quarta-feira, Março 17, 2010

Quinta do Seival Tinto Fino Seco Safra 2005

Irei, com toda a certeza, exagerar nos elogios ou no uso de adjectivos pacóvios, mas o que interessa, na verdade, foi o arroubamento que tive quando se encaminharam, para o nariz e boca, as impressões  de mais um Tinto Fino Seco. Adoro esta terminologia. Parece que foi gerada, simplesmente, para satisfazer o meu ego. Provavelmente, terão pensado que havia um velhaco que olha para o mundo de forma geocêntrica.

O vinho verde e amarelo, foi edificado a partir de 3 castas portuguesas na mesma proporção: Tinta Roriz, Touriga Nacional e Alfrocheiro. Depois, segundo a narrativa do contra-rótulo, o corte foi envelhecido em barricas de carvalho francês.

Os aromas revelaram enorme carácter vegetal. Arborizado, arbustivo e floral. A diversidade de cheiros deu azo à invenção, à comparação fácil e grosseira. Como eu gosto. Alfazema, violeta, mimosa. A fruta insinuava estar cristalizada.  Fortemente fumado. Juntemos, ainda, um enriquecedor toque a couro, quase animal, quase rústico.  Depois, e quase no fim, lá se lançou para sensações mais exóticas, mais consentâneas, quiçá, com a terra de onde veio. 
Sabor era seco, bastante elegante e singular, com tanino e acidez quase perfeitos. Fino e com um final levemente picante.
Olhando para o prontuário, dicionário e outros acessórios gramaticais apenas ocorreu a seguinte definição: Complexo e distinto. Nota Pessoal: 17

Um tinto quase do Dão (o rótulo e a garrafa possuem imensas semelhanças com qualquer coisa lá da terra) e mais uma vez pouco novomundista. Apetece-me dizer: Mandem para cá que eu compro.

2 comentários:

João Filipe Clemente disse...

Meu caro amigo, que bom ver que te divertiste á brava com este vinho que me agrada sobremaneira e é um dos meus vinhos brasileiros que mais prezo, inclusive por uma afinidade com o enólogo que o faz, o amigo Miguel de Almeida a quem já enviei o link para cá. Por ter essa ligação pessoal, muitas vezes ficamos na duvida se estamos realmente sendo imparciais, parece-me que sim já que o vinho desperou em ti o mesmo que em mim. Outra coisa, essa elegância e teor alcoólico comedido, caracteristica mais velho mundista que encontraste nos dois vinhos que te levei, são um pouco a caracteristica dos vinhos brasileiros, apesar de existirem rótulos num estilo mais parkerizados, digamos assim,o que a meu ver diverge um pouco da essência e terroir. Enfim, como que manda é o mercado .......
Salute amigo

DivinoGuia disse...

Pingus, com um nome destes se não estivesses no mundo dos vinhos, estaria no da doçaria.
Quanto ao vinho, a Miolo tem na linha dos Fortaleza do Seival uma gama de rótulos que precisas pedir ao João Filipe para te levar, ou melhor, venha para cá nos conhecer e degusta-la.
O Pinot Grigio é um encanto e o Tempranillo, deves prova-lo.
Que bom que gostou do Castas Portuguesas, eu tenho um amigo advogado, e que tem banca em Lisboa também, e depois que falei deste vinho,ele o leva aos pares do escritório sempre que pode.
Abraços de luz e calor
Álvaro Cézar Galvão