quarta-feira, Fevereiro 27, 2008

Torre de Tavares 2005

Jaen. Uma casta que lembra o Dão. Quando olhamos para o contra-rótulo quase sempre está lá. Mas raras são as vezes que a vemos sozinha, sem ninguém para fazer companhia. Dizem os especialistas, os que percebem da arte, que não tem grande apetência para andar sem parceiros. Perdoem-me a ligeireza dos meus comentários.
Puxando pela minha memória, apenas caço três produtores que conseguiram fazer um estreme que agradasse. Álvaro Castro com um extraordinário 1997, a Adega Cooperativa de Tazem com jovial 2000 e mais recentemente o moderno 2003 da Quinta das Maias. Verdade seja dita, também não provei muito mais.
Na Quinta da Boavista, reaparece novamente um Jaen estreme. Negro na cor, espesso. Impressiona à vista desarmada. Viscosidade bem evidente. As paredes do copo ficaram impregnadas de tinto.
O espectro aromático está preenchido com fruta. Muitas bagas escuras. Foi aliviando o espartilho com um cerrado cheiro mentolado. A pressão aromática continuava com uns valentes nacos de chocolate preto, bem amargo. Lembrou-me o chocolate Pantagruel que se vende por aí. Por entremeio, e em jeito de libertação, pareceu-me deslumbrar uma nica de alfazema, de lavanda. Sempre num estilo sólido e enérgico.
Os sabores mostravam ímpeto e músculo. Muita juventude à solta.
Este vinho criou expectativas. Por agora, pareceu-me irrequieto, nervoso. Com a estrutura que revelou, é capaz de dar qualquer coisa de jeito no futuro. Aguardemos mais um pouco. De qualquer modo, gostei de ter bebido um Jaen moderno. Bons sinais. Nota Pessoal: 15,5

Post Scriptum: Cultivada na região de Bierzo (Espanha) com o nome de Mencía.

3 comentários:

Pedro Rafael Barata (Blog Os Vinhos) disse...

Caro Rui,

Digamos que tem uma nova roupagem que, penso eu, não é muito do teu agrado... :)

Anónimo disse...

Caro pingus,

Sabe o preço (mais ou menos) deste vinho?

João T.

Pingus Vinicus disse...

Caro Pedro, já apanhaste o meu género. :)
De facto este Jaen foge um pouco ao que habitualmente gosto de beber.
Adianto que ele foi provado em prova cega (aliás, muitos vinhos que vou partilhando com vocês são bebidos nesses moldes).
Quando foi revelado o rótulo fiquei um pouco admirado com a "pujança" do vinho. Apesar do estilo, aposto que poderá ser uma boa surpresa no futuro.

Caro João T. com toda a sinceridade não sei quanto custa o vinho. Mas olhando para o resto da gama deste produtor, acredito que terá uma boa RQP. Por exemplo comprei o Touriga Nacional a sensivelmente 14€.

Um abração