sexta-feira, Junho 09, 2006

Sexta-Feira...para acalmar!

Sexta-feira, vésperas de fim de semana. Sabe bem sentir que os próximos dias são para descansar. A minha semana foi dura, tal como muitos de vocês. O trabalho, as alterações ao Estatuto da Carreira Docente que a Ministra da Educação propõe, provocaram-me um nó muito grande no meu estômago. O que ela propõe não é avaliação. Aquilo é castigar, é bater, é chicotear, é banir. Por muito competente que possa ser no futuro, nunca atingirei os meus objectivos...Muitas das coisas que fiz até ao momento, não as poderei fazer. Serei substituído. Simplesmente.
Assim vamos lá. Vamos ser mais competentes. O futuro está garantido. O país vai-se desenvolver. Estejam descansados, porque a lei do chicote vai resolver muitos problemas.
Bom, estou a perder-me nisto tudo. Adiante, que logo se verá. Falemos de vinhos que é para isso que aqui estou.
No meio disto tudo, e para relaxar um pouco, fui à minha excelente garrafeira (naturalmente estou a gozar) e retirei dois brancos de 2003. Um deles bebi-o bastas vezes. O outro nem por isso, mas com isso não quer dizer que seja inferior, apenas diferente. Dois varietais de duas regiões bem distintas.

Quinta dos Roques Encruzado 2003. Da Sociedade Agrícola das Faldas da Serra. Com 13,5% de graduação alcoólica. Da responsabilidade enológica de Rui Reguinga.
Cor brilhante e muito bonita. Nariz elegante e com aparente classe.
Nuances de flor de mimosa, misturadas com flor de maia. Uma certa doçura que lembrava a tília. Interessante a componente mineral. A fruta, era tropical, exótica e sedutora. Lembranças de anis que, particularmente, eu aprecio muito.
Na boca entrava devagarinho, com equilíbrio e elegância. Untuoso, mas nada pesado, pois a acidez estava colocada de forma a proporcionar uma agradável frescura. Final médio.
Nota Pessoal: 15,5
Herdade do Meio 2003. Feito com Antão Vaz. Com 14% de graduação alcoólica. Dêem uma volta por aqui, para saberem mais coisas do produtor. Um vinho com a mão de António Saramago.
Cor carregada, amarelo-torrado, avisando-nos para a possibilidade de estarmos perante um vinho com algum peso, diferente do encruzado dos Roques.
Aromas de combustível, por cima de um caldo vegetal, que proporcionava frescura. Apareceram notas de mel, caramelo e baunilha, que se mantiveram persistentes.
Na boca, entrava com alguma frescura, mas com pendor para o melado e caramelo. Baunilha, avelãs e nozes. Guloso. Final médio, deixando um rasto abaunilhado e levemente limonado.
Um vinho que é capaz de ser bebido sozinho, sem qualquer acompanhamento. E foi o que fiz com ele. Toda a noite andou pelo copo.
Nota Pessoal: 15,5
Dois vinhos diferentes, que me mostraram que vale a pena esperar algum tempo pelos brancos. Com algum estágio nas nossas garrafeiras, podem acontecer boas surpresas. Agora tenho as colheitas de 2004. Relativamente ao Herdade do Meio, a minha opinião difere da que tive com o 2003. Para pior.
Acabei por dormir. Descansado, pensando que este país apenas existe em pesadelos. E um dia irei acordar.

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