sexta-feira, Fevereiro 02, 2007

Barão de Nelas

Dois vinhos do Dão, nascidos e criados na Quinta de Santo António do Serrado, Vilar Seco, Concelho de Nelas que, segundo os arautos, produz vinho desde os idos anos de 1741. Do produtor Carlos Pedro Barabona da Fonseca Paes de Brito. Mais um que quer apanhar o comboio da modernidade, sem perder a identidade, a história da casa e de uma região. Quando é assim, aplaudo e agradeço. Já agora e porque o saber não ocupa lugar, o título de Barão de Nelas foi criado por D. Luis I, rei de Portugal, por decreto de 22-08-1870 a favor de José Bernerdo dos Anjos e Brito. Fonte. A imagem, a sensação com que fiquei, que tinha dos vinhos deste produtor não eram as melhores no passado. Agora...

Barão de Nelas Touriga Nacional 2003. Um touriga muito fresco, mineral que fazia recordar o granito, a lousa, a pedra, a fraga da Beira. Alguma rusticidade inicial, embalava-nos numa viagem pelas adegas das casa senhoriais, pelos solares da Região. Notava-se que havia, qua andava por ali um toque clássico na forma de estar, de se vestir. Influência do título de nobreza que possui? As flores, naturalmente, marcavam presença de forma assertiva e afirmativa. A especiaria apimentava o vinho, dando-lhe um lado mais provocante e estimulante. Na boca, fresco, com algumas lembranças de menta e cedro. O corpo era fino, suportado por taninos finos e acidez muito bem equilibrada. Um vinho que prima acima de tudo pelo equilibrio, sem grandes exageros evidentes.
Nota Pessoal: 16,5
Barão de Nelas Reserva 2003
, numa linha muito semelhante ao seu parente Touriga Nacional, mas pareceu-me muito mais fascinante e delicado. A fruta mostrava-se num registo muito calmo, envolvida por suaves pitadas de licor de ginja. Bafos, odores de hortênsia perfumavam o alecrim, tomilho. Um vinho para ser bebido com toda a calma do mundo, longe dos rebuliços da vida e bem longe das passarelles. Atenção e concentração é necessária, não vá alguma coisa escapar. Se é adepto dos vinhos exuberantes, espampanantes, vistosos, cheios de fruta madura, não perca tempo com ele, não irá gostar. Eu gostei.
Nota Pessoal: 17

E continuando a provocar as hostes, ao contrário do Douro, o Dão, região que no passado foi o verdadeiro berço dos vinhos de mesa, tem estado a recolocar-se no mercado, a chamar consumidores para o seu lado através de "boas" relações/preço qualidade (atenção que coloquei aspas). Não deixa de ser estranho, porque a geografia dos solos também não é facil, a média da área de vinha plantada é muito mais reduzida que no Douro. Será que o motor de arranque, neste caso, não serão os topos de gama, mas sim vinhos de gamas intermédias e/ou mais baratos?

9 comentários:

Copo de 3 disse...

O catalisador do Dão em meu ver foram sem dúvida alguma os vinhos de baixo custo, os novos Quinta dos Grilos, Status Grande Escolha, Ribeiro Santo, Saes Colheita Exclusiva, Cabriz Colheita Seleccionada... depois com este empurrão vieram os novos vinhos com mais alguma qualidade, mas pronto os primeiros fizeram o trabalho de batedores, abrindo caminho para a infantaria pesada.

Chapim disse...

Concordo com o Copo de 3, e acho q a Dão Sul acabou por ter um papel importante no meio disto tudo! Agora cada vez aparecem mais produtos com interesse, e percebe-se as diversas abordagens dos produtores, resvalando para vinhos de perfil dito "moderno", ou indo buscar muitas influências aos saudosos vinhos antigos do Dão, mais minerais, elegantes e subtis. Os brancos do Dão são uma referência também para mim com propostas muito interessantes, tendo os Encruzado um lugar muito especial nos meus brancos preferidos..

Boas provas!

Chapim disse...

Esqueci-me de referir o papel da Sogrape com a Qt dos Carvalhais que trouxe inovação enológica para terras do Dão. Mais um bom exemplo!

Pedro Sousa P.T. disse...

Amigo, infelizmente não tenho tido umas boas experiencias com Nelas. Domingo passado abri uma reserva 1997 da Cooperativa com muita espectativa para acompanhar um jantarinho de grão à algarvia, e foi umas das maiores desilusões, talvês por causa da tal espectativa. Em casa tenho também para abrir o Touriga Nacional 2003, e o Pé Franco 2001, e sinceramente estou com medo de apanhar outra desilusão. Mas uma coisa é certa as desilusões apanham-se em todas as regiões.Um grande abráço.
ps: concordo em tudo com o copod3 e com o chapim.

Pedro Guimaraes disse...

Caro Pingus...

No passado(2006) bebi uma garrafa de Touriga Nacional 2000 deste produror e fiquei bastante impressionado. Um hino a elegancia e a complexidade, por menos de 15 euros, se a memoria nao me falha. Bastante melhor que muitos rotulos afamados que por ai andam!!! Viva o Dao!!!!

Abracos

P.S.- a falta de acentos nas palavras deve-se a proveniencia estrangeira do teclado em questao. As minhas desculpas...

Miguel disse...

Pedro Sousa, provei recentemente o Touriga Nacional 2001 e o Pé Franco
2001. Gostei muito dos 2 mas o Pé Franco está um vinho excelente. Um dos "meus" vinhos até hoje.

Pingus Vinicus disse...

Caros Pedros (Sousa e Guimarães), "bons olhos vos vejam". Têm andado desaparecidos.

Sobre os vinhos, poderei dizer-vos que gosto do Pé Franco. Um vinho interessante.

Anónimo disse...

I´ve tried all the kinds during these years, and I assure you its getting much better than before.
2003 and 2004 wines have no comparisson with the ones from 2001/00.
Thats why, this wine it´s breaking through and getting a notable presence as well as rewards.
I recommend opening now the ones from 2003 as is its best consumption.

Francisco disse...

É de facto mineral, elegante e de sabor a hortelã e cedro. EM SUMA : É DEMAIS.
UM ABRAÇO A TODOS
Francisco