sexta-feira, Setembro 21, 2012

Abaixo as descrições organolépticas

Qual o sentido, qual o interesse, qual a vantagem em prosar inúmeras descrições olfactivas e gustativas?
De que vale, eu, estar a dizer que determinado vinho sabe ou cheira a X e outro, mesmo ao lado, estar a dizer que sabe ou cheira a Y? O presumível leitor fica esclarecido? Tenho dúvidas.


Por isso advogo que se abandonem todas, e mais algumas, descrições organolépticas. Não têm qualquer interesse e não esclarecem coisa alguma! Servem, apenas, para medir a capacidade eno-imaginativa de cada um de nós. Tenho dito!

9 comentários:

paulo bento disse...

Boas, Rui

Já varias vezes tive o prazer e a oportunidade de discutir este assunto contigo.
A tua posição é pertinente. No entanto há cambiantes que não podem ser esquecidas.
Como sabes, defendo há muito tempo que qualquer experiência sensorial à volta de um vinho é um acto isolado e solitário. Daí que as opiniões, leiam-se descritores, possam ou tenham que ser diferentes, fruto das diferenças que temos enquanto provadores e/ou seres vivos.
Se quem faz notas de prova apenas com o objectivo de as divulgar e toma como garantido que o que descortina no vinho é a verdade absoluta e pretende assim mostrar-se e pavonear-se na blogosfera como pretenso opiniões maker, a tua "indignação" é válida, pois, e reiterando o que disse, sendo diferentes, podemos ter análises diversas do mesmo vinho, e isso pode levar a muita confusão nos leitores que querem informação.
Mas se os descritores forem apenas para cada um de nós, servem como registo para memória futura e muita ajuda nos (me) dão.
Creio que os descritores são importantes e não me choca que haja algumas análises diferentes ao mesmo vinho.
A questão reside no facto da sua publicação/divulgação por inumeros blogues e na importância que cada leitor dará à informação que recolhe. Mas mesmo assim, quero crer que antes de se ser culto é-se inculto, antes de ser experiente, é-se inexperiente, e qualquer descrição poderá ser uma referencia e não... a referência, para quem quer aprender. As pessoas encarregam-se de seleccionar a quem dão importância.
Como sabes, aprendi a descortinar muitas coisas no vinho, analisando e discutindo contigo. Tenho-te como referência, porque credível. E creio que os teus milhares de leitores, também.
Por isso, apesar de eu saber que cada vez mais te custa opinar sobre um vinho, descrevendo-o (porque julgas que te estás a repetir e novas ideias não fluem - isso chama-se rotina ou experiência, como queiras), mantém e publica a tua critica opinativa e os teus "descritores", nem que seja para eu discordar deles ...ou não lhes ligar nenhuma!!!

Grande abraço

PS - Quer queiras, quer não, ganhaste o teu lugar no mundo dos vinhos e tens uma missão da qual (já) não podes fugir. Os teus leitores assim o "exigem"!

Anónimo disse...

Apenas tenho a dizer este provérbio:

" cada um puxa a brasa à sua sardinha "

Deu para entender...

Pingus Vinicus disse...

Olá Paulo, é com muito gosto que li o teu comentário. Irei pensar melhor nas tuas palavras, prometo, e fazer o contraditório. :)

Um grande abraço

Pingus Vinicus disse...

Anónimo(s), não deu para entender...

Unknown disse...

Bom dia,

Somos livres de dar opiniões...
é claro que s/ a mesma matéria as opiniões divergem e discutem-se!
Ainda bem que assim é!
Leva-nos a melhorar e evoluir!
Joel Leite

Hugo Mendes disse...

A pertinência do teu post, depende apenas, quanto a mim, do alvo da tua mensagem.
os descritores são linguagem para um grupo de receptores, restrito e muito específico, mas que existe e quer ser alimentado.
Por outro lado, para o publico em geral, acho que não andarás longe.
P.S. Os anónimos passaram num apice de espinho a personagem com identidade reconhecida...."what have i done!!!!!!"

Emilio disse...

Caro,

Nâo posso ser imparcial porque o teu blogue foi como o meu baptizado nos blogues enófilos, quer tugas quer espanhóis (de facto acredito que nâo sigo blogues deste lado da estúpida raia), e muitas das coisas que tenho aprendido -e sei que ainda estou a nâo ultrapassar o cinto branco/amarelo, como em Judo- foi cá que foram aprendidas.

Desejo seguir a aprender e gosto das descriçoes sensoriáis que @s expert@s fazeis, mas também concordo contigo que por vezes estas descriçoes sâo mais uma amostra de pedantería ou de pontificaçao que a certa expressâo duma opiniâo que, ao fim, so é uma opiniâo.

Quanto ao teu blogue, o facto de ser blogue e de estar aperto aos comentários é amostra de nâo pontificaçao, penso.

P.S.: Sinto-me como um de tantos espanhóis que tentam e nunca chegam a falar ou escrever português correctamente, e lamento nâo expresar o que penso como desejaría ;)

Pingus Vinicus disse...

O meu post, assim desejo, reflecte a minha preocupação com o lixo sensorial, que nós todos produzimos, muitas vezes sem sentido, sem qualquer lógica e que apenas serve para medir a capacidade de imaginar. No fundo pouco serve para esclarecer.

momenta disse...

Polémico ou utópico? Eis uma questão...