Não nasci nesta banda, vim de outros lados, mas foi por aqui que
assentei e criei laços. Tornei-me num
acérrimo defensor deste lado do
Rio Tejo (a tal Margem Sul).
Viro-me sistematicamente contra os da banda norte (linguagem que se usa para diferenciar cada uma das margens do rio), que olham para nós de soslaio, imbuídos de um
bacoco espírito lisboeta que os tornam ridículos e arrogantes.
Defendem que Portugal é efectivamente Lisboa
e o resto é paisagem. Eu, simplesmente, gostaria de saber de que Lisboa falam.
Depois de mais uma
polémica declaração de interesses, sinto a obrigação como
apaixonado do tema e puro consumidor elogiar uma pequena
loja Gourmet que existe no
Barreiro. Não se trata de
publicidade gratuita, nem pagamento de um qualquer serviço prestado. Estas palavras s
ervem apenas para gritar aos outros que nos
recantos mais estranhos desta banda e numa cidade que conheço muito bem
(viver os anos 80 por aqui, foi uma loucura) está um lu

gar
(despido de qualquer de preciosismo desnecessário) que disponibiliza
meia dúzia de produtos de qualidade. Carnes, mais ou menos exóticas, tamboril, lagosta. Tudo devidamente embalado ou cortado no momento
(as carnes). Patés, azeites, vinagres, massas, vinhos e outros
pequenos acepipes que podemos levar para casa.
Este lugar está intimamente ligado a um restaurante que
viveu, durante muitos anos,
perto do local. Este restaurante
O Fondue, que iniciou a sua actividade nos anos 80, especializou-se, desde então, nas carnes de caça e estendendo-se às carnes exóticas.
Recordo a febre que era, na altura, comer carne de avestruz, de bisonte, camelo, zebra e de crocodilo. Ao mudar de instalações perdeu
aquele brilho que tinha. E
stá massificado, barulhento e
descaracterizado. De qualquer modo, ganhou espaço e é, apesar de tudo, um
bom poiso para estar com um grupo

de amigos.
A ideia da loja é oferecer tudo que é servido no restaurante e
mais alguma coisa. Cabe-nos, apenas, a função de
enfiar as coisas no saco e ir embora para
outro lado. Em súmula, um projecto que merece aplausos e que nós
(que andamos neste lado) merecemos.
Tenho pena, imensa pena, que não existam mais sítios destes
(Mário Lino tem razão, ainda vivemos num deserto). Em
Alcochete, por exemplo, assisti ao aparecimento e desaparecimento de alguns projectos (
que pareciam ser interessantes). Mas
a velocidade com que morreram foi tão grande que a história que tenho para contar resume-se, apenas, a uma pequena consideração:
Os preços eram estupidamente altos.