O Arinto de Vila Franca de Xira

Arranjado (e comprado) por interposta pessoa. Por intermédio de um gajo que conheço há anos. Desde os tempos em que ele e eu fazíamos parte do painel de prova da Garrafeira Coisas do Arco do Vinho. Lugar incontornável na altura, onde muitos de nós cresceram como apreciadores conhecedores de vinho. Foi uma escola básica, secundária e universitária. Aqui aprendi e conheci muito sobre os meandros do mundo do vinho, bem como ouvi inúmeras histórias e estórias. Tudo era novo, com o surgimento de múltiplos produtores. Vivia-se uma Primavera no mundo dos vinhos. Digamos que agora o registo é mais outonal.


Logo no lançamento do vinho, achei curioso o seu nome, a sua localização, a forma como foi projectado. Proveniente da Quinta da Subserra (século XVII). Propriedade que foi adquirida pela autarquia de Vila Franca de Xira no ano de dois mil e oito. Em dois mil e quinze, foram feitos melhoramentos com o objectivo pensado de criar um vinho com cabeça, tronco e membros. É, na sua essência, um vinho municipal.


Devo dizer-vos que gostei francamente do dito. Apesar de ainda imberbe e meio duro, o que não deixa de ser bom sinal, proporcionou-me momentos de muito prazer. Bastante tenso, seco e arisco. Muito vegetal, bastante citrino. Salino, mas aqui creio que seja tanga minha. Descontando o facto de ter estado perante uma curiosidade, vinda de um local, para mim, meio inusitado, digo-vos que sou gajo para comprar mais umas quantas garrafas para o deixar amadurecer, ganhar complexidade e domar o músculo. Tenho a fé que temos vinho ribatejano.

Comentários

Francisco Cunha disse…
Olá Rui,
Agradeço as suas palavras em relação às CAV, pela parte que me toca.
Aqui vai um grande abraço pelos bons velhos tempos,
Francisco
Pingus Vinicus disse…
Olá Francisco. Foram tempos muito bonitos. Devo a si Francisco e ao Juca a oportunidade de evoluído no mundo dos vinhos. As CAV foram uma autêntica academia enófila.

Um grande abraço
Rui