilibrado e, acima de tudo, sadio. Nada taciturno. Digo-vos que o bebi, sem favor, com enorme satisfação e prazer. Daqueles, permitam-me ainda, que se bebem assim num clic. Por isso, mais houvesse, no momento.