quinta-feira, Julho 09, 2009

A Oeste (da Blogosfera) nada de novo!

Julgo que estamos atalhar por caminhos um pouco enviesados e que poderão afastar muitos enófilos da causa. Dito de outra forma, usando outras palavras, estamos a ficar demasiado agarrados às redes sociais, aos mecanismos de ligação internáutica. Nascem como cogumelos, após uma chuvada, clubes, agrupamentos, sítios, malhas que desviam o homem do simples e puro contacto.
Reconhecendo a importância de tal fenómeno, e não querendo transformar-me num porta estandarte de tradições passadas, sinto que nesses agrupamentos os temas, em discussão, afastam-se do primodial e empurram-nos loucamente para o meio dos nicks, de perfis, dos Facebook, dos Twitter, dos contactos impessoais. Seria necessário que a comunidade reflectisse sobre o rumo que está a ser tomado. Caminharemos para a prova digital? Iremos acabar todos em casa, fechados numa sala, sozinhos em carne e osso? O copo irá desaparecer?
Não esquecer que o toque humano ainda vale, tal como os encontros mais ou menos programados. As botelhas que levamos debaixo do braço. As conversas, as discussões acaloradas que nascem por causa de um copo de vinho. Pessoalmente tais novidades tecnológicas (não consegui encontrar outra expressão) estão situadas num ponto longínquo. Uma eventual dependência cria medo. Propositadamente crio momentos de afastamento, períodos em que pego nas coisas e afasto-me. Isto não pode ser uma corrida em que anda meio mundo às cotoveladas, empurrando os adversários, para a chegar em primeiro lugar. Não se esqueçam que, ainda, é prazer sentir o cheiro das coisas, ouvir os berros, sentir as gotas a cair pela goela.
Entretanto deixo-vos umas fotos (já devem ter reparado) de garrafas de vinho bebidas num daqueles encontros que vão surgindo aqui. Uma das regras instituídas no burgo é trazer uma garrafa. O pedigree não conta. Acredito que cada uma delas apareceu por uma razão qualquer. No meio surgem surpresas.
Emergiu o Mateus Rosé que fazia anos, muitos anos que não bebia. Efectivamente é puro preconceito dizer mal dele. Mais um sinal do pedantismo que existe. Também fazia anos que não provava o Morgado de Sta. Catherina (colheita de 2007). Revelou-se encorpado mas com suficiente frescura e acidez. Estava à espera de um vinho (mais) marcado pela madeira. O Soalheiro (colheita 2008) um habitué. E ao contrário do que dizem, não consigo encontrar cheiros tendencialmente tropicais. Surge sempre farto de aromas e sabores vegetais e minerais. Um Herdade das Servas Reserva (Colheita 2004) que revelou, mais uma vez, a sua face moderna. Chocolate e fruto preto, amparados pelos taninos e acidez. Desfile encerrado com o Vintage 2007 da Niepoort que deixou alguns dos comparsas de bico aberto.
Ninguém proferiu uma única palavra sobre a socialização internáutica (esta expressão existe?) ou sobre vinhos, eventualmente, virtuais. Apenas assuntos deste mundo.

Declaração do Estado de Espírito do Bloguista.

Como estamos atravessar a época baixa, virei até aqui quando achar conveniente. E vocês falem de vinho.

16 comentários:

AJS disse...

Carissimo. O que mais me agradou nessa prova foi o local. Ar livre. Seguramente que nada teve a ver com a gripe A (h1n1, que raio de nome se ao menos continuasse suína poderia ser uma mais valia para esse grupo de amigos acompanharem as provas).A coragem (pode dizer-se coragem, porque é disso que se trata) de juntarem um Mateus com um Niepoort é prova disso.Há meia duzia de anos atrás, ou menos, seria impossível. Estou seguro que nem o Mateus nem o Niepoort se importaram. Boas férias e muitos vinhos brancos. Leves e frutados, para ajudarem a resistir à tal gripe lá para Setembro.AJS

Anónimo disse...

Tanto itálico, negrito e variação de tamanho de fonte só servem para provocar dores de cabeça.

Pingus Vinicus disse...

Olha o meu querido anónimo.
Tenho aqui Ben-u-ron, quer? Prefere 500mg ou mais pesado?

Miguel Pereira disse...

Rui,

Estou no fim de uma excelente quinzena em Tavira.

Tenho um belo Roriz 2000 da Pellada para o próximo encontro.

Abraço

Ligurio disse...

Pingus:

Tendo em atenção que hoje em dia as empresas começam a olhar para o “social media network” como fonte de informação para conhecer o feedback dos produtos e do perfil dos consumidores e por vezes sobre a concorrência, podendo utilizar os dados recolhidos para o desenvolvimento da estratégia empresarial e do relacionamento com o cliente considero importante a existência dessas ferramentas.

Exemplos disso em Portugal é o produtor Cortes de Cima.

Já reparou que a utilização do blogger é ele próprio uma ferramenta de social media network? E das hipoteses infinitas que estas ferramentas lhe proporcionam ao poder ter acesso a conteúdos que ha uns anos antes eram impossíveis (vinhos novos, notas dos criticos internacionais, etc).

Por último mais uma alfinetada: já pensou que se não tivesse criado o seu blogue se calhar havia uns vinhos que tinha descoberto e que egoisticamente os teria guardado só para si em vez de os partilhar com outros que visitam o seu site? Então não vale a pena perder algum tempo nisto?

E já agora já pensou que algum do seu conteúdo tem sido publicado no http://www.twibes.com/group/drinkedin porque acredito que vale a pena promover o vinho Português (já viu como não sou invejoso). A proposito disto, na semana em que 4 blogues decidiram publicar a critica do Niepoot Vintage Port 2007 (o seu incluido) e eu publicitei as criticas recebi uma mensagem dum Inglês no Twitter a perguntar onde se podia comprar o vinho? Não considera isto fantástico?

As ferramentas de social media network não implicam passar o dia a olhar para o computador mas bem usadas, podem criar condições para beneficiar as empresas, os consumidores e os aficionados.

Se pretender falar mais sobre esta temática teremos oportunidade no encontro do forum da revista dos vinhos ou então na conferência dos bloggers a decorrer no mesmo mês em Lisboa.

E por fim queria dizer-lhe que por vezes as imagens do seu blog aparecem cortadas. Veja lá o que se passa com a publicação.

Ligurio disse...

Um ultimo pensamento: Se o forum da revista dos vinhos não existisse (mais uma ferramenta) não se tinha proporcionado o encontro de carne em osso com tantas pessoas. Não concorda comigo que isto é mesmo extraordinário?

Vá lá diga qualquer coisa.

Pingus Vinicus disse...

Caro amigo, antes de mais gostei da forma como explanou as suas ideias. Gosto disso. Gosto de ler opiniões contrárias, gosto de ser contrariado. Aprecio umas boas alfinetadas nas palavras que escrevo. Pior são os ataques ao meu carácter que às vezes acontecem. Mas quem nada à chuva, molha-se!

Concordo com o disse, em termos gerais. Aliás nunca disse o contrário e sei que formato Blogger é, por si só, uma rede social.
Sou também um frequentador dessas plataformas, se bem que não ligo muito, por várias razões.
Parece-me, no entanto, que em muitos casos a "novidade tecnológica" está a ultrapassar o assunto primordial: o Vinho, não acha? E se repararmos ainda mais um pouco, o universo de frequentadores acaba por ser sempre o mesmo, não acha?

Um abraço e continue.

Pingus Vinicus disse...

Acredite numa coisa, sempre encarei o meu lado de blogger como um passatempo, que de vez enquanto serve para brincar. Nunca levei muito a sério.

Sobre as imagens (mais um exemplo do meu relaxe), acredite que não percebo porque é que acontece. Já reparei que tal situação não acontece em todos os PC.

PS- Em princípio não estarei presente na Conferencia de Bloggers, por motivos pessoais. Infelizmente não vai ser possível.

j... disse...

Viva!

«E se repararmos ainda mais um pouco, o universo de frequentadores acaba por ser sempre o mesmo, não acha?»


Não. A larga maioria (90%+) dos meus visitantes -sitemeter dixit- são googleadores. Procuram um vinho, um produtor, um descritor, uma maneira de dizer alguma coisa...

Desses, alguns, muito poucos, voltam (transformam-se em hits directos). Contudo, são ainda menos os habitués que correm esta talhada de rede de link em link.

Pingus Vinicus disse...

Olá J...faz tempo que não vinha até aqui.

"A larga maioria (90%+) dos meus visitantes -sitemeter dixit- são googleadores. Procuram um vinho, um produtor, um descritor, uma maneira de dizer alguma coisa...

Desses, alguns, muito poucos, voltam (transformam-se em hits directos). Contudo, são ainda menos os habitués que correm esta talhada de rede de link em link."

É verdade. O mesmo se passa aqui.

Ligurio disse...

Vicius:

Por acaso não concordo que em alguns grupos virtuais não se fale da temática sobre a qual o grupo foi criado, independentemente da plataforma utilizada.

Há que saber escolher.

Para terminar deixo-lhe um desafio adira ao http://www.twibes.com/group/drinkedin

(Tem de ter uma conta no Twitter) e partilhe a sua paixão pelo vinho.

Assim poupa-me ter andar a publicar as suas criticas por si.

Joel Carvalho disse...

Bem, vi agora este post. Gostei Rui.

E esse anónimozinho...Multi-opticas "desconto igual à idade"...

Servirá para esse anónimo(zito)?

Abraços

Joel Carvalho (Manos Carvalho)

Pedro Sousa P.T. disse...

Sou um dos que segue a tua talhada link por link, e é óptimo, até porque está tudo muito bem afinadinho, e como não tenho muito tempo para navegar on line, torna-se uma ferramenta útil.
Falando de vinhos, e seguindo um link daqui, neste caso a Garrafeira Nacional, comprei o Vinha Othon 2006, influenciado por um post teu, e comprei também um Campolargo Pinot Noir 2004, por influência cá do je. Agora só falta abri-las. És servido???

Abraço.

Pingus Vinicus disse...

Para quando? :)

Um abraço

Pedro Sousa P.T. disse...

Aguarda, que vais receber um mail meu, não vou esquecer. prepara-te para vir até Cascais!!! ;)

Anónimo disse...

A Oeste da Blogosfera nada de novo, mas na Blogosfera também.
O Geirinhas tem razão! Vocês são uma seca fútil.