quarta-feira, Abril 11, 2007

Crescendo com Altas Quintas

Falar deste produtor é falar de uma paixão alentejana (tenho outra: a minha mulher), de algo que me cativou deste o primeiro contacto. Na altura com o Altas Quintas Colheita 2004. Depois a relação aprofundou-se, a admiração aumentou. Chegou a tomar aspectos de delírio, roçando o irracional, quando provei, desculpem-me, bebi o Reserva 2004. Dois vinhos que apreciei, que saboreei até à última gota. Autênticos amores, capazes de cegar, toldar o espírito. As paixões são mesmo assim. Quem não se lembra das suas paixões de juventude que ardiam, que desgastavam, que nos desconcentravam nas aulas. Caramba, aquilo doía muito.
Este produtor possui uma área total de 256 hectares, divididos por duas quintas paralelas, a proprieda
de das Altas Quintas localiza-se no Nordeste Alentejano, dentro do Parque Natural da Serra de S. Mamede, a uma altitude que oscila entre 496 e os 770 metros. Além de 48 hectares de vinha, possui 80 hectares de pinheiros, 50 de árvores de fruto e oito de olival. Baseada em castas autóctones, como a Trincadeira e o Aragonez nos encepamentos tintos, Verdelho e Arinto nos encepamentos brancos, a vinha contém ainda percentagens menores de variedades com elevado potencial enológico, como a Alicante Bouschet, Alfrocheiro e Syrah.
Desta vez, a relação aligeirou-se com os novos vinhos Altas Quintas Crescendo. Vinhos idealizados para as grandes massas, de fácil acesso. Vinhos que se vão situar num patamar abaixo do Colhei
ta e do Reserva.
O Rosé Altas Quintas Crescendo (de 2006) veio envolvido com uma cor bastante curiosa, p
ouco habitual neste tipo de vinhos. Andava ali entre o tijolo, o castanho, o âmbar, o vermelho. Desculpem-me, mas nunca fui muito bom a caracterizar cores. Muito longe daquela cor rosa choque que se costuma ver. Os aromas espantaram-me pela secura que apresentavam. Longe da doçura, longe dos rebuçados, dos morangos maduros, das framboesas. Distante da exuberância típica dos vinhos rosés. O tal toque da folha de tomate voltou a surgir. Será invenção, entusiasmo a mais?
Ao contrário do habitual, deixei subir um pouco a temperatura para verificar se o doce não estaria, eventualme
nte, escondido por causa dos poucos graus celsius a que tinha sido sujeito. Manteve-se contido. Totalmente remetido para papel secundário. O estilo seco manteve-se. Na boca, seco, levemente vegetal, sem enjoar. Autênticamente um vinho contra-corrente. Como alguém disse, por aí, será que está a surgir uma nova vaga de vinhos rosés, menos femininos? Nota pessoal: 14,5
O Tinto Altas Quintas Crescendo 2005, pareceu-me possuir um perfil algo afastado do Colheita e do Reserva. Se calhar a ideia era mesmo essa. Criar um vinho consensual, destinado a um espectro mais alargado de consumidores. Compreende-se. Menos mineral, menos vegetal, menos complexo. Mais moderno, mais acessível, extremamente guloso, redondo, bem limado. Chocolate com leite, o tabaco, a fruta madura eram as traves mestras deste vinho. Sempre suportadas por um bom nível de acidez. Fundamental neste tipo de vinhos. É um vinho um pouco monocórdico, mas de uma gulodice fenomenal. Nota pessoal: 15


Resta-me esperar por um branco. Um branco das montanhas do Alentejo. A paixão essa, não esmoreceu com estes vinhos, pelo contrário. Por vezes, precisamos de acalmar a fogueira.


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