Quantos vezes ouvimos e lemos que o pecado, a luxúria destrói a alma do indivíduo? Quantas vezes somos avisados para não viver em ostentação? Pedem-nos para ter uma vida prosaica, meio fugaz. Quando nos pedem isso, dizem que seremos recompensados noutro lugar, noutro sítio. Não neste. Complicado para quem não advoga estas teses. Cruel para quem as segue. Luta sistematicamente contra si, contra o seu corpo, a sua carne.
Embalado nesta confusão, meti pela goela adentro um aragonês. Um tinto

Sentia cheiros a lasca, a pedra, a lousa. Apara de lápis. Surge a visão da sala de aulas da Primária. Pensa-se um pouco na infância. Vem à memória a cerejeira (que estava a um canto do recreio). Era descascada pela malta. Em frente, tínhamos em enorme pinhal. No Inverno e no Verão o ar que saltava de lá era perfumado. Intenso. Olhávamos e sonhávamos. Os olhos ficavam húmidos com o vento. Os cabelos ficavam arrebitados. Agora já não existe.
A fruta está longe de enjoar. Não era madura e não era a principal

Um original rasgo a chá, aliviava o espírito. Afastou durante muito tempo o remorso inicial. Transmitia paz.
O gosto reafirmava a elegância, a classe. Sabores a cacau preto, a tabaco e a baunilha completavam, fechavam o rol de sensações. Uma finura que fez esquecer a presença dos taninos e da acidez. Até o álcool passava despercebido. Tudo parecia bem feito. Nota Pessoal: 17
Em Aragonês ou em Tinta Roriz temos aqui um belo vinho.
Comentários
Abraço, e vamos é mas é fazer-nos às pingas.