quarta-feira, Dezembro 05, 2007

Quinta do Quetzal

Este nome passou pela minha frente n'A Hora de Baco (já agora, acabou?). Depois voltou a reaparecer numa reportagem da Revista de Vinhos. O tema andava à volta da nova relação entre a arquitectura e o vinho. Tudo isto era suficiente para despertar a minha curiosidade. Estava perante um produtor que não conhecia. Era necessário que essa esquina fosse torneada.
Começo a ronda com o Quinta do Quetzal (Vidigueira, Baixo Alentejo), um vinho branco de 2005 (não deixa de ser curioso). Na caldeira onde foi feito aparece apenas a casta Antão Vaz. Depois adormeceu envolto em madeira. Por lá ficou durante algum tempo.
As sugestões vegetais marcaram os aromas, proporcionando frescura e alegria. Erva na fase inicial, folha de tomate e figueira lá mais para a frente. A fruta, que foi despontando com o desenrolar da prova, revelou uma faceta ácida, onde a maçã, a lima e o limão encarregavam-se de reforçar a frescura do vinho. Por entremeio, surgiram pequenos pedaços de ananás. Um pequeno ramalhete de flores brancas (gostei desta expressão) perfumava o copo. Toques amendoados e um pouco melados faziam o remate final, sem protagonismos exagerados.
Na boca o vinho pareceu estar equilibrado, bem arranjadinho, com nenhuma ponta fora do sítio. Bom nível de frescura. A madeira, mais uma vez, não apresentou pose autoritária. Mastigavam-se (não esperem coisas brutas) amêndoas, avelãs e um pouco de mel.
Um vinho que revelou ter um comportamento harmonioso, sem recorrer a grandes exuberâncias. Acima de tudo mostrou-se sadio, directo e calmo. Uma feliz descoberta. Pessoalmente, não o guardava muito mais tempo. Nota Pessoal: 15

Post Scriptum: A enologia é da responsabilidade de Paulo Laureano.

3 comentários:

Copo de 3 disse...

Gostei bastante dos vinhos desta casa.

Pedro Sousa P.T. disse...

Quanto ao vinho, fiquei só pela Hora do Baco, que por sinal ainda não acabou, ainda este Sábado passou pelas 22H30, ou pelas 23H30 não me lembro bem. Abraço.

Filipe Sousa disse...

Todos os dias vejo esta adega arquitectónica ao longe e ainda nem lá fui... Nem sequer os seus vinhos provei. A região está a tornar-se imensa na oferta vitivinícola, nem para um residente há tempo para todas conhecer!
Sugiro que desçam mais um pouco e visitem a Herdade do Rocim, entre Vidigueira e Cuba, outro portento arquitectónico. Onde vão as antigas adegas da malga a rodar...