
Voltemos ao que interessa, isto é aos vinhos. Voltemos então a Figueira para beber um copo.
COOP Figueira de Castelo Rodrigo Síria 2005
Cor extraordináriamente clara. Pouco faltava para ser como água. Explosão de aromas doces, com fruta em calda, refrescado por algumas lembranças de mentol e hortelã. Tangerina, laranja aumentavam o leque de aromas disponibilizados. Pareceu-me na recta final encontar algum mel, bem como um raminho de rosas lá no meio.
Cor extraordináriamente clara. Pouco faltava para ser como água. Explosão de aromas doces, com fruta em calda, refrescado por algumas lembranças de mentol e hortelã. Tangerina, laranja aumentavam o leque de aromas disponibilizados. Pareceu-me na recta final encontar algum mel, bem como um raminho de rosas lá no meio.
Para beber enquanto está na força da sua juventude e sempre numa temperatura baixa. O eventual aquecimento no copo poderá prejudicar o vinho, tornando algo enjoativo e cansativo.
Sem nos fazer abrir a boca de admiração, é um vinho bem feito. Fará sorrir muitos de nós.
Nota Pessoal: 14
COOP Figueira de Castelo Rodrigo Branco 2005
Feito a partir de um lote com síria e arinto. Num estilo algo parecido com o Síria. Muito sinceramente não consegui descortinar grandes diferenças. Mas acredito que sejam resultantes de algumas limitações pessoais. Pareceu-me talvez mais ácido, talvez um pouco mais mineral. Mas o lado doce, lá estava. A curiosidade acabou por serem os cristais que apareciam no fundo copo. Um vinho bom para a petisqueira. Tipo uns peixinhos do rio assados, temperados com um molho picante.
Nota Pessoal: 13,5
COOP Figueira de Castelo Rodrigo Touriga Nacional 2004
COOP Figueira de Castelo Rodrigo Touriga Nacional 2004
Aromas limpos, francos. Fruta vermelha, ou preta (para todos os gostos) bem viva. A existência de um lado silvestre e vegetal, fazia sentir um rasto de caruma e balsâmico que alegrava e refrescava o conjunto.
Na boca, os taninos eram vivaços. Provocavam uma discreta secura nas genvivas. Levemente mastigável. Frutado e limpo.
Por menos de 3,50€ foi para mim um feliz achado. É pena haverem assim tão poucos. Faria corar de vergonha alguns dos nomes mais sonantes que andam por aí.
Para beber enquanto jovem, para se desfrutar de toda a sua alegria e irreverência (no bom sentido é claro!).
Nota Pessoal: 14,5
Post Scriptum: Visitem a Igreja de Escalhão. A Vila de Escalhão é a sede de freguesia de Barca D'Alva. Possui alguns pontos de interesse.
Comentários
De qualquer modo não acredito muito na sobrevivência da Beira Interior como região vinicola.
A crise do sector bate à porta dos mais fracos, mais depressa.
Mas é nos Intermarchés que se vêem mais estes vinhos. Ao preço a que são vendidas torna-as bem jeitosas.
Caro Luis Marques, pessoalmente também não acredito muito na sobrivência da Beira Interior, no que respeita aos vinhos, é claro.
Um abraço P.V (R.) o teu blog está no bom caminho.
De facto as COOP que tu indicas produzem volumes muito interessantes, mas olha que não há muito tempo a COOP de Figueira esteve na corda bamba e o encerramento à vista. A COOP da Covilhã está ou esteve sem direcção. Mas também te digo que muitos dos problemas destas duas COOP são transversais a muitas outras do nosso país. Não serão serão casos únicos. O problema é que estão no interior e as consequências de possíveis encerramentos são muito maiores do que noutras "regiões mais famosas".
Espero que a sobrevivência da BI como região de (bons) vinhos seja uma realidade e não um sonho adiado. Os beirões merecem que nos outros lados de Portugal se bebam os seus vinhos.
Um abração, Rui Miguel
Comigo passa-se o mesmo com os Vinhos das Terras do Sado, em especial com Pegões.