quinta-feira, julho 21, 2016

Um litro e meio de Quinta da Leda

Nada melhor do que termos pela frente vinho em quantidade suficiente, em que o fim não está à vista. Em quantidade suficiente para atingir aquele estado de ebriedade, tão necessário em algumas alturas da vida. E depois dormir como se fôssemos um daqueles anjinhos que não têm sexo. Ou se têm, um tipo não consegue descortinar quem é quem.


Se muitas vezes atingimos esse nível de alheamento com uma porcaria qualquer, com um vinho que veio sabe-se lá de onde, imaginem o que é fazê-lo com algo incomensuravelmente melhor. Em vez de tragar rapidamente para atingir o tal objectivo, podemos ao invés sentir o que vai acontecendo com os nossos sentidos de forma pausada, num ritmo muito mais controlado, muito menos ofegante e com um nível de gozo muito maior. Assim vale a pena.


O resto é igual: vai-se bebendo até alcançarmos o que queremos: o fundo da garrafa e a alegria de estar de alegre e distante da bosta ou das bostas que nos apoquentam sistematicamente.

segunda-feira, julho 18, 2016

Quinta de Foz de Arouce: de 1996 a 2016

Há coisas do caraças. Um simples vinho com vinte anos de idade, leva-nos num ápice a parar com os ponteiros do tempo e recambiar para trás. Faz-se uma breve revisão de vinte anos de vida. Relembra-se, sem qualquer esforço, o que aconteceu em mil, novecentos e noventa e seis. Porra, naquela altura o sonho ainda comandava a vida. Ainda. Com muita coisa já metida nas gavetas, é certo, mas ainda havia aquela sensação que talvez fosse possível dar a volta ao texto.


O angustiante disto tudo é ter percebido, quando os ponteiros do tempo voltaram a rodar, que estou vinte anos mais velho, com menos vontade, com muito menos expectativas sobre tanta coisa e sobre tanto assunto. Está-se naquele estado de deixar rolar as coisas simplesmente, não julgar, não planear, não pedir nada. E profundamente desconfiado com as intenções dos outros. De pé atrás, como o povo costuma dizer.


Bom, o que importou é que o vinho estava com mais força e garra que eu. É o que interessa ao fim ao cabo, para aqui. Para beber aos copos, sem parar e sem complicar muito.

sábado, julho 16, 2016

Filipa Pato Bical&Arinto

Independentemente da qualidade de cada vinho, faz-me confusão, aliás sempre fez, devo dizer, ver escarrapachado em rótulos determinados chavões, que servem para pouco mais do que estragar esses rótulos. Por vezes, fica no ar uma sensação de pretensiosismo escusado. Devo dizer que não há necessidade.


Dão ideia, esses chavões, que querem mostrar, um pouco à força e por repetição, que não há marosca, que não existe intervenção, que é tudo autêntico, como é o caso. Em detrimento dos outros que poderão ser o contrário. Acho que, mais uma vez, não havia necessidade. Cada um é como é.
Se quem faz vinho, seja ele qual for, está certo das suas convicções, acredita numa determinada forma de estar, creio que não há, mais uma vez, a necessidade de mostrar ao mundo que trilha um caminho próprio. Pelo menos de forma ostensiva. Quem se interessa pelo assunto irá certamente notar as diferenças. Quem não se interessa, não vai querer saber. 


E o vinho em causa, pela qualidade que tem, não precisa que seja anunciado como sendo um vinho autêntico. Ele já o é. Bastaria apenas Filipa Pato Bical&Arinto. É preciso mais? Julgo que não.

quarta-feira, julho 13, 2016

Curtimenta segundo Anselmo Mendes

Serve o presente para informar vossas excelências que este vinho branco foi, até ao momento, um dos melhores vinhos brancos portugueses que bebi no corrente ano de dois mil e dezasseis. Um vinho que não me deixou indiferente e que prendeu a atenção do primeiro ao último trago. Na verdade, acrescento que foi bebido com enorme sorvidão até ao fim. 


Um vinho que revelou possuir várias camadas de sabores e de cheiros que foram cambiando de forma dinâmica, evitando que o bebedor caísse na monotonia, no enfado. Coisa que às vezes é rara.


Um vinho branco muito refinado, bem complexo, com uma austeridade e carácter muito pouco comuns no reino dos alvarinhos. Houvessem mais vinhos assim, por estas bandas.

sexta-feira, julho 08, 2016

Quinta dos Roques

E quando apenas dizemos que gostamos? E quando ficamos imensamente felizes com um vinho? E quando vemos que o que importa é o prazer, a alegria, a satisfação. É estar bem!?


E quando reparamos que a simplicidade do momento arreda para o lado todo e mais algum problema? O estado de quase harmonia, de paz, atinge-se na maior parte das vezes, sem a necessidade de complicarmos, sem a necessidade de estarmos a enfadar o próximo, com meia dúzias de palavras sem qualquer interesse para ninguém. 


Que se desfrute e que se aconselhe de forma simples, sem rodeios, sem isto ou aquilo. Que se diga: bebe e curte! O resto, acreditem, pouco importa. É tempo de simplificarmos. Resumindo: isto está muito bom. O Amândio diz que é para comprar, para beber e guardar. Eu acho que vou beber, pois não sei o dia de amanhã.

terça-feira, julho 05, 2016

A culpa é minha!?

A culpa é minha! A culpa é minha por tudo o que tive e por tudo o que não tive. A culpa é minha por ter perdido, por ter desistido. A culpa é minha pelo que disse e acima de tudo pelo que nunca disse.


A culpa é minha, por não ter feito aquela curva até ao fim, por não ter arriscado aquele niquinho. A culpa é minha. Só minha? Não. É tua, também. Tua, porque te escondeste no meio dos silêncios e em mil e uma desculpas fajutas. Tua, porque também fugiste, calaste, porque não quiseste, porque não lutaste. Não, a culpa não é só minha. É tua, também. É partilhada. É tua e minha. E tu sabes disso, mesmo que digas o contrário sempre.

segunda-feira, julho 04, 2016

No imenso reino da loucura!

Sabemos que tudo tem um preço e esse preço é justificável perante o volume da nossa carteira e segundo as nossas expectativas. É assim com quase tudo. Portanto, os vinhos não são diferentes. É verdade que o preço também reflecte a raridade, a qualidade (ou não), o peso da história. São um misto de variáveis, muitas vezes difíceis de avaliar ou de categorizar. Mas fatalmente tudo vai desembocar, como há pouco disse, nas expectativas que temos e ou se lhe reconhecemos valor e como tal se é justo ou não. Sei que é subjectivo este assunto.


Contudo, ainda fico surpreendido com o preço de alguns vinhos. Do tipo, assim do nada, armam-se em flores de estufa, em preciosidades, são colocados presunçosamente num patamar que não merecem e ou que pouco fizeram para o merecer, como se o preço o tornasse instantemente num produto de altíssima qualidade.


E por muito que se tente justificar o injustificável, torna-se difícil, se não incompreensível, como é que, sem se saber porquê, este ou aquele vinho custam, vá lá, os olhos da cara. Apraz dizer que estamos no reino da loucura e da falta de bom senso. Só pode. Ou sou eu que não compreendo. É o mais certo.

sábado, julho 02, 2016

Vinhas Velhas do Engenheiro

Devo dizer que há muito tempo, muito mesmo, que não pegava num vinho do senhor engenheiro. Não encontro qualquer razão plausível que justifique o meu afastamento. Talvez, porque ando mais interessado noutras coisas. Sinceramente não sei. As minhas razões são quase sempre injustificáveis. Mas adiante.



E sem mais delongas, porque é sábado e a malta quer ir para outros lados, registo apenas que curti este clássico. Abstraindo-me, dentro do possível, do que poderá ter ou não para além de uvas, assumo que têm andado pela cabeça a possibilidade de um vinho, seja ele qual for, ter isto ou aquilo, devo dizer que este Vinhas Velhas pareceu-me mais leve, mais fresco, mais limpo, mais tenso que o habitual. E francamente melhor no dia seguinte. Facto que tem acontecido com muitos vinhos brancos. Melhores nos dias subsequentes. 


quinta-feira, junho 30, 2016

Os vinhos para a malfadada época Balnear!

Não gosto de praia. Melhor, não gosto da areia entre os dedos, do barulho, do cheiro a protector solar, a bronzeador. Das bolas a saltar. Não curto a porrada de coisas que uma pessoa tem que levar. É isto e aquilo e mais aquilo. Nunca fui apreciador de praia. Nunca quis ficar moreno, sendo que não consigo. Na melhor das hipóteses, fico vermelho, escaldado e dorido. Nunca percebi qual o interesse em estar de papo para o ar, levar com os raios solares em cima do lombo e ir rodando tipo porco no espeto. É literalmente uma dor de cabeça pensar que tenho que ir para a praia. É incomensuravelmente melhor estar à sombra, sossegado, levar com a brisa nas ventas e desligar, ou não, de tudo. Mas pronto, são manias. E eu sempre fui um gajo de com muitas manias.
Uma das maneiras para aliviar o estado de angustia é levar a companhia certa para todos aqueles momentos em que consigo safar-me de meter os pés na areia. Naturalmente, os melhores são aqueles que em estando na praia, não estou nela.


A companhia não é mais que uma caixa com seis vinhos com mais um extra, que são escolhidos sem um critério específico, sem grandes ponderações, sem pensar, muitas vezes no que vou comer. As ementas vão desde as prosaicas conservas, às salsichas, às sempre presentes saladas russas, aos bivalves, ao que apetece fazer e comer.
E a caixa para este ano é formada pelos seguintes vinhos, todos brancos naturalmente:
1.Quinta dos Roques;
2.Quinta das Maias;
3. Muros Antigos Anselmo Mendes Loureiro;
4.Muros Antigos Anselmo Mendes Escolha;
5.Quinta das Bageiras;
6.Quinta de Saes Reserva.
Atrelada vai uma garrafa de Villa Oliveira Vinha do Províncio para um dia mais especial, que pode ser qualquer um, mesmo que tenha uma lata de sardinhas, um tomate e um pimento pela frente.
As férias, essas, começam a sério quando estiver a uns valentes quilómetros de distância do litoral, longe do alvoroço e no meio das minhas deambulações internas.

terça-feira, junho 28, 2016

Quinta de Saes Reserva Branco: Um questão de vício

Não sei se repararam, mas sou um tipo cheio de contradições. Contradições por que consigo encontrar virtudes e defeitos nas múltiplas perspectivas sobre este ou aquele assunto. Contudo, apenas escolho o que quero ou aquilo acho que vou gostar. Digamos que faço uma separação clara entre o que quero e o que compro para mim e o que bebo com este ou aquele ou ali ou acolá. Estranho? É possível, mas é assim. Adiante.


Sou de modas. Sou efectivamente de inclinações. Quando embico com um vinho, nunca mais o deixo em paz, até ficar, sei lá, farto ou cansado dele, acabando por deixá-lo de lado junto aos outros, até um dia. 


Este vinho branco caiu-me no goto. Dá-me um gozo terrível bebê-lo até ao fim, como se o mundo acabasse hoje. Por diversas vezes, desejo guardá-lo, mas termino sempre por descer as escadas e sacar uma garrafa. É uma porra! É um vinho profundamente fresco, com uma tensão que me agrada particularmente, que faz vibrar. Esqueço qualquer teorização sobre o modo como foi feito, por que ele tem (acho eu) o que procuro num vinho branco: muito frescor, muita limpidez, muito tudo aquilo que gosto. Com muito vício à mistura, é claro. Escusado será dizer que está ainda imberbe o dito.

segunda-feira, junho 27, 2016

Com mais ou menos manipulação!

Por causa das ditas leveduras e outros quejandos, devo dizer que fiquei, por alguns momentos, meio confuso com a possibilidade de andarmos meio enganados. Do tipo, pensarmos que bebemos uma coisa que não é essa coisa,  tal como aconteceu com os infalíveis carros germânicos. Por isso, conduzo uma frota de prosaicos e velhos Fiat's. Sei que valem pouco, não enganam, têm muitas falhas (não compro um carro desde dois mil e quatro), mas sei com o que conto. 
Passada a celeuma do bendito purismo versus a maléfica manipulação, tenho que ser honesto comigo. Sou um consumidor polivalente. Ui que coisa horrível! Bebo vinho com madeira, sem madeira, da garrafa, do pipo, do jarro, com copo todo bonitinho ou em copo rude. 


O que importa ou o que tem importado até agora, tem sido o momento ou os momentos, independentemente se este ou aquele vinho cumpre ou cumprirá todos os preceitos, sem qualquer desvio ao que achamos ser o mais correcto. Tenho que ser franco, não percebo de enologia, não sei como se faz um vinho e não posso por isso, defender uma dama, lá porque este ou aquele me diz que é assim. As minhas capacidades de bebedor, não permitem descobrir onde está o gato. Não, não sou capaz.  Mas penso sobre o assunto.
Por isso, deixarei de beber o que bebia, por causa das dúvidas? Decididamente, não! Até porque, dou e sempre dei mais importância às emoções, aos estímulos, às memórias, aos momentos e acima de tudo à companhia. Tenho andado sozinho, por opção. Os vinhos que não bebia, continuarei a não beber e aqueles que bebia continuarei, por certo, a bebê-los. Depois lá por serem mais ou menos manipulados, muitas vezes não (me) diz quase nada. Tem que haver mais qualquer coisa. Têm que fazer click. O meu, que é o que importa. 

quinta-feira, junho 23, 2016

Carlos Lucas diz: Encruzado com Leveduras dos Vinhos Verdes!

Bastava o título, que é da minha inteira responsabilidade, para deixar registada a minha perplexidade, quiçá derivada do enorme desconhecimento que tenho da arte de enologia. É um facto, porque só bebo. Contudo, não deixei de registar que Carlos Lucas, reconhecido e laureado enólogo português, defende que sejam adicionadas leveduras seleccionadas na região dos Vinhos Verdes em vinhos feitos com a casta Encruzado. Leitura e interpretação minha. Devo dizer-vos que fiquei assim meio confuso. Meio sem saber o que pensar ou dizer. 

Revista de Vinhos
A QA23, adorei o nome da dita levedura, é conhecida, segundo consta, por enfatizar as componentes cítricas do aroma, o que pode enriquecer aromaticamente o Encruzado pois, como todos sabemos, em novo não mostra grande exuberância aromática. Logo há que dar um jeito...