terça-feira, Agosto 14, 2007

Somontes Grande Escolha 2005

Prefácio

Regresso a casa. As férias caminham para o seu epílogo. Este ano, fui assolado por um estado de alma estranho, algo pesaroso. Fui assombrado por memórias, por lembranças de acontecimentos, de pessoas (a minha mãe) que há algum tempo foram embora. Tomei consciência que, há muito, ando a fingir que o contínuo do tempo não teve qualquer quebra, que se desenrola da mesma forma.
Olhava para os locais, para alguns marcos e havia sempre qualquer coisa que entristecia. Baixava a cabeça e mirava a vida de outra forma. Ela não está cá! Outros não estão cá.

Durante a minha passagem lá por cima, o contacto com o vinho foi bastante reduzido. Quase residual. Foram bebidos apenas vinhos regionais, sem grande significado para a massa consumidora que habita nas grandes urbes e que gosta apenas de super-estrelas. Os preços nunca ultrapassaram os 4€.
De todos eles, escolhi para a rentrée mais um vinho da Casa da Passarela (que parece que está a ressurgir um pouco das cinzas, criando vinhos com mais estrutura, bem mais compostos).
Depois de um Casa da Passarela tinto 2005, aqui partilhado, e um Touriga Nacional do mesmo ano, apresentado à comunidade enobloguista, calhou a sorte ao Somontes Grande Escolha 2005. Um tinto elaborado com Aragonez e Touriga Nacional (indicações do contra-rótulo).
No copo, a cor mostrava uma tez escura, aparentando alguma concentração. Nas primeiras abordagens feitas ao vinho, pareceu-me fechado, bastante indefinido. Senti uma timidez algo despropositada. Caramba, falávamos a mesma língua, éramos da mesma terra. Não haviam razões para tanta desconfiança.
A evolução encarregou-se de mostrar um vinho com algum carácter e estrutura interessante. Carregado de cheiros silvestres, balsâmicos e minerais. Presença de um toque rural dava-lhe a alma da terra.
Na boca, levemente pastoso, mastigável, conciliando correctamente a acidez com os taninos. Agradável. Um tinto que poderá de melhorar mais um pouco. Não será para grandes guardas (digo eu), mas é capaz de ser engraçado observar a sua evolução de mês para mês. Por 3€, a brincadeira fica barata. Arrisquem que ele é um bom parceiro para comida. Nota Pessoal: 14

Posfácio
Voltemos, agora, à vida real.

1 comentário:

Pedro Rafael Barata (Blog Os VINHOS) disse...

Apenas conheço a colheita 1991, mas é um vinho típico do Dão, daqueles que se faziam antigamente... certo?

http://osvinhos.blogspot.com/2007/06/527-somontes-reserva-1991-tinto.html