segunda-feira, dezembro 11, 2017

Gostei! Gostei Muito! Soube-me muito bem...

Gostei! Gostei Muito. Soube-me muito bem. Aguentou um peixe assado no forno. O peixe era de aviário. Foi o que se arranjou. Mesmo assim, foi caro. Disseram-me que, apesar de ser de aviário, era criado de forma diferente. Bom, na verdade, como muitas vezes peixe de gaiola.



Este estilo de vinho é incomensuravelmente superior ao dito clássico. Apraz dizer, portanto, que não sou um tipo com inclinações clássicas, no que respeita ao produtor. Aqui, neste caso, temos vinho a saber a vinho e não a um aglomerado de frutas tropicais. E era só, para hoje.

quarta-feira, dezembro 06, 2017

Pelluda da Pellada

Só para dizer que é vinho que sabe literalmente a vinho. Já viram a idiotice da coisa? Um gajo abrir uma garrafa, completamente descansado e despreocupado, e reparar que o que sai lá de dentro é um liquido que sabe mesmo a vinho. Que disparate. 



Fiquei lixado. Acreditem! Ser confrontado com um vinho. Um vinho! Assim, sem mais nem menos. É uma fraude, ter que beber um vinho. Que brincadeira de mau gosto. Vou reclamar por causa deste enorme imbróglio que me criaram. 

sábado, dezembro 02, 2017

A Pura Seda do Dão

Pois é! Sei cada vez menos. Sei cada vez menos sobre tudo. Sinto que andei perdido no meio de presumíveis verdades, achando que sabia uma enormidade sobre tudo e mais alguma coisa. Fala-se de elegância e de finura de forma profundamente leviana, sem sabermos, na maior parte das vezes, o que querem dizer, de facto. Fala-se, porque se fala, porque está na moda, agora, usarmos estes adjectivos.


Levei um murro no estômago com este vinho. Um murro que me deixou abanado, tonto, em estado de choque. Perdido. Procurava por isto. Era disto que queria. É esta a ideia que tinha, do que foram ou do que eram os vinhos do Dão.


Profundamente delicado, falsamente frágil, com um equilíbrio dificilmente igualável. Um vinho que nos encanta, a mim encantou-me, que nos embala ao som de uma melodia suave, branda. Que nos encaminha para estados de alma, que pensei não serem possíveis de atingir. Que nos amacia. Vai-se, sem se dar conta que se vai. Não se vai empurrado, nem se vai obrigado ou coagido. Vai-se de livre vontade. Atrevo-me a dizer que estive muito próximo daquilo que espero e gosto num vinho tinto. Principalmente num vinho tinto do Dão. Do que era o Dão. Ou do que foi. Não sei.

terça-feira, novembro 28, 2017

O Pinot do Pedro Garcias

Li o artigo do Pinot escrito pelo Pedro Garcias, com o mesmo gozo de sempre. E como sempre, está redigido naquele estilo picante e acutilante. Gosto de gente que sai da caixa do politicamente correcto, do fofinho, dos beijinhos, e não se coíbe de emitir a sua opinião, independentemente se tem razão ou não. Ainda por cima, é uma opinião vinculada por um jornalista e crítico, que também é produtor.

Pessoalmente, nunca escondi a minha enorme perplexidade e estranheza quando vejo castas estrangeiras a serem introduzidas em regiões como os Verdes/Minho, o Douro, o Dão e a Bairrada. São as mais clássicas (no que isto quererá dizer) e que sempre se apresentaram ao mundo, orgulhosas das suas castas nativas. Mas depois, vemos (vejo) que a prática não é bem assim. O que apraz dizer que a diversidade e riqueza das castas portuguesas é, provavelmente, uma das maiores falácias no mundo dos vinhos, em Portugal. Pelos vistos, existe necessidade de ir buscar lá fora outras castas para compor o ramalhete. Alguma coisa não bate certo e eu não sei qual é.
Mas se atacamos facilmente aqueles se socorrem de variedades estrangeiras, o que dizer daqueles que usam as castas nacionais e as transformam em vinhos sem qualquer originalidade, profundamente manipulados, sem qualquer carácter ou identidade? Completamente abastardados. O que dizer destes? Não estarão, estes últimos, a envergonhar-nos também, de uma forma mais vil? Enganando-nos.

segunda-feira, novembro 27, 2017

ALLGO que aconselho Vivamente!

Quando um gajo, numa sexta-feira, farto da porra da semana, entra num tasco, algures nos arrabaldes da margem sul do rio Tejo, e encontra uma pérola destas, perdida num armário refrigerante, no meio de tanta coisa trivial, percebe que nem tudo é assim tão mau. 


E num ápice, aquele momento que servia apenas para enfiar no bucho meia dúzia de coisas indiferenciadas, transforma-se em algo muito mais digno, muito mais aprazível, muito mais contemplativo. Como se tivesse sido feito um reset. Bem dito vinho! Bem dita a ocasião.

Colheita 2014
Estava, o vinho, num estado de excelente equilíbrio, adulto, sem qualquer impressão exótica e exuberante. Perfil sério e sóbrio, profundamente seco. Mas o que importa ou importou é que me encheu as medidas, aconchegou-me a alma, amaciou-me a dor da distância. É al(l)go que aconselho vivamente a provarem. Não! A beberem. 

quarta-feira, novembro 22, 2017

Aos Gajos Loucos ...

Ainda bem que existem gajos loucos, que fazem vinhos loucos, que se borrifam para o que a média quer e o que os conhecedores, especialistas dizem e profetizam lá do alto do altar. Ainda bem que não ligam puto


É que do outro lado, também existe malta que não liga puto para o que a média quer e para o que os guias espirituais ditam sobre o assunto. Que não quer saber dos bem vestidos, desta terra.


Ainda bem que existem loucos, neste mundo. Tornam-no muito mais divertido, bem mais irrequieto, muito mais louco. Sorte nossa.

sábado, novembro 18, 2017

Que se lixe! Merece um 20...

Todos conhecem, por certo, o provérbio popular mais vale cair em graça do que ser engraçado. A sorte, a empatia, a arbitrariedade, o saber comer e calar, a cunha, aquele empurrão no momento certo são factores que podem ditar o destino de alguém. São, ao fim ao cabo, coisas da vida. É preciso saber e ter arte para cair no goto. Caindo no goto, torna-se tudo muito mais fácil. Abre-se um número infindável de portas, portões e portinhas. Infelizmente, este nível de fortuna não atinge a maioria. E muitos recebem louros em demasia. Nasceram de cu virado para a lua.


Este produtor, vou dizê-lo sem qualquer pudor, é dos poucos tesouros que o Dão ainda conserva. Os seus vinhos, não sei se estão bem feitos, se tem defeitos ou não, encerram dentro deles uma alma enorme. Possuem aquele carácter bem típico dos vinhos do Dão, de outros tempos. Tempos que, perdoem-me, muitos já esqueceram, que não fazem ideia do que eram, mas que quase todos tendem a querer destruir.
Este Encruzado é simplesmente um estrondo de vinho. Não, não me enganei no que disse. Não é, certamente, um vinho para todos. É, antes de mais, um vinho provocatório, desafiante. E não sei se foi propositado ou resultado do acaso.


Numa época em que quase tudo recebe grandes louvores, é acariciado e paparicado por meio mundo, em que um 17, 18 ou 19 se tornaram o pão nosso de cada dia, este vinho merece um 20. Um 20 pela sua rusticidade apaixonante. Um 20 pela forma como consegue transportar dentro de si, toda a alma da pedra e da frescura acutilante da Beira Alta. Um 20 pela quantidade de arestas que tem. Não, não é um vinho bonito, mas antes, e felizmente, rude. Acima de tudo, genuíno.
É literalmente um vinho que não serve para a mesa do Rei. É para ser celebrado junto daqueles que estoicamente se lembram de como eram as coisas antigamente. Um autêntico compêndio de memórias.

quarta-feira, novembro 15, 2017

Encontros com o Vinho

No meio da época alta dos eventos de vinho, pelo menos na capital do império, que balanço a fazer após a realização dos mais esperados Encontros com o Vinho (o da Vinho Grandes Escolhas e o da RV - Essência do Vinho)?


Não tenho ouvido, visto ou lido grandes reacções, por parte de quem os visitou e que naturalmente fez comparações. É claro que existem publicações, comentários elogiosos e vitoriosos por parte dos adeptos de cada uma das equipas responsáveis de cada um dos eventos. É normal e compreensível.


Pessoalmente, visitei por breves horas o Grandes Escolhas Vinho & Sabores. A falta de paciência já não me permite provar tudo e mais alguma coisa, só para fazer currículo. Ainda assim, molhei os lábios numas coisas bem interessantes. Gostei do espaço, do seu conforto, desfrutei da ausência de encontrões e empurrões, não presenciei copos partidos, nem bandos à procura de armazenar a maior litragem possível. Gostei da sobriedade do evento. A panóplia de produtores era vasta e diversificada, para todos os gostos e feitios. Pelo que fui reparando, o cardápio proposto pela Vinho Grandes Escolhas pareceu-me foi bem maior do que aquele que foi proposto pela Revista de Vinhos - Essência do Vinho para Encontro com o Vinho e Sabores, que não visitei.

segunda-feira, novembro 13, 2017

Horácio Simões: Moscatel Roxo Superior 2005

O tempo que um Moscatel ou um Porto passa em madeira (tonel ou barrica) é uma variável muito importante na complexificação deste tipo de vinhos. Muitas vezes, até usamos expressões como engarrafamento mais tardio ou mais recente. Não sabendo muito do assunto e nem querendo tocar em questões técnicas, que estão fora do meu alcance, tenho sido confrontado com vinhos Moscatéis da mesma colheita, mas engarrafados em alturas diferentes, com estados de evolução e complexidade bem diferentes. 


Invariavelmente aqueles que estiveram mais tempo de estágio na madeira, sofrendo as agruras da oxidação, são os que apresentam um nível de aromas e sabores muito menos imediatos, bem mais profundos, muito mais interessantes e sérios. 


Este vinho Moscatel Roxo é um destes casos. Tenho seguido a sua evolução, desde que foi lançado, e posso afiançar que agora está num estado que o catapulta para o grupo dos melhores Moscatéis da região de Setúbal. A sua imensa frescura, aliada àquele toque a vinagrinho, bem como uma porrada de impressões a especiaria que parece ter, colocam este vinho num patamar onde poucos Moscatéis de Setúbal, da nova geração, conseguem chegar. À excelência. São, por isso, cerca de 20 euros muito bem empregues. E tenho dito.

quinta-feira, novembro 09, 2017

A Cor dos Brancos

Alerta à navegação! Isto não tem nada a ver com a cor da pele dos humanos. Só para não criar mal estar desnecessários ou interpretações enviesadas. Estamos, portanto, esclarecidos.
A minha dúvida é muito simples. Na verdade, já tinha tocado no assunto uma vez aqui. Têm por hábito reparar na cor dos vinhos brancos que bebem?


Nos últimos tempos, dei comigo, a dar mais atenção à cor que os vinhos brancos possuem. E comecei a ficar, assumo perante vós, um pouco incomodado, tipo pé atrás, com a tonalidade de alguns deles. Possuem cores tão esbatidas, quase a roçar a água. Quase, quase transparentes. Até se fica em dúvida, se é vinho ou outra coisa qualquer. E influenciado ou não, fatalmente os vinhos acabam por saber-me invariavelmente a algo meio desenxabido. A algo, apenas, com álcool. As perguntas são muito simples e directas: Porque que é que isto acontece? Manipulações a mais?

segunda-feira, novembro 06, 2017

Vinha Othon: Uma questão de Tendência

Todos temos inclinações. Preferimos determinada coisa em detrimento de outra. Muitas vezes, sem razão justificável. Na maior parte das vezes, nem sequer uma justificação se consegue dar. É assim, porque é assim. Basta gostar mais e já chega. É suficiente. Para mim, é claro.



Sempre gostei mais do Othon do que do Reserva da Vinha Paz. Sempre me pareceu mais elegante, mais fino, mais clássico. Muito mais sedoso. Gosto da sua sobriedade, da sua falta de exuberância. Da sua aparente falta de modernidade. Não sei se me estão a entender. 

quarta-feira, novembro 01, 2017

Os 19

Reparei no outro dia que quatro vinhos tintos da região do Douro (Poeira 44 Barricas 2014, Quinta da Leda 2015, Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo Grande Reserva 2015 e Quinta do Monte Xisto 2015) obtiveram nota 19 numa revista da especialidade. Sem contar com os 18 e 18,5. Já tinha reparado, aqui e além, que outros vinhos tinham, também, sido agraciados com estas avaliações. Não quero, nem pretendo, não desejo, não é minha intenção questionar o real valor dos vinhos e muito menos a seriedade de quem atribuiu as classificações. Fica aqui o aviso público, só para não pensarem, como é hábito, que estarei a desdenhar. Infelizmente no país que vivemos, quase que precisamos pedir desculpas só para levantar o dedo e fazer uma mera pergunta (inha). É o medo da segregação.


Não deixei de reter-me, por momentos, nas páginas da revista Vinhos Grandes Escolhas, num estado que não consegui definir. Devo partilhar com vocês que gostava, um dia, provar estes e outros vinhos do género para compreender a dimensão das classificações deste calibre, num exercício comparativo. Isoladamente, torna-se mais complicado compreender, entender. Acho eu.
Sei que durante anos, era muito mais fácil aceitar que um vinho generoso recebesse 19 valores, do que um vinho tranquilo. Por isso, será que estaremos a entrar numa nova era, em que as barreiras que limitavam a atribuição destes valores estão a cair? Será que já não existe tanto medo, receio ou pudor? E que comparação podemos estabelecer, a este nível, entre os nossos vinhos (cada vez mais bem classificados internamente) e os outros lá de fora? Ou tudo isto que está acontecer cá dentro, não é mais do que uma projecção do que está suceder, também lá fora?