quinta-feira, janeiro 19, 2017

Barbeito the Introduction

Faltava-me beber um vinho deste produtor. Nunca tinha acontecido, porque nunca tinha calhado. Assumo que as minhas escolhas, as minhas opções andavam por outros produtores. Não vou naturalmente estabelecer comparações. Digamos, portanto, que é uma simples introdução, o meu primeiro passo, a minha primeira abordagem. O resultado, esse, foi francamente positivo.


Não sendo um super Madeira, apresenta e cumpre todos os predicados que esperamos para um vinho do género. Frescura, salinidade, secura e complexidade. Digamos que é uma apresentação fidedigna do que podemos esperar dos vinhos das gamas mais acima.


E o que podemos dizer mais sem entrar com grandes lamechices? Que temos aqui um belo vinho da Madeira ao qual fui incapaz de resistir durante muitos dias. Foi-se num ápice. Dito de outra forma: foi bem bom! Houvesse mais naquele dia, que mais se bebia.

quarta-feira, janeiro 18, 2017

A Entremeada, o Courato e outros Quejandos

Para quando um prémio para a esquina onde a feijoada leva chispe, orelha e outros quejandos? Onde o cozido é tratado como deve ser? Quando teremos uma condecoração para aquele tipo que não desconstrói (expressão tão em voga, tão refinada, no meio gastrónomo) a caldeirada? Quando iremos ver atribuído um galardão para as mãozinhas que grelham um peixe como deve ser e que no final nos servem sem ser em versão filete minimalista, que antes de começar já acabou?


Para quando um agradecimento aos homens e mulheres que nos apresentam uma batata que é batata, uma couve que é couve, regados ambos só com azeite? Para quando um diploma para a roulote que nos vende ao final da noite uma brilhante bifana, cheia de molho, sem aquelas porras a enfeitar?


Quando veremos elevados à categoria de deuses, aqueles que nos enchem verdadeiramente a barriga, com pedaços de toucinho, de chouriça, de torresmos, de queijo. Em doses fartas e não em amostras holográficas. E já é tempo, também, de elevarmos à categoria de símbolo nacional a entremeada e o courato. Simplesmente grelhados e enfiados numa carcaça. 

terça-feira, janeiro 17, 2017

Hugo Mendes: O Seu Primeiro Vinho de Autor

Sim é Publicidade assumida, mas não paga. Também não vai haver jantar, almoço ou patuscada oferecida. Sem rodeios e sem meias palavras, estou aqui apenas para dizer simplesmente que acredito no homem. Não quero saber do resto e muito menos se fica bem ou mal aos olhos dos outros. É curto, grosso e directo.


O que importa para o assunto, é anunciar publicamente no meu pasquim, condição que estimo, o lançamento do primeiro vinho cem por cento by Hugo Mendes. Digamos que é o primeiro vinho de autor feito pelo autor. Como tal, deposito todas as minhas fichas nele e tenho a certeza que não vou perder.

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Cheers!

Celebrei. Celebrei as minhas loucuras. Comemorei as minhas desilusões, os meus falhanços. Festejei tudo de mal que fiz até ao presente. Exaltei todos os disparates que cometi.


Brindei e muito. Brindei aos meus defeitos. Enalteci os meus arrependimentos e desejei longa vida às imperfeições e às asneiras que ainda hão-de vir. 


E quando se sonelizam tamanhos actos, há que escolher a melhor companhia. E ela portou-se à altura da cerimónia. Foi mais que perfeita. 

domingo, janeiro 15, 2017

Prometo que vou tentar...

Prometo que esta semana vou tentar ser morninho, pois dizem que ela vai ser fria. Vamos ter, por isso, a necessidade de nos aconchegar. Vou tentar controlar a minha língua, não fazendo comentários despropositados. Vou tentar ser amiguinho e dizer bem de tudo. Menos de mim.


Vou também imaginar que vivemos num mundo bonitinho, em que todos são amiguinhos. Um pouco de cinismo nunca fez mal a ninguém. Vou  fazer um enorme esforço para ver sempre o lado pink da coisa. Também irei fazer um esforço para concordar com a maioria. Vou tentar, também, só dizer trivialidades para não chatear a malta. Vou tentar, também, meter muitos likes. Vou tentar.

sexta-feira, janeiro 13, 2017

Dorna Velha: Ainda Existe?

Uma coisa simples e descomplicada. Nunca mais vi este vinho. Recordo que até era um vinho com nome, com status. Era coisa digna. Depois parece que se esfumaçou, quando começaram a surgir novos nomes, novas coqueluches.  Puf, parece que desapareceu. Nunca mais o vi.


Pessoalmente, até era um vinho que gostava, que até apreciava, que até comprava. Gostava, pronto.


Este estava elegante, muito equilibrado. Com tudo ainda no lugar. Foi, acima de tudo, perfeito para o momento em que se estava. E pronto, era só mesmo isto que tinha para dizer. Fiquem bem e até ao meu regresso.

quarta-feira, janeiro 11, 2017

Síndrome de Barca Velha

E por muitas voltas que se dê com a cabeça, não existe nome mais sonante que Barca Velha. Não vale a pena andar com muitos rodeios e com muitas justificações. É assim mesmo e é merecido. Não haverá vinho tranquilo com mais história e glamour em Portugal. 

Das três colheitas que bebi (99, 04 e 08), fiquei com a sensação que esta última proporcionou um BV musculado, ainda muito jovem, mas profundamente enigmático, difícil de deslindar.  Mesmo caindo em lugares comuns, tenho que dizer que estive perante um grande vinho. E sim, foi com o rótulo à vista.
Naturalmente não é vinho que esteja ao alcance de todos, mas é um vinho que todos desejamos beber um dia. Mesmo que publicamente digamos precisamente o contrário. Somos conhecidos por nos armarmos em difíceis. Mas só por muito pouco tempo.


Por vezes, para mostrar a nossa diferença perante todo o mundo, somos levados a dizer da boca para fora que não temos particular interesse nele, que existem outros vinhos bem melhores e que não vale o dinheiro que pedem por ele. Tudo pode ser verdade e genuíno, mas a verdade é que todos nós gostaríamos de ter a sorte de meter as beiças nele. Nem que seja para dizer que não valeu a pena ou simplesmente para meter pirraça aos outros. Porque no fundo, todos os objectos proibidos são olhados com desdém por quem não os consegue ter. 

terça-feira, janeiro 10, 2017

Uma lufada fresca por entre quenderizações e ermelindizações!

Este é um exemplo quase perfeito daquilo que pretendo de um vinho feito com castelão proveniente de vinhas velhas ou de outra coisa qualquer. Um vinho sóbrio, sem a porcaria das extrações e mariquices que deram cabo da Península de Setúbal. Ok, já sei a malta gosta e compra. Eu não gosto, logo não compro.


Este vinho, pouco importa se é assim ou assado, se tem isto ou aquilo, teve a amabilidade (obrigado, pá) de trazer à memória um estilo que quase já não existe aqui na Península. Um estilo, uma forma de estar que muitos de nós não faz ideia do que é, mas acha que sabe.
Um vinho profundamente vegetal, bem equilibrado, afável, bem balanceado e fresco (não, não é engano). Meio clássico. Um vinho que foi sendo bebido, sem que um gajo fizesse caretas de cansado ou de frete. É um vinho de estrondo? Não, não é e ainda bem. 


Finda a garrafa, questionava-me porque é que não havia mais disto, mais vinhos deste estilo, que furasse o bloqueio imposto pelos vinhos ermelindizados e quenderizados. Porquê? Mas porquê? Porque é mais difícil descomplicar, tornar simples. Mas ao fim ao cabo o que me importa mesmo é que gostei desta porra. Soube-me bem, pá.

segunda-feira, janeiro 09, 2017

Junta Nacional dos Nins e dos Silêncios (JNNS)

A JNNS deve ser a agremiação com mais sócios efectivos e activos que temos na comunidade. As condições para se ser membro são simples e muito fáceis de cumprir. Entre várias, podem-se destacar as seguintes condições: não levantar a voz a contrariar qualquer coisa. Se ficar calado, em público, os potenciais ganhos podem ser significativos. Vão desde excursões, a lugares sentados junto dos ídolos, a cheques brindes que podem ser descontados em refeições, nos lugares mais badalados do país. Ou ainda cadeiras em posições chave.


Se, por algum motivo, não se gostar (muito) de alguns dos serviços prestados pela Junta, bastará esboçar um pequeno nin ou um assim a assim. Será interpretado como um acto de rebeldia aceitável, para os restantes membros da Junta. Sempre cumprindo os estatutos da Junta, é claro. Aliás, até poderá ser olhado como um membro com opinião forte, vincada e inabalável. Alguém com coragem, verdade seja dita. Ainda assim para evitar mal entendidos, o melhor é ficar em silêncio, bem calado e ir curtindo a coisa.

domingo, janeiro 08, 2017

É Bem Bom!

Um vinho de um produtor que não pertence à primeira linha da região, por razões que particularmente não me interessam escalpelizar. Podem estar relacionadas com a cor de olhos, cor da pele ou outra qualquer. Também esclareço, desde já e para evitar qualquer mal entendido, que me dou muito bem com a malta das Caves. Tenho relações muito próximas com fulano, cicrano e belcrano. Gosto deles, prontos. Estão feitos, portanto, os meus esclarecimentos. O jogo limpo. Ou não!



Posto isto, resta-me apenas dizer que este vinho, que não fazia a mínima da sua existência (refiro-me à colheita), é bem bom! Bem bom, mesmo. Um vinho que, perdoem-me o abuso, sugeria possuir um forte toque bordalês. Ficou bem dizer isto, não acham? Toque bordalês. Sempre dá outro nível aqui à chafarica. Adiante. O que importa dizer é que era (mesmo) bem bom e que deu um enorme gozo beber isto. Uma feliz descoberta.

sábado, janeiro 07, 2017

Abriu a Época... dos Prémios!

Depois da época da pesca, do mexilhão, das vindimas, da caça, dos míscaros, da azeitona, disto e daquilo, temos aí, cada vez mais forte e enraizada, a época dos prémios. E há prémios para todos os gostos, feitios, tendências, pesos, alturas e larguras. Prémios para os mais feios e para os mais bonitos. Para os novos e para os velhos. Prémios feitos à medida ou standard. As categorias são imensas. Vão desde as mais prosaicas até às mais estapafúrdias. O leque é, portanto, muito abrangente. Depois não há entidade que não atribua prémios a alguma coisa, por muito absurda que seja essa coisa. E se não atribui, vai atribuir no futuro. 

Atrevo-me a dizer, descontando os prémios que vêm de lá de fora, que seremos a comunidade que mais prémios atribui e recebe per capita. Devemos, portanto, ficar inchados de orgulho, pois só quer dizer uma coisa: somos mesmo muito bons. 

quinta-feira, janeiro 05, 2017

Um verdadeiro número 1

A posição número um está destinada aos melhores, aos que conseguem ultrapassar tudo e todos. Aos que são predestinados, aos eleitos, aos que sofrem para alcançar o lugar mais cimeiro. É verdade que muitos são merecedores pelo esforço e pela abnegação que demonstram ou demonstraram. Muito poucos o atingirão efectivamente. Nunca o fui.


Aqui, com este vinho, temos o perfeito exemplo de algo que merece ser catalogado como número um. Merece por tudo e mais alguma coisa. Merece por ser um vinho branco a roçar a perfeição, onde juventude, a força, a frescura e o nervo, a complexidade, a elegância convivem num estado de equilíbrio assinalável. Onde tudo parece fazer sentido. Pessoalmente fui incapaz de ficar indiferente, de o beber sem dizer porra que isto é muito bom


É verdade que ele foi o reagente de muitas memórias. Memórias de uma altura em que passava vezes sem conta pela estrada junto à Quinta, em cima do macho do Júlio. A caminho de uns cabeços, onde tínhamos uns quantos pedaços de terra. Lá no fim do mundo.