quinta-feira, Janeiro 17, 2008

170º 2005

Para mim foi diferente. Os traços gerais da sua personalidade andaram longe do que habitualmente bebo por aí. Como já disse, volta na volta, caímos sempre no meio do Douro, do Alentejo. Por vezes, vamos até ao Dão ou Bairrada. Uma vez por outra, lá arriscamos a provar um vinho da Estremadura, das Terras do Sado ou Ribatejo. Se tomássemos a coragem para sair do socialmente aceite, acreditem que teríamos mais uns quantos momentos de alegria pessoal (que é a que interessa).
Reincidindo com a Companhia das Lezírias, escolhi, desta vez, um tinto de 2005 que comemora o 170º aniversário desta Companhia.
Ao abrir a garrafa ficou livre um conjunto de curiosas sensações odoríferas que não deixaram qualquer margem para dúvidas (perdoem-me esta afirmação absoluta). Era evidente a presença de um largo número de ervas aromáticas. Facilmente preencheria umas valentes linhas só com os nomes delas. Depois folhas de chá remetiam-me para o meio de sacas de pano a transbordarem de lúcia-lima, de tília, de príncipe. O mentol, juntamente com um pequeno rasgo a erva verde, impunha um registo fresco e campestre. Sempre com uma delicadeza que merece ser referenciada.
Os sabores oferecidos estavam, também, repletos de sensações campestres, vegetais e mentoladas. As folhas de chá e as ervas aromáticas influenciavam, também aqui, o comportamento do vinho. Com vivacidade e com jovialidade.
Fiquei surpreendido com este ribatejano. Um estilo algo anacrónico, longe do que habitualmente estamos à espera. Nunca lhe apanhei qualquer ponta de fruta, de chocolate, de tabaco, de baunilha. Gostava de saber como isso é possível! Não deixou de ser curioso.
Não será, provavelmente, um vinho consensual (Num grupo de sete indivíduos apenas um gostou verdadeiramente dele). Nota Pessoal: 16,5

3 comentários:

luis marques disse...

Curioso que já vi esse vinho à venda nos Hipers. É puxadote. Custa mais ou menos 15€. Nunca lhe dei grande atenção.

Anónimo disse...

Bom dia,

é a minha primeira participação no fórum, pelo que desde já envio os meus parabéns ao anfitrião pelo excelente blogue sobre os prazeres de Baco.

Sou um mero apreciador, mas tenho uma paixão por um vinho da Companhia das Lezírias: o Cabernet Sauvignon de 2005. José António Salvador intitulou-o o melhor Cabernet português, eu, mero apreciador, acho-o um vinho delicioso. Encorpado sem deixar de ser elegante, ao mesmo tempo com uma pastosidade que vicia e não enjoa. Já provaram?

Este vinho comemorativo ainda não provei mas ando com ganas de o fazer.

Um abraço,
António

Pingus Vinicus disse...

Caro Antónimo, despertou-me a curiosidade para provar esse cabernet da Companhia das Lezírias. Assumo que olho de lado para os C.S. feitos em Portugal.

Vou seguir a sua dica.
Um abraço