quarta-feira, novembro 07, 2018

Fui às compras e aproveitei ...

Tal caçador fortuito, esperei que o vinho deixasse de ser vendido ao preço verdadeiro (ironia). Quando caiu a promoção dos setenta por cento, aproveitei e comprei. Comprei ao coberto de dois pressupostos muito simples: a possibilidade de ser profundamente surpreendido ou destinar o vinho para outras funções. Deste modo, as perdas não seriam significativas. Eram riscos calculados.
Não tecerei considerações sobre estes vinhos Premium, Signature, Vinhas Velhas exclusivos das cadeias de supermercados. Já muito se disse. Apenas queria saber se era possível obter algum prazer, alguma satisfação com um vinho destes e se voltaria a comprar. A minha escolha recaiu sobre este vinho branco, engarrafado pelo Monte da Ravasqueira. E sem tiques de elitismo presunçoso, direi que as minhas conclusões foram muito simples.


Não tenho qualquer pejo, em dizer que este vinho não vale os dezoito euros que custa (sem promoção). É um ultraje. Não vale, porque se olharmos para a parafernália de vinhos que existem no mercado e que custam entre quinze e vinte euros, logo perceberíamos que estamos perante um grande engodo. Basta pegarmos, por exemplo, no Esporão Reserva. Não dei, portanto, relevância às variáveis relacionadas com o estilo. Há estilos que não aprecio, mas que reconheço muita qualidade, cuidado e quejandos. Não é o caso. O vinho em causa está longe de tudo isto.


E com promoção? Vale os cinco e tal euros? Também não. Não vale, porque é possível encontrar, mesmo nas grandes cadeias de supermercados, vinhos, neste patamar de preço, muito mais interessantes, mais equilibrados, com mais estatura e que, por conseguinte, proporcionam mais prazer. A variável estilo foi, também, desprezada. Prefiro de longe, o Monte Velho que é mais barato. Ou um Evel. Ou um Pegões Colheita Seleccionada, em última análise. Existem inúmeras opções e que bebemos em ocasiões informais ou em ajuntamentos sociais, com (algum) agrado.
O vinho pareceu-me profundamente doce, cheio de sensações a madeira, com uma acidez que parecia ter sido metida lá, pouco natural. Pareceu-me qualquer coisa assim para o estranho, feita aos empurrões. Após uns tragos ponderados e reflexivos, optei por refrescar umas coxas de frango de aviário que estavam no forno. Guardei o resto que estava na garrafa, para outras situações de emergência.
Sei que é difícil vestir roupa que não é nossa, mas tentando colocar-me no lugar de um consumidor mais normalizado, após provar este vinho, diria que nunca mais voltaria a comprá-lo. Optaria, sem qualquer margem para dúvida, pelos clássicos.

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