quarta-feira, agosto 29, 2018

Falhanços de um Pai: Os Bitoques

Tenho que partilhar com vocês que falhei com as minhas filhas, como pai. Perdi a batalha contra o imediato, contra o fácil. Não consigo convencer as raparigas a comer qualquer coisa diferente, quando se vai comer fora. É impossível lutar contra os bitoques e outras variantes mais fastfoodianas
De Norte a sul, de Este a oeste, mais para a esquerda ou para a Direita, as miúdas comem sempre a mesma coisa. Bitoques. E sabem-nos avaliar. Conseguem desmontar o dito, criticá-lo e apontar os erros. Tenho assistido a autênticas dissertações sobre o assunto entre as três. Sim, tenho três filhas. 

Apesar da foto ser da minha autoria, ela é meramente ilustrativa.
A mais velha, das três, diz algo do género: Como é possível um restaurante não saber fazer um bitoque? Falhar em algo tão básico. Se não sabe fazer um bom bitoque, é porque não é um bom restaurante. 
Segundo ela, não há muito onde falhar. Boa carne, boas batatas, molho com muito alho, louro, vinho e cerveja e um toque de mostarda. Ovo estrelado. Depois o arroz tem que vir à parte. Detestam aquele arroz branco, cozido apenas em água, com sabor a nada. 
Por causa disto, dei comigo a acompanhar as miúdas na demanda do derradeiro bitoque. E de facto as diferenças são imensas. Temos desde aqueles todos pipis aos mais convencionais. Eu tendo a preferir os mais tradicionais, de vaca. 

terça-feira, agosto 28, 2018

Para Vocês!

Meus queridos amiguinhos, venho por este meio pedir-vos, por favor, que escrevam coisas assim pó diferentes. Não é preciso muito. Só gostaria que fossem, apenas, coisas que divertissem, que fizessem rir, que fizessem chorar. Que irritassem, que angustiassem. São desejos. Meus.
Por favor, andamos nisto há tantos anos, que não faz sentido, para gajos como nós, com tantas litradas de vinho no bucho, andar a dizer e a fazer o mesmo de sempre. Contem-me histórias. Falem-me de acontecimentos. Partilhem aventuras. Nem que sejam só para mim. Sim, sou um gajo egoísta. Síndrome de filho único e mimado, da pequena burguesia, que sempre lhe limparam o rabo. 


Não, não quero repetir os mesmos assuntos de sempre, nem atacar ninguém. Ando cansado e com o pavio tão curto, que (quase) me afastei, como medida profiláctica, do mundo. Porra, exceptuando o meu pasquim, não consigo, quase, ler mais nada. Sim, eu sei, tenho um ego gigante e pratico muita onanização. 
Mas tirando o Pedro Garcias, que independentemente do que escreve, quase ninguém anima a malta. O homem tem tomates. Está-se a obrar para o que pensam dele e assume que é falível. Gosto (muito) disso. Às vezes, junta-se o Hugo Mendes, outro destrambelhado, na confusão. Atira-nos com umas cadeiras ao lombo, para acordarmos. Ambos fazem vinho e a malta ainda o compra. É obra! De resto, canudo, bocejamos de felicidade e de alegria. 
Pergunto-vos: precisam disto para viverem? Para se alimentarem? Para dar de comer aos pintainhos que têm em vossa casa? Contudo, compreendo, pois todos nós damos o cu e cinco tostões para andarmos na crista da onda. É humano. Eu também sou assim.

segunda-feira, agosto 27, 2018

Imensurável: Pellada

Tentei várias vezes dar uma introdução decente à homilia de hoje. Mas percebi que seriam apenas palavras ocas, banais, cheias de lixo e lugares comuns. Reconheci pouco depois que o momento não merecia que fosse banalizado e ou normalizado por uma treta de descrição ou considerações sem fulgor. Já existem por aí muitos doutos. 



Vindo de um ano que não me deixou grandes lembranças, este vinho mostra, que se tudo correr bem com o tempo, conseguimos atingir níveis de prazer pouco comuns. São estas ocasiões que nos dizem que as velhacas das dores podem ser, momentaneamente, aliviadas. São fugazes, é certo, mas têm uma importância imensurável.  

segunda-feira, agosto 20, 2018

No fim do Mundo ...

Um episódio sem grandes enredos, sem grandes tramas. Perdido algures no meio do rectângulo continental, sem saber onde encher a pança, descansar um pouco, indicam-me um prosaico lugar. Humildemente dizem-me que é espaço modesto, sem grandes requintes, mas que servem aquela comida caseira, feita por mulher à moda antiga. Como antigamente, disseram.




Se existem momentos que iremos registar para sempre, este é um deles. Sem grandes opções, aposta-se no prato do dia. Afiançam-me que está bem feito, que está a sair bem. Pedi 2 doses. Aconselham-me a pedir menos. Para salada propuseram-me uns tomates com azeite e sal. Ainda vieram uma sopa de espinafres. Caramba, nem imaginam a satisfação que deu. Pedi vinho da casa. Um jarro pequeno, se faz favor, mas sem gás. Bem fresco, soube por este mundo e pelo outro. Com o pão e as azeitonas.



Lá veio a vianda. Encheu-me a barriga e acalmou-me a alma. Bem apurada, simples, mas profundamente saborosa. Tive que me deter, entretanto, pois estava a ser dominado pela gula. No fim do mundo, posso dizer que estive perto do paraíso. 

sexta-feira, agosto 17, 2018

Prova Régia: Nome que vale mais que a região

Existem vinhos que valem mais que a sua região demarcada. Ou dito de outra forma, existem vinhos que, por uma razão ou por outra, transformam-se em embaixadores da sua região. Prova Régia é quase o mesmo que dizer Bucelas. 


Aqui para o caso, pouco importa se reproduz o terroir na perfeição ou se devia ser assim ou assado. Se devia ter outro estilo ou não. O que importa é que temos uma marca que se confunde com a região. Aliás superioriza-se a ela. Tem mais valor acrescentado. Quem esteve mal? 


Bebo com muita regularidade este vinho. Bebo-o, essencialmente, na restauração, em ambiente descomprometido, mas sempre com enorme prazer. Não renego um copo deste vinho. Não faço caretas. Não me armo presunçoso ao ponto de o repelir. Não, não o faço. É um blockbuster que me safou e safa em muitas situações. E este 2017 está particularmente bem porreiro.

quinta-feira, agosto 16, 2018

Mitologia: O Crítico Perfeito

Não há críticos perfeitos, imparciais. Muito dificilmente existirão. Para que possam existir, os candidatos têm que estar longe de tudo e mais alguma coisa. Têm que viver numa ermida, num ermo, numa gruta e deixar crescer a barba.  Vestir farrapos. Têm que se abster de conviver com alguém, de receber prendas, de conhecer este e aquele. Têm de pagar tudo o que bebem e comem. Verdade seja dita, não sei como, pois estarão em clausura ou no desterro e despidos de qualquer rendimento. 


Digamos que o Critico Perfeito e Imparcial estará na dimensão das divindades, no mundo dos Deuses. A par de Odin, de Endovélico,  de Zeus, de Deus, de Shiva. É, portanto, uma figura mitológica. Por isso, tornar-me-ia adepto confesso daquele que assumisse que não é nada disto. Que é humano, que falha. Ao invés de me atirarem areia para os olhos e dizerem que são gajos imunes a todos desejos carnais. Eu não sou e sou um pobre diabo.