domingo, Maio 07, 2006

À mesa com Monte d'Oiro

Estive recentemente numa prova cega, juntamente com outros companheiros de route (Fernando Moreira, João Duarte, Jorge Sousa e Pedro Brandão), onde pude degustar um conjunto de vinhos provenientes da Quinta do Monte d’Oiro. Nada mais, nada menos que os Monte d’Oiro Reserva 1997, 1999, 2000 e 2001, e Aurius 2001 (este último é feito com Syrah, Touriga Nacional e Petit Verdot). Todos vinhos de elevada qualidade e consistência. Sente-se e pressente-se a mão de quem os idealiza.
Foi para mim, uma daquelas noites que não se podem esquecer. É pena existirem poucas, na nossa vida!
A prova decorreu no Restaurante Taverna d’el Rei, no Montijo.
Partilho com vocês algumas notas pessoais sobre cada vinho.
Quinta do Monte d'Oiro Reserva 1997
A cor não dizia a idade que já tinha. Visualmente enganou-me...Parecia mais jovem.
Aromaticamente era caracterizado pela presença de fruta madura, alguma compota. Com um lado vegetal presente.
Na boca, os aromas sentem-se. Final mediano, deixando na memória alguma compota, juntamente com sensações vegetais.
Foi o vinho que me deu mais dor de cabeça. Tive dificuldade em descrever o que sentia. Limitações pessoais? É possível.
De qualquer modo, fiquei algo desiludido com ele. Esperava mais, se calhar fruto da enorme curiosidade que tinha em provar a primeira colheita. Nota Pessoal: 16
Quinta do Monte d'Oiro Reserva 1999
Cor brilhante, com tonalidades vermelhas bem vivas. Libertava aromas que se insinuavam. Fresco e muito floral. Encontrei um lado mineral que me fazia lembrar apara de lápis. Com o decorrer da prova, senti nuances de pó de talco e rebuçado que particularmente aprecio.
Na boca apresentava-se muito elegante, bem desenhado. A acidez ajudava a manter o seu lado fresco e mineral. Pecava era no final. Achei algo curto, ou melhor esperava um pouco mais. Esperava que durasse mais. De qualquer maneira um belo vinho. É a segunda vez que provo este vinho. Nota pessoal: 17
Quinta do Monte d'Oiro Reserva 2000
Cor limpa, lembrando morangos.
Aromas elegantes, muito delicados, onde a complexidade marcava presença. É preciso ter atenção para lhe dar o devido valor. Se estamos desatentos, poderá passar ao lado. Num confronto com vinhos mais exuberantes, mais “potentes” poderá ser penalizado…Flores, que vinham juntamente com fruta silvestre. Mineral. Sensação de algum cedro ou eucalipto.
Na boca parecia mel. Sedoso. Fino, envolvente. Taninos de veludo. O lado floral sentia-se na boca. Refrescante, com um final elegante. O regresso a um vinho que, no passado, me deu alguns amargos de boca… Nota pessoal: 17
Quinta do Monte d'Oiro Reserva 2001
Cor mostrando concentração.
Inicialmente mais fechado, talvez por ser o mais jovem. Os aromas quando acordaram despontaram para belas sugestões de fruta fresca. Pensem num pomar. A presença, mais uma vez de um lado mineral que enriquecia o conjunto, conferindo-lhe mais complexidade. Com o aumento do tempo de abertura permitiu descortinar notas de folhas secas, tabaco e chocolate preto, tudo num fundo balsâmico.
Na boca mostrava um corpo amplo e mastigável. Taninos e acidez mais vivos, mas bem envolvidos. Nada estava desalinhado. Excelente frescura. Mais robusto que os seus irmãos mais novos. Final longo, mais evidente. Foi o meu preferido. Temos vinho para durar e eu já adquiri dois exemplares. Nota Pessoal: 18,5
Aurius 2001
Notei que estávamos perante algo completamente diferente dos outros vinhos. Mais fruta, mais café, mais tostados. Mais vinho da moda, mais fácil de abordar e de gostar. Mais consensual. Mas não menos interessante. Pelo contrário. Presença de flores e de um lado terroso de difícil descrição…alguns licores.
Na boca era perfumado, mais uma vez elegante e sem brutalidades. Final saboroso, que deixava na memória lembranças de fruta e café. Nota Pessoal: 17,5

Nota Final: Vinhos onde o equilíbrio, a elegância são notas dominantes. Por aqui não há evidências. Apresentam-se com classe e distinção. Não são fáceis de analisar. É preciso estar com atenção ao que se passa no copo, não vá escapar alguma coisa. Para noites calmas. Sem holofotes, nem ruídos. A vela, a lareira são boas companheiras…

Na mesa, a acompanhar os vinhos, tivemos um patê de foie gras, com marmelada e redução de Moscatel, que foi a entrada. Correcto.
Depois como pratos principais: trouxa de massa grega com cherne e alho francês. Uma proposta interessante, com os ingredientes bem integrados, equilibrado e sem excessos.
A seguir um magret de pato com molho agridoce. Brilhou menos.
Para a sobremesa uma miscelânea de sobremesas, que não é mais do que um “pijaminha”. Um sortido de várias sobremesas que o restaurante possui na sua carta.
Um espaço onde se nota que existe vontade para fazer coisas diferentes, apresentando algumas propostas interessantes. Foge um pouco ao tradicional restaurante da sardinha, da caldeirada e dos grelhados que impera na zona. Reparei que existem menus de degustação, que tentarei experimentar em futuras visitas.

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