sexta-feira, setembro 25, 2009

Mais Brancos

Um quarteto de vinhos brancos. Uns serão, provavelmente, para o Verão, outros para épocas do ano mais duras. Por entre nomes e descrições (e ando com pouca paciência para elas) ficam um conjunto de palavras sobre cada um. Coisa curta. Em alguns casos a surpresa abateu-se sobre o copo. Noutros nem tanto.

Casal Figueira Vinhas Velhas (Regional Lisboa) Colheita 2008. Feito com Vital. As vinhas são velhas. Cor a cair para o torrado.
Aromas empanturrados
de fruta madura. Fruta evoluída, a tender para a cristalização. Cheiros de massapão (é assim que se escreve?).
O paladar estava ligeiramente melado, com sensações de passa. Salvou-se pela acidez, pela austeridade que conseguiu, ainda assim, mostrar.
O vinho que estava dentro da garrafa parecia dar os últimos passos da sua vida. Tinha mudado de aspecto. Estava diferente. Perdeu aquele lado mais fresco, tendencialmente mais mineral, mais crocante. Tornou-se mais sénior. Nota Pessoal: 14,5
Vale de D'Algares Selection (Regional Tejo) Branco 2008. Fruta espessa, densa, gorda. Revelou aromas fumados que cambiaram para cheiros mais enfartados. Notas de ananás, de palha, de frutos secos.
Sabor cheio, estruturado. Vagueiam vegetais e citrinos. A acidez conseguiu manter níveis de frescura aceitáveis. Um vinho moderno e com apetência para climas mais frios. Nota Pessoal: 15

Vinha Paz Branco (Dão) Colheita 2008. Nem fazia a mínima ideia que existia. Depois de aberto, fui assaltado por uma sensação de desilusão. Algo pesado, meio morno, parco de frescura. O gelo é, decidamente, um amigo. Não o larguem. Não querendo matá-lo à nascença, fica o beneficio da dúvida. Voltarei a provar. Nota Pessoal: 14
Quinta do Cerrado (Dão) Encruzado 2008. Diria que tem, quase, tudo o que aprecio. Fresco, estaladiço. Vegetal, seco. Abundante em fruta ácida. Maçã bem verde. Ananás embebido em limão e lima. Carregado de muitas sensações minerais. Uma leve evolução para favo de mel.
Deixou nas beiças uma forte impressão seca, estupidamente ácida. Estranha presença de frutos secos.
Fiquei com a ideia que teve, algures, contacto com a madeira. Nota Pessoal: 16 (que se lixe).

Post Scriptum: Casal Figueira Vinhas Velhas (Regional Lisboa) Colheita 2008 foi oferecido pelo Produtor. O Vale de D'Algares Selection (Regional Tejo) Branco 2008 foi enviado pelo Produtor.

5 comentários:

Chapim disse...

Caro Rui,
este fim de semana andei de volta do Casal Figueira Vinhas Velhas e a minha impressão vai muito no mesmo sentido da tua. Não parecia um vinho de 2008 mas sim de 1998... Impressiona-me a mudança de perfil no vinho nos últimos 6 meses.

Boas provas!
Chapim

Pingus Vinicus disse...

É verdade, Chapim. Tb fiquei um pouco admirado com a sua evolução, pela forma como está, meio cansado.

Um abraço

Abílio Neto disse...

Rui,

Olha lá, o quer dizer o «que se lixe» a frente da nota? Algum bias...?

Abr.,

An

Pingus Vinicus disse...

Abilio, quer dizer apenas que gostei mesmo do vinho e que a nota reflecte mesmo isso. É meramente uma força de expressão.

Um abraço

Pedro Sousa P.T. disse...

E digo mais, o Qta Cerrado está na feira dos vinhos do Continente a 6€ e qualquer coisa. Portanto, um bom preço.

Abraço