segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Arroz de Marisco: Um paradigma

Estou prestes a desistir de comer arroz de marisco. Com a idade, a falta de paciência e a pouca tolerância para chupar cascas e carapaças, que se metem no meio dos dentes, dei comigo a olhar de lado para o arroz de marisco. Já nem sequer me refiro aos que levam creme de marisco como base ou que são feitos a partir de uma calda de tomate pré-preparada, em que é acrescentado arroz branco, já cozido. E nem falo na insistência em usar arroz agulha.
Não acho piada ao arroz de marisco que vem cheio de patas de sapateira, aquelas mais finas, que um gajo tem de se sujar todo para as chupar e que nada lá encontra. Assusta-me o martelo. Imagino, logo, tudo a espirrar para todo o lado ou um dedo esmagado. Um esforço titânico para retirar o pouco conteúdo. Uma bodegada. Não curto nada ver uma quantidade abismal de conchas de bivalves sem nada, do meio do tacho. Vazias. E, também, já nem falo do marisco de viveiro, camarão ou gamba, que metem lá para dentro.

A foto é meramente ilustrativa. Retirei-a do google
Irrita-me, ainda mais, é ir para afamadas zonas ribeirinhas e gramar com arroz de marisco digno de um daqueles restaurantes de zona comercial, ao estilo Disney ou, por outro lado, com pretenciosos arrozes de marisco, em que o marisco é quase holográfico. 
Ainda fico mais lixado, quando me propõe um arroz de marisco sem cascas, estupidamente mais caro, com preços demenciais, do que aquele que possui uma porrada de detritos calcários. Por favor, arranjem-me um bom arroz de marisco.

1 comentário:

Anónimo disse...

Sou apenas um enófilo curioso mas aconselho o Gaveto em Matosinhos!

Para além de confeccionar pratos de maneira soberba tem uma carta de vinhos muito boa!

Parabéns pelo blog!