Altas Quintas: Uma Enorme Obsessão!

Post Scriptum: Os vinhos foram enviados pelo Produtor.
Um espaço feito por um amador para amadores que gostam de beber, provar, degustar sem rodeios e sem preconceitos...e com muita paixão! pingasnocopo@hotmail.com

co. Pediu, incessantemente, um copo amplo, largo. Ele precisava disso.
Não são tidos, nem achados, mais uma vez, outros que eventualmente bebi e que vocês beberam. Não teria, qualquer, sentido mencionar vinhos que não foram falados (e classificados) no Pingas no Copo. Em alguns casos, se voltasse a beber, a minha opinião poderia ser, eventualmente, outra. Reflectem, meramente, os mais variados momentos de loucura e desvairo. Tal como nos outros anos, cada vinho tem um link para o respectivo texto.
Este vinho branco conseguiu deitar para fora um leque de sensações que, assumidamente, não estava à espera. A surpresa acercou-se do copo.
Os cheiros saíram de forma ligeira e sem excessos. Fiquei pasmado. Sensações a polpa de fruta. O vegetal marcou, felizmente, presença assídua. Assomou-se, ainda, um singular aroma que fez pensar no pêssego, naquela casca que arrepia a gengiva. Feno fresco. Tudo aprazível e ameno.
Na boca ele transmitia uma percepção a fruto secos e a citrinos. Airoso e bem comportado.
Com meia dúzia de retoques, com um pouco mais tempero, tínhamos coisa (ainda) mais séria. Nota Pessoal: 15
Depois de tanto palavreado, resta dizer que custou menos de 5€.
O trago inicial veio recambiado do Algarve. Quinta do Francês 2007. Um vinho compacto, que revelou vivacidade suficiente para dar luta. Demonstrou algumas habilidades curiosas. Tendencialmente vegetal. Sensações a vagem, a árvore. Algum cacau amargo e café.
Ao fim da caminhada, deparo-me numa complicada encruzilhada, num abastado momento de dúvidas e incertezas. Apesar do esforço para fugir dos cânones estabelecidos, reparo que estou a ficar preso das notas de prova. Fui literalmente apanhado pelo arrastão, pela febre do apontamento. Conseguirei dar a volta?Os fóruns, esses, vão-se mantendo demasiado mornos. Um gigante em banho-maria que só acorda para meia dúzia de disputas sem sentido.
A única certeza é que Alves do Reis acabou na miséria e no total esquecimento. Os que proliferam por aí conseguem, não sei como, manter as suas fortunas, levando-nos a pensar que o crime deles compensou e bem. Estarão a dizer que vale a pena tentar(mos)?
O enólogo Pedro Nuno Pereira continua a arregaçar as mangas para que esta Cooperativa consiga dobrar o Cabo das Tormentas. Será dos poucos que, aparentemente, tenta manter vivo o velho carácter dos vinhos do Dão. Só tenho que agradecer. Estou umbilicalmente ligado a toda região.
Apesar do nome transmitir um certo ar de modernidade, o vinho encerrava dentro de si um conjunto de argumentos algo tradicionalistas. O cheiro estava coberto de pinheiro, de sensações vegetais, de musgo. Forte impressão húmida. Leve impressão química. Por meio, notou-se um suave toque a especiaria ou, eventualmente, odores a folhas secas. Rústico, quase rude. No fim de tudo, desabrocharam as flores (influência do rótulo).
O sabor era ácido, seco, vegetal, químico. Nada de modernices aparvalhadas e descaracterizadas. É o que é, nada mais. Quando caía pela garganta abaixo, deixava na boca vestígios secos e vegetais. Precisa de comida pujante. Nota Pessoal: 15
Será, provavelmente, mais um vinho étnico?
UpGrade: Sobre o tópico, já estou (um pouco) mais esclarecido.
A Herdade do Esporão chamou até si um conjunto de bloggers nacionais que costumam opinar sobre os assuntos do vinho na rede.

A ideia da coisa era apresentar em primeira mão o 1º Prémio da Confraria dos Enófilos do Alentejo, Colheita 2007. Atrás deste vieram outros vinhos que ajudaram a alimentar as conversas, sempre desbragadas, soltas, descomprometidas e assumidamente ingénuas. Antes de enfiarmos nas goelas o dito, foram sendo testados e comentados outras presenças.
O primeiro a cair no copo foi o Verdelho de 2008. No ápice, somos assaltados por uma pergunta da audiência bloguista. Verdelho ou Gouveio? Um vinho branco com carácter vegetal, asseado e uma carga ácida capaz de refrescar a boca. O dia estava quente e ao longe viam-se as agruras do clima.
Com a boca limpa, passamos para o Reserva Tinto Colheita 2007. Há muito tempo que este tinto representa com dignidade o papel que um vinho de 15€ deve ter. Colheita após colheita surge bem feito, moderno, apelativo e acima de tudo consensual. São milhares e milhares de garrafas. Enquanto posso, vou guardado para memória futura da minha garrafeira um Reserva de cada ano.
O acto derradeiro, aquele que iria encerrar a apresentação, tinha que estar destinado ao 1º Prémio da Confraria dos Enófilos do Alentejo, Colheita 2007. Aqui temos Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah e Alicante Bouschet.
Antes de largar o poiso e após termos percorrido as instalações, ainda houve tempo para fazer as pazes com Herdade do Esporão Private Selection, Branco, Colheita 2008. Pareceu-me diferente, mais afastado daquela exagerada gordura. De qualquer modo, o apetite ficou aguçado para nova prova. A ver vamos.

