sábado, janeiro 05, 2013

Repisando o Assunto: A Diferença, o Nicho e o Alternativo!

Li, e ainda estou a ler, com atenção o último artigo do Manuel Carvalho, na RV referente ao mês de Dezembro, sobre suposta alteração de paradigma no vinho: a substituição da padronização pelo minimalista, pelo nu (alusão aos naked wines). Advoga, e são palavras minhas, o fim da era Robert Parker, personagem que não conheço e que nunca segui, por outras linhas de orientação, por outras formas de ver.


A dita personagem, Robert Parker, pelo que se sabe, vai gozar a sua reforma (milionária), o que não quer dizer que o conceito, a escola que criou e desenvolveu, com objectividade, desapareça num ápice. Tenho sérias dúvidas que chegue acontecer. Portanto, iniciar as cerimónias fúnebres parece-me precipitado.  Curiosamente, e se olharmos um pouco para trás, Robert Parker foi ele próprio impulsionador de vinhos diferentes para a época.
Parece-me que haver tal revolução, tal mudança, seria ou será preciso uma verdadeira vaga de fundo, com massa critíca, capaz de reeducar. Não vejo que tal seja possível.
 

Começa ser, perdoem-me, algo fastidioso, sonolento, doentio e repetitivo, a incessante defesa de produtos supostamente diferentes, sem qualquer efeito prático e sem sustento! Creio, antes, que falamos (todos) de assuntos que não conhecemos, que não dominamos. Apenas, julgamos.
Esta vaga diferenciadora apresenta, em certos aspectos, tendências ditatoriais, discriminatórias, extremamente elitistas, como se, agora, o enófilo verdadeiro tenha que ser obrigatóriamente diferente, alternativo e por consequência conhecedor de vinhos diferentes e alternativos. Comicamente, muitos dos que advogam a minimalidade, a tal pureza, são incapazes, em última instância, de provar  umas míseras gotículas de um vinho de lavrador português. Se o lavrador falasse outra língua, seria imensamente mais chique e bem mais alternativo.
 

Mas caramba, se extinguirem ou diabolizarem os produtos padronizados, que olhando para história são resultados da revolução industrial, onde buscaremos qualquer coisa ao fim do dia para simplesmente descontrair e conversar? Há um ditado português que diz, mais ou menos, o seguinte: Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
 

3 comentários:

L. disse...

"Comicamente, muitos dos que advogam a minimalidade, a tal pureza, são incapazes, em última instância, de provar umas míseras gotículas de um vinho de lavrador português."

na mosca. ou, para ser mais chique: na mouche.

Flavio Henrique Silva disse...

Caro,
Concordo contigo. O fato de ser minimalista, natural, artesanal ou coisa do tipo, não garante a qualidade do vinho. No caso do vinho, ou qualquer outro setor, todo radicalismo é perigoso.
Abraços,
Flavio

Pingus Vinicus disse...

Todo o radicalismo, totalitarismo seja ele de maioria ou minoria é muito perigoso.