quinta-feira, junho 23, 2016

Carlos Lucas diz: Encruzado com Leveduras dos Vinhos Verdes!

Bastava o título, que é da minha inteira responsabilidade, para deixar registada a minha perplexidade, quiçá derivada do enorme desconhecimento que tenho da arte de enologia. É um facto, porque só bebo. Contudo, não deixei de registar que Carlos Lucas, reconhecido e laureado enólogo português, defende que sejam adicionadas leveduras seleccionadas na região dos Vinhos Verdes em vinhos feitos com a casta Encruzado. Leitura e interpretação minha. Devo dizer-vos que fiquei assim meio confuso. Meio sem saber o que pensar ou dizer. 

Revista de Vinhos
A QA23, adorei o nome da dita levedura, é conhecida, segundo consta, por enfatizar as componentes cítricas do aroma, o que pode enriquecer aromaticamente o Encruzado pois, como todos sabemos, em novo não mostra grande exuberância aromática. Logo há que dar um jeito...

segunda-feira, junho 20, 2016

Quinta da Murta: 10 anos de colheitas - 2005 a 2015

Num registo simples, directo, descomprometido e muito terreno, o Hugo disponibilizou a quem mostrasse interesse para tal, uma viagem ao longo de dez anos de colheitas: 2005 a 2015. Não se tratava, de todo, de um evento chique, social e com glamour. A ideia era tão simples quanto isso: quem quiser que venha, que vos ofereço isto. E quem quis foi, dando com toda a certeza por ganho o tempo perdido.


Num timbre profundamente pessoal, o Hugo foi reproduzindo peripécias de cada colheita, relembrando o que aconteceu neste ou naquele ano especifico, tentando enquadrar, da melhor maneira possível, cada um dos vinhos em prova.



E sem entrar em detalhes sobre cada um dos vinhos, o que importa referir é que estamos perante um produtor que será, e afirmo-o com toda a convicção, um dos mais consistentes de toda a região de Bucelas, com um portefólio que tem vindo a ser afinado paulatinamente, ganhando coerência em todas as gamas.
No entanto, tenho a sensação que ainda não foi dado o salto para a ribalta, sentindo que não existem ideias muito claras, por parte do produtor, sobre o destino a atingir. Se as tem, não são, de todo, perceptíveis. Os vinhos precisam, porque merecem, que seja construída uma estratégia coerente no que concerne à sua comunicação, promoção e venda. É que, por vezes, tenho a ideia que estou perante qualquer coisa que sei que existe, mas que quase não se vê.




Encerro esta resenha, registando a beleza da quinta, o enquadramento natural, tornando-a ainda mais especial, mais enigmática. Só é pena, faltar aquilo que falta: estratégia. Acho eu.

terça-feira, junho 14, 2016

O vinho da casa, se faz favor!

Desculpem lá qualquer coisinha, mais uma vez, mas continuo com muitas dificuldades em pagar determinados valores por vinho num restaurante. Epá, custa-me olhar para uma garrafa de vinho que custa numa prateleira três euros e pedirem-me nove euros ou mais. Não sou capaz, não consigo. Não dou. É um absurdo. É um estropio, é uma violação. Ainda por cima, são vinhos que, na maior parte das vezes, não fazem parte das minhas escolhas. 


Quando o faço, é em ocasiões muito especiais, que são raras e sabendo de antemão que o(s) vinho(s) não vale(m) esse preço cá fora. Uma estupidez, assumo. E não me venham, por favor, com a justificação que nestas situações, podemos sempre escolher a cerveja ou a água. Bom, posso partilhar que prefiro Sumol de laranja e se for traçado com branco, melhor ainda. 
Tenho que assumir que me irrita algum preciosismo do tipo: ai e tal, este ou aquele vinho até tem um preço porreiro, tem boa relação qualidade-preço. Não faz qualquer sentido pagar quinze ou vinte euros por uma garrafa de vinho, se o prato que vamos comer custa, por vezes, menos. Ainda mais tresloucado o acto se torna quando, falo por mim, bebemos sozinhos. Já sei. Podemos beber cerveja ou água. Fatalmente, desculpem lá, mais uma vez, mas acabo por escolher, o fatídico jarro, aliás meio jarro, com o vinho da casa, de preferência branco, que vem ali do vizinho e que é de atrás da orelha. É igual ou quase igual ao outro que custa três ou quatro vezes mais, na melhor das hipóteses.


Outra coisa que também me faz eriçar os cabelos, não os da cabeça, são os copos. Existem locais, momentos, ocasiões em que são completamente dispensáveis aquelas etiquetas que tanto gostamos de cumprir. É taça e celebrar o momento. Também já sei. Não frequentam. 

quarta-feira, junho 08, 2016

LOL!? That Was in Danger of Extinction

Calma malta! O título não é da minha autoria. Podia ser, mas não é, apesar de serem respeitadas todas as regras que geralmente são utilizadas em pingusinglês. Mas infelizmente não foi escrito por mim. Tenho que assumir que fiquei com pena. O titulo é parte integrante de um rótulo de um vinho.


A meio do rótulo do tal vinho, reparei numa tirada que me fez voltar atrás: Em Risco de Extinção. O que estaria em extinção? O vinho? Pensei inocentemente. Com mais atenção, percebi que o que estava em extinção não era o vinho, mas sim a casta da qual era feito. Era ela que estava em sério risco de extinção. Tenho que admitir que esta combinação de frases bombásticas despertou a minha curiosidade. Caramba, que grande imaginação tiveram os criadores disto tudo. Pensei eu, novamente.


Tudo parecia ter sido pensado ao pormenor. As informações eram bilingues, permitindo ao mundo saber que a casta está ou (estava?) em risco de extinção.  
Para os que andam mais despercebidos iriam papar isto, sem qualquer questionamento. Comprariam a garrafa com a ideia que estariam a levar uma preciosidade, uma raridade, o que já não é bem assim. Ou é!? Bom, o que ficou na minha retina foi esta passagem: The Moscatel Roxo grape variety, rare variety that was in danger of extinction. Devo partilhar com vocês que não me saía da cabeça a imagem daqueles sinais de perigo que dizem: Danger! Explosives. Keep Out! E por isso voltei a colocá-lo novamente na prateleira. 


sexta-feira, junho 03, 2016

Peter Lehmann

Independentemente do que andamos a beber no momento, existem vinhos e ou produtores que precisamos de conhecer pelo menos uma vez na vida. Depois se gostamos ou não, são contas que pertencem a cada um. 
Os vinhos de Peter Lehman fazem parte do meu imaginário, principalmente o Stonewell que era dos vinhos que mais gostava. Parecia ser qualquer coisa de diferente e inusitada. Não interessa, agora, se tinha ou tem nesta altura um estilo meio ultrapassado ou menos consensual, para certos de nichos de consumidores. Tenho gratas recordações do vinho. Ponto.


O que sei, se querem saber, é que estava perante um vinho profundamente bem feito, com um equilíbrio, não estou equivocado, pouco habitual para quem bebia quase exclusivamente vinhos portugueses. Paradoxal se pensarmos que a Austrália é colada a uma imagem, certa ou errada, não interessa, de um país com vinhos quentes, pujantes, carregados de fruta preta e com intensos estágios de madeira. Atrevo-me a dizer que, nessa altura, caíram por terra um conjunto de postulados que apontavam para Portugal como um país com largas tradições no vinho de mesa. A verdade, nua e crua, é que éramos novíssimos no universo de vinhos não fortificados. Dêem um salto até aqui


E volvida uma porrada de anos, espetam-me com o vinho outra vez nas ventas, sem eu saber. E sem eu saber, dei comigo a gostar dele, a bebê-lo até à ultima gota, sem qualquer sinal de enfado. Continua a ser um shiraz fresco, equilibrado, ponderado, levando-nos a pensar que os syrah's ou shiraz's feitos made by Portugal são cópias, na generalidade, pouco conseguidas e sem qualquer rasgo de genialidade. Ainda fico admirado, como se consegue andar por aí a meter nos píncaros alguns dos vinhos feitos exclusivamente a partir desta casta que dizem poder ter origem persa.

quinta-feira, junho 02, 2016

Diz-me onde metes like e eu direi quem tu és!

A tirada do Hugo Mendes sobre a importância dos likes facebookianos, está profundamente incompleta. Nem parece coisa dele. Mas pronto(s), o homem pertence à fileira :). 
A colocação dos likes diz-nos, também, dos interesses que existem nesta cadeia de amizades profundamente artificial e assumidamente cínica. A volatilidade é de tal ordem que o imprescindível amigo de ontem passa a ser dispensável hoje e se possível apagado, remetido para debaixo do tapete. 



Estes tiques comportamentais são também extensíveis às partilhas de publicações e ou de eventos. E depois existem likes que se devem fazer impreterivelmente, como há likes que é melhor não fazer, de todo. Ou porque o assunto é melindroso ou porque a personagem começa a ser ou é demasiadamente inconveniente. Depois, a beleza também conta. São um conjunto de regras importantes que devem ser cumpridas, por quem pretende ou ambiciona ter uma carreira com futuro, mesmo que não tenha futuro. Bom, tudo tem um preço e o silêncio é regra de ouro.

sexta-feira, maio 27, 2016

O 69

O número 69 é dado a múltiplas interpretações, acabando todas por desembocar no mesmo destino, no mesmo assunto. É a fatalidade do número. 
Recordo, com uma gargalhada, o mancebo que teve a sorte de receber como identificação o numeral 69. Naquele dia, teve o privilégio de ser o mais ovacionado do quartel. Era o 69 e pronto. Teve assim o seu momento de fama. Dobrados mais de 20 anos, continua a ser o ilustre 69.
Olhando para o número e para a forma que os números possuem, é fácil de perceber que foram feitos um para o outro. Encaixam na perfeição. É compreensível, por isso, que a combinação destes dois números seja aproveitada para outras matérias.


Bom, aludindo à minha costela matemática, podemos dizer que é um número inteiro que fica entre o 68 e o 70, podendo ser formado pela soma de dois números primos: o 2 e o 67. Ou pelo produto de 23 por 3, que também são dois números primos. Em linguagem ordinal o 69 passa a ser o sexagésimo nono (69º).

Um 69 extraordinário.
Se olharmos para a história, o 69 surge colado a alguns episódios importantes, como a chegada do homem à lua (1969). Se formos para trás uma porrada de séculos, podemos ver que muita coisa aconteceu no império romano no ano de 69 d.c. .
Mais recentemente, foram retirados 69 contentores do Porto de Lisboa, no passado dia 24 de Maio. Sabiam desta? Teria algum significado, mais ou menos simbólico?

segunda-feira, maio 23, 2016

Um mundo fofinho!

Para começar a semana da melhor forma, preciso de vir aqui expurgar algumas impurezas. Feita expurga, fico mais tranquilo.
Vivemos num mundo fofinho, onde a crítica na generalidade, seja ela formal ou informal, profissionalizada ou não, virtual ou não, tem uma forte tendência para ser naturalmente fofinha e querida com todos. Todos, todos não. Mas com quase todos. São raros os casos em que assistimos a comentários acutilantes, a opiniões divergentes, a propostas alternativas. Que pelo menos contestem. Que digam simplesmente não é bem assim. Mas não. Tudo é bom, tudo sabe bem, tudo é maravilhoso e mesmo quando se percebe que há ali qualquer coisa que falha, usam-se códigos ou meias palavras que só alguns percebem o que querem dizer, de facto. O resto da malta, como sempre, fica a pensar que também é bom, mesmo não sendo. O que importa é continuar a ser fofinho e carinhoso. De outro modo, pode ser complicado para quem tem aspirações ou ambições.


E no meio de tanta delicadeza e formosura, fica-se incapaz ou sem coragem para ser, só um poucochinho, mais arisco, mais traquinas. É-se fatalmente contagiado pela imensidão de actos de carinho. Ficamos sem jeito para dizer qualquer coisa que não seja bem igual ao que a maioria diz. Passamos a ser também fofinhos com toda a gente. Mesmo que se pense de outra forma, as manifestações públicas de afago tendem a ser iguais ao resto do bando. Carinhosas. É claro que o carinho também está interligado com peso que este ou aquele actor tem neste mundo querido. Nem todos valem o mesmo e algumas dessas carícias não devem ser públicas. No Facebook, o nível de carinho é medido pelo número de gostos que se vai obtendo e se vai dando. Já agora leiam isto.

sexta-feira, maio 20, 2016

É para isto que serve!

Só quando um tipo olha para o fundo da garrafa e vê que está vazia é que percebe que gostou, de facto, do vinho e que foi bebendo até ao fim, sem qualquer sofrimento. Melhor, ainda, se não for apanhado pelos temíveis danos colaterais, que vulgarmente chamamos de ressaca. É a prova provada.


Fica-se porreiro e relaxado na medida certa. É para isto que o vinho serve. Tudo o resto é fogo de pólvora seca, que só serve para fazer barulho. 


Epá, tem que saber bem, escorrer pela goela, divertir, aconchegar. Nada melhor que ficar recostado no sofá meio alucinado, em silêncio e a olhar para o vazio, com o copo seguro pela mão, dando a ideia que irá cair a qualquer momento. Tudo num equilíbrio muito frágil.

quinta-feira, maio 19, 2016

WTF!? Será Vinho Processado?

O mundo dos prémios de vinho continua a surpreender-me. A imaginação, como sabemos, permite criar todo o tipo de categorização. Prémios, concursos, medalhas para isto e para aquilo. Nada contra, só é preciso relativizar, avaliar a importância de cada uma das menções atribuídas. Sei que faz parte do jogo. 
Pensando que já tinha visto de tudo, ainda consigo ficar de queixo caído com algumas condecorações, que são completamente ridículas. Dignas de um palco circense, com todo o respeito para os aficionados e praticantes da arte. 


A última pérola apanhada neste profícuo e imaginativo universo dos concursos, foi ver um vinho vencedor de uma categoria que se chama, vejam lá isto, Produto Processado!? Processado? Processado de que forma? Podemos fazer o paralelismo com a comida processada? Será feito como um hambúrguer, como os nuggets? Feito às três pancadas? Numa bimby? Numa misturadora?
O ridículo e o despropósito  é de tal ordem aqui, que tornam as categorias e prémios W em algo quase normal e aceitável. Quase. 

quarta-feira, maio 18, 2016

Quinta da Falorca: de 2010 para 2016!

Da série Para memória Futura. A minha naturalmente. 
Não conhecia ou já não me lembro de o ter bebido. Das duas uma, como se costuma dizer. Bom, de uma forma ou de outra, tenho que ser sincero. Não estava à espera e como tal fiquei surpreendido com o estado em que o vinho se encontrava.


Um vinho branco que não apresentava qualquer tique de cansaço, de decadência. Com cores e frescura a apontarem para colheitas mais recentes. Atrevo-me a dizer que ainda apresentava sinais de ser capaz de continuar a evoluir, a maturar de forma perfeitamente digna e capaz. Epá, em muito boa fase.


Remato a coisa da mesma forma como comecei: surpresa e espanto. Para mim é mais que suficiente para querer voltar a ele, ao vinho, um dia mais tarde.

terça-feira, maio 17, 2016

Mapa

Fiquei surpreendido. Fiquei agradavelmente surpreendido. E desculpem lá a todos aqueles que já o conheciam. Eu não. 


Bem afinado, bem equilibrado e muito pouco Douro. Ups! Acho que não devia ter dito isto. Um vinho branco que me pareceu completamente fora do mainstream, pela finura, pela harmonia, pela imensa frescura que tinha. Um vinho vibrante na medida certa.


Um vinho que se bebe, vejam lá, sem darmos conta e sem que nos caia uma dor de cabeça em cima, no outro dia. E não é só. Foi possível, vejam lá outra vez, esvaziar a garrafa e continuar a ver um daqueles longuíssimos filmes de Sergio Leone, sem as pálpebras fecharem a meio. Um facto que deve ser louvado e registado, porque na maior parte das vezes isto não (me) acontece. Um tipo acaba por adormecer, por um motivo ou por outro.