domingo, Junho 13, 2010

Olho no Pé (Douro) Colheita Tardia 2007

Fazia tempo que não falava sobre um Colheita Tardia. Na última vez que falei deste tipo de vinhos preferi um menos famoso em detrimento de outro bem mais estrelado, bem mais nobre. Acabei por ser assaltado e empurrado contra a parede pelas inúmeras dúvidas colocadas por quem leu o post no momento. Tinha, ao fim ao cabo, relegado para segundo plano o Grandjó Late Harvest e preferido coisas com menos estirpe. Apenas encolhi os ombros, pedindo desculpa pelo sacrilégio.

Agora salta para arena outro Colheita Tardia, nascido no Douro.
Estilo melado e untuoso. Cheiros e sabores empachados de laranjas e limas caramelizadas. Melão maduro, meloa madurona. Passas e frutos secos. Gordo e doce. Algo deficitário em frescura, carente em alegria e equilíbrio. Para quem gosta de coisas deste género, avance. O preço, esse, parece-me puxadote. Nota Pessoal: 15

5 comentários:

Joel de Sousa Carvalho disse...

Provei-o ontem e não gostei muito. Precisa de frescura na boca, exactamente como disseste. Acheio um pouco pesado na boca. No nariz está engraçado.

Um colheita tardia que está muito jeitoso (eu achei)´, é o Sequeira... experimenta

Sabes que nos colheitas tardias os preços puxam-se sempre um bocado... para cima!

OLGA CARDOSO disse...

Rui, conheço relativamente bem este colheita tardia. Parece-me ter um nariz interessante, uma acidez bem razoável, sendo, contudo, (e esse parece-me ser o seu grande senão) ser algo magro. Acho que lhe falta alguma estrutura de boca, algum corpo.

Tenho andado a brincar contigo no blog do Miguel, mas espero que, tal como eu, saibas perceber que se trata de mera brincadeira, ok Rui?

Conheces o Late Harvest do Esporão? O que pensas dele? Pessoalmente acho que lhe falta acidez. Algo muito importante em qualquer vinho e nomeadamente neste estilo doce de ser! Concordas?

Pingus Vinicus disse...

Olga, na boa. Não te preocupes. Na verdade é preciso brincar uns com os outros e deixarmos de ser tão formais e eu tb estava a brincar a curtir a "troca de mimos".

Tiago Sampaio disse...

Sendo este vinho um dos meus “bébés”, não podia deixar de comentar.

Em primeiro lugar, não creio que falte acidez ou frescura ao vinho. Concordo inteiramente com a Olga, que quando comparado com os seus congéneres lusitanos, se sinta menos doçura e daí a sensação de menos corpo. Apenas uma questão de estilo, para aumentar a versatilidade gastronómica do vinho.

Quanto ao preço, existem várias razões porque os colheitas tardias com podridão nobre (e feitos na vinha...) são caros. Basta pensar que as condições meteorológicas podem correr mal no Outono e toda a produção de um ano pode ficar perdida. Ou como no caso deste vinho, onde são necessários 2 hectares de vinha velha para produzir 500 litros. A mesma área, segundo as normas da região, poderia produzir 12.000 litros de vinho branco. Basta fazer as contas... :)

Pingus Vinicus disse...

Estimado Tiago Sampaio, antes de mais, é de louvar vir a terreno falar com consumidores.

Sobre o vinho em causa como deve entender não está em discussão a qualidade do mesmo. Essa não a discuto. Acredito que deva ter tido muitos mimos.

Sobre o estilo, apenas posso afirmar que na altura em que foi provado, considerei-o algo carente em frescura, tendencialmente pesado. Como exemplo, o Grandjó, para mim, sofre do mesmo problema.
Sei que não é uma opinião consensual ou, se quiser, bem aceite no "meio dos enófilos". Mas são as diferenças de opinião que trazem alegria a quem anda com um "copo na mão". Como a enofilia não é uma ciência exacta, não descarto que noutra altura possa ter uma opinião diferente.

Sobre o preço, também percebo, que para criar um bebé destes seja necessário investimentos de monta, mas como consumidor a minha carteira é que manda.

Um forte abraço e apareça sempre.
Rui M.