sexta-feira, Novembro 21, 2008

Catralvos (Terras do Sado) Reserva Branco 2007

Os vinhos que saem daqui, até ao momento, não tiveram a amabilidade de despertar grandes paixões. Possuem um estilo que não é, aparentemente, o meu (até ser contrariado numa prova cega). Depois perdem-se numa gama que não sei onde acaba e onde começa. Fico confuso entre tantos rótulos e garrafas. Verdade seja dita, este fenómeno é característico de outros produtores. Marcas e marcas, contra-rótulos iguais. Confusão nas prateleiras. Adiante.

Precisava, num dia destes, beber um branco. Não procurava nada em especial. Apenas uma pinga que acompanhasse a refeição da noite. A escolha recaiu sobre um Catralvos Reserva Branco 2007, feito essencialmente de chardonnay. Pelo meio, segundo o que diz o contra-rótulo, foi fermentado em barricas de carvalho francês, sofrendo com a battonage durante 4 meses. No final de tudo juntaram-lhe 10% de arinto.

Falemos dos aromas, dos cheiros (gosto muito deste conceito: o cheiro. Parece-me mais humano, mais falível, mais terra a terra, mais perto do comum). A maçã foi a primeira sensação registada (ou imaginada) pelo cérebro. Depois talhadas de melão e esferas de meloa. Durante muito tempo, esta fruta marcou o perfil do vinho. A memória vagueava entre tonalidades brancas, esverdeadas, meio amarelas. Surgiram, em jeito de libertação, citrinos (Gotas e gotas de laranja e tangerina) e um fresco ar vegetal.
Foi evoluindo sem grandes exuberâncias, mas limpo e educado. Percebia-se que tinha ali, no copo, uma coisa bem arranjada.
Um pouco de pimenta branca. Foi boa ideia usá-la para temperar. Curioso, não?

A madeira, pareceu-me não ter grande apetência para desempenhar papéis de primeira importância. Ainda bem.
O sabor, o paladar era saudavelmente fresco e frutado. Corpo suave, bem desenhado. A madeira sentia-se levemente no final, deixando na boca um pequeno toque seco.
Resumindo, um vinho bem feito e meigo, vendido a preço inferior a 4€. Não é certamente um exemplo de complexidade, mas tem capacidade para deitar para fora um conjunto de cheiros e sabores com interesse. Para beber enquanto está jovem. Provem-no. Nota Pessoal: 15

Post Scriptum: Já notaram que muitos vinhos brancos evoluem positivamente no outro dia? Parecem ficar mais exburantes, mais aromáticos. Será impressão minha?

7 comentários:

Copo de 3 disse...

Não se perde nada uma decantação ligeira antes do consumo, não é verdade ?

Eu às vezes até os deito num pequeno decanter que tenho para esse mesmo efeito.

Pedro Sousa P.T. disse...

Tenho a impressão que não é só nos brancos, tenho apanhado tintos com essa característica. Interessante...

Abraço

Pingus Vinicus disse...

Copod3, é verdade. Também às vezes faço uma ligeira decantação. O fenómeno até acontece em vinhos de custo baixo. O que continua a ser muito curioso.

hmoreira disse...

Bebi este vinho recentemente e acabei por ficar com uma impressão diferente do teu relato. Eu pessoalmente achei o vinho pouco fresco, ligeiramente marcado pela madeira. Mas acima de tudo com o álcool presente na prova de boca. Guardei mesmo a garrafa e voltei a provar no jantar, onde realmente estava mais equilibrado na boca mas a intensidade aromática tinha quase desaparecido. Bebi este vinho em Setembro, mas vou voltar a efectuar nova prova após o teu relato.
Ainda da marca Quinta de Catralvos abri uma garrafa de Moscatel 2003 (novidade), não sendo um vinho extraordinário, é muito agradável com um perfil muito fiel ás características típicas de um Moscatel de Setúbal, para mim faltando alguma acidez para combater o perfil doce. Já agora fica aqui a sugestão gostava de saber a tua opinião sobre este novo Moscatel.

Boas provas,

Pingus Vinicus disse...

Viva hmoreira, pessoalmente não achei este vinho marcado pela madeira, nem pelo álcool. Pareceu-me ser um vinho bem feito, com os citrinos mais virados para a laranja do que para o limão ou lima. Sem arestas, limpo, calmo (não é de facto exuberante) e para beber enquanto jovem.

Sobre o Moscatel, é engraçado que tenho andado a bebê-lo no fim do jantar. Essencialmente tende para o doce (concordo inteiramente contigo), o que implica tê-lo sempre fresco no frigorífico. Nota-se que "precisa de um pouco mais de acidez". Lembrou-me em alguns aspectos o Superior da Ermelinda. Estilo mais pesadão, doce.

Valter Costa disse...

Nesses moscateis falta afinação. São as primeiras experiências.

Abílio Neto disse...

Caro,

Só uma achega sobre a decantação e areação dos brancos.

Para termos a noção do que estamos a falar, um dia destes, o "Sr. Ameal", aconselhou-me a decantar e arear o seu Escolha de um dia para o outro...

... Feita a experiência, o resultado foi excepcional, o vinho ganhou uma dimensão inusitada!

Abr.,

Abílio Neto