quinta-feira, janeiro 25, 2007

Qt Cabriz Superior 2000

Um exemplo que nos mostra a vantagem de deixar dormir um vinho durante alguns anos, sem pressas. O retorno, o prazer enófilo pode ser compensador. Bem sei que nem todos os vinhos, que andam por aí a passear, foram feitos para envelhecer saudavelmente na escuridão das nossas garrafeiras particulares.
Foi com um Dão, o meu Dão, que percebi que ainda existem alguns tesouros escondidos, esquecidos, cobertos de pó, longe dos palcos pisados pelos famosos.
Este tinto, que iniciou a Dinastia Superior deste produtor, revelou ter um comportamento muito ponderado e envolvente. O toque aristocrático que tinha era a chave mestra. Nunca se desviou, nem um milimetro, do que estava delineado, do que tinha em mente.
O baú de aromas, que estava encerrado dentro da garrafa, ia libertando sem pressas, ou atropelos, aromas muito delicados. Sempre num compasso regular e constante.
Repleto de sugestões silvestres. O mato, a caruma, o cedro, os fetos, as folhas dominavam. O perfume recordava a riqueza que era a floresta serrana, no passado. Era inspirador, reconfortante vê-la adormecer ao sabor dos bafos outonais. Os tons amarelos, castanhos e verdes proporcionavam uma visão acolhedora. Ofereciam ao viajante paz na alma. Agora e depois de continuados incêndios, a tal floresta está a gemer, a sangrar, a morrer. O negro do Inverno mantêm-se, mesmo na Primavera.
Na boca, este superior entrava fresco e balsâmico. Uma estrutura fina, mas muito equilibrada. Despedia-se, sorrateiramente, libertando um rasto levemente mineral.
Um vinho que não é caro, que vale a pena ser conhecido. Olhando para o resto da dinastia, nota-se que houve mudança de estilo. Estes últimos (colheitas de 2001 e 2003) estão mais voltados para a moda, com mais extracção, com mais cor.
Nota Pessoal: 17

9 comentários:

Copo de 3 disse...

E ainda bem que não acordei as que por lá tenho na garrafeira :)

AJS disse...

Com a gripe que estou, e logo impossibilitado das provas, este comentário permite que seja possível saborear o vinho da mesma maneira que um músico pode ouvir uma peça musical, só a ler a pauta. Obrigado. AJS

Pingus Vinicus disse...

AJS as rápidas melhoras. O frio lá fora aperta e muito.

Um abraço

Karen disse...

No final do ano compramos um Quinta de Cabriz 2005 em um mercado local, ele não nos agradou, mas pelo preço com que ele chegou aqui, acho que não poderíamos exigir mais. Linhas superiores do mesmo produtor devem ser mais interessantes.

Pingus Vinicus disse...

Sim, Karen o que provou deve ter sido o gama baixa. Os outros vinhos são muito mais interessantes

Karen disse...

Preciso ir a Portugal! Só assim para experimentar tudo o que tenho vontade! Abraços!

João Barbosa disse...

fiquei cá com uma vontade...

Pingus Vinicus disse...

Karen, Portugal tal como muitos países produtores do Velho Mundo vende o "melhor" dentro das suas fronteiras. O restante é que vai para fora, salvo raras excepções é claro.

j... disse...

Caro:

abri hoje um. E dou-lhe razão: que bonito ele está!