Pingas no Copo

Um espaço feito por um amador para amadores que gostam de beber, provar, degustar sem rodeios e sem preconceitos...e com muita paixão! pingasnocopo@hotmail.com

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Couteiro Mor (Alentejo) Branco Colheita 2008, mais um de tusto e meio!

Não vou dizer que, agora, temos os melhores brancos e nem vou fazer comparações, mais ou menos abusivas, com vinhos que nem sei se existem de facto (Continuo admirado com o conhecimento de alguns comparsas. Onde eles arranjam tempo para ler tanto?). Tornaria-me ridículo (mais uma vez) se cometesse tal acto. Seria assaltado por uma legião de entendidos bem blindados. E sabemos, ao longo da história, o resultado do confronto com tais forças. Sendo reduzidas, elas são muito violentas. Estamos, portanto, entendidos.
Venho até aqui gastar mais umas linhas, neste blog, por causa da percepção (muito pessoal) que os nossos vinhos brancos estão melhores. Estão mais afinados, estão mais jovens, estão, efectivamente, mais apelativos. Depois o preço que é pedido por eles, na generalidade, é inversamente proporcional ao que pedem pelas coqueluches tintas. Com meia dúzia de tostões, com meia dúzia de trocos é possível ir ao supermercado e levar para casa um branco com capacidade de satisfazer razoavelmente. Tal fenómeno não acontece com os tintos. Por isso venham lá os brancos que os tintos andam chatos (acho que esta palavra vai ficar para os anais da blogosfera).
Antes de ir, deixo-vos aqui mais uma sugestão. Um branco alentejano (de 2008) de baixo custo que apresenta no rótulo uns saudáveis 12,5% de graduação alcoólica. Aromas e sabores bem frescos. Apresenta acidez sólida, com sensações vegetais secas (bem) enfiadas no meio da fruta (era perceptível o impacto da maçã ácida). Limpo e sem mariquices. Foi capaz de refrescar a goela. Nota Pessoal: 14,5

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Loja do Fondue Gourmet - Barreiro

Não nasci nesta banda, vim de outros lados, mas foi por aqui que assentei e criei laços. Tornei-me num acérrimo defensor deste lado do Rio Tejo (a tal Margem Sul). Viro-me sistematicamente contra os da banda norte (linguagem que se usa para diferenciar cada uma das margens do rio), que olham para nós de soslaio, imbuídos de um bacoco espírito lisboeta que os tornam ridículos e arrogantes. Defendem que Portugal é efectivamente Lisboa e o resto é paisagem. Eu, simplesmente, gostaria de saber de que Lisboa falam.
Depois de mais uma polémica declaração de interesses, sinto a obrigação como apaixonado do tema e puro consumidor elogiar uma pequena loja Gourmet que existe no Barreiro. Não se trata de publicidade gratuita, nem pagamento de um qualquer serviço prestado. Estas palavras servem apenas para gritar aos outros que nos recantos mais estranhos desta banda e numa cidade que conheço muito bem (viver os anos 80 por aqui, foi uma loucura) está um lugar (despido de qualquer de preciosismo desnecessário) que disponibiliza meia dúzia de produtos de qualidade. Carnes, mais ou menos exóticas, tamboril, lagosta. Tudo devidamente embalado ou cortado no momento (as carnes). Patés, azeites, vinagres, massas, vinhos e outros pequenos acepipes que podemos levar para casa.
Este lugar está intimamente ligado a um restaurante que viveu, durante muitos anos, perto do local. Este restaurante O Fondue, que iniciou a sua actividade nos anos 80, especializou-se, desde então, nas carnes de caça e estendendo-se às carnes exóticas. Recordo a febre que era, na altura, comer carne de avestruz, de bisonte, camelo, zebra e de crocodilo. Ao mudar de instalações perdeu aquele brilho que tinha. Está massificado, barulhento e descaracterizado. De qualquer modo, ganhou espaço e é, apesar de tudo, um bom poiso para estar com um grupo de amigos.
A ideia da loja é oferecer tudo que é servido no restaurante e mais alguma coisa. Cabe-nos, apenas, a função de enfiar as coisas no saco e ir embora para outro lado. Em súmula, um projecto que merece aplausos e que nós (que andamos neste lado) merecemos.
Tenho pena, imensa pena, que não existam mais sítios destes (Mário Lino tem razão, ainda vivemos num deserto). Em Alcochete, por exemplo, assisti ao aparecimento e desaparecimento de alguns projectos (que pareciam ser interessantes). Mas a velocidade com que morreram foi tão grande que a história que tenho para contar resume-se, apenas, a uma pequena consideração: Os preços eram estupidamente altos.

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Gravato (Beira Interior) Tinto Colheita 2004

Uma terra rude, de extremos. A dureza do chão, do vento, das temperaturas são enormes. O homem, durante séculos, lutou arduamente com a natureza e guerreou entre si. São visíveis as marcas das agruras. Passando pelas bandas, admiramos quem lá vive. Autênticos exemplos de sobrevivência, de coragem. Guerreiros completos.

Cheiros robustos, enérgicos. A fruta estava bem misturada com as flores. Flores simples, do campo. Toques minerais e balsâmicos acrescentaram-lhe vivacidade e alegria. O vegetal recordava a esteva, lembrava a giesta. Uma ligeira impressão fumada surgia, no nariz, de tempos a tempos. Aromas sem artefactos e sem desvios.
Paladar bem estruturado e fresco. A fruta sentia-se por todos os recantos. Um leve mentolado parecia querer potenciar o brilho. Enchia a boca. Sentia-se a raça dele. Os taninos e acidez estavam bem guardados no corpo, quase esmagados pela gordura.
Um vinho que mostrou (muito) carácter, força e presença. Diria que, em certas ocasiões, chegou a ser inquietante. Uma (autêntica) força da natureza. Tem chapado, e bem, a dura região da Beira Interior.

Um Touriga Nacional sem modernices e sem mariquices. Um vinho sem tretas. Simplesmente é! Nota Pessoal: 16

Post Scriptum: Luís Reboredo, Quinta dos Barreiros, Mêda.
Dizem que a nova colheita (TN 2006) já passou pelas barricas de carvalho (francês e americano). Alguém já provou?


Quarta-feira, Junho 17, 2009

Niepoort (Porto) Vintage 2007

Os cheiros que irromperam, pelo nariz a dentro, indiciaram, na estreia, uma desmedida preponderância para aromas florais bem maduros (li este descritivo em qualquer sítio e gostei). Juntaram-se umas quantas nesgas de sensações terrosas, uns flashs a mato e a esteva. Um rasgo a carvão ainda passou pela frente.
As impressões, as várias comoções pareciam querer vaguear por entre muitos lados, por vários sítios. Havia sempre um motivo para pensar em qualquer coisa.
A fruta apresentou-se no ponto para ser colhida. Estava espessa e suculenta. Mirtilos, amoras e cerejas negras (ou ginjas). Ameixas e marmelos.
Coloquei o copo de lado durante algum tempo e alteram-se as imagens. Passaram a ser mais quentes, mais especiadas. Vi-me, a dada altura, rodeado pelo caramelo, deslumbrando canela a rodos. Juntou-se uma mistura feita com chocolate espesso, bem amargo, ideal para derreter e untar um bolo. Os figos secos e as amêndoas pareciam querer guarnecê-lo.
Na boca revelou-se gordo, longo e generoso, com a doçura bem equilibrada por uma acidez estrondosa e (muito) saborosa (é possível?).
Um Porto Vintage fresco, ainda moço, bem composto e nada simples de analisar. Existe, portanto, enorme probabilidade para não ser verdade o que estive a dizer. Também não interessa.
Tornei-me num adepto confesso de Vintages Novos. Sei lá se tenho tempo disponível para bebê-los na altura certa. Está fora de questão comprá-los com a idade certa. Nota Pessoal: 18

Post Scriptum: Vinho enviado pelo Produtor.

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Quinta do Regueiro Alvarinho Grande Escolha 2006

Mesmo ouvindo opiniões diferentes, demorei a olhar para os vinhos Alvarinhos de forma mais séria. Durante muito tempo considerei-os filhos de um Deus menor. Reconheço que temos aqui verdadeiras jóias.
Continuando a minha saga pessoal, recuperando a demora e progredindo na descoberta dos vários produtores peguei em mais um.
Quinta do Regueiro Grande Escolha 2006. Um vinho que custou em garrafeira sensivelmente 10€ (uma proposta quase irrecusável - tenho lido que custa um pouco mais). Os cheiros eram estruturados, muito intensos. Correndo o eterno risco de tornar, mais uma vez, exageradas as minhas palavras, diria que tinha perante as minhas fuças um vinho algo masculino e, quiçá, desafiante.
Abriu
com uma singular sensação petrolada que perdurou durante alguns minutos. Deu, também, por mo
mentos, a impressão que tinha passado por entre cascos de carvalho. A dúvida foi esclarecida com o produtor. Teve apenas contacto com o inox.
A fruta surgia gorda e apresentando-se, ao mundo, com (muita) força. Tínhamos um aglomerado de folhas, de flores, de fruta branca e de outras mais. A miscelânea era composta pela banana, pelo ananás, mais a laranja, a tangerina e o limão. O rodopio, o entrar e sair de frutas, era veemente. Aqui e além um pouco de relva fresca envolvido por nuances minerais.
Os sabores estavam atestados de fruta. Volumoso, com um provável apontamento amanteigado, e com bom prolongamento. Conseguiu revelar, ainda assim, leveza e muita frescura. Estava bem envolvido, bem misturado, redondo e com capacidade para lidar com pratos de sustento.
Um alvarinho sério, complexo e que aparentemente parece pertencer ao grupo dos Alvarinhos mais cheios, mais seniores. Nota Pessoal: 16,5

Post Scriptum: Ao olhar para o panorama, julgo que já entrámos, todos, na época baixa. A mona anda meio adormecida e com pouca vontade para inventar.

Domingo, Junho 07, 2009

Scala Coeli (Alentejo) Tinto 2006, outro desvio à Moda!

O outro vinho de topo da Fundação Eugénio de Almeida. É feito com Syrah. Sofreu um estágio de 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Na mesa coube-me o vasilhame 4211 (num universo de 6799). Ganhou o prémio de Melhor Vinho Tinto na Essência do Vinho, edição de 2009. Um vinho que, apesar de medalhado por quem sabe, passou quase despercebido por entre vinhos que custavam metade ou menos. Foi vítima de uma prova cega organizada por mancebos.
Adoro assistir
(e contra mim falo) à queda de gigantes em cenários repletos de consumidores. Será a nossa boca tão diferente da boca daqueles que o elegeram. Terão eles apetrechos que eu não terei. Haverão no mercado kits de melhoramento? Preciso de um e com urgência. Começa a ser um lugar comum, e motivo de chacota, gostar ou detestar de coisas completamente diferentes do mainstream enófilo.
Vasculhando estes 3 anos como blogger, constato que tive muitos desvios à moda. É, assumidamente, um facto que merece forte reflexão da minha parte e quiçá, quem sabe, mudar de agulha, tornando-me mais popular. Aliás, reparo com um olhar agudo sobre a dificuldade que existe, neste país, para lançar uma opinião diferente sobre determinado assunto. A enofilia não é excepção.
Bom adiante, que se faz tarde. Falemos, um pouco, do tinto em questão. Aromas de fruta madura, perigosamente directa. Estilo doce.
Estava latente uma esquisita sensação. Tinha ali algo produzido de modo irrepreensível, mas estranhamente decapitado de personalidade, de alma e de nervo.
Adensou-se a linearidade
com uma forte impressão a chocolate de leite, clarinho e com açúcar. Uma leve passagem pela especiaria e pouco mais disse, pouco mais largou no ar.
O sabor voltou a surgir directo. Muito rectilíneo e previsível. Salvou-se, ainda assim, a acidez que tentava combater toda aquela exagerada meiguice. Foi mau companheiro para a mesa. O final, esse, parecia um pouco tolhido.
Dizer que foi um vinho correcto e bem feito é muito pouco para o preço que custa e para fama que tem. Enfim, coisas minhas.
Resta-me, agora, voltar a provar e gostar dele. Não será a primeira vez e nem última que tal acontece. Nota Pessoal: 14,5

Post Scriptum: Estamos a falar de um vinho que passa facilmente os 60€/70€ em muitos locais. Para quê?

Quarta-feira, Junho 03, 2009

Independent Winegrowers Association no Ritz Four Seasons 2009

"O projecto Independent Winegrowers’ Association nasce pela necessidade imperiosa de criar agrupamentos de empresas do sector vitivinícola que assegurem de forma mais eficaz a promoção conjunta dos seus produtos.
O alto standard de qualidade, a elevada consciência ambiental, uma produção totalmente vertical, reuniu na mesma iniciativa as empresas Casa de Cello/Quinta da Vegia, Domingos Alves de Sousa, Luís Pato, Quinta do Ameal, Quinta de Covela e Quinta dos Roques.
Trata-se de um Special Interest Group onde os membros participam em acções conjuntas mantendo a sua autonomia empresarial ou comercial.
Sobre uma rede de relações de cooperação e interacção activa, visa-se promover o desenvolvimento de um agrupamento de viticultores independentes de qualidade, capaz de realizar acções de marketing no mercado nacional e internacional, com intervenção nos Estados Unidos, Inglaterra, Brasil, França, Alemanha e novos países da U.E.
Para o efeito, exige-se a organização de uma plataforma promocional e a definição e execução de acções no âmbito da comunicação de marketing: imagem institucional, relações públicas, relações internacionais, gestão da participação em feiras e show-rooms, gestão de eventos, etc.
A ligação dos vinhos a eventos culturais, um portal na Internet, visitas especiais de jornalistas, apresentação do conceito Winegrowers às empresas e associação a programas de operadores de viagens ou escolas hoteleiras e de escanções, integrarão as principais actividades promocionais do grupo que pretende vir a intensificar as relações de cooperação à medida das suas oportunidades." Tudo isto foi retirado do site.

No passado dia 2 de Junho de 2009, no Hotel Ritz Four Seasons, este grupo de produtores disponibilizou, mais uma vez, a um conjunto de interessados uma prova (com alguns dos seus melhores vinhos).
Uma tarde que serviu, outra vez, para ouvir atentamente as palavras que foram surgindo do outro lado da mesa. A mim, como nabo, restava-me simplesmente ouvir com atenção redobrada. Enquanto escutava, ia vertendo para dentro do copo os diversos líquidos (espumantes, brancos, tintos e outras coisas mais).
Deixo-vos algumas fotos do acontecimento porque às vezes as imagens dizem mais que um enfadonho aglomerado de palavras (ao contrário do ano passado, não irei escrever decretos, mais ou menos extensos, sobre os vinhos que provei). Depois, andam por aí outros que, certamente, falarão mais exaustivamente do acontecimento.

Antes do fim
, saltámos para as mesas.


Risotto de lagostins e girolles, trufa preta e limão com flor de sal. Acompanhava com Quinta do Ameal Loureiro 2008 e Quinta de Covela Escolha Branco 2007. Gostei.




Peixe-galo com crosta de legumes, calamares salteados, piquillo e molho de caril doce. Acompanhava com Luís Pato Vinhas Velhas Branco 2007 e Quinta de SanJoanne Superior 2007. Não gostei por ali além. Salvaram-se os vinhos.


Lombo de novilho com trufa preta, cromesqui de foie gras e pão de especiarias, terrina de legumes e emulsão de espargos. Acompanhou com Quinta dos Roques Tinto Reserva 2006 que parecia pedir mais tempo de garrafa e Quinta da Gaivosa Tinto 2005 que estava em bom plano. Gostei da carne.

Sericaria com gelado de baunilha que teve ao lado o FLP 2007. Ambos não criaram grandes emoções.

Algumas Notas Soltas

Um Quinta das Maias Jaen Tinto 2007 e Quinta dos Roques Touriga Nacional Tinto 2007 que prometem.
O Quinta da Gaivosa Reserva Branco 2007 que parece ter subido um pouco.
Um curioso Tinto Doce Colheita de Natal 2007 de Domingos Alves de Sousa que merece ser provado.
Será difícil, ou não, encontrar palavras para descrever o Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2006 e 2007.
Brancos da Quinta de Covela e Quinta do Ameal em bom nível. Voltar a caracterizá-los podia cheirar a besuntadelas.
Os vinhos da Quinta de SanJoanne continuaram a apresentar aquele ar austero, cheio de pedra rolada, com o vegetal lá enfiado. Os vinhos da Quinta da Vegia mostraram elegância e finura.

Quinta-feira, Maio 28, 2009

Quinta da Alorna (Ribatejo) Arinto&Chardonnay Reserva 2008

Faz parte dos passeios de Domingo ir comer algures pelo Ribatejo. Faz parte, também, da tradição passar pela Quinta da Alorna e trazer alguns vinhos. Principalmente brancos.
Este Reserva feito com Arinto (que fermenta em cubas) e Chardonnay (que fermenta em barricas novas de carvalho francês) lança fruta gorda (agora que descobri esta, não quero outra coisa) mas encharcada pela água. Melão e meloa, maçã e pêra. Percebia-se que a erva, ou relva (dependendo do ponto de vista), marcava presença. Aliás, saudei os ares vegetais que iram circulando pela cara.
A madeira está suave. Não revelou qualquer ensejo para dominar a trupe. Deu-lhe, acima de tudo, um pouco de untuosidade e de gordura. Apenas deixava no ar meia dúzia de sensações a mel, a frutos secos e a chocolate branco ou a outra coisa qualquer. Junta-se mais um pouco de anis (pareceu-me) e já está.
Um conjunto de aromas leves, de fácil empatia e adequados ao calor
.
O sabor era jovial. Sem grandes modas, via-se que dava prazer. Tudo certo e sem desvios. Sentiam-se, e ainda bem, algumas sensações citrinas, com domínio para a laranja e a tangerina (Estarei novamente a inventar?). O final trazia agarrado a si um misto de frutos secos.
Um vinho que vale pelo equilíbrio, que vale pela coerência que tem. Uma combinação feliz entre duas castas. Uma de cá, outra de lá. É certamente um branco para ser desfrutado jovem, muito jovem. Nota Pessoal: 15,5

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Provocações Enófilas (Parte II)

Coisa soltas, sem lógica e sem coerência. Apenas para encher mais um dia. Quiçá para espicaçar as hostes que andam dormentes. Olho para isto e parece-me que ninguém anda com disposição para pegar nas lâminas e ir para o campo de batalha. As tribos andam entretidas com as suas culturas. Não haverá, pelo menos, um torneio algures?

No Fórum da Revista de Vinhos andam de volta dos descritores aromáticos e da apetência que alguns têm para imaginar em demasia. Eles, agora, defendem que os textos devem ser austeros, secos e precisos. Gostava, no entanto, de saber como se consegue ser preciso num acto tão subjectivo. De qualquer modo, será que aquilo que cheiramos é mesmo verdade ou é, meramente, sugestão ou imaginação (no meu caso é 90%)?

No Fórum da Nova Crítica, tirando os eventos que vão realizando, não vejo muito tráfego.

Ainda damos importância aos Guias e aos Críticos? Eles ainda interessam (para nós)? Ou apenas conseguem apanhar os desprevenidos? Se a crise dura muito, já estou a imaginar Guias cheios de RQP...

Por falar em críticos. Quantos temos? Quem são eles? Temos apenas João Paulo Martins e Rui Falcão?

Parece-me que as classificações da Revista de Vinhos andam outra vez lá pelo alto. Será que estão ajudar os produtores a vencer a crise? Se assim for, parece-me bem.

A Hora de Baco tem colaboração de Aníbal Coutinho. Já repararam nisso? Os vinhos provados no programa serão coincidentes com aqueles que surgem no Guia de Aníbal Coutinho? Gostava de ver isso esclarecido.

E as outras revistas ainda existem? O que elas contam?

Que se passa com o Blog do Rui Falcão? Será que ficou farto?

A título pessoal tenho reparado num aumento de comentários anónimos. Apesar de ser um fenómeno cíclico, não deixa de ser curioso. Mas quem anda à chuva, molha-se!

E mais novidades? Um gajo bem vasculha mas acaba por adormecer. Que apatia.

Post Scriptum: Saúdo o regresso do Pumadas. Tenho apreciado, e muito, as palavras de Luís Ramos Lopes no Fórum da Revista de Vinhos. Vou, com pena, desligar o link para o Vinho a Copo.

UpGrade: Entretanto Rui Falcão voltou ao seu blog.

Domingo, Maio 24, 2009

Esporão (Alentejo) Branco Reserva 2008

Também no Esporão Reserva Branco as mudanças de imagem são visíveis. Tudo está mais moderno, mais século XXI. Ao contrário do Vinha de Defesa, gostei do seu aspecto. Para já estamos empatados.
A fruta vinha bem metida na madeira. As variedades surgiam bem misturadas. Roliças.
Correndo o risco de ser incongruente, mais uma vez, gostei da gordura que tinha. Nos tempos que correm, dizer isto será certamente um atentado à elegância. Mas que se lixe! Não enjoava. O carvalho surgia no ar através dos fumados, dos frutos secos, do fio de mel que foi percorrendo o aroma (e depois o sabor).
Julguei-o mais vivo, mais mexido que em colheitas anteriores. O toque vegetal, bem presente, ajudou e muito. Senti coisas interessantes. Feno, erva, restolho. Depois, mas bem depois, um leve rasgo mineral aparecia, de vez em quando, pelo focinho. Com o mercúrio a subir, reparei que os 14% de graduação alcoólica davam sinal.
O sabor tinha amplitude. Tinha boas sensações. Frutadas, secas, meladas e vegetais. Coeso e gordo. A acidez (independentemente da forma como foi colocada) ajudou, e muito, a tornar fresco o que entrava pela boca a dentro (fora do contexto parece que falo de outro assunto qualquer).
Andei afastado deste Reserva durante muito tempo. Por uma razão ou por outra havia sempre alguma coisa que não apreciava. Agora, e já com o copo vazio, reparei que tinha feito as pazes. É vinho para um valente bacalhau, para uma típica refeição portuguesa farta e relaxante. O peso que tem é ideal para comida musculada. Acompanha, também, uma lareira acesa. Nota Pessoal: 16

Post Scriptum: Vinho enviado pelo Produtor.

Post Post Scriptum: O rótulo é da autoria do artista plástico Pedro Croft. Segundo o comunicado à imprensa, o artista inspirou-se na complexidade de aromas, sabores e cores que diferenciam o vinho Esporão Reserva.

Terça-feira, Maio 19, 2009

Quinta da Pellada (Dão) Baga Colheita 2000

Quem o levou para a mesa disse, em plenário do Núcleo Duro, que este Baga de Álvaro Castro era proveniente de um engarrafamento diferente (falou-se de um mês de Abril). As palavras soltas quase que transpiravam a segredo. A botelha tinha sido facultada meio às escondidas. Esta, segundo consta, não tem qualquer semelhança com as outras. Continuo, no entanto, por descortinar as presumíveis vantagens que existiram em realizar diferentes enchimentos.
Este engarrafamento revelou-se fresco do início ao fim. Por cada gota e por cada gole a Natureza ia fazendo das suas. Mato, árvores, arbustos. Húmido. Arriscaria dizer que estava levemente molhado. Eventualmente, mais um exagero. E apesar de reconhecer o facto, não consegui sair deste imbróglio. Por voltas e mais voltas que dei com o copo acabava (quase sempre) no mesmo lugar. Pedra escorrida e fruta (ainda suculenta).
Um pequeno toque a chocolate de leite ou outra coisa qualquer fez o aconchego final.
Sabores balsâmicos e elegantes. Corpo agradável, bem vestido. Ausente de gorduras e com fato limpo (Esta é nova!). Dominam, mais uma vez, as sensações, as imagens do campo. A acidez e os taninos estavam finos, mas a indiciar que o vinho não ganharia (mais) em continuar fechado. Se tivesse tido um pouco mais de presença (Só um pouco mais). Nota Pessoal: 16,5

Post Scriptum:
No rótulo não vi diferenças. Possui, também, aquela etiqueta que era colada por cima da base.

Sexta-feira, Maio 15, 2009

Peter Lehmann Stonewell Barossa Shiraz 1995

O seu comportamento era caracterizado pela provocação. Teve a lata de espicaçar os sentidos, levando a imaginar as coisas mais díspares. O mais absurdo é que nunca levantou a voz, não mostrou decotes. Muito afectuoso.
A especiaria (cravinho?, pimenta?, coentro seco?, canela?) e o chá (de tília?, de lúcia lima?) davam-lhe um ar muito exótico. Decididamente não era de cá. As pistas largadas, indiciavam sugestões longínquas.
Caixa de rebuçados foi aberta e lentamente fogem de lá aromas doces. Caramelo e alcaçuz (ou coisa parecida). Provavelmente erva doce. O mais certo é ter confundido tudo.
Alguma madeira envernizada. A presença de um circunspecto lado mineral e balsâmico proporcionou-lhe frescura e aumentou a sua complexidade (que era grande).
A fruta vinha embebida pelo licor de anis (que foi adormecendo a mona). A loucura saltou-se e nunca mais tomei atenção ao que saía do copo. Era cheirar, farejar quase sem regras.
Deu a entender que, a dada altura, tudo era permitido.
Na boca, tal como no nariz, sensual e tentador. Longo, envolvente e guloso. Mas sempre num registo equilibrado e aprumado. Desde a entrada até à saída, ele manteve-se gracioso, com a especiaria, e o floral, a sentir-se por todos os cantos. Nota Pessoal: 17,5

Post Scriptum: É assumidamente uma paixão. Às cegas ou às claras, gosto sempre dele.

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