terça-feira, setembro 27, 2016

Nop! Não é para mim ...

Eu tentei. Acreditem. Tentei mais que uma vez. Foram várias as vezes que tentei mudar de opinião, mas em todas as vezes fiquei sempre com a mesma ideia, com a mesma conclusão. Não, não é para mim. Não dá mesmo. Podem-me dizer que é isto e aquilo. Que é feito desta ou daquela maneira. Não dá! Não é para mim. 



É por esta e por outras que cada vez menos entendo a coisa e admiro quem a entende. Vejo uma porrada de malta a dizer que sim e eu do outro lado a dizer que não. Ora bolas. Eles estão errados! Só pode. E após esta tirada, é tempo de regressar ao isolamento da toca. Quem quiser que me chame. Até à próxima. 

sexta-feira, setembro 23, 2016

Surpreendam-me!

Talvez seja resultado de alguma saturação, não sei, mas está complicado ficar (verdadeiramente) surpreendido, com a maior parte dos vinhos portugueses que vou bebendo. São bons, é certo, mas parece-me que existe sempre qualquer coisa que lhes falta.  Não sei o que é, assumo! Parecem que são mais do mesmo. Vai-se de norte a sul, do litoral para o interior, e a receita parece ser semelhante. E não há região que se safe. Ainda são poucos, muito poucos, os que arriscam criar qualquer coisa diferente. Nem que seja só um poucochinho. Não é preciso muito, só um poucochinho.


Vá lá, surpreendam-me, por favor! Dêem-me pistas, mas não me apontem lugares comuns. É que estou a afunilar cada vez mais as minhas escolhas, a reduzir o número de produtores que desejo revisitar. Está a ficar deveras preocupante. Vá lá, surpreendam-me.

quinta-feira, setembro 22, 2016

Quinta do Cerrado: Outros Tempos

Pois é! Pois é! Não estava à espera e nem sequer passou pela cabeça que poderia ter este vinho à minha frente. Na verdade, com a idade, dou comigo cada vez mais calado e ou em silêncio, quando tenho um copo com qualquer coisa que não faço ideia o que é ou que seja. As dúvidas são, agora, muito mais. A idade em vez de ajudar a limpar a visão, tem feito precisamente o contrário.


O que vos digo é que este vinho surpreendeu pelo equilíbrio, pela suavidade dos sabores, por se deixar beber com prazer. Não sendo um vinho de culto, nunca o foi, atrevo-me a dizer que foi quase o rei do momento. Quase, não tivesse a seu lado outro que o suplantou. Mas ainda assim, segurou-se no copo, sem morrer, sem decair, sem esmorecer durante longos períodos. 


Vingou pela enorme elegância que tinha, pela graciosidade que mostrou. Deixava-se beber, sem complicar. E isto é o melhor elogio que se pode fazer a um vinho.

terça-feira, setembro 20, 2016

Dão de outros tempos

Como isto é meu, só serve para mim, o post de hoje, à semelhança dos anteriores, não é mais do que um conjunto de nada. Fica resumido a fotos de um certo momento, em que se percorreram memórias, em que nos reencontrámos com factos e momentos há muito esquecidos. Só para mim.



Vinhos do Dão, brancos, que estavam perdidos algures num sítio qualquer. Vinhos que terão levado pancadas, porradas. Sofrido com o frio, com o calor. Andado aos trambolhões, de um lado para o outro. Tal como nós.



Eram extraordinários? Claro que não. Mas portaram-se bem, mostraram garbo e personalidade. Mostraram, acima de tudo, muita dignidade. Coisa que tem tendência a rarear.

segunda-feira, setembro 19, 2016

Alerta! Eles já estão no Douro!

Fico com a ideia que estes tipos estão perigosamente a espalhar-se por outras regiões. Os seus vinhos participam activamente naquelas impressionantes promoções, em que passam a vida com mais de cinquenta por cento de desconto sobre um preço qualquer. É obra! Nunca vou perceber isto. Ou melhor até percebo. Ou melhor desconfio. 



Agora temos Piteira no Douro. Vejam lá! Um Piteira que é de Xisto Negro. Já agora, será que iremos ter um Piteira Granito no Dão, um Piteira Calcário para a Bairrada? Ou ainda um Piteira Areias para a Península de Setúbal? E sempre em promoção, como convém. A bem do consumidor, porque tanto produtor como cadeia de distribuição são entidades filantrópicas. 

sexta-feira, setembro 16, 2016

Brut Nature by Quinta da Murta

Em jeito de café da manhã. Como é sabido, da vossa parte, pauto o meu comportamento pela falta de independência, logo não costumo ter qualquer pejo no que digo. Bom, vamos ao que interessa. O puto tem jeito para isto. Tem jeito para espumantes. É capaz de se tornar num homenzinho. Fico com a ideia que está mais focado, com as ideias mais organizadas. É por aí, pá!


Este 2013 é capaz de ser, para mim, o melhor espumante da Quinta da Murta que já bebi. É coisa muito séria e que merecia ser melhor divulgada, mais conhecida, mais vezes bebida. É capaz de ser, até, melhor ou igual que uma porrada de espumantes que andam por aí. Perde, isso é perceptível, por causa do menor valor acrescentado que a marca eventualmente poderá ter. Como disse, uma vez, não entendo a politica de promoção e difusão, por parte do produtor. Mas isso, são contas de outro rosário. E até à próxima. Fiquem bem.

sábado, setembro 10, 2016

Pára Tudo: Muros Antigos 2012

Ok! Vou dar um pouco a mão à palmatória. Digamos que é, vá, assumir que existem bons alvarinhos. Ou melhor: existem alvarinhos que enchem as minhas medidas. Assim é mais correcto, porque a maioria, e o universo é o meu, continua mostram um conjunto de características que assumidamente não aprecio. Não é exclusivo daqui, acontece o mesmo na maioria dos vinhos portugueses, apesar das melhorias que temos vindo assistir. Estão porreiros, estão bem feitos, estão bem trabalhados. Por vezes, trabalhados demais. Tecnologicamente perfeitos, mas despidos de alma e personalidade na maior parte dos casos. Adiante. 


Olhem, gostei bué! Gostei mesmo, pá! Gostei tanto que fui bebendo com uma sofreguidão voraz, esvaziando a garrafa com uma velocidade estonteante. Copo atrás de copo, a coisa foi fluindo, foi indo. 


O vinho estava num estado de equilíbrio e finura assinaláveis, conseguindo, ainda, apresentar força, frescura, nervo e secura. Nada amorfo, como muitos dos seus congéneres, que caiem repetidamente num marasmo que enfadam até o tipo mais ecléctico (acho que já me referi nestes termos por variadas vezes). Apetece dizer, por isso: Pára tudo, que é disto que falo.

quinta-feira, setembro 08, 2016

Casas Altas Riesling

Resquícios da silly season. Não dando grande valor ao facto da casta vir declarada no rótulo, até porque não percebi muito bem se a mesma respeitava todas as premissas, sou tipo para assumir que é um vinho branco bem porreiro e com alguma diferenciação. 


Um vinho que curti, que até deu alguma pica a beber, mas sem perceber muito bem se era mesmo de facto um riesling a sério. Bom, podemos dizer que é um riesling português, feito na Beira Interior Norte, com um nível de frescura bem mais interessante que alguns congéneres feitos mais para sul. Talvez pelo insistente toque petrolado fosse lá. Dizem ser uma das características da referida casta. De resto, como costumamos dizer, bebeu-se e bebeu-se até ao fim.

terça-feira, setembro 06, 2016

Inconsequências

Ok! A ideia é gira! Vá, tem alguma piada, mas é só! Digamos que é uma brincadeira inconsequente. Um vinho para o Bacalhau. Ainda cheguei acreditar que, após mais uma brilhante criação, surgisse um vinho para as migas, para o ensopado de borrego, para acompanhar a canja, a sopa de tomate, para as baldroegas, para isto e para aquilo. Mas não. Ficámos só com um vinho para o bacalhau. 

Desculpem lá a sofrível qualidade das fotos. Às vezes, acontece.

Mas ficam as questões: É para o bacalhau cozido? Frito? Para a salada que na gíria popular se chama punheta? Para o bacalhau assado no forno? Ou nas brasas? Ou é para tudo? E já agora, porque não um vinho para a ressaca? Para o dia seguinte? Isso é que era de valor.

quarta-feira, agosto 31, 2016

Moreish

Assim que terminar a primeira frase da homilia, posso assegurar que já bebi três quartos da garrafa que ilustra a coisa de hoje. Fica feito o aviso.
Hoje andei horas para saber o que havia de beber. Não queria provar, queria beber bem e até ao fim, até adormecer num estado de felicidade instantâneo e fugaz, mas necessário.
Tinha andado sozinho, uma norma, por isso achei que devia beber do melhor que tinha, daquilo que achasse que tivesse a dignidade para me fazer companhia. Não podia ser qualquer coisa. Não podia e não devia! No fundo, tinha na mona uma ideia sobre o que havia de escolher. Ao fim e ao cabo, tudo estava já predestinado. Logo, este ramerrame só serve para encher. 


E quase acabar a garrafa, tenho que dizer que isto é um vinho que não tem qualquer nesga de merdas em excesso. Que é, vejam lá, vinho! Fresco, profundo, intenso, perfumado, profundamente personalizado. É, ups, um grande vinho, mas não é para qualquer um. Nem para mim.
Um vinho feito por dois putos que parecem ter ideias bem definidas e bem focalizadas. Um vinho que tem a impressão digital de uma zona que fica lá nos confins do mundo. Mas eles estão lá.


Antes de ir, será escusado dizer que conheço os rapazes. Sabem que não escondo as minhas ligações, nem por detrás de uma independência que nunca tive e nunca terei. O resto, que anda pelo meio, são entreténs que uso para distrair. Alguns acabam por cair neles. A garrafa, essa, está vazia neste momento.

segunda-feira, agosto 29, 2016

Mesas

Não pretende ser uma incursão por outros temas e assuntos. Nada disso. É antes o registo de um certo número de momentos, de ocasiões, de coisas que marcaram, que me fizeram feliz. Que me deixaram, é mais correcto, profundamente satisfeito e saciado. Digamos que me deixaram de pança cheia e com a gula empanturrada. Estiveram, a pança e a gula, limitadas apenas pelas paredes de um saco a que chamamos de estômago. Na verdade, dei comigo a desejar ter dois e poder geri-los a meu belo prazer. Assumo que gostava de ser ilimitado na capacidade de ingerir alimentos. Talvez um dia, quem sabe. É que comer é um prazer, onde o orgasmo acaba sempre por acontecer.

Portentosas bifanas, em que o molho onde foram marinadas, estufadas, temperadas são o negócio da coisa. É meter a carcaça ou o papo-seco na frigideira para ensopar, antes de a rechear com a bendita carne.  
Fatias de porco assado, como gosto. Com gordura, a tornarem a carne suculenta, húmida. Bem longe daquelas miseráveis fatias secas, sem sabor, inócuas.  
Frescura de um tomate da terra. Simples e saboroso. Soube pela vida.
Quem disse que não se come comida de sustento em dias de Verão? Claro que se come. Foi o reencontro com algumas das minhas tradições. 
Um lanche, um petisco ou aquilo que chamamos vulgarmente de entradas. Preparam o estômago, lubrificam os maxilares.  
E quando se transformam as maçadoras batatas em algo que faz esquecer o conduto? Bastou serem regadas por azeite em quantidade farta, temperadas com carradas de alho e orégãos, após terem sido mediamente cozidas com casca. Depois é irem para a grelha.
Verão sem sardinhas, não tem qualquer sentido. E é só!
Outro Prelúdio, desta vez com uma salada de pimentos superiormente temperada. Digamos que acompanhada por pão, bastaria. Na verdade, quase bastou. 
Cores e frescura. Olhando para a foto, será preciso dizer mais alguma coisa? Não creio.
O Bacalhau para a sopa de tomate. Na versão que mais gosto, tem que ter bacalhau. O ovo, para mim, é dispensável. Mas não renego. Fica-se com o corpo preenchido.
Verde. A cor que gosto, apesar de não acreditar na esperança. 
Observem. Representa a hospitalidade de uma casa. Acabado de chegar, a mesa foi posta, os copos distribuídos, garrafas abertas (não me lembro do que bebi), canivetes facultados. Comeu-se e falou-se. 
E fica aqui arquivada, neste pasquim, onde as regras estipuladas, sejam elas quais forem, são as minhas, a homenagem a todas as pessoas que perderam o seu tempo a fazer o que fizeram. E até à próxima.

quarta-feira, agosto 24, 2016

Sezures Encruzado


Apanhei este vinho num lugar altamente improvável e perdido no meio de uma prateleira. Devo dizer-vos que fui confrontado, no acto do pagamento, por uma curiosa pergunta: Sabe que vinho é esse? 
As referências que tenho sobre ele, o vinho, são muito vagas. Conheço via FB, o perfil do ou de um dos responsáveis pelo vinho. Depois uma ou outra referência ao vinho na rede. É pelo que percebi, distribuído pela SWOP. Mas adiante.


Pareceu-me um vinho sóbrio, felizmente contido, sem revelar aparentemente qualquer tendência para excessos da moda. Apreciei francamente a capacidade que revelou para produzir saliva, pela frescura que mostrava. Um conjunto que me pareceu muito equilibrado, deixando a ideia que estamos perante um vinho sadio, feito com o intuito de ser qualquer coisa diferente. 


Dá a ideia que pretende fugir da normalidade que muitos encruzados do Dão começam a apresentar. Gostava de saber se há continuidade e qual o estado das coisas deste pequeno produtor.