
O Silex (foi vinificado em casa da Enóloga) é na sua esssência um vinho do Dão. Criado maioritariamente com uvas da castas Touriga Nacional, retiradas de uma vinha situada na zona de Vila Nova de Tazem (concelho de Gouveia).
Um vinho contra corrente. Não mostra o perfil dos modernos vinhos do Dão. Não querendo ser um saudosista, diria que, agora, existe a obrigação, a necessidade de apagar um passado (com momentos felizes e infelizes), metê-lo debaixo do tapete, colocá-lo atrás da cortina. A nova geração de vinhos do Dão encaminham-nos para prazeres muito diferentes. Vão ao encontro de aromas e sabores mais consensuais, mais urbanos, mais fáceis. Tornam-se mais apetitosos, é certo, mas perdem a sua alma, o seu carisma, o seu encanto. O mercado, a pressão das vendas assim o determina. Entendo.Este Lokal, pelo contrário, tenta recordar o que eram os velhos vinhos do Dão, onde o chocolate, a fruta madura, as compotas não eram tidas nem achadas para o assunto. Dominam as sugestões minerais, com fortes impressões a pedra lascada, a granito molhado. Marcam positivamente o vinho. Tudo envolvido por fartas inspirações

Está ainda fechado, continua pouco esclarecedor, enigmático. Para durar. Vai crescer, vai tornar-se mais elegante, mais acetinado, mais aveludado (palavras que também desapareceram do léxico enófilo). Coloquem-no ao pé de um prato robusto, de um borrego, de uma chanfana, de um assado de vitela bem puxado e ele brilhará.
Feito por uma senhora para homens de barba rija. Nota Pessoal: 16
Post Scriptum: É interessante a escolha do nome Silex para este tinto. Identifica a rocha usada na construção de armas, de pontas de setas.
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