segunda-feira, Março 03, 2008

Quinta dos Roques Touriga Nacional 2005

Lançado conversa, quando se fala em Touriga Nacional surge à frente dos (meus) olhos, o Quinta dos Roques de 1996 (Só tardiamente é que consegui provar este vinho). Um ano em que as coisas pareciam querer mudar. Havia sensação que o Dão estava a sair (finalmente) das areias, da letargia em que esteve enfiado durante longos anos. Era o início de uma caminhada lenta, cheia de zigues zagues, com muitas falsas promessas.
Em 2005 o cenário apresenta-se (bem) mais alegre (mesmo que seja do desagrado dos velhos).
O cheiro largado diluia-se pelo ar que respirava. Notei boa simbiose entre a fruta e a tosta. A doçura dos aromas, longe de ser incomodativa, seduzia a minha alma. Sentia o espírito a ficar preso, envolto em correntes de pecado. Terrível sentimento de culpa. Incapaz de dizer não.
Saltava a imagem das compotas. Tomate e canela. Marmelada e chila. Tudo a pedir que o dedo roube uma quantia. Dispersam-se sensações de chocolate, de tabaco, de caramelo. Mantêm-me preso ao nariz. Gulodice, muita gula.
A ervas aromáticas vão aparecendo lentamente. Talvez carqueja, talvez tomilho, talvez alecrim. Talvez algo do género. Perdoem-me outra abusiva comparação. Recordo (mais) uma imagem da casa da minha mãe. Era complicado assomar para ver ou responder a quem passava pela rua. O peitoril da janela estava atulhado de pequenos vasos. Volta na volta, caía um recipiente. A reprimenda era feroz. Agora, estão vazios.
Na boca quase seda. Taninos e acidez mostraram-se (muito) cordatos, bastante educados. Na memória ficaram registados os melhores momentos.
Poderá ser contraditório. Provavelmente muito confuso, mas gostei deste vinho. É a incongruente essência do ser humano a ditar leis.
Apesar de revelar tiques (muito) modernos, mostrar uma face algo distante das tradicionais características de um Touriga Nacional do Dão (pelo menos, assim pareceu) conseguiu ter amabilidade de manter delicadeza de expressão e suavidade. Longe da força, do músculo. Nota Pessoal: 17