segunda-feira, Junho 22, 2009

Gravato (Beira Interior) Tinto Colheita 2004

Uma terra rude, de extremos. A dureza do chão, do vento, das temperaturas são enormes. O homem, durante séculos, lutou arduamente com a natureza e guerreou entre si. São visíveis as marcas das agruras. Passando pelas bandas, admiramos quem lá vive. Autênticos exemplos de sobrevivência, de coragem. Guerreiros completos.

Cheiros robustos, enérgicos. A fruta estava bem misturada com as flores. Flores simples, do campo. Toques minerais e balsâmicos acrescentaram-lhe vivacidade e alegria. O vegetal recordava a esteva, lembrava a giesta. Uma ligeira impressão fumada surgia, no nariz, de tempos a tempos. Aromas sem artefactos e sem desvios.
Paladar bem estruturado e fresco. A fruta sentia-se por todos os recantos. Um leve mentolado parecia querer potenciar o brilho. Enchia a boca. Sentia-se a raça dele. Os taninos e acidez estavam bem guardados no corpo, quase esmagados pela gordura.
Um vinho que mostrou (muito) carácter, força e presença. Diria que, em certas ocasiões, chegou a ser inquietante. Uma (autêntica) força da natureza. Tem chapado, e bem, a dura região da Beira Interior.

Um Touriga Nacional sem modernices e sem mariquices. Um vinho sem tretas. Simplesmente é! Nota Pessoal: 16

Post Scriptum: Luís Reboredo, Quinta dos Barreiros, Mêda.
Dizem que a nova colheita (TN 2006) já passou pelas barricas de carvalho (francês e americano). Alguém já provou?


5 comentários:

Copo de 3 disse...

Tinhas dito e eu tinha levado... :)

Pingus Vinicus disse...

E eu agradeço! Um belo vinho. Andava enervado ver tanta gente a falar dele e eu sem lhe tocar.

pepas disse...

De Luís Roboredo.

Li por cá que o Gravato Tinto 2006 tinha ido ás barricas, não foi. Os Gravatos Touriga Nacional fazem um pequeno estágio em cuba com madeira e no caso do 2006 foi feita uma experiência de 75% carv francês com 25% carv americano. Nos meus Gravato touriga nacional não faço intenções de usar barricas, acho que iria tirar o nosso selo de Portuguesismo, ele é austero e duro e creio que assim será por muitos anos. A ligeira madeira que leva é precisamente para acabar o vinho, torná-lo mais aveludado, e para descansar bem na garrafa...desde já agradeço a crítica feita, porque na realidade a Beira Interior tem tanto de bela como de difícil...
Um tchim tchim com Gravato...
Luís Roboredo

Pingus Vinicus disse...

Caro Luís Reboredo obrigado pelo esclarecimento A informação que coloquei, foi retirada da WinePt que refere "Estágio: 12 meses em barricas de carvalho francês e americano" no Gravato Touriga Nacional 2006. Por isso é que usei a expressão "dizem" :)

Um abraço Cordial

pepas disse...

...Eu tambem reparei nesse promenor, e é engraçado porque no contra rótulo não está lá escrito que passou pelas barricas...só falo em passagen pela madeira no meu site...( era impossivel mesmo por causa do preço do vinho)...

Um abraço Luís