sexta-feira, outubro 06, 2006

Com este Barão não quero nada!

Existem vinhos que dificilmente irei gostar ou achar alguma graça ou piada. Vinhos que não entendo, não percebo. Ultrapassam os limites que pessoalmente estabeleci como aceitáveis. Muitos deles, têm nomes cheios de nobreza, são bonitos, vestem belos rótulos, viajam em garrafas caras. Enchem o olho ao consumidor. Não passam despercebidos, não senhor!
O que trazem lá dentro, no entanto, fica distante de todo o aparato visual e publicitário que os acompanha. A expressão: "A montanha pariu um rato" , é mais que adequada neste tipo de situações.
Barão de Perdigões Garrafeira 2001. Um alentejano produzido por Henrique Granadeiro, criado pelas mãos do enólogo Paulo Loureano, vai entrar direitinho para o leque de opções que eu dificilmente escolherei. Repleto de fruta madura, ou melhor sobrematura. Cheio de compotas variadas (sabem bem, mas com peso conta e medida). Muita ginja e licores. Demasiado concentrado, exagerado, com pouca elegância. Cansativo, enfadonho, mediano na boca, sem vivacidade. Por vezes, deu-me a ideia que queria comportar-se como se fosse um Porto (faltava-lhe apenas aguardente). Seriam problemas de personalidade?
Bom, sei que existem, por esse mundo fora, adeptos deste estilo de vinhos, não tenho dúvidas. Pouco me importa. O que me interessa é que eu não sou um deles. Provavelmente, estarei errado. Mas a vida está cheio de equívocos e eu não sou excepção. Nota Pessoal: 12
Post Scriptum:
Em termos de nobreza alentejana, o Marquês de Borba Reserva é, para mim, o eleito.

7 comentários:

Copo de 3 disse...

É o chamado vinho pesadão e bom para enjoar... mas digo-te que segue a linha desta casa, serão todos gulosos ? esquecem-se de colocar a dita acidez para contrabalançar o peso da fruta com alguma frescura.
Claro que um adepto do Dão não pode ver com bons olhos estes vinhos... eu pessoalmente também não gosto muito, lembra-me a Austrália que por vezes enjoa no estilo dos seus vinhos.

A tua nota é um pouquinho braba para o vinho que é, na minha opinião claro, já agora este vinho anda pelos bonitos 30€ e na minha perspectiva faz companhia ao Monte Seis Reis Reserva 2003 nos maiores barretes do Alentejo.

Pingus Vinicus disse...

A questão não é ser um adepto do Dão (sabes que estou ligado à região familiar e emocionalmente). A questão é que o vinho é mesmo chato, enfadonho e pesado. Algo que até o Alentejo se quer afastar. Custa-me a perceber líquidos destes. No entanto, acredito que é capaz de ter sucesso, logo serei eu que estarei desfasado. :)

A minha nota, bom, ela enquadra-se naquilo que eu digo. Mediano. Agora como sabes ela está sujeita a criticas, como todas as notas e comentários que fazemos...:)

Chapim disse...

Caro Pingus, não o provei mas pelo perfil que descreve dificilmente o vou provar.. Só se for por mera curiosidade... e mesmo assim..

Quanto ao Marquês de Borba Reserva, esse sim vale a pena!!! Provei-o na própria adega do J. Portugal Ramos no fim de semana anterior e arrebatou-me.

Boas provas!!

Pingus Vinicus disse...

Chapim, já agora provaste o Marquês de Borba Reserva 2003? Ou foi o 2000?

Tenho em minha casa ainda duas botelhinhas do Reserva 2000.

Um abraço.

Copo de 3 disse...

Resumo do Marques de Borba Reserva:

1997: Provei este vinho faz já algum tempo, digamos AC (Antes do Copo de 3) e já se apresentava no seu máximo explendor, mas a começar a cair na sua evolução. Como milagres raramente acontecem é de beber ou começar a perder um dos grandes do Alentejo.

1999: Provei apenas uma vez este vinho, não me deixou muitas saudades, comparando com o 1997 é a noite ao pé do dia, não faço a minima ideia de como esteja, mas da maneira que o vi quando provei, não deve ter muito que contar, chamo a este o Patinho Feio.

2000: Não foi melhor que o 1997 mas lembra bem o perfil, estava em grande forma faz bem pouco tempo, um vinho destes por 30€ pronto não vale a pena falar muito. Arrisco a dizer que este vinho está a entrar no ponto, e que aí vai ficar por um a dois anos, depois é perder algo de maravilhoso.

2003: O novo Reserva, devido a certas circunstancias a produção foi mais reduzida que o normal, talvez até nem seria para existir mas o mercado pedia um novo Reserva, e aí está ele... quando provar digo qualquer coisa.

Chapim disse...

Caro pingus provei o 2000. Estava muitissimo bem para a idade. Não apresentava qualquer tipo de evolução defeituosa. Elegante, mas com boca. Sem enjoos.

Com muita pena minha o 2003 não apareceu por lá para ser degustado.

Boas Provas.

Nuno de Oliveira Garcia disse...

O Monte dos Seis Reis é, efectivamente, um "barrete" (o Syrah não é mau, contudo).

Quanto ao Barão, tenho provado vários vinhos dele e também tenho a opinião geral. Contudo não me faz tanta confusão o estilo madurão... não que me encanta, mas se não for demasiado tecnológico até que aguento (a monotonia não me chateia assim tanto).

Abraços aos três,

N.

PS - Já o MB 1999 adorei (provei em 2003)... um dos melhores vinhos do Alentejo, a par dos Francisco Nunes Garcia.