segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

Segundo DADO (Dão&Douro)

Agora tem outro nome. Parece, segundo o que consta, é DODA. Na nova versão, o Douro surge em primeiro lugar e o Dão em segundo. Acredito que, pelo simples facto de ter mudar de nome, não tenha mudado de estilo. Pessoalmente, não faço ideia como é que esse DODA está. Perdi interesse no vinho. Não passo incólume às torrentes de novidades e, como criança, coloco de lado o que já não é novo. Peço constantemente brinquedos modernos, coisas que possam continuar a alimentar o frenesim enófilo.
Este segundo DADO saiu da garrafa com abundantes cheiros a tosta. Ficou, no ar, a impressão que a madeira dominava um pouco. Após uma longa série de rodopios com o copo, os aromas começaram a mudar a sua forma de estar. Surgiu o fruto. Maduro, suculento, escorreito. Ficavam registadas sensações de bagas a esvaírem-se. Fios de suco com tonalidades que vagueavam por entre o vermelho e o azul. Mina de lápis. Odor de apara. Lousa e xisto. Profundo, quase sem fim. Olhei para dentro do copo e a visão era de infinito.
Parei um pouco, comi umas garfadas. Irromperam, lá de dentro, aromas de alfazema, de hortênsias e de rosas. Ancoram, na memória, passagens de tempos longínquos. Não querendo parecer fingido, suspeitei que tinha acabado de provar um pouco de doce de tomate, saído do panelão (ainda a fervilhar).
O paladar era cheio. Tinha compleição considerável. A associação entre os taninos e a acidez conferiam à boca uma leve secura. Por entremeio ia sentindo um pouco de verniz e cera. Feito para estar na mesa, ao lado da comida. Desenhado para ser bebido com muita calma.
É um tinto sério, cheio de método e ideias. Está para durar, com o fim colocado a boa distância. Nota Pessoal: 17

Post Scriptum: Alguém já provou o DODA?

4 comentários:

Pedro Sousa P.T. disse...

"Feito para estar na mesa, ao lado da comida". Nada mais do que a verdade sobre este vinho. Já tive a oportunidade de beber os dois. O DADO no jantar de Natal da malta do vinho a copo, e o DODA em casa de um amigo, por acaso até a acompanhar um prato que se custuma beber com espumante. O famoso leitão assado.
A meu ver a fama e a qualidade continua, só mudou mesmo o nome. Sou pelo teu 17 quer num, quer noutro, e pelas tuas notas também.
Mais te digo, acompanhou lindamente o leitãozinho.

Abraço

Anónimo disse...

Caro Pingas,

Tal como os Dados este Doda precisa de uns anitos em garrafa. Já dá prazer mas vai dar mais.

abraço,

Chêdas

AJS disse...

Caro Pingus
Tb já bebi os dois e a minha opinião é como a do Chêdas, quer um quer outro necessitam de mais uns "bons" anos para se revelarem. Ainda estão, a meu ver, muito agressivos.
Não sei se é inteiramente verdade mas penso que o vinho mudou de Dado para Doda porque a marca já estava registada.AJS

Pingus Vinicus disse...

Os Dado (ainda não provei os Doda) são vinhos com personalidade. Uma bela simbiose entre a frescura e pujança.
Pessoalmente o nome Dado estava bem mais esgalhado.