quinta-feira, fevereiro 25, 2016

Volúpia

Luxúria, prazer excessivo, o incumprimento das regras. O deboche, o deleite, a delícia, a lascívia. Estados que vedamos por causa de uma porrada de leis, regras, condutas. E assim passamos a maior parte da vida, agarrados ao socialmente correcto, numa lógica castrante, que tolhe a liberdade dos sentidos. 

No divino impudor da mocidade, 
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frêmito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade...
A nuvem que arrastou o vento norte...
- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças...

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor" 

Agradável, fresco, perfumado. Porreiro para desbloquear, para começar, para embalar. 
É também, dizem, a deusa da virtude o que me parece ser um enorme contra-senso. O que se deseja é quebrar com qualquer pudicícia, com todo e qualquer virtuosismo. Contradições do Homem.

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