segunda-feira, janeiro 29, 2018

Esporão

Crónica pessoal, sem grandes novidades para partilhar. Sem grandes descobertas para revelar. Sem nada de novo para escarrapachar aqui. É, digamos, mais palha para o palheiro, que é o meu blogue.
Tinha o hábito, já lá vão quase 20 anos, de comprar, beber e depois guardar, para memória futura, um reserva do Esporão. Por razões muito simples. Achava graça ao vinho e aos rótulos. Fui guardando algumas. Agora, simplesmente compro para beber, logo que saem as colheitas novas. Um pouco como o Soalheiro Clássico. Vinhos que, apesar de não estarem no saco das minhas preferências actuais, faço questão de os provar. Não deixa de ser relevante a consistência deles. É assinalável. 


Tinha e tenho uma caixa encalhada com vários reservas do Esporão, empilhados uns em cima dos outros. Estão na patamar das memórias. Daquelas coisas que se guardavam, mas que, por uma razão ou por outra, deixaram de fazer sentido. Um desses reservas é o badalado Bin Laden. 


Ontem, domingo, enquanto andava à procura por algo para acompanhar a vianda que ia comer ao almoço, detive-me a olhar para a dita caixa. E de forma aleatória, peguei numa garrafa e preparei-a para a cerimónia. Pó limpo e rolha cá para fora. Uma rolha perfeita, devo dizer. Já com os rebordos acastanhados, mas ainda profundo na cor, fui enfiando goles atrás de goles, no bucho. Estava aprumadinho. Sedoso, equilibrado e licorado. Com nuances de fruta seca e folhas de chá. Estava fresco. E naquele diálogo mudo que tenho muitas vezes com o vinho, fui repassando episódios de dois mil e um. Ano que não foi particularmente bom, a título pessoal. 

3 comentários:

Anónimo disse...

Os santos, os solos, e as estações!

Pingus Vinicus disse...

Beijinhos fofinhos!

Flavio Henrique disse...

Ótimo relato, Pingus!
Eu gosto muito do Esporão Reserva. Remete-me a boas lembranças. Também guardo garrafas dele na garrafeira, para beber aos poucos, acompanhando sempre boa comida.
Abraços,
Flavio