quinta-feira, Agosto 26, 2010

Quinta do Monte D'Oiro Reserva 2001, sem Nota de Prova.

Sinto que estou a largar, a despir-me das prosaicas notas de prova, colocando-as no armário, metendo-lhes naftalina. Parece que estou a quebrar com o vício de falar em taninos, em prolongamento, em final de boca. Julgo que estou a conseguir. Julgo. Seria, num acto de derradeira desintoxicação, o grito da minha libertação. Pior serão as eventuais recaídas, o regresso ao tempo perdido nas infrutuosas descobertas de aromas e sabores. O medo de regressar ao velho hábito é imensamente grande. Desmesuradamente grande.

Disseram-me, algum tempo, que este tinto andaria pelas ruas da armagura. Desconfiei da afirmação. Aberta a última, terminando o meu lote de Quinta do Monte D'Oiro, resta-me apenas a sensação, a afortunada sensação, que a minha garrafa cumpriu, e muito bem, o seu papel. Ele estava soberbo, elegante, complexo e altivo. Ele simplesmente despediu-se, de mim, em grande estilo. Poucos têm conseguido a proeza. A saudade, essa, instalou-se. Nota Pessoal: 18

5 comentários:

Conde disse...

qb para falar sobre um vinho.
É isto que ando a tentar dizer há muito tempo, estamos aí.

Pingus Vinicus disse...

É verdade, estimado Conde, às vezes meia dúzia de palavras bastam para transmitir uma ideia. Talvez a intenção em reduzir o texto seja sinal de amadurecimento. Talvez, não sei.

Conde das Barrocas disse...

Quando se abraça um projecto novo tentamos fazer as coisas todas direitinhas e dentro dos padrões habituais, temos medo que se não utilizarmos determinadas palavras, vão achar que não percebemos nada do assunto, se as utilizarmos, então já podemos ser confundidos com alguém que sabe da matéria ou que se preocupou em fazer o trabalho de casa.
Quando pelos conhecimentos adquiridos atingimos determinado estatuto, os chavões já estão cansados e gastos, e já não queremos perder tempo com eles, nem vale a pena.
A isso meu caro amigo, chama-se:
Inteligência no tempo real.

Carlos Amaro disse...

Muito bom o texto. Como curiosidade, aconteceu-me exactamente o mesmo quando abri a minha última garrafa deste mesmo vinho. Com a expectativa não demasiado alta por alguma leitura prévia, o vinho deslumbrou-me.
Fantástico.

Pingus Vinicus disse...

Olá Carlos, efectivamente, no meu caso a expectativa também não era muito alta, por causa de algumas opiniões que fui recebendo.
Mas como dizes, também, a minha última garrafa estava fantástica.