segunda-feira, março 27, 2017

Rufia

Não me venham com histórias, de gente bem comportada, mas uma boa briga faz bem. Alivia o stress. Numa boa briga, temos a hipótese de deitar cá para fora tudo o que nos incomoda e que espicaça a úlcera. É literalmente tirar o pipo da panela de pressão e aliviar. Ficamos sem filtros, dizemos o que nos vai cá dentro, sem pensar nas consequências. No calor da briga, fica-se cego, em que o lado mais instintivo prevalece sobre o que é socialmente aceite. Só mais tarde se avaliam as mazelas. Uma boa briga, tem um enorme efeito terapêutico.


Faço o mesmo paralelismo com os vinhos. Gosto (muito) de vinhos que provocam um tipo, que instigam. Que brigam, que se comportam como uns autênticos Rufias. Irritam-me, sobremaneira, os vinhos super bem feitos, super consensuais, super exuberantes, mas despedidos de alma e carácter. Um pouco como aquelas modelos, que só têm interesse quando a sua boca está fechada. Depois de aberta...


Fico possuído, quando me dizem que determinada porra é do caraças, quando muitas vezes não passa simplesmente de um vinho de receituário. Feito a medo, com medo de ser diferente. São como aqueles putos que dizem sempre sim ao professor. São bem mais apaixonantes os brigões, os malandros, os que contestam. São indomáveis. Possuem aquela coragem que nos falta e que invejamos. Apenas não os queremos perto de nós.

1 comentário:

Artur Hermenegildo disse...

Alguém disse dos filmes o que aqui parafraseio para os vinhos.

"Deus nos livre e guarde dos vinhos com saber e sem sabor".

(sendo que no caso a palavra sabor não deve ser tomada textualmente; como disse, é uma frase sobre filmes)

(talvez substituir sabor por alma...)