Sexta-feira, Fevereiro 10, 2012

Porquê este e não aquele?

O processo de escolha de um vinho, ou de outro produto qualquer, está sujeito a impulsos ou a decisões que são, na maior parte dos casos, (in)justificáveis. Decorrem, por vezes, de práticas do dia-a-dia, de actos mecanicamente repetidos. Depois, de somenos importância, surge o factor, quiçá, mais determinante na selecção: o valor pecuniário, que aliado à vontade acérrima que se tem em conhecer ou não, dita quase sempre o resultado final.

Foto retirada do adegga.com
Por isso há vinhos que dificilmente irei beber, não encontrando, no âmago das minhas inúmeras contradições pessoais, qualquer justificação sustentada. Fica-se pelo porque sim ou porque não. :)

Quarta-feira, Fevereiro 08, 2012

Mon Coeur

Sem qualquer discurso valorativo, afirmo que o vinho, que dá titulo ao post, agradou.


E sem mais entretém vazio de conteúdo, coberto de lugares comuns ou de choraminguices sem sentido, digo que o dito reporta para estímulos da Bairrada e do Dão de perfil mais clássico. 


Agora, as ditas regiões, tão desprezadas que foram, são terras prometidas para pretensos enófilos enfartados de cousas modernas. Sobre o que interessa, o vinho, resta aconselhar a sua prova. Parece que chega. Não?

Domingo, Fevereiro 05, 2012

O Vinho do Produtor

 A expressão vinho do produtor carrega forte carga negativa que afasta, nos tempos que vão definhando, qualquer consumidor ou individuo, bem vestido e de calçado, mais ou menos, envernizado e com, mais ou menos, tiques urbanos.
Vinho do produtor foi, ou ainda é, expressão usada para o líquido resultante da vinificação de uvas de espécie americana.


É também sinónimo de vinho feito artesanalmente, cheio de arcaísmos, com poucos recursos, trabalhado em adegas ou espaços improvisados. Vendido, depois, a gente que pisa quilómetros em busca de algo que pareça genuíno.
É com estranheza que a mesma expressão não seja usada, de forma literal, por Quintas e Herdades. A opção recaiu noutra com mesmo significado: Produzido e Engarrafado pelo Produtor.


Curioso, acho, é que se mudássemos de cenário e de idioma (com ou sem acordo ortográfico), as mesmíssimas palavras dariam origem a tratados cheios de elogiosos adjectivos. Seriam poucos aqueles que levantariam palavras contra. Esquecer-se-iam as questões de higiene, de rótulos, de inox ou barrica. 


Passariam a ser, pois então, vinhos de autores excêntricos, de garagistas sonhadores ou de adegueiros experientes. Naturalmente a junção vinho do produtor escrita e pronunciada em francês, em italiano ou espanhol soa naturalmente de outra forma e saberá, claro, muito melhor no copo. Portuguesismos.

Sábado, Fevereiro 04, 2012

Periquita 2011

Um Branco que tenta, julgo, alcançar a mesma fama que o Tinto transporta há anos. E tudo por causa de um  simples nome: Periquita.


Independentemente das escolhas que tomamos, produtores e consumidores, nunca ressoou bem a conjugação Periquita Branco. Coisas...


Fácil no trato, descomplicado, directo e apto para ser consumido em momentos de enorme informalidade. Na maior parte das vezes, também não é preciso mais.

Post Scriptum: O vinho foi oferecido pelo Produtor.

Sexta-feira, Fevereiro 03, 2012

Prémios Academia TWA 2011

O processo, pensado por miúdos da rua, foi simples e sem variáveis mais ou menos estranhas ou obscuras. Cada um fez o que queria e como queria. Sem complicações excedentárias. E sempre às claras. Nada indicado, portanto, para apreciadores de coisas às cegas. A eleição decorreu nos meandros do grupo facebookiano TWA (The Wizard Apprentice). Cozinharam-se, ainda assim e em segredo, os prémios a atribuir, de modo que todos levassem qualquer coisa para casa. Foram, portanto, cumpridos todos os preceitos das negociatas. Mas passemos aos vencedores.


João à Mesa ganhou a taça na categoria de Melhor Post por causa de um prosaico Esteva 2010. O projecto E Tudo o Vinho Levou desviou para os lados os adversários na categoria de Revelação. Sem espinhas. Rui Falcão ficou com as insígnias de Melhor Jornalista/Critíco de Vinhos. E myself, Pingus Vinicus com o Pingas no Copo (escuso de colocar link), na categoria de Melhor Blogue. Na verdade, a vitória foi ilegal porque empurrei, com o cotovelo, o Hugo Mendes e o seu TWA para o segundo lugar. Epá desculpa :)

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2012

Surgem, ainda, por todos os lados

O post per si não trará nada de novo, porque o assunto foi ,e será, escrutinado mais que uma vez. 
Após breve período em que a consulta da Revista de Vinhos foi suspensa, é-se confrontado com uma enxurrada de novos produtores, de novos vinhos, de novas colheitas. A proliferação de rótulos é de tal volume, que o cenário assemelhava-se, perdoem o exagero, a praga.


Sabemos que o sonho comanda a vida, é certo, e que distingue o homem cerebral do animal irracional, mas não consigo deixar de pensar sobre as eventuais razões que levarão alguém a saturar o mercado com mais uns hectolitros de vinho. Para onde irão?


E, por muito que queira, é impossível conhecer tudo.

Terça-feira, Janeiro 31, 2012

Simbolismos

A sociedade esteve, desde tempos que a memória não alcança, carregada de simbolismos. Qualquer acto ou atitude surge-nos, ainda hoje, coberta de sínais mais ou menos abstractos. Alguns deles, na maior parte,  parecem-nos injustificáveis, descabidos. São, quase sempre, pertença do íntimo de cada homem, de cada organização. Somos incapazes de os largar. Precisamos deles.


O vinho, produto manipulado, não é alheio a este modo de estar, de viver e de sentir. Homens, por uma razão ou outra, compram-no para comemorar, para relembrar este ou aquele momento. Ou simplesmente para catalizar emoções e sensações. É motivo para juntar e celebrar.


Guardam-se religiosamente garrafas, de determinada colheita, até que um dia se possam abrir, desde que respeitados todos os requisitos.


Chegado o momento, tal acto liturgico, o vinho é servido aos gentios como se tratasse de algo raro e infinitamente precioso. A maçada acontece quando a assembleia não lhe reconhece o valor devido. É que trata-se simplesmente de um vinho. Nada mais.

Domingo, Janeiro 29, 2012

Rolhas que dão rolhas

E porque há mais vida para além do vinho, da vinha, do rótulo, da classificação e da descrição, achei e acho importante que se reflicta, também, sobre os detritos que a indústria provoca. O que fazer com as sobras? Que destino a dar, por exemplo, às rolhas que alegremente, e de forma vistosa, sacamos das diversas garrafas? Soltam-se do gargalo e atiram-se simplesmente para o saco dos restos.


Sem querer entrar em discussões do foro comercial, não é objectivo deste articulado, apraz-me divulgar uma acção que a cadeia Continente está a desenvolver junto das escolas. Rolhas que dão Rolhas. Esta iniciativa decorrerá durante cinco meses, de Outubro de 2011 a Março de 2012, e visa sensibilizar a comunidade escolar, seus familiares e amigos.

Como agente que desenvolve a sua actividade profissional com crianças e jovens, e enófilo inveterado, só tinha que assumir a responsabilidade de divulgar tal desiderato junto da comunidade i-enófila, w-enófila. Apesar de conhecimento tardio e ainda vamos a tempo de participar. Basta só acelerar :)

Sábado, Janeiro 28, 2012

Port Day ou Dia do Porto

O título, meio ambíguo, não é nenhuma ode ao clube mais representativo da cidade que se diz invicta. É, antes de mais, referência ao festival em honra do vinho do Porto que decorreu um pouco por todos os cantos. Cá e Lá.


The International Port Day ou PortDay é ideia de interpretação simples e descomplicada. Resume-se a promover de forma informal o dito. Bastava, por isso, provar ou beber, comer e conversar. E não parece que fosse preciso mais.


Para os interessados em pormenores, de cariz mais intimo, e desejosos de saber o que se absorveu, apraz dizer que o Quinta do Noval Colheita 1997, Warre's LBV 2001 prontamente tomaram dianteira, desaparecendo dos vasilhames num ápice.


Mas como sina é andar em sentido contrário em relação a outros, deixo, ainda assim, as últimas flexões para um estranho e inusitado vinho datado de 1879.


Incapaz de desenrolar qualquer articulado organoléptico ou  chorar dissimuladamente, como carpideira, as virtudes da idade de um vinho, ficam apenas registadas duas palavras: Vinho incomparável. Parece-me suficiente.

Quinta-feira, Janeiro 26, 2012

Vidigueira

Por razões várias, e injustificáveis, nunca acompanhei com olhos de ver o vinho alentejano. Soava a facilidade. E como cresci, e vivi, emparelhado sob dois postulados que pouco, ou nada, têm a ver com o Sul, era impedido que visse para além da fronteira. Não serei, no entanto, o único.


Relembrando o primeiro axioma, diria que vinho fino e benefício foram, quase sempre, o mote para discussões eternas.  O segundo centrava-se, apenas, no vinho tinto, velho, e bem amadurecido. O país acabava, portanto, algures no rio Mondego. Para os apaixonados da história, bastará reportar, quiçá, ao século XII.


E como a contradição é, ainda assim, lema pessoal, e numa fase em que as ideias simplesmente escasseiam, proponho, apesar de tudo, um tinto arquitectado com Trincadeira e Aragonês. Alentejano, portanto. Opulento, calmo e pouco dado a complicações. Apto para simplesmente desanuviar a mona.

Quarta-feira, Janeiro 25, 2012

Catarina

Não há, para mim, qualquer dúvida. A confrontação com dois estádios de alma foi inequívoca. Duas formas de olhar para o assunto. A primeira, apesar de reconhecer o interesse do vinho, não despertou, por ali além, qualquer comentário de valor significativo. O segundo, e porque decorreu após o desembrulho, foi mais efusivo. Apresentaram-se razões de vária ordem. O rótulo, o vinho, as castas, o preço. Atributos, portanto, suficientes para colocar qualquer interessado em perfeito estado de entusiasmo, de exaltação enófila.


Um rótulo que foi modificado, um vinho que é branco, a combinação de castas que não é a mesma (em 2001 tínhamos Fernão Pires, Rabo de Ovelha e Tamarez. Em 2010 temos Fernão Pires, Arinto e Chardonnay). O preço, esse vector fundamental, ainda assim, continua dentro do mesmo intervalo.


O vinho, de agora e não o de 2001, perdeu interesse. Está despido de classicismo, de história. Está inócuo. Perdeu, são sei para quem, aquela ponta de cobiça que chegou a ter. Coisas da modernidade.

Sábado, Janeiro 21, 2012

TWA RR & AM

Não é nova série de uma qualquer marca automóvel, nem de aparelhagem estereofónica. Não são, também, códigos alienígenas.
São, meramente, siglas de um encontro patrocionado pelo grupo facebookiano TWA (The Wizard Apprentice). Sem qualquer pejo, ou controle de vocabulário, será ou é, nos tempos que correm, o ponto de discussão mais activo, e alojado em Portugal, onde o vinho é debatido sobre os mais diferentes prismas, ângulos, arestas ou vértices.


Saudavelmente indisciplinado, por vezes incontrolável, sem censores e sem caneta correctora. É uma montra do que se pensa e como se pensa. E em espaço aberto.
A segunda reunião, sobre o patrocínio TWA, tinha como desiderato interpretar, escalpelizar, se possível, o trabalho de dois enólogos: Rui Reguinga e Anselmo Mendes. E porque alguém já o fez, e bem, encaminho-vos para os devidos locais: Comer, Beber e Lazer e Adega dos Leigos. Evito, deste modo, repetição de enunciados.