sexta-feira, julho 24, 2015

Beira Interior: Os Brancos

Tenho olhado com alguma atenção para os vinhos brancos da Beira Interior, principalmente para aqueles que provêm das cotas mais elevadas, mais frescas, bem como dos paralelos mais a Norte. Reparo mais para os brancos, porque os tintos parecem-me algo descaracterizados, ainda com pouco carácter, salvo excepções, e aparentemente pesados e alcoólicos, principalmente nas áreas mais quentes e nas margens mais alentejanas da região, apresentando poucas mais valias. A argumentação centra-se, é claro, no universo da percepção pessoal, como tal estará repleta de falhas, derivadas do desconhecimento de toda a realidade. 

Elegante, airoso, cristalino. Perfumado, fresco e tenso.
Regressando ao enfoque da coisa, apraz dizer que nos arrabaldes mais nortenhos e montanhosos da Beira Interior, sinto que existe uma enorme vibração na produção de vinhos brancos, podendo tornar-se, quiçá, the next big thing. Começam a surgir vinhos excitantes, finos e equilibrados. Profundamente frescos. Nota-se que existe coerência, alinhamento, percepção do que se quer e no que se deseja.

Será curioso observar a sua evolução.  Parece ter estrutura, volume, robustez capazes de segurar o vinho no futuro. O rótulo está muito bem conseguido.
Nota positiva para a CVR da Beira Interior que paulatinamente tem tentado, através de pequenas acções, simples, dar maior visibilidade à região. Resta, agora, os produtores, pelo menos alguns deles, não sei, tentarem olhar para os seus vinhos (tintos) e perceber qual é a mais valia que possuem, o que de novo poderão trazer ao consumidor. Fazer igual e descaracterizado, não é o melhor caminho. Vá lá, evitem os erros dos outros, não deleguem, intervenham no processo, pensem no querem oferecer. Ainda estão no princípio, mas não demorem, correm o risco de ficar esquecidos nas calendas e agarrados ao epíteto de eterna promessa.

2 comentários:

Anónimo disse...



Em boa hora...os bons exemplos não faltam, é só olhar para quem está ao lado mas do outro lado da fronteira...Os brancos espanhois da Ribeira Sacra já estão no estrelato, precisamente com as caracteristicas aqui enunciandas: vibrantes, frescos, secos e com castas originais.

PS Também gosto do vinho e é uma mais valia o rótulo e o Bio..

Cumps
João Freitas

Anónimo disse...

Em tantas milhares de referências tantos que ficam esquecidos nas calendas....

Os que mais se vendem continuam a ser os mesmos ano após ano.

Graça