quinta-feira, junho 21, 2018

A Mesa

Tive a sorte, no outro dia, de conseguir reproduzir em cima de uma mesa algo que é cada vez mais raro. Para mim. Não sendo a melhor cópia, foi o que foi possível no momento. 
Ter os melhores enchidos, sem o excesso de fumo (uma das razões porque nunca consegui habituar-me às versões sulistas), é quase uma quimera, para quem passa, como eu, grande parte da sua vida enfiado e amontoado nesta esquizofrénica linha litoral, entre Braga e Setúbal. Portugal Metropolitano, segundo consta. 

Queijeta, pão, chouriça, presunto e azeitonas. Feitos por mãos.
A treta é que tenho uma necessidade premente de comer com contexto. É uma forma de potenciar o meu prazer, torná-lo mais orgástico. Ter um contexto é fundamental, é imperioso. Preciso de sentir que o que mastigo está de acordo com o que está em redor. Principalmente se esse redor tiver a ver comigo.  E a esta mesa faltou-lhe esse redor. Estava desenquadrada.

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