quarta-feira, abril 18, 2007

Casa Montes

Pegaram em mim e levaram-me até ao hemisfério sul, bem lá para os lados da Patagónia, da Terra do Fogo. Uma fugaz visita ao reino do tango, das pampas, dos destemidos gaúchos que fazem do seu cavalo; casa, amigo, confessor. A Argentina, a par do Chile, é um daqueles países que me fascinam desde miúdo. Lembro-me muito bem da fatídica guerra das Malvinas (sempre usei este nome, nunca a versão inglesa). Na altura, era a primeira guerra que presenciava em directo pela TV. Era algo que fascinava um puto (inocência reinava). A Argentina transmite-me um certo ar de tragédia, de desgraça romântica, um fatalismo parecido ao português. Sofreu as amarguras de uma violenta ditadura militar. O atroz governo dos Generais.
Casa Montes
foi fundada pelo andaluz Francisco Montes. Situada na província de San Juan, mesmo encostada ao Andes, a 700 metros de altitude. É desta casa que trago à baila dois vinhos. Um tinto e um branco.
Alzamora Malbec 2002. Dizem os especialistas, os críticos da coisa, que têm surgido vinhos (muitos) interessantes feitos exclusivamente com esta casta (até enólogo português Rui Reguinga, pelo que sei, construiu um vinho com malbec). Este pareceu-me pouco interessante. Não mostrou qualquer rasgo digno de registo. Uma viagem curta, sem grandes momentos fotográficos. Inicialmente muito metálico, recordando ferro, ferrugem. Surgiram cheiros que lembravam água parada (pensem na água que sai das torneiras da vossa casa quando regressam das férias). Não terá sido das melhores apresentações a que assisti. Foi evoluindo para sugestões a azeitona esmagada, engaço. A rusticidade imponha-se de forma muito desequilibrada, sem alma. Foi aliviando um pouco, tentando mostrar um lado mais suave, mais elegante. Surgiram couros, pêlo de animal, vegetal e folhas secas. Tudo com muito esforço. Na boca notava-se mais acerto, mas nunca passou da mediocridade. Terá sido falta de arcaboiço, da minha parte, para compreender um tinto malbec? Ou consequência de uma prova rápida? Nota Pessoal: 11,5
Com o Viognier Ampakama 2005, a peça teve mais interesse. Inicialmente fez-me pensar num chardonnay (estava a ser provado em prova cega, tal como o tinto). As sugestões a ta
lo de couve, erva verde, fruta madura (a banana era rainha e senhora) marcavam assertivamente a prova. Madeira presente. Na boca, gordo, cheio, com bom prolongamento. A acidez permitia que este branco não caísse para a barreira do exagero. O controle da temperatura é muito importante. Poderá torna-se pesado, chato. Notava-se que não tinha o nosso estilo, que poderia ter vindo de fora, do novo mundo. Tinha tiques americanos. A minha experiência com esta casta (viognier) é extremamente reduzida, Conto pelos dedos os vinhos que bebi feitos a partir dela. A minha nota tem, portanto, poucos pontos de referência. Nota Pessoal: 15

2 comentários:

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Também gostei muito deste Ampakama 2005. Melhor viognier provado em 2006 só mesmo o "Herdade do Esporão private selection (B) 2005".

abraços,

N.

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Já me esquecia, o tal malbec do R. Reguinga é o "Phebus Malbec" e não está nada mal...

N.

PS: vende-se no ECI.