
Foi com um Dão, o meu Dão, que percebi que ainda existem alguns tesouros escondidos, esquecidos, cobertos de pó, longe dos palcos pisados pelos famosos.
Este tinto, que iniciou a Dinastia Superior deste produtor, revelou ter um comportamento muito ponderado e envolvente. O toque aristocrático que tinha era a chave mestra. Nunca se desviou, nem um milimetro, do que estava delineado, do que tinha em mente.
O baú de aromas, que estava encerrado dentro da garrafa, ia libertando sem pressas, ou atropelos, aromas muito delicados. Sempre num compasso regular e constante.
Repleto de sugestões silvestres. O mato, a caruma, o cedro, os fetos, as folhas dominavam. O perfume recordava a riqueza que era a floresta serrana, no passado. Era inspirador, reconfortante vê-la adormecer ao sabor dos bafos outonais. Os tons amarelos, castanhos e verdes proporcionavam uma visão acolhedora. Ofereciam ao viajante paz na alma. Agora e depois de continuados incêndios, a tal floresta está a gemer, a sangrar, a morrer. O negro do Inverno mantêm-se, mesmo na Primavera.
Na boca, este superior entrava fresco e balsâmico. Uma estrutura fina, mas muito equilibrada. Despedia-se, sorrateiramente, libertando um rasto levemente mineral.
Um vinho que não é caro, que vale a pena ser conhecido. Olhando para o resto da dinastia, nota-se que houve mudança de estilo. Estes últimos (colheitas de 2001 e 2003) estão mais voltados para a moda, com mais extracção, com mais cor.
Nota Pessoal: 17
Comentários
Um abraço
abri hoje um. E dou-lhe razão: que bonito ele está!