segunda-feira, junho 29, 2009

Loja do Fondue Gourmet - Barreiro

Não nasci nesta banda, vim de outros lados, mas foi por aqui que assentei e criei laços. Tornei-me num acérrimo defensor deste lado do Rio Tejo (a tal Margem Sul). Viro-me sistematicamente contra os da banda norte (linguagem que se usa para diferenciar cada uma das margens do rio), que olham para nós de soslaio, imbuídos de um bacoco espírito lisboeta que os tornam ridículos e arrogantes. Defendem que Portugal é efectivamente Lisboa e o resto é paisagem. Eu, simplesmente, gostaria de saber de que Lisboa falam.
Depois de mais uma polémica declaração de interesses, sinto a obrigação como apaixonado do tema e puro consumidor elogiar uma pequena loja Gourmet que existe no Barreiro. Não se trata de publicidade gratuita, nem pagamento de um qualquer serviço prestado. Estas palavras servem apenas para gritar aos outros que nos recantos mais estranhos desta banda e numa cidade que conheço muito bem (viver os anos 80 por aqui, foi uma loucura) está um lugar (despido de qualquer de preciosismo desnecessário) que disponibiliza meia dúzia de produtos de qualidade. Carnes, mais ou menos exóticas, tamboril, lagosta. Tudo devidamente embalado ou cortado no momento (as carnes). Patés, azeites, vinagres, massas, vinhos e outros pequenos acepipes que podemos levar para casa.
Este lugar está intimamente ligado a um restaurante que viveu, durante muitos anos, perto do local. Este restaurante O Fondue, que iniciou a sua actividade nos anos 80, especializou-se, desde então, nas carnes de caça e estendendo-se às carnes exóticas. Recordo a febre que era, na altura, comer carne de avestruz, de bisonte, camelo, zebra e de crocodilo. Ao mudar de instalações perdeu aquele brilho que tinha. Está massificado, barulhento e descaracterizado. De qualquer modo, ganhou espaço e é, apesar de tudo, um bom poiso para estar com um grupo de amigos.
A ideia da loja é oferecer tudo que é servido no restaurante e mais alguma coisa. Cabe-nos, apenas, a função de enfiar as coisas no saco e ir embora para outro lado. Em súmula, um projecto que merece aplausos e que nós (que andamos neste lado) merecemos.
Tenho pena, imensa pena, que não existam mais sítios destes (Mário Lino tem razão, ainda vivemos num deserto). Em Alcochete, por exemplo, assisti ao aparecimento e desaparecimento de alguns projectos (que pareciam ser interessantes). Mas a velocidade com que morreram foi tão grande que a história que tenho para contar resume-se, apenas, a uma pequena consideração: Os preços eram estupidamente altos.

5 comentários:

João Filipe disse...

quando por aí estou costumo ficar na casa de minha tia que fica onde, onde? No Barreiro! Acho que temos encontro marcado no Fondue quando por aí estiver numa próxima vez.Posso levar o espumante Brazuca?

Pingus Vinicus disse...

João falas sério? O mundo é mesmo pequeno.
Fico à tua espera e trás lá o espumante "brazuca".

PS- Até tens estadia em Alcochete que fica a 30 Km do Barreiro, mais coisa, menos coisa.

João Filipe disse...

É vero, mon ami, é vero! Vamos ver como as coisas caminham, no momento mais engatinham, quem sabe até ao final do ano, talvez Outubro. Depois te falo.
Abs e vamos armar uma degustação intercontinental!

Anónimo disse...

Boa Tarde, não percebo nada de vinhos mas de lojas gourmet tenho uma certa percepção. Ao procurar pela loja "O Fondue", inevitavelmente entrei no seu blog. Apenas lhe envio o meu comentário pois discordo do seu 1º parágrafo. Não existe qualquer arrogância dos habitantes da "margem norte" nem o falso sentimento de que seremos mais importantes por estarmos localizados na "capital". Acredito perfeitamente que haja quem assim pense, mas referir isso no seu blog é dar importância a quem não a merece e colocar "no mesmo saco" uma grande parte da população "lisboeta" que não se retrata com esse "retrato". Obrigada pela consideração que este comentário lhe merecer. NL

Kabe Ludo disse...

Isto é um pouco off-topic, mas quero tirar o chapéu a uma frase deste post:
"imbuídos de um bacoco espírito lisboeta que os tornam ridículos e arrogantes."

Conheço tantos assim que até sinto alguma pena!