terça-feira, janeiro 27, 2015

A ausência ou a má comunicação

Faz impressão, a mim, a política de comunicação, ou falta dela, de muitos (ou alguns) produtores. Resume-se, na melhor das hipóteses, à divulgação de fotos inócuas, nas redes sociais e pouco mais. De rótulos com mais ou menos medalhas. A sua interacção com quem compra os vinhos parece ser praticamente inexistente. Pouco se sabe sobre o que andam, por vezes, a fazer ou não. Que ideias têm? 

Na senda da colheita de 2007. Por menos de 4 euros, em alguns locais, temos aqui uma proposta muito interessante. Um vinho fresco e descomplicado. Um vinho para agora e para amanhã.
Diria, portanto, que a maior parte das vezes, o trabalho de divulgação e partilha é feito, em grande medida, por aqueles que compram os seus vinhos, que gostaram deles e que os aconselham.

Percebo o intuito das medalhas, mas que chateiam, lá isso chateiam.
E apesar do eventual sucesso, por parte dos presumíveis fãs, fica a ideia que a marca não é sinónimo de valor acrescentado, de desejo, mais ou menos exacerbado. Sabe-se que é, apenas, um bom vinho, mas despido de contexto, de alma, de história, de presença, de culto. E este estado é meio caminho para ser mais um vinho, entre tantos. 

4 comentários:

Raphael Sena disse...

Texto perfeito!

Compartilho da mesma opinião, pois sou aqui no Brasil, mais particularmente em São Paulo, um grande defensor do Dão. Há importadoras com grandes vinhos dessa região, mas não vejo trabalho de marketing, o qual seria de muita importância. Em matéria de portugueses aqui no Brasil que mais vendem são: Alentejo, Douro e Verde, pois querendo ou não há um trabalho bem feito. Ontem mesmo parabenizei no Facebook a CRVV, pois fazem aqui um trabalho fantástico de Divulgação, ontem mesmo recebo no meu e mail uma news sobre harmonização com pratos brasileiros, falando das curiosidades dos vinhos e da região; eles passam motivação ao consumidor. Eu faço um trabalho de livre e expontanea paixão pelo Dão, faço as pessoas conhecerem o "nosso terroir", as nossas castas, a nossa gente, a nossa tipicidade, pois é isso que encanta o mercado aqui. É uma pena, realmente que por mais que eu faça e mande projetos de novas ideias para a CVRD, não me respondam,talvez o endereço de e mail não esteja bem, mas mesmo assim, contem comigo. Um grande abraço. Segue link de uma entrevista que dei justamente sobre isso http://www.celoriconews.com/sociedade/quero-que-seja-reconhecido-devido-valor-uma-marca-que-um-dia-se-apagou-no-brasil

Anónimo disse...

Muitas vezes, quanto mais se fala, menos se acerta.
Será preferível os vinhos falarem por si.
E neste caso devem falar bem, a casa vai prosseguindo o seu caminho, ao contrário de outros casos que pareciam papagaios...
Boa noite e bons vinhos.
Ricardo

Anónimo disse...

Sr. Pingus Vinicus,

Já pensou que a maior parte das empresas vitivinícolas portuguesas têm estruturas familiares e não têm nem capacidade financeira nem recursos humanos para promover os seus produtos???

Muitas destas empresas empregam os elementos da família em todo o processo produtivo. Não há tempo ou disponibilidade para mais. Há vida para além da vida profissional.

Cumprimentos,

Zé da Bolota

O Regedor disse...

Provei este e gostei. Alguém conhece os vinhos da adega de Penalva? É que ainda gostei mais do Touriga nacional deles...