quarta-feira, Setembro 03, 2008

Grilos (Dão)

Procuramos, procuramos, mexemos, remexemos. Experimentamos e voltamos a experimentar.
Nesta época que está a caminhar a passadas largas para o fim, (o Outono e o Inverno estão agachados na esquina à espera de serem chamados pela ordem temporal a que estamos habituados), o vinho que geralmente costuma correr para dentro do copo é tendencialmente ligeiro, escorreito, fresco e barato. A cabeça e o corpo, salvo raras excepções, não suporta emoções fortes, desafios enófilos de teor mais complicado.
Imbuído deste espírito malandro, verti recentemente para o meu copo as colheitas mais recentes da Quinta do Grilos, agora Grilos. Tinto 2006 e Branco 2007. Vinhos que não ultrapassam os 3.50€. Vinhos que surpreenderam pela positiva. Ambos mostraram-se modernos, redondos, sem arestas, conseguindo apresentar de grosso modo um interessante conjunto de argumentos (tendo em conta o que, geralmente, esperamos de vinhos pertencentes a esta gama - baixa).
Entremos um pouco mais dentro de cada um deles.

Grilos (branco) Colheita 2007. Encruzado e Cerceal-Branco foram as castas escolhidas.
Um branco bem conseguido, talhado para agradar e satisfazer. Provocou sensações bem frescas. Percebia-se que estavam lá dentro um pouco de banana, manga, bem como lima (e limão) e uns pedaços de pêssego. Este caldo era refrescado por cheiros de cariz vegetal, que fizeram recordar (um pouco) a erva molhada e folha de tomate. Receita bem aplicada.
Os sabores revelaram-se vivos, crocantes e frescos como os aromas. Boa amplitude.
Para não dizer mais disparates, diria que é um vinho que deu prazer e que serve muito bem seu propósito. Nota Pessoal: 14
Grilos (tinto) Colheita 2006.
Salta do copo com sugestões vegetais (casca de árvore, caruma). Liberto da mata, o fruto preto, bem como o cacau e tabaco ofereceram a este tinto um toque moderno, (muito) urbano. Percebia-se, mais uma vez, que o trabalho foi bem feito e que o objectivo estava bem definido. Um vinho de massas para agradar a quase todos. Consegue, ainda assim, revelar alguma austeridade através de uma leve impressão terrosa.
O paladar era fresco, com a fruta madura e os tostados a sentirem-se desde o momento que entra até ao momento que sai. Guloso. Um tinto que foi um achado para mim.
Uma nota à parte: o contra-rótulo diz que tem arcaboiço para ir mostrando as suas capacidades ao longo de 6 anos (talvez tenha sido do estágio em 6 meses em barricas de carvalho). Tenho dúvidas. Nota Pessoal: 14,5

4 comentários:

Pedro Sousa P.T. disse...

Achei piada ao termo "urbano", pois acho que se aplica na totalidade a este vinho. É um vinho que estamos sempre à espera de encontrar num restaurantezinho de bairro sem pretensões , com uma comidinha caseira, pois não nos apeteceu fazer o jantar nessa noite.
Abraço

Pingus Vinicus disse...

Isso mesmo. Isso mesmo.

Copo de 3 disse...

É bom saber que os Grilos ainda cantam... parece que menos desafinados do que por exemplo o 2003.

Kroniketas disse...

Não esquecer que os "grilos" agora cantam debaixo do chapéu da Dão Sul. Presumo que seja por isso que caíu a "quinta", tal como nos da Quinta de Cabriz. Vinhos de quinta agora só na Casa de Santar. Também não percebo muito bem porquê, mas eles lá saberão. Pelo menos o que vem da Dão Sul costuma ser bom.