quinta-feira, Junho 29, 2006

Vinhos para refrescar as ideias e deixar de pensar!

Neste tempo de calor a capacidade para pensar diminui a olhos vistos. Não existe vontade para reflectir em assuntos ou temas complexos. Queremos descansar, esvaziar um pouco a nossa cabeça, acordar tarde (ainda não estou a fazer isso, mas lá chegarei), tomar o café da manhã às horas do almoço. Almoçar sabe-se lá que horas. Enfim, aproveitar o tempo ou melhor desperdiçar o tempo.
Apesar de ter escrito toda esta lenga-lenga, caros amigos ainda não estou de férias. Ando naquela fase em que tenho de decidir se os meus alunos passam ou não. Já estou com um olho no próximo ano lectivo. Pensar nas implicações que os meus actos poderão ter na vida de alguns miúdos (de alguns, outros pouco se importarão com aquilo que eu decida). A seriedade assim o pede. Nesta tarefa estão milhares de professores, os tais incompetentes como gosta de dizer a nossa Ministra da Educação.
Por diversos momentos, olho para as intervenções da minha patroa (não a de casa) como se fossem bombardeamentos americanos, que deviam ter sido cirúrgicos, mas com enormes danos colaterais, cujo o preço vai ser muito elevado.
Para aliviar esta tensão, todo este mal estar, socorro-me de algumas pingas clarinhas. São simples, são educadas, correctas, nada transcendentes, mas cumprem, para mim, toda a sua função. Ajudam a descontrair e são geralmente as minhas escolhas pessoais para o tempo quente. Têm perfis algo diferentes permitindo acompanhar variada gastronomia. Além do mais, são vendidas a preços muito interessantes, todos eles abaixo dos 4€.
Vale da Judia 2005. Terras do Sado. Um branco que pessoalmente me agrada pela exuberância dos seus aromas. Muito floral, muito perfumado. Provavelmente alguns de vocês não acharão muita graça e ainda bem! Refrescante e seco ao mesmo tempo.
São feitas milhares e milhares de garrafas deste vinho. Boa consistência nas colheitas, sem grandes diferenças entre elas. Gostemos ou não do vinho e isso é decisão de cada um nós, é um vinho branco feito para agradar. E a mim agrada-me.
Na minha casa cumpre a função de aperitivo e as mulheres gostam. Bom, pelo menos aquelas que eu conheço!
Serras de Azeitão 2005. Outra opção das Terras do Sado. Aqui a casta moscatel já não domina. Tem mais presença de fruta. Mais corpo. Serve para fazer companhia a peixe grelhado e uma saladinha mista. Vendido por aí a menos de 3€.
Muralhas de Monção 2005. Aqui entre nós, assumo que não sou grande bebedor de vinhos verdes ou alvarinhos. Inclinação? Mania? Preconceito? É capaz. Sinceramente não consigo perceber muito bem esta minha opção. Mas deixemos este laivo psicanalista de cariz pessoal, para vos dizer que este Muralhas é a minha escolha. Nada de novo estarei a dizer, pois será o verde mais escolhido pelo consumidor. Amplamente reconhecido e consensual e eu desta vez não fugi à regra. Uso, quase sempre, para fazer parelha com o marisco.
Os últimos dois vinhos brancos, são mais elaborados, mais complexos. Possuem estágio em madeira. A filosofia é diferente (penso eu). Pretendem ser vinhos com mais personalidade, com mais estrutura. No entanto, não deixam de abandonar o principal objectivo. Serem vendidos a preços competitivos, podendo assim chegar a um maior leque de pessoas. Não chegam a custar 4€ nas prateleiras dos hipermercados. São dois vinhos que eu uso quando faço uma caldeirada ou uma cataplana. Pratos de Verão, com peixe e marisco, mas com mais robustez, mais puxadotes. Para umas carnes grelhadas combinam também muito bem. Fazem esquecer um pouco os tintos.
Pegões Colheita Seleccionada 2005 e Castelo D'Alba Reserva 2004. O primeiro, das Terras do Sado, tem um estilo mais doce, mais apelativo, mais floral, com mais baunilha. Talvez mais consensual. O segundo, do Douro, é menos exuberante, menos doce, mais sóbrio, mais mineral, mais português, talvez mais masculino. É uma excelente introdução para o grande Vinhas Velhas (são palavras minhas, dêem-lhe um desconto). Dois vinhos que eu muito aprecio e quase sempre tenho em casa. Já agora, que outras sugestões me dão?
Post Scriptum: Vou de fim de semana. Irei, mais uma vez, até às minhas origens para ver a família e carregar baterias. Sentir os aromas, voltar a falar com os velhotes. Olhar para o passado. Deixar a minha filha brincar na terra, andar pela quinta a colher folhinhas, flores e fazer ramos de hortênsias. Caçar caracóis. Deixá-la imaginar que vive num castelo onde ela é dona e senhora. Eu fui assim.
Esta ausência servirá, também, para pensar nos termos e na forma em que irei escrever a última prova em que estive presente. Os vinhos assim o merecem (Barca Velha 1999, Quinta do Monte D'Oiro Homenagem António Carqueijeiro Syrah 1999 e Peter Lehaman Stonewell Shyraz 1995). Sinceramente não sei se serei capaz de exprimir tudo o que senti naquela noite. Um desafio enorme. Se não corresponder ao que esperam de mim, que me perdoem. Até lá!

4 comentários:

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Caro Rui

Além de te desejar um bom fim de semana, fico a aguardar com enorme expectativa o resultado das "bombas" (não as bombas da tua "patroa") mas o resultado da prova das bombas .

Zé Tomaz

Pingus Vinicus disse...

Caro Zé Tomaz, obrigado!
Vou até Melo, uma pequena vila do Concelho de Gouveia, que está cheia de histórias. A terra do escritor Virgilo Ferreira.
Quantas vezes entrei na famosa Casa Amarela. Conheço-a muito bem.

No ano passado, morreu o seu cunhado, também professor e um grande fã de Virgilio e muito meu amigo. Desde pequeno adorei a paixão que estes homens tinham pelas suas origens.

Tal como a minha mãe, estão agora a olhar a Grande Serra!

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Caro Rui

Estou para ir a Melo com a familia há bastante tempo e quero ver se lá vou nestas próxima férias.

É incrivel eu não a conhecer uma vez que Melo foi fundada por um antepassado meu

"Melo - Mello
História

Deriva este nome de uma alcunha e a família que o adoptou por apelido é da mais remota e nobre ascendência.
Deriva ela, com efeito, de D. Soeiro Reimondes, o Merlo - ou «melro» -, (contemporâneo dos reis D. Afonso III e D. Dinis) que era o chefe de linhagem dos «de Riba de Vizela» e, por esta via, da dos «da Maia».
Vindo para o Sul, fundou na Beira a vila de Merlo, depois Melo, sendo dela senhor, bem como de Gouveia."

(http://genealogia.netopia.pt/familias/fam_show.php?id=605)

Chapim disse...

Caro Pingus
Realmente aquelas três bombas intimidam, mas do pouco que conheço as notas parecem-me muito bem delineadas e acima de tudo sentidas. Não se está a definir um vinho or aquilo que ouviu, mas sim por aquilo que se cheirou, viu, provou...

Relativamente às sugestões de brancos, os castelo d`alba e o colheita seleccionada de Pegões são duas grandes apostas. Noutro registo talvez o Qt de la Rosa que está muito muito bom também. Um pouco acima destes preços e que dão grande grande prazer, Esporão Reserva 2005, Ázeo, Vértice...

E vamos lá ver como vem o grande Redoma que deve estar mesmo mesmo a chegar. Foi-me dito que chegaria às garrafeiras em Julho, mas não consigo confirmar.

Cumprimentos, e muito boa sorte